domingo, 19 de outubro de 2008

Morte na alta roda II

Desta vez o juiz assinou o mandato para análise dos telefonemas, que foi imediatamente enviado para a Vodafone, com uma nota de “muito urgente”. Autorizou a peritagem ao BMW do Dr. Lacerda, com muita relutância e apenas depois de lhe ser assegurado que estava em causa uma questão crucial para a investigação.
O banqueiro ficou escandalizado quando lhe entregaram o mandato que autorizava a perícia à sua viatura. Ligou para o advogado que o aconselhou a colaborar e a retirar-se para o recato da sua moradia, antes que os jornalistas farejassem o acontecimento.
Uma aturada vistoria à viatura permitiu encontrar vestígios de sémen nos tapetes traseiros, alguns cabelos e vários conjuntos de impressões que se provou pertencerem à vítima. No tapete do lugar do condutor foram encontrados uns fragmentos minúsculos de saibro idêntico ao do Jardim de Arca d`Água.
Face a este conjunto de indícios o insigne banqueiro foi detido para interrogatório e quando saiu cinco horas depois, já tinha sido constituído arguido, com termo de identidade e residência como medida de coacção. Durante o interrogatório manteve uma postura calma e respondeu com notória poupança de palavras a tudo o que o juiz lhe perguntou.
Sustentou sempre que não conhecia o rapaz, negou ter estado nos últimos vinte anos no jardim de Arca d`Água e negou ter disparado a pistola assassina. Declarou ter estado em casa toda a noite, não ter saído e ter adormecido perto da uma da manhã, declarações confirmadas pela esposa que dormia no quarto ao lado e que o ouviu ressonar regularmente.
O meio da alta finança acordou abalado com o escândalo provocado por um dos seus pares mais conceituado. As acções do Banco de Investimento desceram seis pontos, alguns clientes importantes encerraram as suas contas, o Conselho de Administração reuniu de emergência para analisar a crise provocada pelo escândalo e pela demissão pedida pelo seu presidente. Telejornais abriram, com directos da tranquila avenida onde o arguido residia e onde se supunha estar refugiado.

- Ó pá, é demasiado simples. Há muito que já deixei de acreditar em tudo o que me põe em frente do nariz… E esta merda cheira mal de cada vez que lhe tocamos. – dizia o Cabral enquanto rolava um palito entre os dentes.
- Isso é verdade, mas os indícios são muito fortes e o velho não tem um álibi em condições. Tanto podia estar a dormir como a enrabar algum puto – concorda o Ramos, recostado na cadeira.
- Ou a ser enrabado… - resmunga o Cabral.
- Meus amigos, fiquei com a impressão que o Dr. Bacelar não disse tudo durante o interrogatório e o juiz também ficou com a mesma impressão. Aquela capa de indiferença está a camuflar algo mais profundo. Há várias hipóteses. Pode ter sido ele a apagar o miúdo ou está a proteger alguém. Também pode estar a ser tramado…
- Por quem, carago? – pergunta o Ramos.
- Por algum filho da puta do banco que o quer foder! – explica o Cabral com a habitual profusão de vocabulário vernáculo.
- Não pode ser. Estás a esquecer-te que a arma do crime estava na gaveta fechada à chave no quarto dele e ao BMW só tem acesso o motorista. A propósito algum de vocês interrogou o segurança sobre esse aspecto.
- Falei eu com ele e confirmou que o BMW ficou estacionado na rua em frente à casa – diz o Cabral.
- Mas porque é que não o recolheram na garagem?
- Porque esteve a fazer revisão e só à noite é que um mecânico o veio trazer. Já não é a primeira vez que assim acontece e é habitual deixá-lo estacionado em frente à casa e meter as chaves na caixa do correio.
- Detesto estas coisas da alta sociedade. Nunca são o que parecem…
- Tirando o dinheiro, ainda são mais fodidos que nós, os tesos! – sentencia o Cabral.
O telemóvel do inspector Maurício tocou, era o Dr. Lacerda a dizer-lhe que tinha algo a comunicar e pedia-lhe que passasse por sua casa a qualquer hora.
- Fala-se no diabo e ele aparece. Bem, vou lá ver o que ele quer, mas palpita-me que vai começar a levantar a tampa – diz o Maurício levantando-se.

- Eu conhecia o miúdo. Lamento ter dito que não o conhecia mas estava assustado e… hum… segui o conselho do meu advogado. Ele nem sonha que estou a ter esta conversa consigo.
- Quero informá-lo que tudo o que me transmitir terei de fazer constar dos autos do processo…
- Eu sei, mas não posso deixar que este crime horroroso fique impune e eu passe por criminoso. Como lhe dizia eu conheço, melhor, conhecia o miúdo. Soube da existência dele há três meses por um conjunto de circunstâncias desagradáveis, mas…
- Desculpe interromper, mas se quer informar-me de todos os factos que dispõe, tem de deixar-se de rodeios e ir directamente aos factos.
- Tem razão. É um velho hábito do meu meio. Descobri que o Tomé era meu neto. Quando ainda era solteiro, na casa de meus pais tive um… tive uma… uma relação com uma empregada. Ela ficou grávida e foi para a terra, algures no norte e a vida continuou. A minha mãe foi muito generosa com a rapariga, ela ficou bem, tanto quanto sei e eu fui enviado para Londres e lá fiquei durante um par de anos. Quando regressei casei com uma senhora que faleceu pouco depois e uni-me em segundas núpcias com a minha actual esposa, da qual tenho três filhos. A nossa antiga empregada teve uma filha e nunca lhe disse quem era o pai, tinha sido o acordo feito pela minha mãe. A criança cresceu na aldeia, fez-se mulher, sei agora que se chamava Aurora, veio para o Porto, casou com um desgraçado qualquer e andou a prostituir-se por aí até que a mataram há uns meses. É capaz de se lembrar do caso inspector…
- Sim, Aurora… recordo uma mulher estrangulada na Via Norte. Nunca se descobriu quem foi, provavelmente um cliente…
- Talvez sim, talvez não… O certo é que era minha filha e quando ela faleceu o Tomé foi informado, trabalhava numa fábrica de móveis. No funeral parece que encontrou um tio, melhor, um tio-avô, irmão da nossa antiga empregada, que lhe contou a história da família, com nomes e tudo. Um dia o rapaz apareceu-me aqui à porta, o segurança correu com ele, mas voltou e insistiu nos dias seguintes até que disse que era meu neto. O segurança informou-me e imagine como eu fiquei ao ouvir da sua boca coisas que eu pensava já ter esquecido. Dei-lhe algum dinheiro e pedi algum tempo para reflectir. Voltou mais duas vezes e da última contou-me algo arrepiante…
- Algo relacionado com a prostituição masculina? – perguntou o inspector Maurício.
- Sim. Ele tinha-se iniciado na prostituição muito novo quando ainda estava no reformatório. Um dos seus clientes habituais… desculpe, nem lhe ofereci uma bebida.
- Não, obrigado. Continue…
- Mas eu preciso de uma bebida… forte.
Serviu-se de uma garrafa de cristal contendo um líquido âmbar, deixou verter longamente no copo e emborcou metade da porção de um trago. Via-se pela contracção do rosto que não estava habituado a beber dessa forma, mas as circunstâncias eram excepcionais.
- Bem… Dizia eu, que me contou que estava no negócio da prostituição masculina e que tinha um cliente com um carro como o meu e parecido comigo a quem ele roubou uma pasta com documentos. Levou para casa e viu que aparecia o meu nome em vários papeis… Sabe o que isto quer dizer?
- Que pediu dinheiro pelos papéis – conclui o inspector Maurício.
- Não, o miúdo nunca tentou fazer chantagem. Eu acho que ele queria apenas um pouco de atenção, se calhar uma família. Aquilo que ele nunca teve.
- Então quem é o dono do outro carro, o tal que era cliente?
- É o meu filho mais velho, que também pertence ao conselho de administração do banco. Todos os administradores têm viaturas de serviço iguais. O carro dele é exactamente igual ao meu, só muda a matrícula. Foi um choque muito grande para mim saber que frequentava os meios da prostituição masculina, a prostituição infantil. Muito duro, inspector, muito duro para um pai! Mas o pior ainda estava para vir, pois eu confrontei-o com os factos, ele negou sempre e dois dias depois o rapaz… o meu neto estava morto e eu suspeito de homicídio e de práticas… práticas nojentas. Usou a minha arma e o meu automóvel para me incriminar, para afastar-me do banco e eliminar um herdeiro inesperado, pois eu comuniquei-lhe a intenção de tomar conta do rapaz e dar-lhe uma educação adequada, se ainda fosse a tempo… A minha vida está arruinada, mas isso pouco me importa, nos dois últimos dias passei a ver vida com outros olhos.
- Dr. Lacerda tenho que proceder à detenção do seu filho imediatamente e solicitar-lhe que me acompanhe para registar as suas declarações.
- Sim, sim, mas mais logo inspector. Peço-lhe apenas duas horas, talvez três horas… O meu filho deve estar a chegar e quero ter uma conversa tranquila com ele. Depois pode levá-lo preso, até me pode levar a mim.
- Muito bem senhor doutor, vou manter esta casa sob vigilância e logo que termine a conferência com o seu filho peço-lhe que me telefone para proceder à detenção com a maior discrição possível.t

Às 19,45 o segurança da propriedade ouviu vários estampidos provenientes do escritório e face à ausência de resposta do interior, arrombou a porta deparando com os cadáveres do pai e do filho. No chão, ao lado do Dr. Lacerda, estava uma pistola Browning 6,35 ainda quente.
Fim

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Morte na alta roda (1ª parte)

O inspector Maurício desligou o telemóvel, recostou-se na cadeira, tamborilou no tampo do portátil fechado e procurou ordenar os pensamentos.
Aquele homicídio estava a dar-lhe água pela barba e ainda por cima não podia trabalhar à vontade, pois estava envolvida gente da alta sociedade, tipos com ligações às mais altas esferas do poder político e financeiro. Tinha de os tratar com toda a delicadeza e quase subserviência, o que o deixava hesitante e pouco seguro.
O cadáver tinha sido encontrado no Jardim de Arca d`Água, um jovem assassinado a tiro, com marcas da entrada dos projécteis nas costas. Segundo apuraram no local, rapidamente vedado aos mirones, o rapaz devia ter sido alvejado quando fugia de alguém, que após a queda do alvo voltou a disparar à queima-roupa mais duas vezes. Estes dois projécteis atravessaram-lhe o dorso e enterraram-se alguns centímetros no saibro da álea onde o cadáver foi encontrado.
Ninguém ouvira os tiros e o cadáver tinha sido identificado pelas impressões digitais como Tomé Alves Rodrigues, dezassete anos, um longo curriculum de pequenos delitos desde os nove anos, idade com que saiu de casa, sufocado com a indiferença da mãe que se prostituía no Bonjardim e do pai que se embebedava onde calhava. Internado na Oficina de S. José fugiu diversas vezes, mas deixava-se apanhar sempre, como que de um jogo se tratasse. Pelo menos ali não passava fome.
Aos dezasseis anos saiu do Lar para ir trabalhar numa fábrica em Paços de Ferreira e perdia-se a pista durante longos meses.
Na zona de Arca d`Água ninguém o conhecia, mas acabaram por descobrir através de um antigo colega da Oficina, que nas últimas semanas o Tomé tinha dormido numa residencial manhosa, para os lados da Areosa.
A surpresa instalou-se na cara dos agentes da Judiciária que procediam à recolha de indícios no quarto da residencial, ao depararem com alguns milhares de euros em notas dentro de uma mochila e uma pasta com documentos do Dr. João Baltar Lacerda, presidente do Conselho de Administração do Banco de Investimento, figura muito conhecida do jet-set portuense.
Quando confrontado com o achado, o Dr. Lacerda mostrou-se reservadamente indiferente, dizendo apenas que eram papeis sem importância, que provavelmente qualquer dos seus colaboradores a tinha perdido, não fazendo ideia de quem seria o dinheiro encontrado.
O inspector Maurício registou uma brevíssima perturbação do banqueiro, quando o informou sobre o destino trágico do rapaz que possuía os documentos e o dinheiro.
Quando solicitou ao juiz um mandato judicial para investigar o telefone do banqueiro, deparou com uma negativa peremptória e quase foi corrido do gabinete do magistrado, que, certamente, tinha na melhor conta a figura do Dr. Lacerda.
Estava atado de pés e mãos, restava-lhe investigar os últimos dias do rapaz. Conseguiu saber que o Tomé se tinha despedido há três meses e que uma ou duas vezes foi visto entrar para um enorme BMW preto.
O antigo colega que tinha estado com ele nas Oficinas de S. José, acabou por dizer que ele tinha “umas cenas maradas com gajos de massa que gostam de putos”. Quando ligou para o Lopes, um inspector pouco mais velho que ele e que era sistematicamente destacado para casos que envolviam pedofilia, o semblante carregou-se pois o nome do banqueiro nunca tinha sido associado a tais práticas.
Deixou-se ficar recostado na cadeira a pensar qual seria o próximo passo a dar. Tinha a convicção de que se não avançasse depressa com algum facto novo o processo seria ultrapassado por outro e mais tarde ou mais cedo seria arquivado, ficando mais um caso por resolver.
Do laboratório tinham-lhe enviado um e-mail informando que a arma do crime era um revolver de calibre trinta e dois, o que pouco ajudava, pois há milhares de armas deste calibre espalhadas por todo o lado. Ligou para a central do departamento e pediu a um estagiário que verificasse se o Dr. Lacerda tinha alguma arma registada em seu nome.
Estava a almoçar no restaurante habitual, perto da directoria, quando o estagiário lhe confirmou por telefone que o Dr. Bacelar tinha registado em seu nome várias armas, entre as quais, um revolver de calibre 32.
De regresso ao edifício da Judiciária ligou ao principal suspeito do crime que estava a investigar.
- Sabemos que o senhor possui um revolver calibre 32 e gostaríamos de o ver.
- O crime foi cometido com uma arma desse tipo? – perguntou o Dr. Lacerda.
- É provável. Quando posso ter acesso à arma?
- Daqui a meia hora. Estou a sair de um almoço e passo por casa. Pode mandar alguém ir lá recolhê-la.
- Obrigado, irei eu próprio.

Esperou à porta da magnífica propriedade do Dr. Lacerda na Maia, pouco depois chegou o reluzente BMW conduzido por um motorista. O banqueiro apeou-se e fez um sinal aos Inspector Maurício para o seguir até casa, uma discreta mansão escondida entre pinheiros mansos e longos relvados. Dispensou os cuidados de uma criada que correu a recebê-los, subiram a escadaria curva e entraram no seu quarto de dormir, certamente maior que muitos apartamentos médios. Abriu uma das gavetas, retirou um estojo de couro que entregou ao Inspector.
- Aqui tem o revólver. Tenho também ali uma pistola Browning de calibre 6.35. Não sei se também quer ver…
- Não, apenas preciso dos documentos desta arma, se os tiver aí.
- Com certeza. Eu tenho estas armas e nunca as usei fora de casa. São mais como… como tranquilizantes de consciência, do que uma protecção efectiva. Aliás, o senhor sabe que nós temos segurança privada na propriedade.
- Sim, sim. Já verificamos.
- Vou levar esta arma ao laboratório para ser analisada.
Ao final da tarde já lhe davam o relatório preliminar, que confirmava ser aquela a arma do crime. No tambor nem sequer tinham sido substituídos os cartuchos disparados e a comparação das estrias revelou-se positiva. A arma tinha sido recentemente disparada, não tinha sido limpa e as únicas impressões digitais pertenciam ao seu proprietário, embora houvessem vestígios de ter sido manuseada com luvas de látex, provavelmente quando foi disparada pela última vez.
O técnico prometeu enviar-lhe o relatório por e-mail, ligou para o Lopes a saber se tinha descoberto alguma coisa nos meios da prostituição masculina ou nos meios ainda mais restritos da pedofilia.
Apenas tinha confirmado a existência de um BMW de alta gama, vidros escuros do qual ninguém parecia conhecer o condutor. Circulava lentamente, às vezes parava, baixava o vidro, algum dos rapazes aproximava-se, o condutor permanecia na sombra. Conversas escassas se geravam, prazeres se combinavam, as notas mudavam de mão, nunca faltavam.
- Bolas! – resmunga o Inspector desmoralizado com a insuficiência das informações dadas pelo colega.
Chegou a casa poucos minutos depois da Rosa, enfermeira no S. João, com quem vivia há três anos. Jantaram em silêncio, sentaram-se a ver um filme antigo, beberam cerveja, fizeram amor no chão da sala, deitaram-se já depois da meia-noite.
Antes de adormecer ainda pensou que no dia seguinte voltaria ao gabinete do juiz com o relatório do laboratório, para lhe solicitar novamente o mandato, que lhe permitiria analisar as chamadas telefónicas feitas e recebidas pelo principal suspeito, assim como examinar pericialmente o famoso BMW na busca de algo que provasse a presença do Tomé na viatura.
Na manhã seguinte foi chamado ao gabinete do Inspector Chefe Peres, que sem delongas lhe apontou para a primeira página do “24ª Hora”, um jornal sensacionalista que parecia farejar todos os assuntos que exalam mau cheiro. “Banqueiro suspeito de homicídio de um jovem prostituto” e seguia-se uma foto do visado com ar austero, a sair da sede do banco.
- Ó Maurício, como é que estes filhos da puta tiveram acesso a esta informação? Que grande bronca…
- Isso queria eu saber. A investigação tem sido feita no máximo sigilo, conforme nos indicou e que eu saiba, do nosso lado não pode ter havido fuga. Ainda por cima só estou eu, o Ramos e o Cabral a trabalhar nisso e apenas fiz meia dúzia de perguntas ao Lopes sobre os meandros da pedofilia, mais nada.
- Bem, de algum lado saiu, que esses cabrões não iam adivinhar sozinhos. Diga-me lá o que apuraram.

(continua)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Colectânea de Prosa e Poesia


São 37 autores, no total, oriundos do Minho ao Algarve, passando pelas regiões autónomas e pelo Brasil. Uma excelente montra do que se vai fazendo em língua portuguesa. Em prosa e em poesia. Nos mais diversos registos e estilos, mas sempre com o mesmo denominador comum: a qualidade.
Esta é também a prova de que o virtual e o real, neste caso a edição on.line (EscritArtes) e a tradicional publicação em livro (artEscrita Editora), não têm forçosamente que seguir caminhos divergentes. Completam-se e complementam-se.
O lançamento acontece no dia 4 de Outubro, Sábado, pelas 14h30 no Clube Literário do Porto.
Rua Nova da Alfândega, 22
4050-430 PORTO

Lista dos autores participantes na Coletânea "A Arte pela Escrita"

Ana Jerónimo (pág. 7)
Às dez horas da manhã do quinto dia do segundo mês do terceiro ano da década de oitenta do século XX, Ana Jerónimo chora pela primeira vez.
Com dezena e meia de anos, jura que será jardineira. Com dezasseis, a arqueologia! Aos dezoito, o jornalismo é possível. Aos vinte, vai ser argumentista. Aos vinte e três, a ingenuidade dos vinte tem a sua graça. Aos vinte e cinco, quer o gerúndio do verbo ser.

Ana Maria Oliveira (pág. 8)
Ana Maria Rodrigues Oliveira vive em Cascais. Tem 48 anos de idade e é licenciada em filosofia. Uma das suas actividades preferidas, além da poesia, é a pintura.
Ao longo da vida, intercalou a leccionação com períodos de dedicação exclusiva à família. Encara a poesia como um grito de liberdade vindo da profundidade de uma alma humana. A poesia é uma catarse necessária para uma mente que quer partilhar
emoções.

Ana Marques (pág. 9)
Ana Marques, médica veterinária, nasceu em Abril de 1969, em Lisboa. Escreve por prazer desde os treze anos. Poesia e prosa. Iniciou a publicação dos seus textos em sites de escrita criativa em 2007.

António Murteira da Silva (pág. 10)
António Murteira da Silva nasceu em Lisboa, a 29 de Maio de 1973. Aos 14 anos, foi viver para S. Paulo, Brasil, onde além da escola frequentou o Conservatório. A sua grande paixão sempre foi a música.
Em Fevereiro de 2003, ingressou na Rádio Algarve FM onde faz um programa semanal. Desde Janeiro de 2007, participa na área da cultura do Jornal Noticias da Manhã. Começou com a fotografia profissional em Abril de 2007; prefere fotografar concertos, peças de teatro e espectáculos.

Brito Ribeiro (pág. 11)
António José de Brito Ribeiro nasceu em 1957, em Vila Praia de Âncora, onde reside actualmente.
Colabora com diversos órgãos de comunicação local e regional e tem dois blogs, “vilapraiadeancora.blogs.sapo.pt” e “rioancora.blogspot.com”. Em 2006, começou a escrever pequenos contos e crónicas, muitas delas inspiradas na vivência dos pescadores Ancorenses.

Carla Ribeiro (pág. 12)
Carla Ribeiro, estudante de Medicina Veterinária, nasceu em Portugal a 20 de Julho de 1986. Premiada em vários concursos literários, tem textos publicados em diversas antologias.
Publicou, além disso, pela Corpos Editora, os livros “Estrela sem Norte”, “Alma de Fogo”, “Canto de Eternidade”, “Herdeiros de Arasen, vol. I”, “Herdeiros de Arasen, vol. II” e “O Deus Maldito”.

Carlos Soares (pág. 13)
Carlos Ricardo de Sousa Soares nasceu em Guilhufe, Penafiel, em 6/11/1957. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, é advogado desde 1986.
Dedica-se à docência e ao estudo. A sua vocação é escrever. Tem três livros jurídicos editados pela Almedina, de Coimbra: Heranças & Partilhas, Rendas Livres e Condicionadas e Contrato-Promessa de Compra e Venda de Fracção Autónoma, com várias edições.

Celtibério (pág. 14)
Silvério Domingos do Carmo Calçada (Celtibério / O Verso Vicia) nasceu em 1953 e descobriu o prazer da escrita há cerca de 5 anos. Escreve sobretudo sob a forma de soneto pelo desafio que é contar uma história em apenas 14 versos.
Não aceita o epíteto de poeta, preferindo o de “rimador”, mas sempre com preocupações de tónicas e métricas sobretudo nos decassílabos. Assina alguns trabalhos com o pseudónimo de Celtibério por causa do fascínio que sente pela cultura e música Celta.

Conceição Bernardino (pág. 15)
Técnica de Contabilidade, nascida a 1 de Fevereiro de 1969 na cidade do Porto. Amante da Escrita e das Artes.
Adora ler, viver, diz que o sonho constrói-nos e arrebata em si essa beleza: “Alguém que vai eternizar a vida à sombra das árvores, aprendendo a ouvir os que sofrem nos murmúrios das fontes”

David Gomes (pág. 16)
David Miguel Martins Gomes nasceu há 20 anos, no Porto. Actualmente, reside em Cárquere, Resende.
Possui o 12º ano de escolaridade e deverá ingressar no ensino superior. Descobriu a poesia numa viagem para o Porto.

Deolinda Reis (pág. 17)
Deolinda Fernanda Pereira dos Reis nasceu em Rio Tinto, a 7 de Setembro de 1964. Possui o curso de Professora do 1º Ciclo.
Desde cedo se sentiu fascinada pelo mundo das palavras, quer no campo literário quer no campo da escrita. Colaborou em inúmeros jornais escolares, tendo publicado trabalhos no “Jornal de Notícias” e no “Povo de Rio Tinto”. Publicou, em 2007, No Silêncio das Palavras (artEscrita) e, em 2008, Triângulos Poéticos 1 (artEscrita, co-autora).

Dionísio Dinis (pág. 18)
Dionísio Dinis, nome das escritas de Manuel Antunes Cardoso, leitor assíduo desde os onze de idade, talvez um razoável leitor, quem dera que daqui a muitos anos possa escrever algo que possa ser lido sem enfado!
Podem-no encontrar nas escritas virtuais – sempre em produção reduzida - onde está desde Março de 2006, altura em que pensou gatafunhar umas espécies de poemas. “Aquém me leu e/ou lerá, o meu obrigado pela gentileza e paciência demonstradas!”

Dite Apolinário (pág. 19)
Maria Fernanda Apolinário nasce em Picote, a 10 de Outubro de 1956. Adopta o nome familiar de Dite.
Realiza o Bacharelato em Enfermagem, profissão que abraça desde 1978, no Hospital Curry Cabral. Em 2006, é incentivada pela poetisa Mavilde Lobo Costa, na revelação da sua escrita, pelos vários sites e Tertúlia Rio de Prata. É moderadora geral do site EscritArtes, desde a sua feliz constituição. Elogia os vários locais de afectos e de memórias de pele.

Elvira Santos (pág. 20)
Natural de Gouvães do Douro, freguesia que desce pelos socalcos vinhateiros do Douro, no concelho de Sabrosa (Torga também viu aqui o mesmo céu), Elvira Santos cedo começou a colher poesia nas linhas da paisagem enorme desfolhada perante seus olhos e dos livros que vinham à mão.
Depois, a vida ora lhe trouxe mais ora lha tirou. Finalmente, conquistada a paz e segurança da estátua que já não cai, desenrola da memória (e da gaveta) um rolo de poemas que compõem Era Agosto e Chovia (2007), obra de estreia da poetisa, que vem a frutificar na co-autoria deTriângulos Poéticos II, artEscrita.

Gonçalo Coelho (pág. 21)
Nasceu em 1978. Residiu nas cidades de Lisboa e Porto, Brighton, São Bento do Sul e Curitiba, no Brasil.
Estas experiências preenchem o seu espaço literário caracterizado pela diversidade cultural e pela vontade de proporcionar perspectivas e facetas diferentes daquelas mais frequentemente veiculadas sobre o mundo em que vivemos. Já colaborou com o Primeiro de Janeiro e com o Expresso. www.goncalocoelho.com

Goreti Dias (pág. 22)
Maria Goreti Andrade Carneiro Dias nasceu a 30 de Janeiro de 1958, em Santo Tirso. Aí fez os seus primeiros estudos até à altura de rumar a cidade maior, Porto, onde frequentou instituições de Ensino Superior.
Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade do Porto, exerce funções docentes na terra que a viu nascer. Amante das letras desde que se conhece, agradece aos seus próprios professores o incentivo que fez dela o que é hoje.
Viaja invariavelmente pela Net onde passeia as suas letras… No seu blog, em sites de literatura … um pouco por todo o lado…

Henrique Monteiro (pág. 23)
Henrique Monteiro nasceu no Porto. É licenciado em História e Mestre em História Contemporânea, pela FLUP, onde é investigador do Centro de Estudos de População, Economia e Sociedade.
Desenvolve, paralelamente, actividade docente, na Escola Secundária de Gondomar. É co-autor da Breve Monografia da Escola Secundária de Gondomar, vol. II, Edições Asa, 1989 e da Colectânea de História (10º e 11º anos),
Livraria Cruz, Braga, 1981. Publicou, em Setembro de 2007, Rio Sem Viagem e, em 2008, Triângulos Poéticos II (co-autor), pela artEscrita.

João Carlos Brito (pág. 24)
João Carlos Brito nasceu a 2 de Novembro de 1966, no Porto; licenciado em Português-Francês, na Universidade de Aveiro. É professor do Ensino Secundário, jornalista, formador e editor.
Obteve algumas distinções em concursos literários nacionais e internacionais, na modalidade de conto, tendo textos publicados em diversas colectâneas de contos, boletins periódicos e na imprensa. Editou 24 horas (grafigondomar, 2002), Cinco Enterros do João (Arca das Letras, 2006, co-autor) e Paraíso à Chuva (artEscrita, 2007).

Jorge Vieira Cardoso (pág. 25)
Natural da Cidade da Lixa, 45 anos de idade, comerciante e colaborador do Jornal Da Lixa. Publicou o primeiro livro de poesia a 19 de Abril de 2008, “Nas Linhas Das Tuas Mãos”, com chancela da editorial negra tinta; entretanto, pensa editar um romance, em 2009.

José António (pág. 26)
José António Pinto nasceu no Porto, em 31/01/54. Profissional na área da gestão. Começou a publicar no JN em 1973 e está incluído em três Antologias Contemporâneas de Poesia.
Galardoado como autor dramático, já representou como actor amador. Expôs pintura e desenho em Lisboa e Porto. Publicou em Fev.2006 “Ecos do Suão“ romance - Papiro Editora e em Jan.2008 “Momentos de Insónia” – poesia - artEscrita.

José Porvinho (pág. 27)
Pseudónimo de José Pais, nascido em Grada, Anadia em 1964; tirou Eng.ª Florestal em Vila Real (UTAD) e é ainda técnico de desenvolvimento, guia da natureza, jardineiro, vice-presidente da Lousitânea (Liga de Amigos da Serra da Lousã), praticante de atletismo e um curioso a tempo inteiro.
Tem colaborado ao longo de vários anos em diversa imprensa escrita regional e pontualmente em algumas publicações nacionais. Vive e trabalha em Castanheira de Pêra. Tem um livro publicado (2008): “INCONFIDÊNCIAS E...”, artEscrita.

Laura Gil (pág. 28)
Laura Mariana Gil nasceu em Bragança, em 1958. É Técnica de Biblioteca e Documentação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Gosta de Pintura e de escrever. Participa em alguns sites de poesia.

Liliana Maciel (pág. 29)
Liliana Maciel nasceu a 12 de Abril de 1959, no Funchal; casada, mãe de duas filhas e enfermeira de profissão. Não se considera uma poetisa, mas tenta transcrever para o papel o que a sua alma sente. Colabora no escritArtes desde 18 de Outubro de 2007.

Luís Ferreira (pág. 30)
Luís Ferreira nasceu no Barreiro a 8 de Maio de 1970, onde ainda vive. Publica em diversos sites ligados à escrita e às artes em particular no seu blogue pessoal – Mar de Sonhos – http://marsonhos.blogspot.com.
Publicou dois livros de poesia – Novembro de 2007 – “Mar de Sonhos” a sua primeira obra poética, e em Maio de 2008 – “Rio de Sal”.

Magda Pais (pág. 31)
Magda Pais (pseudónimo: Pedra Filosofal) nasceu em 1969, no Barreiro. É casada e tem dois filhos. A leitura é o seu passatempo preferido, sendo que apenas se começou a aventurar na escrita em Dezembro de 2007.
Hoje publica os seus textos em dois sites de literatura e mantêm o blogue http://stoneartportugal.blogspot.com onde dá a conhecer os seus trabalhos, bem como os de outros autores, consagrados ou não.

Marco Pinto C. (pág. 32)
Marco Pinto Correia nasce em Lisboa no ano de 1970. As suas primeiras publicações são letras para canções da banda V12. Posteriormente entra no obscurantismo da classe média em procura de uma vida decente.
O silêncio prevalece até que ao momento em que começa a publicar os seus textos no mundo virtual tendo recebido menções honrosas de importantes portais nacionais de literatura.

Maria de Lurdes Dias (pág. 33)
Utiliza o pseudónimo de Cleo. Nasceu a 27 de Maio de 1965, em Lisboa. Despertou para a poesia apenas no ano de 2005, altura em que escreveu os primeiros poemas e os publicou num blog ao qual deu o nome de ECOS.
Mais tarde, conheceu alguns sites onde se registou e onde passou a partilhar do mesmo gosto de tanta gente, que admira e estima, sempre de mãos dadas com a poesia...

Mel de Carvalho (pág. 34)
Maria Amélia de Carvalho (Mel de Carvalho) nasce em Portugal, Lisboa, a 23 de Janeiro de 1961.
Licenciada em Sociologia do Trabalho na Universidade Técnica de Lisboa, prossegue actualmente Doutoramento na Universidade Nova de Lisboa. Publica pela primeira vez os seus trabalhos (da poesia aos contos…) na Internet em 2006. Em 2007, publica “Sibilam Pedras na Encosta”, Corpos Editora.
Em Junho de 2008, integra a Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea, Vol. XVI, “Poiesis”, Ed. Minerva; integrará brevemente a Antologia Escritores Brasileiros - e Autores de países em Língua Portuguesa - 8ª Edição bem como a Antologia Luso-Poemas Para além dos seus blogs, colabora com diversos sites de escrita, jornais e revistas, tendo no prelo um novo livro de poesia, “No princípio era o Sol”, com lançamento previsto igualmente em 2008, sob chancela da Edium, Editores.

Paulo Melo Lopes (pág. 35)
Paulo Melo Lopes identifica-se como “damasco” quando faz login em www.escritartes.com. Nasceu em 1973, em Coimbra, e reside actualmente em Vila Nova de Gaia.
É licenciado em Psicologia pela Universidade de Coimbra e pós-graduado em Consulta Psicológica e Psicoterapia. Exerce actividade profissional nas áreasda formação e da psicoterapia.

Pedro Ventura (pág. 36)
Pedro Ventura nasceu no Barreiro, em 1975. No ano de 1997, com algum atrevimento, e influenciado pela leitura, começou a escrevinhar alguns textos.
Em 2006 e 2007, é premiado com o conto “Raízes” em dois concursos literários: 1º Prémio de Conto Livre - XXVI Jogos Florais do Algarve 2006 e 2º Prémio da 8.ª Edição do Concurso Literário Dr. João Isabel 2007 - C. M. de Manteigas. Para além da escrita, dedica-se também ao seu projecto musical.

Rosa Maria (pág. 37)
Rosa Maria Anselmo nasceu no dia 29 de Julho de 1958, na cidade do Porto. Com apenas um ano de idade, parte com os seus pais e irmão para Moçambique. Regressa a Portugal em 1976 e, em 1989, já casada e com dois filhos, parte para Macau. Reside actualmente em Mindelo.
Inicia o gosto pela escrita muito jovem, ainda nos bancos do Liceu, mas é já adulta que dá asas à criação de poemas. A escrita, a poesia, é para Rosa Maria uma forma de abraçar emoções... Em 2003, edita o seu primeiro livro “Diferentes Momentos”, pela editora “In-Libris” na sua colecção Princeps. Em 2007 faz parte da antologia “Luso-Poemas (2006)”, da Corpos Editora. Em Junho de 2008, edita o seu segundo livro “Sinais do Silêncio” com a chancela da Papiro Editora.

Sandra Fonseca (pág. 38)
SANDRA MARIA BATISTA FONSECA – Brasileira, 47 anos, reside em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Formada em Psicologia pela Universidade Fumec, especialista em Hipnose Eriksoriana, trabalha atualmente como psicoterapeuta e Psicóloga Social do Centro de Referência Especializado em Assistência Social da cidade de Nova Lima.
Participa, além do Escritartes,de alguns sites de literatura na Internet.Participou da Antologia Escritores Brasileiros e Autores em Língua Brasileira - Editora RB. Classificada com o soneto “Meu desejo” no concurso de poesia da Universidade Federal de São João Del Rei – Inverno cultural, edição 2008, compondo a antologia do concurso.

Tim James Booth (pág. 39)
Tim James Booth é o pseudónimo de Tiago Sousa Garcia, nascido em Matosinhos em 1988, portuense por vocação.
Após uma incursão pela informática, decide dedicar a vida e talento, se o tem, à sua paixão de sempre: a escrita. Neste momento, frequenta o curso de Línguas, Literaturas e Culturas pela FLUP. Os seus escritos encontram-se um pouco por toda a net, especialmente no seu blog e no EscritArtes.

Vanda Paz (pág. 40)
Vanda Paz nasceu em Janeiro de 1970, em Lisboa. É enóloga e vive numa pequena aldeia (Pereiro) perto de Anadia.
A sua paixão pela poesia começou ainda era uma menina da primária, tendo escrito o primeiro poema quando tinha 14 anos. A poesia faz parte de si, é o seu equilíbrio com a vida. Participou, em 2008, com dois textos na Antologia da Associação Portuguesa de Poetas “A Nossa Antologia” XIV Volume 2007/2008, Associação da qual faz parte.

Vítor Burity da Silva (pág. 41)
Vítor Manuel Amaro Burity da Silva nasceu na cidade de Nova Lisboa, Angola, a 28 de Dezembro de 1961.
Frequentou e completou o 12º ano. Vive em Lisboa desde 1975, tendo saído de Angola por altura da descolonização. Publicou em jornais e revistas, de 1982 a 1987, tendo participado e sido premiado em jogos florais na área da prosa poética; entre 1985 e 1986, foi redactor coordenador no jornal do exército, Sentinela, onde prestou serviço militar. Publicou, em 2008, Rua dos Anjos, pela artEscrita.

Vóny Ferreira (pág. 42)
Vóny Ferreira, pseudónimo de Mª Ivone B. S. Ferreira. Nasceu em Coimbra a 17 de Fevereiro de 1956, reside há 25 anos em Leiria.
Em Outubro de 2007, foi publicado o seu primeiro romance “As sombras da Infância”, pela editora Lusociência.

Xavier Zarco (pág. 43)
Xavier Zarco – pseudónimo de Pedro Baptista (Coimbra, 1968). Tem vinte e um títulos publicados e diversas distinções das quais se destacam: Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá, em 2004 e 2007; Prémio de Poesia Manuel Maria Barbosa du Bocage, em 2005, Prémio de Poesia Raúl de Carvalho, em 2005 e Prémio Literário da Lusofonia, em 2007.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O soldado que não esqueceu 2ª parte

Uma manhã, estava o Ernesto a afinar uma quinadeira, quando a moça do escritório lhe veio comunicar que estavam à espera uns senhores da polícia para lhe falarem.
Desconfiando que seria mais uma estroinice de algum dos seus filhos, foi lavar as mãos, passar um pente pelos cabelos ásperos e tirar o fato de macaco.
Ao apresentarem os cartões da Judiciária viu logo que o assunto era grave. Começaram por lhe fazer perguntas do trabalho e da empresa, mas logo o começaram a interrogar sobre o seu patrão, Armando Martins Rebelo. O que fazia, com quem andava, quem o visitava, quem lhe telefonava e coisas do género. Enquanto as questões eram sobre o trabalho ainda conseguiu responder sem hesitações.
Quando as perguntas eram sobre o Sr. Armando, como ele o tratava, é que a entrevista ficou difícil e os silêncios eram cada vez maiores, acabando o Ernesto por reconhecer que pouco ou nada sabia sobre a vida privada do patrão. Interrogando os polícias sobre os motivos daquele inquérito, ouviu um seco “não podemos esclarecer, está em segredo de justiça”.
Nessa noite pouco jantou e custou-lhe a adormecer, ainda por cima o Sr. Armando não atendia o telefone, o que o deixava em cuidados.
No dia seguinte recebeu a visita de outro polícia, que lhe comunicou que o patrão estava preso em Salamanca e iria ser transferido para Madrid. Tinha sido apanhado numa operação contra o tráfico de droga, com perto de vinte quilos de cocaína disfarçados no fundo da bagageira do seu BMW 525.
A Polícia Judiciária há vários meses que andava a investigar esta rede e a detenção não foi casual, pois no mesmo dia foram apanhados mais três correios que levavam cocaína para Madrid e provavelmente para Barcelona.
Dos bancos começaram a chover telefonemas solicitando depósitos inadiáveis de forma a cobrir cheques e letras metidos a desconto pelos fornecedores.
O Ernesto estava totalmente atordoado com o rumo dos acontecimentos. O patrão preso em Espanha por tráfico de droga, a firma sem um tostão no banco e com ameaças de penhoras, a chapa estava a acabar e não havia crédito para mais, enquanto não pagassem a remessa anterior.
O final do mês passou e não deu para pagar os ordenados a ninguém. O Ernesto cada vez comunicava menos, até em casa e só quando lhe dirigiam a palavra é que respondia com uma economia notória de palavras. Não tardou a entrar em depressão, mas recusava-se a ir ao médico, apesar das súplicas da Luísa e dos filhos.
Uma noite acordou aos berros, saltou da cama com ar esgazeado e fugiu em pijama para a rua, acabando a mulher por ir encontrá-lo encolhido junto ao abrigo da paragem dos autocarros a tremer convulsivamente.
Acabou por ser internado no Magalhães de Lemos e o médico que o examinou e medicou disse à mulher que era um caso grave de stress pós-traumático despoletado tardiamente pela situação da empresa.
Esteve internado dois meses, teve alta, regressou a casa e passou a sentar-se no seu cadeirão preferido o dia inteiro, de onde saia apenas para as refeições ou na hora de ir para a cama.
Foram infrutíferos os tratamentos, o estado de ansiedade era permanente, estava silencioso durante horas para, de repente começar a berrar, tapando os ouvidos com as mãos.
A calandra fechou, foi leiloada por ordem judicial e comprada por uns espanhóis que depois de obras de adaptação montaram um entreposto frigorífico para mariscos.
O Ernesto como era sócio da empresa não teve direito a subsídio de desemprego, nem passou a figurar nas estatísticas que os políticos esgrimem diariamente.
Um dia quando a Luísa chegou a casa viu que ele não estava. Esperou até à noite, ligou para os hospitais e acabou por ir à polícia participar o seu desaparecimento.
Foi encontrado uma semana depois em Espinho e voltou a ser internado. Os períodos em casa alternavam com as fugas e com os internamentos.
O desespero da mulher era cada vez maior pois não conseguia encontrar saída para a situação. Nunca mais o Ernesto foi o mesmo, nunca mais mostrou interesse em procurar novo trabalho, nem sequer mostrava interesse na família.
Perderam as contas aos desaparecimentos até que decidiram não o voltar a procurar, na expectativa de o verem regressar voluntariamente a casa.

Tornou a virar-se, tossiu e acabou por levantar-se. Enfiou os pés nas botas, espreguiçou-se e abriu a porta. Lá fora o frio era intenso e um arrepio percorreu-lhe a espinha.
Ainda era noite, talvez ainda não fossem seis horas. Urinou encostado à figueira, regressou à barraca e comeu às escuras duas tangerinas que tinha guardado da véspera. Pegou na mochila, fechou a porta o melhor que pôde e meteu-se à estrada, em direcção a Valongo.
Os automóveis não eram muitos àquela hora e na maior parte do trajecto seguia na escuridão, pela valeta estreita até à padaria onde lhe davam sempre alguma coisa para comer em troca de despejar os caixotes do lixo da fábrica e outros biscates do género.
Na curva que antecedia a entrada para a zona industrial um automóvel aproxima-se em alta velocidade, procura fazer a curva o mais possível por dentro e embate com grande violência em algo grande e escuro na valeta, que parte o pára-brisas, seguindo-se o despiste. O automóvel acabou por se esmagar contra um grosso plátano vinte metros mais à frente. Da amálgama de ferros nem um grito, nem um suspiro, pela estrada ficaram espalhados uma grande quantidade de vidros partidos, chapas metálicas e bocados de plástico da viatura.
Automóveis pararam para prestar auxílio, alguém ligou para o 112 que acabou por recolher apenas os cadáveres dos dois ocupantes do automóvel e do peão atropelado, que jazia caído de bruços na valeta.
O agente da Divisão de Transito da PSP que preenchia o auto de notícia ficou espantado quando se apercebeu que os documentos do automóvel estavam em nome de Ernesto da Silva Martins, o condutor chamava-se Luís Rafael Linhares Martins, o seu acompanhante André Linhares Martins e ao homem atropelado, com aspecto de sem abrigo, tinham tirado da mochila surrada, um bilhete de identidade em nome de Ernesto da Silva Martins.

Fim

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O soldado que não esqueceu (1ª parte)

O Ernesto virou-se lentamente e as molas do velho sofá rangeram. Aconchegou a manta e coçou repetidamente a barriga. Mais uma pulga madrugadora que se passeava entre o tufo cerrado de pêlos que lhe desciam pelo peito, numa mancha contínua até aos pés.
Seriam ainda umas cinco da manhã e o frio entrava por todas as fendas existentes. Pouco adiantara ter entalado jornais debaixo da janela e na porta, se é que se podia chamar porta àquelas tábuas desconchavadas que tapavam a entrada da barraca.
Como pertences, apenas a mochila surrada onde guardava umas calças de ganga, duas camisas e uma camisola de lã, tudo oferecido pelos voluntários da carrinha amarela. Roupa interior já não usava há muito, os pés entravam e saíam nus de dentro das velhas botas, que um dia tinha encontrado junto a um contentor de lixo. Alguém que já não precisava, tinha dado a oportunidade de um pobre as aproveitar.
No pequeno compartimento, o único mobiliário era o sofá de veludo, seboso e rasgado em vários sítios, uma mesa redonda de plástico branco e duas cadeiras a condizer, certamente “fanadas” de alguma esplanada.
As “necessidades” eram feitas entre os arbustos que cresciam livremente no terreno com vista para a Serra de Santa Justa, às portas de Valongo.
O Ernesto depois de ter pernoitado ao relento em muitos vãos de porta e debaixo da maioria das pontes das VCI, tinha arranjado aquele abrigo que lhe permitia suportar melhor o frio do mês de Novembro. Pelo menos não chovia dentro, o telhado de zinco ainda estava em bom estado.
Este homem baixo que a fome emagrecera, enrugado precocemente, não ultrapassava os cinquenta e poucos anos, apesar de aparentar mais alguns. Quem o visse diria que andava pelos sessenta anos ou mais.

Quando saiu da escola primária em Torre de Moncorvo, foi aprender o ofício de serralheiro para a oficina do Salvador, que lhe deu as primeiras luzes sobre a arte de bem trabalhar o ferro.
Dois anos depois, um primo afastado da mãe aceitou-o com aprendiz na Calandra do Bonfim, no Porto, onde alugou um quarto ao cimo da Rua de Santa Catarina. Uma vez por mês, metia-se no comboio que subia o Douro até Barca d`Alva e rumava a casa paterna de onde vinha carregado com chouriços, presunto e outras iguarias serranas, que complementavam as refeições tomadas no “Marinho”, uma casa de pasto no Largo dos Poveiros. Foi também no “Marinho” que conheceu a Rosa, uma sardenta que fazia a Rua de Santos Pousada e que o iniciou nas artes de alcova.
A vida foi correndo entre o trabalho, onde já tinha a confiança do patrão, as idas ao futebol ao domingo à tarde, as horas passadas com as raparigas habituais no “Marinho” e as jogatinas de sueca numa tasca do Bonjardim, mesmo por detrás da Estação da Trindade.

Quando foi chamado para a tropa assentou praça em Coimbra, fez a recruta e a escola de cabos, deram-lhe duas semanas de férias e de seguida embarcou rumo à Guiné, a bordo do Niassa. Os dias de férias gozou-os junto da mãe e da única irmã, mais velha que ele cinco anos e que tinha casado na terra com o Evaristo, um dos três carteiros lá da zona.
Corria o ano de 1971 e o que se sabia da Guiné é que uns terroristas nos queriam roubar as províncias ultramarinas, por isso era preciso combatê-los por todos os meios e a guerra estava quase ganha.
O Niassa demorou mais dois dias que o normal para chegar a Bissau, devido ao mal tempo que apanhou nas Canárias. Quando pôs os pés em terra firme, o cabo Ernesto da Silva Martins estava mais morto que vivo devido ao enjoo prolongado.
A sua companhia estacionou num quartel dos arredores de Bissau durante alguns dias, até chegarem as Berliet e os Unimog que os transportaram até Candamã junto à fronteira com a Guiné-Conacri.
O quartel não passava de um conjunto de barracões toscos e de uma parada, tudo rodeado por duas alturas de bidões metálicos de duzentos litros cheios de terra, rodeados, por fora e por dentro, de arame farpado.

O Ernesto procurou levar muito a sério as missões em que foi envolvido e dar aplicação ao treino que tivera na longínqua Serra da Lousã. Ouviu muitas vezes as balas a assobiar sobre a cabeça, mais de uma vez teve que cavar com as mãos abrigos improvisados para se furtar aos efeitos do bombardeamento por armas pesadas, que era suposto os terroristas não terem. Viu caírem camaradas de armas e a sua companhia foi das que mais baixas teve durante o ano de 72.
Ouvia na Emissora Nacional, em ondas curtas, a propaganda do regime e as crónicas de guerra, onde se anunciava que os terroristas estavam mal armados, esfomeados e não passavam de meia dúzia de desgraçados escondidos no mato.
Sabia agora que era tudo mentira, quem se escondia no mato por detrás de paliçadas e arame farpado era a tropa portuguesa, frequentemente emboscada quando saia em patrulha.
Perdeu a moção do tempo e dos actos bárbaros a que assistiu e nos quais participou, mudou de região, a situação estava cada vez pior. Havia zonas onde já não punham os pés, nem os helicópteros se aventuravam.

Quando regressou ao continente e foi desmobilizado, retomou o seu lugar na calandra e pouco depois conheceu a Luísa num baile do Grémio de Rio Tinto. Os pais dela tinham uma mercearia e a Luísa trabalhava de costura para uma modista. Namoraram durante alguns anos, o 25 de Abril tinha passado, alugaram casa e passaram a morar juntos, após casamento civil.
O Ernesto tornara-se uma pessoa reservada, embora sociável, que dedicava a vida ao trabalho e à família. Na calandra, o patrão tinha-lhe dado uma pequena cota de sociedade, os negócios corriam bem, ganhava-se muito dinheiro com as constantes subidas de preço da chapa metálica.
A família cresceu, veio primeiro o Luís Rafael e três anos depois nasceu o André, que era a cara chapada do pai.
Um dia souberam de um apartamento à venda na Travagem, pediram dinheiro ao banco e acabaram por comprá-lo, dando como entrada os mil e quinhentos contos resultantes da venda de umas propriedades, que lhe tinham tocado por morte da mãe.
Os filhos cresceram, a Luísa largou a modista que entretanto se tinha reformado e arranjou emprego numa fábrica de confecções em Ermesinde, onde rapidamente ascendeu a chefe de linha.
O dono da calandra, que ainda era seu parente afastado, cada vez ligava menos à oficina, deixando-lhe a responsabilidade dos clientes e da produção. Ele apenas tratava das papeladas e dos bancos, era raro aparecer durante a manhã, só de tarde e nem sempre.
Quando se divorciara andou uns tempos acabrunhado, mas depois dedicou-se à boa vida e eram frequentes os comentários dos operários que casualmente viam o patrão acompanhado de mulheres vistosas, com idade para serem suas filhas.
(continua)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Gritai meus filhos, gritai...

Mar de Âncora, 14 de Fevereiro de 1951

O relógio da sala deu as quatro horas. A cama rangeu sob o peso do Chico que se levantou às escuras. Ao seu lado o irmão ainda dormia, tinha sorte, iria alar as redes já com o dia, podia dormir descansado mais um par de horas.
Vestiu-se na cozinha à luz do coto da vela, engoliu a broa dura com uns goles de cevada que a mãe deixara na cafeteira, sobre o fogão ainda morno.
No Portinho as gamelas deslizavam sobre os rolos de pinho em direcção ao mar que a brisa encapelava de leve.
- Ao menos não vamos precisar dos remos – diz o Tone Machina, que aos treze anos, tal como o Chico da Caganta, já labutavam no mar o sustento escasso, que o mar consentia dar.
Cedo içaram a vela que empurrou o “Sempre em Frente”, velho barco tipo poveiro, em direcção aos mares de Afife. À sua frente navegava o “Pesse Bucha” que ia procurar sustento para os mesmos lados.
A verga da vela rangia sob o esforço, o vento era mais que em terra, assobiava nos cabos retesados. Ao leme, o César do Baba procurava aproveitar o máximo da força, oferecendo pano às rajadas consecutivas. Cada vez que a direcção do vento mudava, o mestre compensava com um golpe de leme que fazia o barco adornar. A água corria então veloz a escassos dedos da borda, um ou outro salpico invadia o interior já molhado do pequeno barco de pesca.
De súbito, uma rajada de través pôs a tripulação alerta.
- Arreai a vela – grita o mestre vendo o barco inclinar-se perigosamente.
Os homens soltaram a adriça, mas a verga não desceu. Uma volta no cabo de linho duro, não passou no moitão. Desesperadamente puxaram novamente pelo cabo da adriça e soltaram-no de imediato, na esperança de se desfazer a volta do cabo, uma “cocha” na linguagem destes pescadores.
O cabo molhado e rijo voltou a prender e a vela não desceu como todos ansiavam. Com a inclinação a vela tocou na água, o leme soltou-se, o barco rodopiou e tombou de lado.
Os homens caíram ao mar esbracejando em pânico. O nome do Senhor dos Aflitos passou de boca em boca, enquanto se procuravam desembaraçar da roupa grossa que os puxava para o fundo.
Uns agarrados ao mastro tombado, outros seguros às tábuas alcatroadas do barco, gritaram até ficarem roucos, mas a embarcação que os precedia continuou a sua marcha, ignorante da tragédia que se desenrolava na sua esteira.
O tempo passava, os homens na água subiam e desciam ao sabor da ondulação cavada. A terra estava longe e inalcançável, devido ao vento que se fazia e os atirava para sul. Por perto não se vislumbrava qualquer outra embarcação.
Ao fim de uma hora estavam gelados, a água em Fevereiro está sempre fria e o Fininho, doente dos pulmões, desesperado com a ausência de socorro, conseguiu abrir a navalha e dizer ”prefiro matar-me a esperar a morte”, no que foi prontamente contrariado pelos seus companheiros que o demoveram de tão dramática atitude.
- Vamos rapaz, aguenta-te, que os barcos da pescada hão-de estar a passar e algum nos vai socorrer – diz o mestre Cesar do Baba, mais para incutir animo nos seus homens que por convicção.
- Estou a ver uma vela – diz o Chico que se tinha sentado sobre o mastro que acompanhava a ondulação das ondas.
- Gritai meus filhos, gritai… - diz o mestre.
Ao longe, o “Estrela d`Âncora” do Tio Morranga navegava-se sem pressa, as redes estavam perto, o vento estava manhoso e não havia que fiar. O Tó Malhão levantou-se, inclinou a cabeça para um e outro lado, subiu para o banco na tentativa de olhar mais longe.
- Desce daí rapaz, não vês que é perigoso da maneira que está o vento – diz-lhe o pai e mestre da embarcação.
- Estou a ouviu gritos – justifica o Tó.
- Não ouvi nada.
- Eu também não.
- Calai-vos e escutai. Vem daquele lado.
- Tio Morranga, eu também ouvi agora qualquer coisa – diz o Luís da Laparda
- Eu tambem já ouvi! Caça-me a escota que vamos virar para oeste, rápido, é alguém que está naufragado aí fora. Deus queira que cheguemos a tempo…
O Tó continuava à proa, ora debruçado sobre o testeiro, ora subindo ao banco mais próximo até distinguir a mancha escura do barco poveiro voltado.
A vela foi arreada, os remos empunhados por mãos rudes, dedos fortes que se fecharam sobre as empunhaduras com a força do desespero. Na água a tripulação do barco do Baba dava graças às divindades evocadas naquela hora de aflição. O Chico e o Tone da Justa seguravam o Fininho muito debilitado devido ao frio que a doença não repelia.
Depois de todos a salvo, passaram um cabo ao barco naufragado, fundearam-no para mais tarde o recuperarem. Chegaram rapidamente a terra e cada um tratou de ir mudar de roupa e tomar algo quente que afastasse o gelo que sentiam na carne e na alma.
Ao fim da tarde, o “Sempre em Frente” entrava no portinho a reboque de dois outros barcos que o tinham ido resgatar.
Dois dias depois já pescava novamente nos mares de Afife.