<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381</id><updated>2011-07-31T10:53:36.566+01:00</updated><title type='text'>Rio Âncora</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>76</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-3637856392364639103</id><published>2011-04-30T10:29:00.002+01:00</published><updated>2011-04-30T10:32:50.047+01:00</updated><title type='text'>Pérolas amargas  (2ª parte)</title><content type='html'>O farol tornou-se visível mais cedo que as contas feitas pelo capitão, que atribuiu este desfasamento a um amainar do vento e da ondulação, com consequente aumento da velocidade do barco.&lt;br /&gt;- Ilhas Cies à vista, rumo 075, máquina devagar à vante…&lt;br /&gt;- Não se vê nada, senhor. Não seria melhor esperar pela manhã?&lt;br /&gt;- Quantas vezes entrou no porto de Vigo, imediato?&lt;br /&gt;- É a segunda vez…&lt;br /&gt;- Pois eu já aqui entrei mais de vinte… mais de trinta vezes. Quando se atinge aquele farol, o das ilhas Cies, muda-se de rumo, cruzamos devagar e fundeamos aqui – bateu com dedo grosso sobre o mapa – e esperamos piloto para atracar. Menos máquina… menos máquina, pode estar outro barco aí à frente…&lt;br /&gt;O cargueiro deu de bordo à luz bruxuleante do pequeno farol e avançou decidido a entrar nas águas remansosas da Ria de Vigo.&lt;br /&gt;- Marinheiro, largue a sonda… só para verificar…&lt;br /&gt;- Senhor capitão, só temos quatro braças…&lt;br /&gt;- Você está bêbado… meça outra vez.&lt;br /&gt;- A diminuir para três… vamos encalhar.&lt;br /&gt;- Não pode ser… máquina à ré, toda a força – berra o capitão, branco como a cal.&lt;br /&gt;- Máquina à ré… tudo à ré…&lt;br /&gt;A máquina calou-se por instantes e logo se voltaram a ouvir as bielas e cambotas a empurradas violentamente pelo vapor que silvava nos escapes. &lt;br /&gt;Outro barulho se começou a ouvir, primeiro parecia distante, surdo, como se alguém estivesse a arranhar uma chapa para os lados da proa. Em crescendo, o barulho era agora seguido do estremecer de toda a estrutura. Os homens pararam com o trabalho para melhor perceberem o que acontecia. Alguém gritou “encalhamos” e todos se atropelavam para subir ao convés.&lt;br /&gt;- Mais máquina à ré – berrava o capitão.&lt;br /&gt;Ninguém lhe fez caso, todos estavam mais preocupados com as condições do encalhe e o perigo que daí advinha do que nas tentativas desesperadas do capitão em safar o barco. Todos sabiam que um navio quando encalha não sai pelos próprios meios e mesmo com ajuda, raramente se salva.&lt;br /&gt;O “Antinous” estava agora imóvel e da ponte podiam apreciar o mar que rebentava de ambos os bordos do navio. Tinham encalhado sobre um seco de areia, não tinham encontrado pedra, não se ouvira o barulho aterrador da chapa a ser retalhada pelos dentes de granito, o terror, o pesadelo de qualquer marinheiro.&lt;br /&gt;Sentiam-se encurralados mas conscientes que não corriam perigo imediato. As vagas começavam agora a fustigar a popa do navio imóvel. A bombordo continuavam a ver a pequena luz do farol que o capitão Jones tinha tomado por as Ilhas Cies. &lt;br /&gt;Da asa da ponte um dos marinheiros disparou um very light alaranjado que bailou agitado ao vendaval de sudoeste. Ao segundo foguete de sinalização pareceu-lhes ver uma barreira de areia baixa pela proa do vapor.&lt;br /&gt;- Costa Galega não é - resmungou o capitão, que transpirava abundantemente apesar do frio que se fazia sentir.&lt;br /&gt;- Estamos certamente na barra do Rio Lima…&lt;br /&gt;- Não pode ser, senhor Sullivan. Aquele farol é o de uma ilhota, a Ínsua, à entrada do Rio Minho… à nossa frente temos uma praia… temos de esperar auxílio.&lt;br /&gt;Pequenas lanternas bruxuleantes viam-se em movimento pela praia, certamente gente que se tinha apercebido do naufrágio e que, movidos pela curiosidade, tinham descido desde as suas casas, indiferentes à invernia.&lt;br /&gt;Quando o dia clareou surgiu do estuário do rio uma velha canhoneira vomitando fumo pela alta chaminé, chapinhando as rodas laterais nas águas ainda agitadas da foz. Várias manobras de aproximação foram ensaiadas e outras tantas abortadas pelo perigo de um segundo naufrágio. Já a manhã estava avançada quando se avistou a sul um rolo de fumo que rapidamente se aproximou e fácil foi distinguir a silhueta baixa e forte de um rebocador saído a toda a máquina do porto de Viana.&lt;br /&gt;O “Antinous” continuava bem preso no banco de areia, perdido no extenso areal da praia de Moledo a cerca de cento e cinquenta metros da linha de praia mar. Cabos foram lançados pelo rebocador, as manobras duraram toda a tarde e os resultados foram nulos. Ao cair da noite aproveitando um período de acalmia e a viragem da maré, um dos escaleres do navio foi areado e parte da tripulação remou vigorosamente até à praia onde foi recebida com manifestações de carinho pelos populares, que os presenteavam com abundantes porções de bagaço retemperador de frios e emoções.&lt;br /&gt;Durante a noite, o “Antinous” abriu água à ré e de manhã o capitão deu ordem de embarque aos tripulantes que tinham ficado a bordo, depois de desligarem a máquina e ter arrecadado as papeladas do cofre. Desta vez não remaram para terra, mas ao encontro do “Rio Minho” a canhoneira da marinha, representante da autoridade no local, que abrigada pela penedia da Ínsua se mantinha vigilante. &lt;br /&gt;Nessa noite o mar cresceu e na manhã seguinte as águas tingiram-se de amarelo quando o milho arrecadado nos porões rebentados se soltou e vogou ao sabor das correntes.&lt;br /&gt;A Guarda-fiscal ainda tentou impedir o povo de carregar o milho que em vagas sucessivas salpicava a fina areia de Moledo. Em breve a mancha amarela invadia outras praias, Âncora, Afife e Montedor. Destas freguesias surgiam carros de bois e grupos de mulheres que, de cesto de vime à cabeça, gratavam as pérolas douradas que o mar oferecia.&lt;br /&gt;O “Antinous” não mais saiu de Moledo. Foi-se enterrando na areia sempre em movimento no canal entre a ilha da Ínsua e o Bico da Ruiva. Enterrou-se até ficar apenas com a chaminé fora da mortalha arenosa. Onde outrora saía fumo, passaram a viver mexilhões, indiferentes ao passado metálico do alojamento. &lt;br /&gt;Os náufragos foram repatriados e poucas semanas depois já navegavam em outros navios, em outros mares, com mais uma história para contar aos novos camaradas. &lt;br /&gt;O povo que diligentemente tinha recolhido tantas arrobas de milho, amaldiçoou a hora em que tinham encetado tão árdua tarefa, pois o milho grelou e apodreceu depois do contacto prolongado com a água do mar.&lt;br /&gt;Hoje em dia a chaminé do “Antinous” continua erguida, despontando na areia durante a baixa-mar, testemunha solitária e silenciosa, respeitada por pescadores e outros navegantes que se esforçam todos os dias por não errarem o rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fim&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-3637856392364639103?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/3637856392364639103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=3637856392364639103' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3637856392364639103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3637856392364639103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2011/04/perolas-amargas-2-parte.html' title='Pérolas amargas  (2ª parte)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-2271434903056356181</id><published>2011-02-02T15:19:00.001Z</published><updated>2011-02-02T15:21:32.594Z</updated><title type='text'>Pérolas Amargas (1ª parte)</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CBolsBlue%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CBolsBlue%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CBolsBlue%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt;    &lt;w:word11kerningpairs/&gt;    &lt;w:cachedcolbalance/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;   &lt;m:mathpr&gt;    &lt;m:mathfont val="Cambria Math"&gt;    &lt;m:brkbin val="before"&gt;    &lt;m:brkbinsub val="&amp;#45;-"&gt;    &lt;m:smallfrac val="off"&gt;    &lt;m:dispdef/&gt;    &lt;m:lmargin val="0"&gt;    &lt;m:rmargin val="0"&gt;    &lt;m:defjc val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent val="1440"&gt;    &lt;m:intlim val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim val="undOvr"&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" defunhidewhenused="true" defsemihidden="true" defqformat="false" defpriority="99" latentstylecount="267"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="0" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Normal"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="heading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="35" qformat="true" name="caption"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="10" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" name="Default Paragraph Font"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="11" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtitle"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="22" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Strong"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="20" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="59" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Table Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Placeholder Text"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="No Spacing"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Revision"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="34" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="List Paragraph"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="29" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="30" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:1; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-format:other; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-520092929 1073786111 9 0 415 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	font-size:10.0pt; 	mso-ansi-font-size:10.0pt; 	mso-bidi-font-size:10.0pt; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-hansi-font-family:Calibri;} @page WordSection1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.WordSection1 	{page:WordSection1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-priority:99; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;O barulho cadenciado da máquina a vapor de tripla expansão adormecia-lhes os sentidos. O barulho e os tragos de aguardente que tinham embarcado discretamente &lt;st1:personname productid="em Buenos Aires" st="on"&gt;em Buenos Aires&lt;/st1:personname&gt;, no estuário do Rio da Prata onde tinham recebido os sacos de milho, que enchiam os porões do cargueiro inglês.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A viagem começara com bom tempo, Janeiro era mês de Verão nos mares do sul e tinham apanhado uma verdadeira calmaria até à escala de reabastecimento na ilha do Sal, &lt;st1:personname productid="em Cabo Verde. Uma" st="on"&gt;em Cabo Verde. Uma&lt;/st1:personname&gt; escala rápida, apenas vinte e quatro horas para encher as tulhas de carvão e os depósitos de água. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Já tinham deixado a Madeira para trás e passavam agora ao largo do Cabo de S. Vicente quando o barómetro começou a cair como uma pedra. O Capitão Jones resmungou uma praga e bateu com os nós dos dedos no mostrador redondo do aparelho, como que a certificar-se do seu bom funcionamento. A oeste, no horizonte, uma estreita faixa cinzenta reflectia sobre as águas azuis uma mancha baça que ia crescendo a cada hora que passava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Vamos apanhar borrasca na costa de Portugal, capitão? – pergunta o imediato Sullivan, um galês trigueiro, alto e magro que tinha de se curvar ao passar nas portas do navio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Parece que sim… Vá lá abaixo e diga ao chefe que dê o que puder na máquina… A ver se chegamos a Vigo sem levar muito…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Na sala da máquina o calor era infernal, os maquinistas de almotolia em punho lubrificavam bielas e chumaceiras, enquanto os fogueiros se afadigavam a alimentar a fornalha da caldeira. Ao escutar as novas ordens, o grego que superintendia a maquinaria encolheu os ombros e aumentou dois pontos à pressão da máquina, perante o olhar furibundo dos fogueiros que adivinharam um ritmo maior de trabalho. Um deles não se inibiu de escarrar e bater ostensivamente com um pé no chão metálico e fuliginoso como que a discordar da opção do chefe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Durante a noite, empurrado pelo vento, o mar ia aumentando, tinha já vaga de quatro metros, nada que assustasse estes marinheiros confiantes na experiencia de muitas viagens, confiantes na robustez do “Antinous”, construído quinze anos antes nos estaleiros Thompson, R. de Southwick, na Inglaterra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;De manhã, o Capitão Jones tinha os olhos vermelhos da falta de descanso e dos inúmeros grogues feitos à base de aguardente argentina, bem melhor que a cachaça de cana brasileira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Da máquina viera a informação que tinham de reduzir drasticamente o andamento porque uma válvula de retorno não funcionava convenientemente. Uma ladainha de pragas e mais um gole na caneca de alumínio foi a resposta eloquente do capitão, que deitou uma olhada ao mapa estendido sobre a mesa na salinha anexa à ponte de comando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A meio da tarde a chuva que até aí se fizera sentir ligeira, aumentou de intensidade fustigando impiedosamente as chapas metálicas do “Antinous”. A visibilidade ficou reduzida a poucas dezenas de metros e um marinheiro foi guarnecer o sino de bronze que repicava a cada trinta segundos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Os homens que não estavam de serviço deixavam-se ficar nos catres, acabrunhados com a tempestade que tanto elevava como afundava o navio nas ondas coroadas de alva espuma. As chapas rangiam e qualquer novato se atemorizaria com este som lugrebe. Mas não estes, que já tinham passado por muitas tempestades de meter medo. Apenas se aborreciam porque não conseguiam dormir com o balanço, com o barulho da máquina, da chuva e do sino, uma combinação infernal, mesmo para quem fazia do mar a sua casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O telegrafista entregou ao capitão uma mensagem proveniente do Comando Naval, a informar que as barras de Portugal estavam encerradas, excepto Lisboa e Setúbal. A mensagem terminava com a informação que o mau tempo se iria manter por mais vinte e quatro horas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Amarrotou impaciente o bilhete e pensou que teria de seguir em frente até ao destino, abandonando em definitivo a ideia de se abrigar na barra do Douro, apesar do perigo que constituía a sua entrada com mar grosso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Vamos para as Rias… Merda de país, que nem um porto de abrigo tem… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Deixou-se cair exausto no seu cadeirão ainda com o aviso telegrafado na mão. O Imediato Sullivan pigarreou e quando o capitão levantou a cabeça disse-lhe:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Porque é que não vai descansar uma ou duas horas, senhor? Eu fico aqui e se houver algum problema chamo-o…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Não, Senhor Sullivan… é meu dever estar ao comando. Vou sentar-me aqui um bocado… isso basta-me. Envie um marinheiro à cozinha para me trazer alguma coisa de comer… e de beber.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;As horas passaram, o mar continuava grosso e a chuva caía com abundância, como nunca se viu em terra firme. Entre períodos de modorra e espertina, o Capitão Jones manteve-se no cadeirão de comando instalado na ponte, mesmo ao lado da enorme roda do leme. A noite cerrou-se e um clarão fugaz adivinhava-se, mais do que se via, a leste, entre a cortina de chuva que nada fazia abrandar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Capitão… senhor – chamou o imediato – vê-se um clarão a estibordo… certamente um farol.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O Capitão Jones aguardou alguns minutos com a cabeça encostada ao vidro de uma janela lateral da ponte, com as mãos a fazerem uma concha junto aos olhos. Debruçou-se sobre o mapa e apontou para um ponto na costa portuguesa e correu o dedo até outro ponto. Abriu o compasso, mediu na escala, calculou mentalmente o tempo que demoraria a travessia e concluiu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Três horas… Daqui a três horas temos abrigo. Marinheiros, olhos bem abertos ao próximo farol… e quero o sineiro a tocar como um homem… parece um rabeta a fazer-lhe cócegas…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-2271434903056356181?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/2271434903056356181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=2271434903056356181' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/2271434903056356181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/2271434903056356181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2011/02/perolas-amargas-1-parte.html' title='Pérolas Amargas (1ª parte)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7618434611314902670</id><published>2010-11-01T16:49:00.001Z</published><updated>2010-11-01T16:51:52.149Z</updated><title type='text'>O Anjo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este conto constitui a minha participação na colectânea de prosa e poesia "A Arte pela Escrita III" da editora Mosaico de Palavras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me observado, incómodo, não estava mais ninguém por perto, mas aquele olhar penetrante, atento, fixo, de uma imobilidade perturbadora, transformou-me numa espécie minúscula, quase microscópica, escalpelizada sob o vidro da lupa, qual verme tentando escapar, ondulante, que é o único andar que conhece. Levantei-me, lentamente, muito lentamente fui em sua direcção, mas não reagiu, Saramago diria que era um anjo, daqueles que não perdoam porque não é essa a sua função, este teria como missão observar-me, talvez fosse dos que castigam. Castigar? Porquê? Não será castigo demais as armas e os barões assinalados, apontados a dedo e filmados, dia após dia, tragédias contemporâneas do berço, da saia, da estrada, do crime sem castigo, que a justiça alem de cega, é surda e manca. Não será demais a contradição do homem, que cresce, aprende saberes que o envaidecem, terminando ele próprio como um destroço arrastado na grande vaga do tempo. Pelo canto do olho procurei o seu olhar, parece-me que se mexeu um pouco, talvez mais para norte, enfrentando a ventania de meia tarde. Agora que estava de perfil podia ver-lhe melhor a cabeça cinzenta e o olho negro atento aos meus movimentos, até aos meus pensamentos, se realmente for o tal anjo. Este deve ser dos que dão as novidades, que levam e trazem as boas novas, ainda à moda antiga, batendo as asas pelos céus, que no paraíso coisas modernas ficam à porta. Mas eu não sou carpinteiro, nem devoto de água benta, não tenho direito a novas por decreto celeste, muito menos por anjos de recado encomendado, Ele tem mais que fazer do que se preocupar com as minhas interrogações. Ao longe, ouvem-se os gritos e risos de quem se banha entre a espuma equilibrada na crista das ondas. As cabeças sobem e descem, desaparecem por instantes como que a purificarem-se das arrelias diárias aforradas nos invernos tristes, sombrios, das vidas sem interesse, sem viço e sem memória. Em volta, olhares ociosos procuram os seus, que a praia é grande e crianças são como areia a escorregar entre os dedos. Outros, transformam a vista no instrumento da cobiça, descarados, dissimuladas, pensamentos dissolutos, que nem o anjo descortina, que essa também não parece ser a sua especialidade. Para isso teria de chamar um de nível superior, um querubim ou se o caso for demasiado grave, um serafim. Agora não vale a pena, a tarde caminha para o crepúsculo, todos se secam, todos se vestem, a cobiça regressa à anterior modorra até ao novo dia, desculpem, não vale mesmo a pena incomodarem-se por isso, é normal e não chegariam todos os anjos do Paraíso para percorrerem as praias do litoral, a meterem juízo nas cabeças, pensamentos pios e castos. Alguns irão à missa das seis, nem se lembram do pecado, se é que isso ainda existe para tão pequena e banal distracção. Se existe não deve ser dos graves, de contrário Ele já se teria aborrecido com tamanha falta de vergonha e não deixaria o assunto nas mãos de um anjo menor, de cabeça cinzenta e olhos negros, que acomoda as asas brancas com um trejeito de ombros e me segue enquanto dou voltas pela sala. Vou à varanda, quero vê-lo de perto, falar-lhe. Talvez tenha alguma mensagem e esteja à minha espera, olá, disse eu, que não sei como cumprimentar um anjo, virou a majestosa cabeça bem de frente, baixou-a um nada, como a avaliar-me, tal como o alfaiate aprecia o freguês. O silêncio quebrado apenas pelos retardatários que na avenida rodeiam as tendas dos gelados, colares e fantasias que tornam mulheres formosas, não perturba o nosso frente a frente. Percebi que não me iria falar, não precisava e eu compreendi finalmente aquele olhar penetrante que me pedia ajuda. Sim, ajuda, era a mensagem daquele ser, agora estou convencido que é um anjo, não dos serafins, nem querubins, mas dos anjos da guarda que apesar do nome não andam armados, para isso temos os bandidos, uns com farda, outros nem isso. Aquecimento global, poluição das águas, desflorestação, derrame de petróleo, ocupação desregrada e corrupta dos solos, que Terra iremos deixar aos nossos filhos? E que filhos estás tu a preparar para esta Terra, diz-me o anjo que não fala, mas eu entendo, já te esqueceste que foram os filhos e os netos dos teus antepassados que nos estão a levar à ruína? Tens razão, e que faz o teu Senhor, não pode lançar um vento que corra com todos os incompetentes, corruptos e demais auxiliares dessa grande confraria. Alea iacta est, que é como quem diz, a sorte está lançada, respondeu-me o anjo, deixando que o vento do crepúsculo lhe acariciasse a alva pelagem. Baixou a cabeça, talvez um saudar, até qualquer dia, abriu as asas e juntou-se ao bando de gaivotas que regressavam à penedia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-7618434611314902670?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/7618434611314902670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=7618434611314902670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7618434611314902670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7618434611314902670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2010/11/o-anjo.html' title='O Anjo'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-1044403159500586254</id><published>2010-02-10T16:19:00.001Z</published><updated>2010-11-01T16:53:08.383Z</updated><title type='text'>Nos trilhos do contrabando  VII</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sala grande, frente ao televisor, uma senhora idosa estava sentada no cadeirão de couro castanho a condizer com a restante mobília. Ao fundo, no fogão de sala, amorrinhavam algumas brasas.&lt;br /&gt;Cabelos brancos, um rosto enrugado onde sobressaíam os olhos negros, com mais vida que o corpo alquebrado. Fez um esforço e ergueu-se apoiada na bengala. Fomos ao seu encontro, instalamo-nos no sofá à sua direita. O Esteves quis oferecer-nos os aperitivos que recusamos. Estava mais interessado em ouvir a anciã e a Paula ainda estava mais curiosa que eu.&lt;br /&gt;- Então foram vocês que encontraram o esqueleto lá em cima?&lt;br /&gt;- Lá em cima? – Perguntei.&lt;br /&gt;- Sim, na Branda da Aveleira.&lt;br /&gt;- Ah!… Sim, fomos nós.&lt;br /&gt;- Ó `Mingos, vai-te lá embora, que tenho que falar com estes senhores.&lt;br /&gt;- Mas avó, não vê…&lt;br /&gt;- Nem mas, nem meio mas… Quando acabar, eu chamo-te. E não te esqueças de dizer à tua mulher para pôr mais dois pratos.&lt;br /&gt;Obedientemente o Esteves saiu e fechou a porta atrás de si. Notava-se que a velhota tinha uma personalidade forte, apesar da idade e que sabia muito bem impor a sua vontade. Encarou-nos com um olhar tão agudo que me incomodou e começou a falar.&lt;br /&gt;- Quero que me prometam nunca dizer a ninguém aquilo que vos vou contar. Mas a ninguém mesmo, compreendem?&lt;br /&gt;- Sim…&lt;br /&gt;- Então prometam!&lt;br /&gt;- Ok, prometemos…&lt;br /&gt;- A senhora também – diz a velhota, olhando a Paula.&lt;br /&gt;- Prometo, mas porque é que nos quer contar não sabemos o quê, se nem nos conhece e nem quer que o seu neto escute?&lt;br /&gt;- Já vos explico tudo, – inclinou-se para a frente, as mãos apoiadas na bengala, a voz mais baixa meio-tom – eu não sou desta terra, mas de uma freguesia perto da raia. Vim para cá depois de casar com o meu Afonso, que Deus tenha… - fez um silêncio significativo em sua memória e prosseguiu – Mas não é disso que vos quero falar. Eu sou de uma aldeia lá mais para riba, perto de Espanha e antigamente nós só sobrevivíamos com a ajuda do contrabando. A terra pouco dava, é como hoje… e a carregar umas coisinhas para lá e para cá, amanhávamos mais uns tostões. Era uma vida miserável, meus filhos! Na aldeia havia um grupo de homens que carregavam os burros e as mulas com o que os verdadeiros contrabandistas queriam, lá iam eles por aqueles montes acima, sempre com medo dos carabineiros espanhóis que eram uns malandros. Os nossos eram melhores, bastava dar-lhes qualquer coisa e fechavam os olhos, coitados, também passavam mal só com o soldo da Guarda. Mas havia um deles, o comandante que era um filho da puta, com a vossa licença e que muito nos apoquentou. Levou preso o meu irmão que era o que dava as ordens aos outros homens. Ainda esteve em Melgaço algumas semanas, já não sei quantas, a passar fome e a levar porrada para falar. Esse Guarda, um tenente, fez-nos a vida negra durante meses e meses, embirrou com a nossa aldeia e com os de Castro Laboreiro onde uma noite a Guarda, por ordem dele, matou dois homens a tiro. Um dia disse para o Alípio, o meu irmão, que tínhamos de apanhar esse cachorro do tenente. Ao princípio ele recusou com medo, mas levei a minha avante e preparamos-lhe uma armadilha. Ninguém mais sabia o que preparávamos, só eu e ele. Conseguimos que o tenente viesse sozinho aqui à Gave, eu levei-o por um carreiro e o Alípio abateu-o com uma cachaporra na cabeça. Morreu ali mesmo e nem lhe valeu ter a pistola na mão. Levamo-lo para a Branda e enterramo-lo ainda durante a noite. Por cautela, matamos a mula que o carregou e deixamo-la a apodrecer por cima da tumba do tenente. Assim, o mau cheiro afastava qualquer um que ali passasse. Logo que acabamos de o enterrar, metemo-nos a caminho para a Espanha pelos caminhos mais difíceis e depois de muitos sacrifícios chegamos a França, onde vivemos mais de trinta anos. Durante mais de uma semana andaram à procura do tenente, mas não encontraram rasto dele. Um dia encontraram o boné e o casaco da sua farda perto de Ourense, fomos nós que a levamos para lá, deixando-a onde era fácil encontrá-la. Só para desviar as suspeitas e eles pensarem que o tenente tinha sido levado para Espanha. Deu resultado porque deixaram de o procurar deste lado. Quando cheguei a França comecei logo a trabalhar, a fazer limpezas e a ajudar no mercado, ainda de madrugada, mas… acabei por abortar. Foi quando conheci o meu Afonso, que trabalhava nas obras do hospital e ia visitar-me sempre que podia. Estive muito mal, quase três meses sem me poder mexer.&lt;br /&gt;- Espere aí! Então abortou mal chegou a França e só depois é que conheceu aquele que iria ser o seu marido? Foi assim?...&lt;br /&gt;- Foi...&lt;br /&gt;- Então quem era o pai? Hum... Desculpe, se calhar não devia ter perguntado...&lt;br /&gt;- Não faz mal, meus filhos. Já passou tanto tempo e eu prefiro contar-vos a verdade que levá-la comigo para o além. O pai era esse filho da puta do tenente, com a vossa licença. Foi ele que me fez o filho e depois negou-o. Assinou a sentença no dia em que se riu na minha cara a dizer-me que não me conhecia de banda nenhuma, a mim, que me entreguei a ele apenas para não voltar a prender o nosso Alípio. Ahhh... mas pagou-as! Só tive medo que ele reconhecesse a minha voz quando o fui chamar, apesar de a ter disfarçado. Estão a ver, se ele me reconhecesse ia o plano por água abaixo, mas tudo correu bem. A história acaba aqui, senhores. O meu irmão já morreu há doze anos e quando se estava a finar, obrigou-me a prometer-lhe que se um dia o cadáver fosse descoberto eu devia contar a verdade a alguém.&lt;br /&gt;- E porque é que nos escolheu Dona… nem sabemos como se chama?&lt;br /&gt;- Chamo-me Maria Rita e escolhi-os porque foram vocês que o descobriram e porque queria conhecê-los.&lt;br /&gt;- Mas nós podíamos agora ir contar tudo à polícia.&lt;br /&gt;- Ora, uma promessa é para se cumprir… e vocês prometeram!&lt;br /&gt;FIM&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-1044403159500586254?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/1044403159500586254/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=1044403159500586254' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1044403159500586254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1044403159500586254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2010/02/nos-trilhos-do-contrabando-vii.html' title='Nos trilhos do contrabando  VII'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-3738560931648472239</id><published>2010-01-10T12:29:00.000Z</published><updated>2010-01-10T12:30:34.823Z</updated><title type='text'>Nos trilhos do contrabando  VI</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CBrito%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CBrito%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CBrito%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt;    &lt;w:word11kerningpairs/&gt;    &lt;w:cachedcolbalance/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;   &lt;m:mathpr&gt;    &lt;m:mathfont val="Cambria Math"&gt;    &lt;m:brkbin val="before"&gt;    &lt;m:brkbinsub val="&amp;#45;-"&gt;    &lt;m:smallfrac val="off"&gt;    &lt;m:dispdef/&gt;    &lt;m:lmargin val="0"&gt;    &lt;m:rmargin val="0"&gt;    &lt;m:defjc val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent val="1440"&gt;    &lt;m:intlim val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim val="undOvr"&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" defunhidewhenused="true" defsemihidden="true" defqformat="false" defpriority="99" latentstylecount="267"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="0" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Normal"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="heading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="35" qformat="true" name="caption"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="10" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" name="Default Paragraph Font"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="11" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtitle"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="22" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Strong"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="20" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="59" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Table Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Placeholder Text"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="No Spacing"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Revision"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="34" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="List Paragraph"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="29" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="30" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	font-size:10.0pt; 	mso-ansi-font-size:10.0pt; 	mso-bidi-font-size:10.0pt;} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-priority:99; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Peguei na máquina fotográfica e nos binóculos, meti-os na mochila e com ela às costas atravessei a Branda em direcção ao regato. O Snoppy trotava à minha frente, nariz rente ao chão com mil odores por descobrir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A manhã estava linda, não soprava uma aragem, as folhas das árvores brilhavam em mil reflexos, nas alturas alguns milhafres vigiavam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Parei junto à fita colorida que os Guardas tinham estendido no dia anterior, vários técnicos trabalhavam no local. O Inspector Peres da Judiciária viu-me e fez sinal para me aproximar dele. Prendi o cachorro com a trela, baixei-me, ultrapassei a fita e pude observar que estavam a escavar utilizando umas ferramentas minúsculas, como as que são usadas na arqueologia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Então já descobriram alguma coisa? – Perguntei eu.&lt;span style=""&gt;                                                          &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Para já descobrimos que há dois esqueletos, um humano e outro que pertence a um cavalo ou mula.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Um cavalo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Sim, precisamente em cima do cadáver humano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Quer dizer que essa pessoa morreu por o cavalo ter caído em cima dele?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Bem, isso não sei, ainda é muito cedo para se tirarem conclusões. Só depois da autópsia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- E os cadáveres estão aí há muito tempo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Seguramente há muitos anos. Pelo menos vinte ou trinta anos, mas durante a autópsia somos capazes de estabelecer uma data mais aproximada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Nós podemos ir embora?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Claro, não precisamos de vocês para já. No decurso do inquérito é natural que tenham de prestar declarações, mas serão convocados nessa altura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Os meses foram passando, já nem me lembrava frequentemente do episódio, até que recebemos duas convocatórias do Tribunal de Melgaço para prestarmos declarações na segunda-feira seguinte. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Mais uma vez a enfadonha tarefa de contar como as coisas aconteceram, tudo dito aos soluços, vagarosamente, para dar tempo à funcionária escrever no computador. Finalmente assinamos as declarações e quando saímos, meio-dia estava passado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Cruzamo-nos no corredor com o inspector Peres da Judiciária, o mesmo que tinha iniciado o inquérito e que conhecêramos na Branda. Após nos cumprimentar, disse-nos que nada de especial tinham descoberto a respeito da identidade e a causa da morte terá sido eventualmente um traumatismo craniano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Apenas podia confirmar sem margem para dúvidas que eram dois esqueletos, de um homem e de um cavalo ou mula. Percebi pelo seu encolher de ombros que também não deveriam ter perdido muito tempo com as investigações, a polícia tem sempre novos casos, muito mais mediáticos e os meios para a investigação são cada vez mais escassos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Quando nos dirigíamos para o parque de estacionamento onde tínhamos deixado o carro um homem que já tínhamos visto no átrio do tribunal quando entráramos, perguntou-me:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Foram os senhores que encontraram o cadáver na Aveleira?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Sim, fomos. Porquê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O homem hesitou, percebia-se que estava acanhado e não sabia bem onde pousar os olhos. Acabou por nos dizer que era por causa da avó, que desde que soubera que tinham encontrado um cadáver na Aveleira se tinha mostrado muito interessada e não lhe dera mais descanso, pedindo-lhe para ir procurar as pessoas que tinham feito a descoberta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Enquanto ele falava aproveitei para apreciar o nosso interlocutor. Teria uns quarenta anos, não mais, usava uma roupa rústica, mas asseada. As mãos, com dedos grossos e musculosos, denunciavam o trabalho no campo. Finalmente pediu-nos para visitarmos a velhota, seria um grande favor que lhe faríamos. Ainda argumentamos que não tínhamos comido, mas ele logo atalhou, dizendo que tinha muito gosto em que almoçássemos na sua casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Onde é que mora o senhor...? – Perguntou a Paula.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Domingos Esteves, minha senhora. Moramos à entrada da Gave. Sabem onde é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Mais ou menos, fica perto da Aveleira. Já lá passamos uma ou duas vezes. Vamos lá ver a sua avó, mas não podemos demorar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Seguimos a carrinha do Esteves e no início da Freguesia de Gave viramos à direita por um caminho calcetado, ladeado de vivendas tipicamente construídas por emigrantes. Aquele estilo espalhafatoso, com marcas e modelos estranhos à região, os telhados negros, as persianas douradas, os barbecues e os repuxos no jardim, chancelas indeléveis de culturas transportadas e mal assimiladas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A vivenda de dois pisos frente à qual paramos era mais sóbria, folha de pedra à vista, balaustradas em madeira, uma casa de campo com tractor e alfaias à vista, vacaria ao fundo do terreno, galinhas e perus à solta, esgravatando aqui e ali.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Tem de falar um bocado alto que a avó ouve mal, de resto está muito bem, exceptuando as artroses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Quantos anos têm?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Quase noventa, mas não parece. Entrem, entrem…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-3738560931648472239?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/3738560931648472239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=3738560931648472239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3738560931648472239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3738560931648472239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2010/01/nos-trilhos-do-contrabando-vi.html' title='Nos trilhos do contrabando  VI'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-2528611412439169240</id><published>2009-12-27T17:15:00.002Z</published><updated>2009-12-27T17:16:47.338Z</updated><title type='text'>Nos trilhos do contrabando  V</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estávamos a almoçar na varanda quando vimos o Nissan Patrol verde serpentear o caminho de acesso à Branda. Alguns minutos depois, convidamos os dois agentes a entrar em casa e voltamos a repetir o acontecimento. Já começava a estar farto de tantas vezes contar a mesma coisa. Mais valia ter usado o pequeno gravador que tinha no carro, assim bastava-me carregar no botão e a estória repetia-se as vezes que fossem precisas.&lt;br /&gt;Pediram-nos para lhes mostrar o achado e quando saíamos de casa, surgiu o Agostinho, proprietário da casa que alugáramos; tinha ido à aldeia levar um grupo de turistas holandeses, que iriam ficar lá alojados alguns dias, mas ao ver o jipe da GNR parado junto à nossa casa, para lá se dirigiu a fim de saber o que tinha acontecido. Mais uma vez contei como tínhamos achado os ossos e logo ele se prontificou a acompanhar-nos.&lt;br /&gt;O Snoopy, qual herói desprezado, ficara na varanda com ar aborrecido, preso à trela, com uma gamela de água e outra de ração à disposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos todos no jipe das autoridades até ao início do carreiro, que partia da pequena ponte, construída apenas com grossas pranchas de pedra xistosa, assentes em pilares do mesmo material. Não me admiraria se a datassem da Idade Média.&lt;br /&gt;O primeiro cuidado que tiveram foi delimitar a área com fita plástica e fotografar, minuciosamente o maxilar e os restantes ossos visíveis. Depois recolheram tudo para uns sacos plásticos aos quais lhes colaram umas etiquetas numeradas. Um dos agentes usou uma pequena espátula semelhante a uma colher de pedreiro e com ela retirou mais terra do buraco iniciado pelo cachorro.&lt;br /&gt;Em breves instantes escavou o suficiente para pôr à vista à vista a caveira à qual certamente pertencia o maxilar. O agente endireitou-se e disse para o colega:&lt;br /&gt;- Liga para o comandante e diz-lhe que temos aqui um cadáver com ossos à superfície e outros enterrados. Diz-lhe também que encontramos o crânio.&lt;br /&gt;O agente regressou ao jipe, sentou-se ao volante e depois de vencer as resistências da estática conseguiu ligação rádio, tendo contado as novidades ao superior, com uma linguagem onde abundavam os termos técnicos e o habitual “escuto” de cada vez que dava a palavra.&lt;br /&gt;Aproximou-se do nosso pequeno grupo que aguardava à sombra de um amieiro e informou-nos que viria uma equipa técnica, provavelmente de Braga, para continuar as investigações. Até à chegada desses técnicos, os dois agentes iriam manter-se de guarda ao local. Pela cara deles via-se logo que estavam aborrecidos com a tarefa, mas não tinham outro remédio senão obedecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressamos a pé, em conversa com o Agostinho que nos contou a história daquelas paragens, como os pastores levavam os rebanhos na primavera para a Branda e lá permaneciam durante todo o Verão, regressando às aldeias apenas a meados de Setembro.&lt;br /&gt;Durante a tarde passeamos pelos montes, percorremos um sem número de caminhos e carreiros, demos um mergulho retemperador na pequena presa à entrada da aldeia, onde já estavam, alem dos holandeses, mais duas famílias com grande profusão de crianças pequenas.&lt;br /&gt;Ao final da tarde bateu-nos à porta um indivíduo que se identificou como sendo da Polícia Judiciária, o Inspector Peres, ao qual voltei a contar como se tinham descoberto as ossadas.&lt;br /&gt;Ao contrário dos agentes da GNR que só tinham aceitado um café, este aceitou uma cerveja bem fria, tomada confortavelmente na varanda, enquanto tomava notas num caderninho de capa amarela.&lt;br /&gt;Findo o interrogatório, já estava o sol no ocaso, convidei-o para outra cerveja que recusou e retirou-se, deixando-nos com a sensação de um fim-de-semana mais movimentado do que o desejado. Pelo menos não poderíamos dizer que nos tínhamos entediado, sem nada para fazer no meio do monte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a Paula me perguntou o que queria jantar, encolhi os ombros e propus-lhe ir ao restaurante de Valdepoldros a dois ou três quilómetros de distância.&lt;br /&gt;Jantamos uma posta barrosã deliciosa, bem regada com um tinto do Douro, tudo rematado com umas rabanadas de ovos, um licor para a Paula e uma aguardente caseira para mim. Regressados a casa, refastelei-me na cadeira de lona olhando a escuridão que escondia o vale estendido à nossa frente. Que segredos esconderia aquele vale, histórias com muitos anos, séculos até, de pastores, de contrabandistas, de caçadores, gente que viveu e morreu sem conhecer o mar, sem conhecer a cidade, isolados no cosmos que era e é, a serra. Abri uma cerveja, brindei aos grilos e cigarras que cantarolavam por perto, senti o sono a invadir-me.&lt;br /&gt;Desta vez dormi tudo de um sono só, acordei já o sol ia alto e a Paula já preparava o café. Tinha na boca um sabor amargo que procurei extirpar com um duche bem quente, dois croissants e uma grande chávena de café.&lt;br /&gt;- Ressonaste tanto que parecias um comboio.&lt;br /&gt;- Ora, daqui a nada dizes que até apitava!&lt;br /&gt;- Apitar, não. Mas assobiavas. Devia ser nas descidas…&lt;br /&gt;- Ah, ah, ah. Que piada... – digo eu, interiormente divertido, mas apresentando cara feia.&lt;br /&gt;- Os tipos da polícia estão lá em baixo.&lt;br /&gt;- Onde? Junto ao regato?&lt;br /&gt;- Claro, onde querias que estivessem?&lt;br /&gt;- Vamos lá para saber as novidades? – propus eu.&lt;br /&gt;- Vai lá tu, eu fico aqui na varanda a ler.&lt;br /&gt;(continua)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-2528611412439169240?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/2528611412439169240/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=2528611412439169240' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/2528611412439169240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/2528611412439169240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/12/nos-trilhos-do-contrabando-v_27.html' title='Nos trilhos do contrabando  V'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-8883290164449479304</id><published>2009-12-19T20:59:00.003Z</published><updated>2009-12-19T21:30:39.253Z</updated><title type='text'>Nos trilhos do contrabando  IV</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinha acabado de descarregar o carro e já a Paula me chamava para a ajudar em qualquer tarefa na cozinha.&lt;br /&gt;- Já vou, já vou! Bolas, nem me dás tempo de apreciar a paisagem…&lt;br /&gt;- É só para arrumares as bebidas no frigorífico, mais nada. Depois vamos dar uma volta?&lt;br /&gt;- Claro, vamos correr esses caminhos todos!&lt;br /&gt;Tínhamos decidido passar um fim-de-semana na montanha, uns dias retemperadores, na solidão, no silêncio, na tranquilidade de uma pequena casa de turismo rural, implantada na isolada Branda da Aveleira, um antigo abrigo estival de pastores e rebanhos. Alguns proprietários tinham recuperado as casinhas de aspecto rústico, mas dotadas de todas as comodidades fundamentais e alugavam-nas agora aos turistas.&lt;br /&gt;Da varanda da casa ainda se podiam ver por perto as manadas de garranos selvagens, o gado pastando em total liberdade e os montes ponteados de grandes torres que agitavam as suas pás ao vento, esperando em fila, as investidas de um qualquer D. Quixote gigantesco.&lt;br /&gt;Atirei com a mochila para cima da cama, desci as escadas de madeira, assobiei à procura do cão, que surgiu disparado, vindo do wc.&lt;br /&gt;- Vamos Snoopy – e o pequeno caniche seguiu-me excitado pela novidade, sempre com o nariz colado ao chão.&lt;br /&gt;Apenas demos uma pequena volta de reconhecimento nos arredores do nosso alojamento e logo voltamos a tempo de ouvir a Paula dizer “já estou pronta”.&lt;br /&gt;- Está bem, mas agora espera, pois vi umas cadeiras na arrecadação e vou pô-las na varanda.&lt;br /&gt;Separei duas cadeiras de lona, montei-as e fui buscar uma cerveja e uma tónica ao frigorífico.&lt;br /&gt;Sentamo-nos na varanda, à sombra, com as bebidas frescas a escorregar nas gargantas, aplacando a sede, não o calor, que esse só iria com a chegada da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descemos em direcção ao regato que corria no fundo do vale, queria ver se tinha condições para ter trutas. Confirmei que havia sítios relativamente profundos e acompanhamos o curso do regato durante algum tempo. Entramos por um carreiro, ladeado de vegetação ripícula, salgueiros e amieiros que só medram perto de água. Um ou outro carvalho espalhava sombra, pelo chão amontoavam-se excrementos dos garranos, das vacas e dos coelhos. Mais à frente encontramos uma área que devia ter ardido há pouco tempo, talvez na primavera, as ervas finas, brotavam do negro tapete que o fogo tecera.&lt;br /&gt;- Snoopy, anda aqui, vai ficar preto como o carvão. Mais valia tê-lo prendido com a trela – dizia a Paula ao ver como os caracóis brancos do pêlo do cão escureciam rapidamente.&lt;br /&gt;- Não importa, chegando a casa damos-lhe banho.&lt;br /&gt;A poucos metros do caminho o caniche escavava furiosamente, parando apenas para enfiar o focinho no buraco, como que a confirmar a presença do odor que o excitava.&lt;br /&gt;- Vá, deixa isso. Snoopy, vamos embora.&lt;br /&gt;Mas o animal fazia orelhas moucas o que me levou a ir ao seu encontro, com a intenção de lhe pegar ao colo. Junto dele estavam espalhados alguns ossos esbranquiçados, com aspecto de lá estarem já há muitos anos.&lt;br /&gt;- Eu vi logo. Há aqui ossos!&lt;br /&gt;- Não o deixes pegar nessa porcaria – diz-me a Paula com um esgar de nojo.&lt;br /&gt;- Vamos embora, pá.&lt;br /&gt;Com um derradeiro esforço o cão levantou com a boca o osso que tanta fadiga lhe dera e identifiquei, com espanto o que parecia ser um maxilar humano.&lt;br /&gt;- Larga! – Berrei-lhe de tal forma que ele se encolheu amedrontado e deixou cair o despojo entre as patas dianteiras.&lt;br /&gt;- Anda cá ver isto, nem vais acreditar!&lt;br /&gt;Não havia dúvida nenhuma, o Snoopy tinha encontrado um maxilar humano e à vista estavam também mais alguns fragmentos de ossos, impossíveis de identificar por leigos como nós. E eu que pensara serem ossos de um qualquer animal, uma cabra ou um garrano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressamos a casa sem saber bem o que fazer. Por um lado sentíamos a responsabilidade de ter que avisar as autoridades, mas por outro lado não nos apetecia nada sermos incomodados, tínhamos tirado o fim-de-semana para descansar e não para aturarmos uma diligência policial, por mais simples que fosse.&lt;br /&gt;Ao jantar decidimos telefonar para a GNR de Melgaço, mas só no dia seguinte. Mais uma noite ao relento não iria fazer mal àquele esqueleto ou ao que restava dele. Contrariamente à expectativa nem sequer dormimos bem, sempre sobressaltados, eu sonhei com lobos a despedaçar pastores e ovelhas e mais algumas barbaridades do género. De manhã a Paula contou-me que também tivera sonhos semelhantes aos meus, o que atribuímos à descoberta do dia anterior. Quem parecia não ter ficado nada abalado era o Snoopy, que continuava animadíssimo.&lt;br /&gt;Como desconhecia o número do posto policial de Melgaço liguei para o 112 e depois de dez minutos de interrogatório, fingiram acreditar na minha história.&lt;br /&gt;Duas horas depois, andávamos nós a passear o mais longe possível do regato, toca o telemóvel, era do posto de Melgaço da GNR a quererem confirmar a veracidade do que tinha contado ao operador do 112. Sentei-me numa pedra e repeti mais uma vez o essencial da história, tendo-me sido pedido para aguardar uma patrulha que viria à Aveleira tomar conta da ocorrência.&lt;br /&gt;(continua)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-8883290164449479304?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/8883290164449479304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=8883290164449479304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8883290164449479304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8883290164449479304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/12/nos-trilhos-do-contrabando-iv.html' title='Nos trilhos do contrabando  IV'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-8659393653815018962</id><published>2009-12-05T18:09:00.001Z</published><updated>2009-12-05T18:11:29.217Z</updated><title type='text'>Nos trilhos do contrabando  III</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CBrito%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CBrito%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CBrito%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt;    &lt;w:word11kerningpairs/&gt;    &lt;w:cachedcolbalance/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;   &lt;m:mathpr&gt;    &lt;m:mathfont val="Cambria Math"&gt;    &lt;m:brkbin val="before"&gt;    &lt;m:brkbinsub val="&amp;#45;-"&gt;    &lt;m:smallfrac val="off"&gt;    &lt;m:dispdef/&gt;    &lt;m:lmargin val="0"&gt;    &lt;m:rmargin val="0"&gt;    &lt;m:defjc val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent val="1440"&gt;    &lt;m:intlim val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim val="undOvr"&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" defunhidewhenused="true" defsemihidden="true" defqformat="false" defpriority="99" latentstylecount="267"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="0" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Normal"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="heading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="35" qformat="true" name="caption"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="10" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" name="Default Paragraph Font"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="11" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtitle"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="22" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Strong"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="20" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="59" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Table Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Placeholder Text"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="No Spacing"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Revision"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="34" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="List Paragraph"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="29" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="30" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	font-size:10.0pt; 	mso-ansi-font-size:10.0pt; 	mso-bidi-font-size:10.0pt;} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-priority:99; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;No domingo à noite o pequeno automóvel da Guarda serpenteou os montes, desceu e subiu encostas, os faróis mortiços iluminavam poucos metros à sua frente, mas suficientes para dirigir vagarosamente o velho Ford até à Gave, uma aldeia com 300 habitantes, uma das maiores da região. Parou a viatura no largo da igreja, poucos metros adiante estava o cruzeiro, não se via viva alma, apenas a candeia de azeite iluminava fracamente o nicho da Senhora da Natividade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O Tenente empunhou o revólver, desceu e deu a volta à pequena praça, sempre atento ao menor movimento. Nada!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Após alguns minutos de espera sentiu o barulho de passos no saibro da praça. Engatilhou o revólver, encostou-se ao automóvel, disfarçando a silhueta na penumbra. Um vulto aproximou-se e a meia dúzia de passos de distância perguntou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Vossemecê é que é o da Guarda?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O Tenente admirou-se por ouvir a voz nasalada de uma mulher, mas não desviou o revólver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Sou, e você quem é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Eu venho buscá-lo para o levar junto do meu patrão, que quer confirmar se veio só e não lhe quer mal. Venha comigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Onde? O local combinado era aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Ele está à saída da aldeia e fale baixo para não acordar ninguém. Já basta o barulho que o carro fez para chegar até aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Vai à minha frente e lembra-te que se me estão a preparar alguma, abro caminho a tiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Nada tema senhor, o meu patrão apenas quer falar consigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Tomaram o caminho que subia para Valdepoldros, a mulher à frente, o Tenente meia dúzia de passos mais atrás, continuando a empunhar a arma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Estamos quase a chegar, senhor – avisa a mulher ao fim de poucos minutos de caminhada na escuridão serrana, quando passavam entre azevinhos centenários.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;De repente algo assobiou nos ares e abateu-se sobre o Tenente que caiu de imediato. Outra pancada e mais outra zurzem o corpo estendido no caminho. O Alípio arfava do esforço e da emoção de ter arreado no oficial da guarda com o seu pau ferrado. Dera-lhe com ganas, que o malandro merecia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Procura a pistola Rita, ele tinha-a na mão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Já a tenho comigo. Vê lá se ele é vivo ou morto…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Diabos o levem, está cheio de sangue. Acho que não respira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- De certeza?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Sim… De certeza – conclui o Alípio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Então vai buscar os animais para sairmos daqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Os dois cavalos e a mula estavam presos ali perto e num pulo o Alípio trouxe-os pelas rédeas. Atravessaram o corpo do Tenente no dorso da mula, cobriram-no com uma manta e amarraram-no de forma a não escorregar em andamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;No silêncio apenas quebrado pelas patas dos animais, os dois irmãos montaram e arrastaram a mula, caminho acima, em direcção a Valdepoldros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-8659393653815018962?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/8659393653815018962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=8659393653815018962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8659393653815018962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8659393653815018962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/12/nos-trilhos-do-contrabando-iii.html' title='Nos trilhos do contrabando  III'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7953271461047800773</id><published>2009-11-28T18:06:00.003Z</published><updated>2009-11-28T18:18:43.312Z</updated><title type='text'>Nos trilhos do contrabando  II</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Alípio e o Tone da Águas estiveram presos duas semanas em Melgaço, depois da guarnição da guarda-fiscal ter passado pela aldeia e revirado tudo sem nada encontrar que incriminasse quem quer que fosse.&lt;br /&gt;Estes dois foram levados como podiam ter sido outros, que todos sabiam contrabandistas, se contrabandista se pode chamar aos passadores de mercadorias para lá e para cá e que apenas ganhavam a jorna. Os verdadeiros contrabandistas eram outros que, tal como hoje, não davam a cara e raramente se aproximavam da raia.&lt;br /&gt;Pelo meio, viviam os guardas, quase todos recebiam uma parte dos ganhos para fazerem vista grossa e para os avisarem quando havia perigo.&lt;br /&gt;De vez em quando aparecia um ou outro guarda que combatia ferozmente o estado das coisas, mas que invariavelmente acabava por ser “amaciado”. No caso de ser um graduado era mais difícil, geralmente tinham de esperar que fosse transferido para outro lado.&lt;br /&gt;O país estava em efervescência, as eleições presidenciais tinham sido disputadas pelo Humberto Delgado e a vitória do novo delfim de Salazar, o Almirante Américo Thomaz, tinha o gosto e o cheiro acre da fraude eleitoral. A repressão policial não se fez esperar e os oposicionistas foram implacavelmente perseguidos.&lt;br /&gt;Na cadeia, o Alípio levou algumas bastonadas mas aguentou firme, repetiu sempre a mesma cantiga, “trabalho no campo de sol a sol, não tenho tempo para contrabandos”, “isso é nas outras aldeias, na minha aldeia não há disso”, “não sei de nada, de noite estou a dormir”. O tenente quando viu que nada lhes conseguia tirar e que apenas tinha entre mãos peixe miúdo, libertou-os com a ameaça dos maiores castigos e tormentos, se lhes pusesse outra vez a vista em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegarem à aldeia um profundo silencio os acolheu. Estavam todos reunidos em frente à igreja e o Alípio depois de abraçar a mulher, os filhos e a irmã, foi sucessivamente abraçado por todos os presentes.&lt;br /&gt;A certa altura interrogou-se “será que o Judas também me veio beijar”, mas afastou esse pensamento, pois agora estava quase convencido que apenas tivera muito azar, o mais certo era terem tropeçado neles quando procuravam outros contrabandistas mais importantes.&lt;br /&gt;Durante meses a rede de passadores da aldeia esteve inactiva, o tenente volta e meia reaparecia e redobrava as ameaças, na expectativa de obter informações. Soube-se que tinham matado dois homens para os lados de Castro Laboreiro e os carabineiros espanhóis tinham feito uma rusga na qual prenderam mais de uma dúzia de mulas carregadas com ovos, café em grão e barras de sabão.&lt;br /&gt;Murmurava-se que o tenente tinha forçado os espanhóis a agir. Seria verdade? Era o que constava e o Alípio que tinha ido a Lamas de Mouro comprar semente para a próxima primavera, ouvira esta versão na venda do Grémio.&lt;br /&gt;O tempo passava devagar e a tensão subia lentamente.&lt;br /&gt;Nunca a pressão da Guarda tinha sido tão intensa, nem a incerteza no futuro tinha sido tão grande. Falava-se agora em ir trabalhar para França, já tinham ido alguns, sem papéis e sem haveres, ao Deus dará. Parte deles tinham sido apanhados e devolvidos pelos espanhóis, um grupo já estava a passar os Pirenéus, que diziam ser maiores que o Gerês, maiores que a Serra da Estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos matutavam na forma de apartar o tenente do caminho e vingar as humilhações sofridas ao longo dos últimos meses. Um dia o Alípio foi a Melgaço e no posto da Guarda-fiscal pediu para falar com o tenente, mas informaram-no que não estava, tinha ido em serviço a Monção, só devia voltar passados dois ou três dias. Montou o cavalo e regressou a tempo de ajudar a Olímpia a lavrar o”Beirado de Baixo”, o terreno onde, ano após ano semeavam batatas, as melhores das redondezas.&lt;br /&gt;Na semana seguinte voltou a procurar o comandante do posto e, depois de esperar mais de duas horas, fizeram-no entrar no gabinete onde o tenente o esperava.&lt;br /&gt;- Então, que queres?&lt;br /&gt;- Lembra-se de mim, senhor tenente?&lt;br /&gt;- Achas que me ia esquecer de um malandro como tu? Diz o que queres, que não tenho a tua vida.&lt;br /&gt;- O senhor não quer informações sobre os contrabandistas?&lt;br /&gt;- Hum…  E tu o que é que sabes? Bem me parecia que sabias mais do que dizias! Fala!&lt;br /&gt;- Eu não sei nada, venho apenas dar-lhe um recado.&lt;br /&gt;- Um recado? De quem?&lt;br /&gt;- Sei lá, não o conheço.&lt;br /&gt;- O quê? Estás a gozar comigo?&lt;br /&gt;- Deus me livre, senhor tenente. Eu explico, na semana passada apareceu um homem em Lamas de Mouro, lá na venda e propôs-me vir aqui dar-lhe um recado. Pediu-me para lhe dizer que os contrabandistas que você persegue o tinham expulsado sem motivo e ele queria vingar-se. Por isso está disposto a falar, a dizer-lhe tudo o que sabe.&lt;br /&gt;- Ai sim? E quem é esse tipo?&lt;br /&gt;- Já lhe disse que não sei, mas ouvi dizer na venda que era de Caminha ou Seixas, não sei bem.&lt;br /&gt;- Então diz lá a esse tipo que pode vir aqui.&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;- Não? – Admira-se o tenente.&lt;br /&gt;- Se ele quisesse vir aqui não me tinha dado cem mil reis pelo frete.&lt;br /&gt;- Então que raio quer ele? Não sabe que eu é que sou o comandante…&lt;br /&gt;- Sabe sim, senhor tenente, mas é que ele tem medo dos seus companheiros, quer dizer dos seus antigos companheiros. Ele disse-me que espera por si no próximo domingo na aldeia da Gave ao pé do cruzeiro, às dez da noite. Se aparecer só e me prometer que não lhe faz mal e o deixa ir em paz, ele lá estará à sua espera. De contrário não há acordo.&lt;br /&gt;- Então o patife ainda dá ordens?&lt;br /&gt;- Isso não sei, não é nada comigo. Então que lhe digo?&lt;br /&gt;- Diz-lhe que estarei lá, mas à mínima suspeita, abato-o logo com um tiro.&lt;br /&gt;- Esteja tranquilo senhor tenente, ele não me pareceu homem de violências.&lt;br /&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-7953271461047800773?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/7953271461047800773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=7953271461047800773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7953271461047800773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7953271461047800773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/11/nos-trilhos-do-contrabando-ii.html' title='Nos trilhos do contrabando  II'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-1304224472685110308</id><published>2009-11-15T21:02:00.002Z</published><updated>2009-11-15T21:06:35.370Z</updated><title type='text'>Nos trilhos do contrabando  I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Devido ao tamanho este conto teve de ser dividido em várias partes que procurarei publicar com regularidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A vontade de o escrever chegou depois de ter passado um fim de semana nas terras altas da Peneda e de ter convivido com as belas paisagens, as aldeias, os garranos, os trilhos e as gentes que tão bem sabem receber quem os visita.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CBrito%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;/span&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CBrito%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CBrito%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt;    &lt;w:word11kerningpairs/&gt;    &lt;w:cachedcolbalance/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;   &lt;m:mathpr&gt;    &lt;m:mathfont val="Cambria Math"&gt;    &lt;m:brkbin val="before"&gt;    &lt;m:brkbinsub val="&amp;#45;-"&gt;    &lt;m:smallfrac val="off"&gt;    &lt;m:dispdef/&gt;    &lt;m:lmargin val="0"&gt;    &lt;m:rmargin val="0"&gt;    &lt;m:defjc val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent val="1440"&gt;    &lt;m:intlim val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim val="undOvr"&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" defunhidewhenused="true" defsemihidden="true" defqformat="false" defpriority="99" latentstylecount="267"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="0" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Normal"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="heading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="35" qformat="true" name="caption"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="10" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" name="Default Paragraph Font"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="11" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtitle"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="22" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Strong"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="20" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="59" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Table Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Placeholder Text"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="No Spacing"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Revision"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="34" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="List Paragraph"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="29" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="30" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	font-size:10.0pt; 	mso-ansi-font-size:10.0pt; 	mso-bidi-font-size:10.0pt;} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-priority:99; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Bebeu o vinho que restava na tigela, resmungou uma despedida para o Félix, o dono da taberna e encaminhou-se para a saída. Parou junto à mesa onde se jogava à sueca, enrolou um cigarro, apreciou algumas vazas, trocou um olhar com o Carlos, um olhar que pretendia ser casual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O estabelecimento era grande, de um lado a taberna, os pipos alinhados na parede do fundo, o balcão forrado a zinco onde os clientes se encostavam Destacava-se o pequeno armário envidraçado onde habitualmente tomavam lugar os pratos com as iscas, as pataniscas ou postas de peixe frito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Do outro lado ficava a mercearia, com as tulhas em madeira, os fardos e as seiras, o medidor do azeite, a balança, os livros do fiado por baixo da gaveta do dinheiro. Do lado da taberna duas grandes mesas com bancos corridos, pouso dos jogadores de cartas e dominó. Eram quase sempre os mesmos, a aldeia era pequena e os afazeres do campo não deixavam muito tempo livre. Nas épocas de maior labor como nas lavradas, na poda da vinha ou nas colheitas, só mesmo ao domingo é que se juntava mais gente, vindo até das aldeias em redor provar a pinga e os petiscos do Félix.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Saiu para o caminho, piscou os olhos por causa do sol, puxou o boné para baixo, encaminhou-se para casa, já fora da aldeia. Na última volta do caminho, onde o velho castanheiro do Tio Rapão espalhava sombra, sentou-se sobre o estrado de um carro de bois ali desatrelado. Com a navalha entreteve-se a aparar um pauzinho, fazendo tempo para o encontro que se adivinhava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O Carlos chegou afogueado, tirou o velho chapéu de feltro, limpou o suor da testa à manga da camisa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Vamos ali para trás – diz-lhe o Alípio – Espero que não tenhas dado nas vistas…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Pensas que nasci ontem?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Passaram a cancela de madeira tosca e foram-se abrigar debaixo da vinha frondosa, onde já despontavam pequenos cachos de uvas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Então? – Questiona o Carlos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Então, esse filho da puta do tenente não ia adivinhar sozinho por que banda íamos passar. Se soubesse quem foi o malandro que o avisou, já lhe tinha dado um tiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Ó homem, assim ainda te desgraças…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Pelo menos ficavam todos a saber que não admito traidores. Sim, traidores, porque isto foi obra de um dos nossos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Podia não ser, podiam ser os de Cochos que falaram. Sabes que eu não me fio desses galegos! Até podiam ter sido os de Fiães. Sei lá!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Não acredito, isto é obra de alguém cá da terra. Se Deus quiser hei-de encontrar o bandido e logo ficará sem vontade de ir bufar à Guarda. Malditos! – Vocifera o Alípio – Fizeram-nos perder toda a carga e ainda perdemos a mula do Zé Albino que caiu à mina. Vais a Fiães e deixa-te ficar por lá até ao fim da tarde. Conversa como se nada tivesse acontecido. Encontramo-nos aqui, à noite, quando se puser a lua, mais o Tone das Águas e o Barbeitas. Já sabes, nem uma palavra a ninguém sobre a desgraça da noite passada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Como em muitas aldeias da raia galega, o contrabando era a forma de aliviar a miséria da vida dependente da agricultura. As terras eram pobres, o clima agreste, de verão uma torreira de sol, no inverno tudo branco de neve ou queimado pela geada traiçoeira. Os mais novos tinham abalado para Lisboa e alguns até para o Brasil, mas aqueles que tinham mulher e filhos, por aqui se aguentavam, tirando a custo o pouco sustento que a terra consentia dar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Montes de agrestes pendentes, salpicadas de áspero granito, onde as cabras se empoleiram, onde os lobos espreitam, os garranos pastam em manadas ariscas, onde o milhafre e a águia vigiam das alturas, assim era aquela terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Pequenos pastos de erva amarelada mostravam que a seca ia prolongada, bom para o vinho, mal para o milho que tardava a engrossar a espiga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Foi direito à loja onde guardavam as ferramentas, pegou na enxada, pô-la ao ombro e juntou-se à Olímpia e à Maria Rita, respectivamente sua mulher e sua irmã, que com eles vivia. Ambas manejavam a enxada entre as fileiras de milho, desalojando com golpes certeiros o gramão, a junça, os saramagos e outras ervas bravas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Em casa os candeeiros já tinham sido apagados há muito, todos descansavam menos o Alípio, que fumava um cigarro sob a luz baça da lua, filtrada pela latada de vinha que cobria as escadas de pedra. Pacientemente esperava; esperava que a lua desaparecesse, esperava por novidades que os seus homens lhe haviam de trazer, esperava por saber quem era o malandro que os tramara. Podia desconfiar de todos, mas daí a ter certezas ía um passo muito grande. Não lhe saía da cabeça que quem os atraiçoara uma vez, podia muito bem voltar a atraiçoá-los outra e outra vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O sino da igreja badalou duas vezes, eram dez e meia, a lua já se aninhava por detrás dos montes do Soajo. No ponto de encontro aguardava o Barbeitas, um homenzarrão com físico de gladiador romano, que adornava a feia carantonha com uma barba espessa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Ainda não chegaram os outros? – Pergunta o Alípio, só para fazer conversa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Devem estar a chegar… Parece que oiço barulho…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Também eu, devem ser eles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Chegaram, sentaram-se no chão e o Carlos começou a contar as novidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Não se falava noutra coisa &lt;st1:personname productid="em Fi￣es. Todos" st="on"&gt;em Fiães. Todos&lt;/st1:personname&gt; comentavam a apreensão que o novo tenente da Guarda de Melgaço fizera a noite passada. Mas eles pensam que a carga vinha por conta dos Cunhas, a mim até me perguntaram se tinha visto algum deles por aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Por aqui?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Sim, parece que andam fugidos. Logo de manhã foram às casas deles, revistaram tudo e não os encontraram. Segundo dizem, foi esse tenente que comandou a rusga e chegou a dar umas chicotadas ao filho de um deles, um miúdo, para ver se o rapaz falava. Ainda troquei umas palavras às escondidas com o Mendes, disse-me que este tipo veio da Régua e é dos que não come, nem deixa comer. Um animal da pior espécie!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Mas afinal soubeste como eles deram connosco? Quem é que bufou?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Não pude falar à vontade, mas o Mendes garantiu-me que ficaram surpreendidos ao darem connosco. O tenente tinha-lhes dito que iam apanhar uma carga de café que ia para lá. Ah… ele disse-me para te avisar, que temos de estar quietos umas semanas até isto sossegar e que não tardarão a fazer uma ronda por aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Então é melhor tirarmos do teu palheiro o que sobrou e mudar para outro lado, fora da aldeia, senão ainda nos encontram a mercadoria.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-1304224472685110308?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/1304224472685110308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=1304224472685110308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1304224472685110308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1304224472685110308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/11/nos-trilhos-do-contrabando-i.html' title='Nos trilhos do contrabando  I'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7486807796559995164</id><published>2009-10-10T18:44:00.000+01:00</published><updated>2009-10-10T18:45:14.934+01:00</updated><title type='text'>O gajo não tem marcha-atrás!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de sair da Empresa de Lacticínios Âncora e iniciar um trabalho por conta própria, passei a gerir o tempo com mais alguma liberdade e dediquei-me mais à pesca do que anteriormente, quando tinha horários rígidos a cumprir.&lt;br /&gt;Ao final da tarde, se o mar estava de feição, preparava os apetrechos e arrancava para uma das zonas de pesca que por aqui abundam. Não é por falta de pesqueiros que não se pesca! Ou na areia, nas praias de Moledo, Âncora e Afife ou nas rochas, onde existem uma infinidade de pesqueiros.&lt;br /&gt;Mas ao fim da tarde e à noite, pesca-se na areia, tenta-se a sorte de apanhar algum robalo mais atrevido, que vem até à rebentação mariscar. Outras espécies que também se podem pescar nestas circunstâncias são os sargos e choupas, solhas, linguados e rodovalhos.&lt;br /&gt;De verão, com o mar chão, podem aparecer as fanecas, geralmente miúdas. Eu digo que se pode pescar estas espécies, mas não pensem que estão ali, ao dobrar da esquina, à nossa espera. É cada vez mais difícil, por nítida escassez destas espécies, que têm sido dizimadas na nossa costa, desde que começaram a permitir a pesca de arrasto.&lt;br /&gt;Se o mar estava picado, a solução era Moledo, que é o local mais abrigado, devido à ilha da Ínsua. Aí chegados teríamos de escolher onde pescar, no Portinho do Senhor, em Fornelos, na pedra do Cavaleiro, no Moinho ou na Ruiva.&lt;br /&gt;Se mesmo assim ainda o mar fosse muito, o recurso seria avançar para norte e pescar entre o bico da Ruiva, mesmo no enfiamento da Ínsua e a Ponta Grossa na foz do Rio Minho. Confesso que durante muito tempo fui “cliente” do Moinho, mas com a influência de alguns amigos e com outras tantas pescarias de categoria, passei a ser mais adepto da Ruiva, só é pena que fique tão longe.&lt;br /&gt;De Inverno, um gajo com botas altas, casaco contra o frio, e às vezes a chuva, mais a cana, o zote e o ferro de espetar, chega lá a suar. Então com a maré em cima, indo pela areia seca, nem vos conto…&lt;br /&gt;Se o mar estiver mais tranquilo, pode-se pescar no praial de Âncora, entre o molhe do Portinho e as Primeiras Pedras, perto do Forte do Cão. Antigamente, antes de construírem os novos molhes do Portinho, havia um pesqueiro fantástico entre o referido molhe sul e a foz do rio Âncora, chamado Moreiro, que fica mesmo em frente à minha casa. Hoje esse pesqueiro não é tão bom, nem por sombras, pois está assoreado.&lt;br /&gt;Mais ou menos a meio do praial, há um conjunto de pedras, quase sempre submersas, só se descobre uma delas, em marés muito grandes, chamada Pedra do Tesal, um bom pesqueiro, dependendo, ainda assim, da forma como estão os “secos”, as coroas de areia, que se movimentam continuamente.&lt;br /&gt;Quando o mar está mesmo calmo, é hora de ir para Afife, que tem um praial com muitos secos e muitas correntes. Se o mar puxa um bocadinho não há quem aguente as linhas na água. No entanto, acho que em Afife, o peixe é na generalidade maior que nos outros locais, nomeadamente, em Moledo onde é raro tirar-se peixe grande em quantidade que se veja.&lt;br /&gt;O ano passado por terem apanhado meia dúzia de peixes grandes, até fizeram uma reportagem no Jornal de Notícias. Em Afife isso acontece com mais frequência, tem o problema que é mais difícil lá pescar. A mim já me aconteceu de fazer dois ou três lançamentos, concluir que não vale a pena pois a água corre muito, desmontar tudo e vir embora.&lt;br /&gt;Esta praia tem duas entradas, a norte pelo Carvalho e a sul pela Mariana, local muito conhecido da malta do surf; eu utilizo ambas, mas prefiro ir pelo Carvalho pois é um local mais frequentado, tem o restaurante e fico mais tranquilo, no que respeita ao carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ia contar-vos uma pescaria, mas entretanto perdi-me e estou para aqui a divagar sobre pesqueiros, como se vocês não os conhecessem.&lt;br /&gt;Dizia eu, que numa determinada fase da minha vida, tinha alguma disponibilidade acrescida para me dedicar à pesca. Normalmente preparava as coisas e saía no final da tarde para fazer o pôr-do-sol e uma ou duas horas depois de anoitecer.&lt;br /&gt;Quem não achava muita piada a esta actividade era a minha mulher, que embirrava com o facto de eu sair, mais ou menos quando ela chegava do trabalho. Não gostava, mas comia o peixe!&lt;br /&gt;Estávamos no Outono, o mês de Novembro tinha começado chuvoso e o mar era uma ressaca constante. Os barcos não saíam para o mar há mais de um mês, não havia forma de amainar o sudoeste. A chuva e o vento já tinham feito estragos, todos os dias se via na televisão, ora inundava aqui, ora caía qualquer coisa ali.&lt;br /&gt;De súbito, o vento vira a noroeste e começa a limpar, o mar cai bastante, o sol brilha a espaços e divide o céu com as nuvens, ainda ameaçadoras.&lt;br /&gt;Quando cheguei a casa a meio da tarde, olhei para o praial e vi dois ou três a pescar na Pedra do Tesal. Pensei cá para mim, “a água está escura e parece que não corre, não está nada mal”. À distância, não reconheci quem lá pescava, mas achei que valia a pena investigar.&lt;br /&gt;Pousei a pasta, calcei umas sapatilhas e percorri a avenida até ao posto de turismo, atravessei a ponte e desci à areia, em direcção ao mar. Fui nas calmas por ali fora e reconheci o Camilo da Bezunza, o Rafael e o Arturinho mais a sul. Ainda mais a sul estava um tipo da Laje que conheço de vista, mas não sei o nome.&lt;br /&gt;O Camilo já tinha uns robaliços, cachiços como nós lhes chamamos, o Rafael também tinha uns cachiços e umas chincaronas que são choupas ou sargos pequenos e dirigi-me para o Arturinho que estava mais distanciado. Quando cheguei à beira dele, estava sentado em cima do zote que era um balde de vinte litros de tinta, daqueles redondos em plástico. Eu também tenho um desses, mas é raro usá-lo.&lt;br /&gt;- Então tio Artur, que tal?&lt;br /&gt;- Já tenho um par deles, mas são pequenos.&lt;br /&gt;Olhou à volta como a certificar-se que estávamos sós, levantou o traseiro do balde e tirou a tampa.&lt;br /&gt;Lá dentro, misturados com os tarecos da pesca estavam uma meia dúzia de robalotes jeitosos, umas chincaronas e um sargo que seguramente tinha perto de um quilo.&lt;br /&gt;- Pôrra, ainda diz você que são pequenos!&lt;br /&gt;O Arturinho arreganhou um sorriso e pôr à mostra a fila dos dentes de ouro, que brilharam ao sol daquele final de tarde.&lt;br /&gt;- Mais dois lançamentos e vou-me embora, antes que caia a noite – dizia o Arturinho.&lt;br /&gt;Eu é que não esperei mais e pus-me a andar dali para fora, com os olhos em bico.&lt;br /&gt;“Amanhã, se estiver como hoje, também venho pescar, mas de manhã tenho que ir à isca”.&lt;br /&gt;Assim foi, no dia seguinte fui à isca da “barrenha”, porque a maré descia pouco para apanhar sintética, envolvi-a em serrim, coloquei-a no frigorífico e de seguida tive que ouvir a “patroa” dizer:&lt;br /&gt;- Esta porcaria cheira mal. Vai ficar aqui muito tempo?&lt;br /&gt;- Não, logo já sai e o que cheira mal é essa hortaliça cozida, que já aí está há dois dias.&lt;br /&gt;Meti a tralha no carro e a meio da tarde decidi ir bastante mais para sul que o Arturinho no dia anterior. Por isso levei o carro até ao Sanatório da Gelfa e vim a pé pelo praial. A minha ideia era ficar mais ou menos a quatrocentos ou quinhentos metros mais a sul, onde tinha visto o mar a virar muito certinho, pelo menos a água não deveria correr.&lt;br /&gt;Ao passar pelas Primeiras Pedras vi logo que estava um gajo no sítio onde eu tencionava ficar. “Não faz mal, fico ao lado” e continuei em direcção ao pesqueiro.&lt;br /&gt;Escolhi o sítio, pousei a cana, o zote e o ferro de espetar, apurei a vista e reconheci o Dinis do “Côto”, que às vezes pescava comigo, normalmente em Moledo. Fui ter com ele e perguntei-lhe que tal estava a correr a pesca.&lt;br /&gt;- Oh pá, tenho duas choupas jeitosas, mas estou com uma isca fraca, estou a pescar com isca mansa.&lt;br /&gt;Isca mansa é minhoca do rio, há muita gente que a usa apenas em ultimo recurso e acha-a uma isca fraca. Eu tenho um entendimento diferente, pois já fiz boas pescarias com esta isca, tem o defeito de ser frágil e problemática se lançarmos para muito longe, pois pode desfazer-se, se não for espetada nos anzóis, com o máximo cuidado.&lt;br /&gt;Mostrou-me duas belas choupas o que me animou bastante, mas logo de seguida disse algo que me refreou o entusiasmo.&lt;br /&gt;- Estou aqui desde o fim do almoço, apanhei-as logo nos primeiros lançamentos e mais nada. Daqui a pouco, vou-me embora.&lt;br /&gt;Preparei a cana, afinei o meu Shimano Ultegra 10.000, recentemente adquirido, linha Fire Line, chumbada de 150 gramas de cruzeta e dois anzóis Gamakatsu Aberdeen 1/0.&lt;br /&gt;Lançamento feito, liguei o meu rádio, pus os auscultadores e sintonizei a RFM. Nessa época, só admitia ouvir esta estação. Hoje partilho-a com a Comercial e a Antena 3, são gostos.&lt;br /&gt;O Dinis ainda veio ter comigo uma vez, só para me dizer que se ia embora e em breve só me restava olhar para o mar ou adivinhar o que estariam a pescar os tipos que estavam mais a norte, que deviam ser os mesmos do dia anterior.&lt;br /&gt;O sol estava a pôr-se no horizonte, mesmo à minha frente e não havia maneira de sentir um toque.”Está na hora” pensava eu, num exercício de auto convencimento, que parecia não resultar.&lt;br /&gt;Já estava completamente escuro quando senti um toque na cana, levantei-me ansioso, na expectativa. Novo toque, dou a enferrada, sinto o peixe. Começo a alar a linha e ponho em seco uma choupa pequena, não teria sequer meio quilo.&lt;br /&gt;Isco e lanço de novo tentando lembrar-me se, no lançamento anterior, tinha puxado muito para fora ou não. Não demorou muito e sinto um puxão forte e continuado, que dispensou qualquer acção de enferrar.&lt;br /&gt;Foi só afinar a embraiagem e pôr o gajo a marchar para terra. Estava com medo da rebentação porque apesar de não estar muito forte, era mais que suficiente para soltar um peixe que venha mal engatado e logo aquele que era grande. Quando o senti arrojado em seco, fui ao encontro dele sempre com a cana na mão e a colher a linha. Vi uma mancha branca na areia molhada, acendi o foco que tinha na testa e admirei o belo robalo que tinha apanhado.&lt;br /&gt;“Depressa, depressa, ali há mais”, meti-lhe os dedos nas guelras e recuei até onde tinha o zote com a isca. Desprendi o peixe do anzol, reparei que vinha bem ferrado, não houvera perigo de fugir. Isquei e lancei, com o coração ainda aos pulos. É curioso como um pescador pode apanhar milhares de peixes, mas nunca deixa de ficar excitado sempre que tira um da água.&lt;br /&gt;Senti outro, mas de forma diferente, “que raio, vai a fugir para o lado… hum, isto é choupa”, de facto sentia-se o toque violento e seguido dos peixes da família da choupa, do sargo e da dourada. Era uma bela choupa maior que a anterior, que tinha engolido o enorme anzol que eu usava.&lt;br /&gt;Demorei tempo precioso a desengata-la, roguei-lhe um par de pragas e quando lancei novamente, nem tive tempo de esticar a linha, pois apercebi-me que já tinha peixe, outro robalo, que se revelou um pouco maior que o primeiro.&lt;br /&gt;Eu nem queria acreditar, que era o meu dia ou a minha hora. Novo lançamento e pouco depois uma “stikada” a sério. O gajo era uma besta e não tinha maneiras. Não tive outro remédio senão afrouxar a embraiagem e deixá-lo correr à vontade, até que o consegui suster. Devagarinho comecei a trabalhá-lo para o trazer para terra, o que aconteceu sem grande alarido. Difícil foi quando lhe começou a faltar água e o bicho ficou outra vez bravo. Por momentos um tipo pensa em tudo e mais alguma coisa, será que está bem preso, que peso terá, ainda estará longe e se rebenta a linha ou parte o anzol…&lt;br /&gt;“O gajo não tem marcha-atrás, foda-se, há-de vir para terra!” E veio, contra vontade, mas veio. Era um peixe!!!&lt;br /&gt;Peguei nele, fui pô-lo na companhia dos outros que estavam estendidos numa cavidade que tinha feito na areia seca.&lt;br /&gt;Voltei a lançar e aguardei, novo toque, nova aventura. Mas aguardei em vão; um lançamento, outro lançamento, mais outro e nada, o peixe tinha desandado.&lt;br /&gt;Excitado como estava não tive paciência para mais, meti os peixes no saco de rede, arrumei as tralhas e meti pés ao caminho. Ao fim de duzentos ou trezentos metros já bufava e mudei o saco do peixe para a outra mão. Pouco depois já levava o saco a rasto pela areia e foi assim, andando e descansando para retomar o fôlego, que cheguei ao carro. Fui directo à casa dos meus sogros e, quando entrei de peito feito, diz-me a minha mulher:&lt;br /&gt;- Grandes peixes, quem é que os apanhou?&lt;br /&gt;Apeteceu-me logo mandá-la para aquela banda…&lt;br /&gt;Não tiveram outro remédio senão convencer-se que tinham sido pescados por mim. Eu até os compreendo, muitas vezes chegava a casa sem peixe, algumas vezes com uns “charabanecos” pequenos e uma vez por festa, com um peixe que se podia apreciar. De repente, apareço com um saco deles, até desconfiaram. É como diz o ditado, “ quando a esmola é grande, até o pobre desconfia”.&lt;br /&gt;A choupa maior enviei-a para a minha mãe e guardei o restante peixe no congelador, a pensar que no dia seguinte voltava lá ao mesmo sítio.&lt;br /&gt;Durante o dia encontrei-me casualmente com o Dinis, contei-lhe o sucedido e combinamos manter a boca calada e aparecermos ao pôr-do-sol, no local do crime. Nesse dia voltei a tirar um robalo com cerca de dois quilos e o Dinis apanhou um ligeiramente mais pequeno. No terceiro dia, eu não apanhei nada e ele apanhou o irmão gémeo do dia anterior. No dia seguinte virou o tempo a sul, o mar metia medo, chovia e ventava forte. A pesca estava feita… e bem feita!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-7486807796559995164?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/7486807796559995164/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=7486807796559995164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7486807796559995164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7486807796559995164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/10/o-gajo-nao-tem-marcha-atras.html' title='O gajo não tem marcha-atrás!'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-8259998638333178562</id><published>2009-08-18T15:58:00.000+01:00</published><updated>2009-08-18T15:59:05.584+01:00</updated><title type='text'>O velho pescador</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era um dia como tantos outros, o velhote saiu pela porta da cozinha, pegou na caixinha da isca, meteu-a cuidadosamente no zote onde já estavam meia dúzia de chumbos, carteirinhas com diversos tipos de anzóis, bobines de fio de nylon e outros acessórios de pesca.&lt;br /&gt;Pôs o zote de verga ao ombro, pegou na cana encostada à parede e abriu o portão da rua. O dia nascia triste, enevoado e húmido, muito húmido. Rapidamente o boné azul ficou pejado de pequeníssimas gotículas brilhantes. Lentamente, arrastando as botas de borracha que lhe chegavam aos joelhos, desceu a avenida marginal. Ainda tinha para uma meia hora, senão mais, para ir até à Guimbra, o sítio onde tencionava passar a manhã a pescar.&lt;br /&gt;Nem apreciava de modo especial aquele pesqueiro, o que lhe agradava era o ambiente que o rodeava. Pelo caminho foi cumprimentando quem conhecia, alguns também iam pescar como ele, mas iam em passo mais ligeiro, eram mais novos. Acenou ao Berto que já estava nas pedras da ribeira com o bicheiro dos polvos. “Ainda tem mais vício que eu, não passa um dia sem vir cá abaixo” e na cara do velho esboça-se um sorriso.&lt;br /&gt;Chegado à Guimbra, pousou o zote no chão e sentou-se numa pedra à beira do caminho. Agora teria de descer até ao mar e aquelas lajes molhadas eram um perigo, tinha de ir com cautela.&lt;br /&gt;Admirou-se por a maré estar tão vazia; ou tinha feito mal as contas ou saíra de casa mais cedo que o costume. A pedra alta de onde costumava pescar estava desocupada, aliás, ali perto não estava ninguém a pescar, apenas duas mulheres, mais a norte, talvez a Ritinha e a filha, que deviam andar na apanha dos percebes e do mexilhão.&lt;br /&gt;“Qualquer dia tenho de ir ao médico da vista, se calhar são cataratas. Ao longe vejo cada vez pior” pensou o Guilhermino enquanto preparava a cana. Primeiro colocou o anzol, depois a chumbeira, iscou com meio caranguejo e lançou suavemente para o mar à sua frente. O isco caiu perto, não mais de trinta metros, já não podia fazer aqueles lançamentos de que tanto se orgulhava quando era novo.&lt;br /&gt;Uma vez apostou que lançava mais de cem metros e como tinham duvidado, logo desafiou os incrédulos para irem à praia tirar as teimas. No primeiro lançamento lançou a cento e vinte e três passos, contados pelo Ticúm que tinha os passos grandes. Quando todos já se davam por satisfeitos o Guilhermino fez outro lançamento a mais de cento e trinta passos. “Bons tempos, nessa altura ainda era novo, hoje não posso com um gato pelo rabo” e sentou-se, depois de pousar a cana, equilibrada numa fenda da rocha.&lt;br /&gt;À sua volta as gaivotas ociosas, ora pousavam, ora levantavam para mais um voo preguiçoso sobre as águas cinzentas.&lt;br /&gt;A névoa tinha levantado e levado com ela a humidade, mas ainda estava fresco, talvez ainda desse para tirar o casaco mais tarde. Nas pequenas poças escavadas nas rochas, a vida tinha o seu ritmo próprio. As anémonas abriam e estendiam os seus filamentos em esforço de caça, pequenos caranguejos moviam-se sem jeito, de lado, como se dançassem. Um ou outro pequeno peixe, cabozes das pedras, corriam para lá e para cá à procura de alimento.&lt;br /&gt;Levantou-se, pegou na cana, recolheu a linha, voltou a iscar, lançou e sentou-se à espera. “Hoje não estão cá, ou se estão não pegam na isca. Antigamente bastava cair na água e logo o peixe se atirava”.&lt;br /&gt;O Guilhermino sabia bem que cada vez havia menos peixe, a ganância do negócio estava a transformar o mar num deserto. Desde que tinham começado a usar as redes de arrasto que tudo destruíam, a sobrevivência de muitas espécies estava ameaçada. “Malditas redes, mil vezes malditas” e escarrou com força, enquanto fixava o olhar no voo rasante de uma gaivota a escassos centímetros da água.&lt;br /&gt;Embora não estivesse sol, já não fazia frio e decidiu tirar o casaco e o impermeável que o tinha protegido da humidade. Assim sentia-se mais à vontade, mais livre. Era por isso que gostava de pescar, mesmo que não apanhasse peixe. Só a sensação que era estar junto ao mar, aquele mar imenso que tinha atravessado dúzias de vezes a bordo dos barcos mercantes onde trabalhara. “Vida dura, meses e meses sem vir a casa, os filhos pequenos, que nem me conheciam quando chegava”, agora podia gozar a merecida reforma e a pesca era mais que um entretimento, era uma forma de estar na vida.&lt;br /&gt;A cana começou a vergar, estremeceu várias vezes e manteve-se dobrada. Com uma velocidade pouco própria para a sua idade, levantou-se e deitou-lhe a mão. Ficou tenso, ansioso até sentir mais alguns puxões dados pelo peixe no outro extremo da linha.&lt;br /&gt;Durou muito tempo a batalha entre estes dois seres, um apenas queria o troféu, o outro lutava pela vida. Valeram todos os truques, todas as manhas, todas as experiências vividas.&lt;br /&gt;O Guilhermino perdeu a noção do tempo que levou até trazer o peixe para junto da pedra, já nem sentia os braços de cansaço, doíam-lhe as pernas do esforço e sentia o suor a escorrer pela cara e pelas costas abaixo.&lt;br /&gt;O peixe, um exemplar soberbo, veio finalmente à tona extenuado com a luta, fazendo brilhar a sua ilharga prateada. Depois de o encostar à pedra, o pescador baixou-se, estendeu a mão e enfiou-lhe dois dedos pelas guelras. Num último esforço puxou-o para seco, desequilibrou-se e caiu para trás, ficando sentado na rocha com o peixe entre as pernas.&lt;br /&gt;Foi o momento decisivo, os dois contendores olharam-se nos olhos, o peixe agonizava em estertores, o Guilhermino arfava devido ao esforço. “Lá entre os teus, também és um velho como eu, se calhar ainda mais velho. Não mereces esta sorte”.&lt;br /&gt;Retirou-lhe o anzol fortemente cravado na mandíbula, pegou-lhe outra vez pelas guelras, tomou-lhe o peso e voltou a pousá-lo suavemente na água.&lt;br /&gt;O velho robalo ventilou lentamente, agitou-se, mas não se afastou. “Vai-te embora, és livre, não voltes a cair no engano, vai”. Com uma palmada da poderosa barbatana caudal, ganhou impulso e afundou-se majestosamente. Duas lágrimas rolavam pela cara do Guilhermino que as limpou com as costas da mão.&lt;br /&gt;Levantou-se penosamente, mas com um sorriso na cara enrugada “ora, para que é que precisava de um peixe tão grande, só para mim e para a Lurdes? Ia ser um desperdício, mais vale assim”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-8259998638333178562?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/8259998638333178562/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=8259998638333178562' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8259998638333178562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8259998638333178562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/08/o-velho-pescador.html' title='O velho pescador'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7995310549898621926</id><published>2009-08-18T15:53:00.001+01:00</published><updated>2009-08-18T15:55:53.886+01:00</updated><title type='text'>Das montanhas te contemplo a passear</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SorAooH1DHI/AAAAAAAAAFk/0YMJFnKpRxU/s1600-h/vpancora_pan.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 119px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371317309790293106" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SorAooH1DHI/AAAAAAAAAFk/0YMJFnKpRxU/s400/vpancora_pan.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-7995310549898621926?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/7995310549898621926/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=7995310549898621926' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7995310549898621926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7995310549898621926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/08/das-montanhas-te-contemplo-passear.html' title='Das montanhas te contemplo a passear'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SorAooH1DHI/AAAAAAAAAFk/0YMJFnKpRxU/s72-c/vpancora_pan.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-1087572819842869897</id><published>2009-06-24T10:54:00.001+01:00</published><updated>2009-06-24T11:22:14.907+01:00</updated><title type='text'>O Gabinardo do Senhor Abade  (2ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Vem aí um barco de guerra… Já está ao largo de Viana…&lt;br /&gt;- E depois?&lt;br /&gt;- Homem, é um barco dos republicanos… Vem por aí acima para nos bombardear!&lt;br /&gt;- Ora! Então acha que o navio anda para aí aos tiros, sem mais nem menos?&lt;br /&gt;- É o que lhe digo. Escute, – baixou a voz em tom confidencial – o Silvestre veio de Viana no trem da manhã e disse-me que por lá não se fala de outra coisa… Olhe que o Silvestre é homem sério…&lt;br /&gt;- Eu sei, eu sei, mas nem quero acreditar numa coisa dessas. Bahh… Bombardeados! Esta coisa dos Bolcheviques ainda vai chegar aqui…&lt;br /&gt;- Já não digo nada, amigo Celestino, este mundo está perdido…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois dias que não parava de cair uma chuva miudinha, irritante e que se pegava à roupa como visgo. Naquela manhã foi difícil descortinar o fumo que saia da chaminé do “Limpopo”, apesar de navegar a menos de uma milha da costa rochosa de Montedor e Afife. Dobrou o promontório do Forte do Cão, reduziu a velocidade e vogou suavemente frente à praia de Âncora.&lt;br /&gt;A povoação de Gontinhães estendia-se terra dentro, ocupando as terras férteis do Vale do Âncora. Nos últimos anos tinham as construções descido até à praia e com a construção do portinho, muitos pescadores de outras terras tinham vindo habitar para o Lugar da Lagarteira. Foram estes pescadores os primeiros a verem a pequena canhoneira a vapor, que parecia estar a estudar as condições de fundear perto da costa, se calhar com a intenção de baixar algum escaler.&lt;br /&gt;As crianças furavam por entre as pernas dos adultos e algumas não se livraram de levar uns sopapos. Mesmo assim valia a pena para estar na primeira fila. As mulheres benziam-se e os homens seguiam com atenção as manobras do vaso de guerra, que já tinha andado pelas terras de Moçamedes em tempos idos. A chuva continuava a cair e a ninguém parecia importar.&lt;br /&gt;- Deixem passar! Deixem passar! Arreda!!!&lt;br /&gt;Com estas palavras o Tenente Castro desceu até à praia por entre a multidão expectante. Formados a dois e de espingarda ao ombro, a reduzida vanguarda monárquica seguia-o marchando com os passos trocados.&lt;br /&gt;- Senhor tenente, será dos nossos? – perguntou o Afonso, que se benzia todos os dias em frente à fotografia do rei que tinha pendurada na sala, entre o relógio e o oratório.&lt;br /&gt;- Hummm… Acho que não – replicou o Tenente que via perfeitamente a bandeira da República na popa do barco – Se desembarcarem vamos aprisioná-los…&lt;br /&gt;- Só vocês?...&lt;br /&gt;- Sim, os nossos soldados com a inspiração de Sua Alteza e a Graça Divina… E todos os homens de fé e de coragem desta terra!&lt;br /&gt;Quem por ali estava e ouviu as palavras inflamadas do oficial, cedo tratou de se desviar e alguns até desistiram de continuar a observar as movimentações a bordo do vapor, que parecia agora fazer um compasso de espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças mais velhas, a Bela e a Minda estavam sentadas junto da mãe que vigiava o trabalho de bordado que ambas se esforçavam por fazer. A Delfina abanava a cabeça, silenciosamente desapontada perante a falta de jeito que a Bela, apesar de mais velha, tinha para tudo o que implicasse cozer ou bordar. A bebé dormia na cama da mãe e a outra miúda, com quatro anos, tinha ido com a Rosa até ao moinho, onde a senhora Maria transformava grão em farinha.&lt;br /&gt;- Que sossego – pensou a Delfina, cruzando as mãos sobre o regaço – Como se estarão a ver na pensão? Deve estar tudo uma confusão… O Abel não liga nenhuma, a velhota, coitada, não chega para as encomendas… Melhor tivesse eu ficado e vinha a avó com elas… Aqui um sossego e lá uma confusão! Deus me livre, quando lá chegar até tenho medo de dar em doida com o que encontrar… ahhh! Mas vão ouvir-me!&lt;br /&gt;- Mãe, isto não fica direito – queixa-se a Bela – e já me espetei.&lt;br /&gt;- Deixa-me ver… Estes pontos estão muito grandes! Jesus! Parecem comboios… Tens de fazer assim… estás a ver! Parece-me que estou a ouvir a bebé, deve ter acordado.&lt;br /&gt;Levantou-se e empurrou de mansinho a porta do quarto onde a Letinha repousava. A criança ainda dormia e a extremosa mãe decidiu colocar outro cobertor sobre a criança.&lt;br /&gt;Haviam cobertores no guarda-fatos, já os tinha visto no primeiro dia. Abriu a porta do roupeiro, escolheu uma manta aos quadrados verdes, segurou a roupa que estava por cima e puxou-a para fora. Junto com a manta veio uma peça de roupa preta. Levantou-a do chão para a dobrar e arrumar no mesmo sítio, quando reparou na interminável fila de botões muito juntos.&lt;br /&gt;- Mas que raio… parece a sotaina… ora esta…é a sotaina do padre.&lt;br /&gt;Levantou a sotaina, virou-a várias vezes para melhor a apreciar, dobrou-a apressada, sentindo-se afogueada. Voltou a colocá-la sob a rima de cobertores e fechou cuidadosamente o roupeiro que guardava o grande segredo. Há muito que corria, à boca pequena, o boato que a senhora Maria se entendia com o padre Correia. Não se falava na freguesia, mas as comadres cochichavam e os homens trocavam aqueles olhares de sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena nuvem de fumo saiu da proa do “Limpopo” e um silvo agudo passou sobre as cabeças dos espectadores. Do mar veio o barulho semelhante ao trovão, que deixou todos atónitos.&lt;br /&gt;- Que foi, mãe? – pergunta a pequenita agarrada com todas as forças à saia da mãe.&lt;br /&gt;- Fujam, fujam, estão a bombardear – gritou alguém.&lt;br /&gt;- Estão a bombardear-nos… Fujam!!! – era o que mais de ouvia.&lt;br /&gt;Como impulsionados por uma mola, todos se viraram para terra e correram. Novos, velhos, mulheres, crianças… todos procuraram abrigo entre o casario baixo, pobre e rústico da Lagarteira.&lt;br /&gt;Novo silvo agudo e novo estrondo vieram do mar, pouco mais longe que o Sabugo.&lt;br /&gt;- Dispararam outra vez – informa alguém, como se os outros não soubessem.&lt;br /&gt;Passados os primeiros momentos de pânico, o Tenente Castro que fora dos primeiros a fugir, recobrou animo, tirou o boné, passou a mão pelo cabelo, voltou a enfiar o boné, olhou para as botas sempre reluzentes e agora emporcalhadas da areia, puxou as mangas do dolman e decidiu-se a tomar conta da situação.&lt;br /&gt;- Cabo Simões, reúna os homens.&lt;br /&gt;- Eles estão aqui, senhor tenente.&lt;br /&gt;- Sim? Onde está a sua arma? – pergunta o oficial ao soldado gordo que arquejava com o esforço da corrida.&lt;br /&gt;- A ar… arma?!!!... Hum… Acho que… que ficou ali em baixo – responde o atarantado soldado, apontando para o sítio onde tinham estado a observar o navio republicano.&lt;br /&gt;- Perder a arma!!!... Você vai a conselho de guerra. Devia ser fuzilado imediatamente – berra o tenente descontrolado.&lt;br /&gt;- Eu vou… eu vou já buscá-la – responde-lhe o soldado afastando-se ligeiro.&lt;br /&gt;Entretanto mais um tiro de canhão foi disparado e todos se encolheram pois o impacto dera-se ali perto.&lt;br /&gt;- Fujam, eles vão destruir tudo! – gritou alguém, levando a nova correria pelas ruelas, entre as casas.&lt;br /&gt;- Soldados! – berrou o tenente de pistola em punho – Carregar armas. Vamos ripostar. Espalhem-se para parecer que somos muitos. Depressa!!! Ao meu comando… fogo!&lt;br /&gt;Uma descarga de Mauser atingiu o “Limpopo” onde, descontraidamente, a tripulação assistia do convés, aos disparos do canhão da proa. Um marinheiro caiu, ficando na coberta a gemer, enquanto os outros de abrigavam do lado do mar e nova saraivada de balas batia nas chapas carcomidas da velha canhonheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro tiro do canhão fez o Abel dar um salto no banco da loja que funcionava no piso térreo da sua pensão. O projéctil tinha caído ali perto. Muito perto, no lado do Sol Posto. Veio à porta olhou para o céu e viu na varanda, sobre a sua cabeça, a bandeira azul e branca que os soldados tinham desfraldado.&lt;br /&gt;- Américo, vai lá acima e tira aquela bandeira. Estão a disparar contra ela! Depressa!&lt;br /&gt;Neste momento ouviu-se outro impacto mais afastado e pouco depois chegou o enteado com a bandeira nos braços. Os disparos seguintes foram para outros alvos e o coração do Abel começou a serenar.&lt;br /&gt;- Foi na casa da Tia Claudina – diz alguém que passa na rua a correr.&lt;br /&gt;- Ó diabo! Matou alguém?&lt;br /&gt;- Não… Ela tinha ido à horta apanhar um braçado de couves para os coelhos.&lt;br /&gt;A batalha foi curta e ao fim de meia dúzia de disparos, a canhoneira vomitou umas baforadas de fumo pela chaminé, afastou-se da costa e rumou para norte. Fosse pela resposta dos soldados em terra que, bem abrigados pelos muros de pedra dispararam as suas armas, fosse por qualquer outro motivo, o certo é que não houve nenhuma tentativa de desembarque e ao fim de pouco tempo o “Limpopo” deixava de ser visto.&lt;br /&gt;Ainda houve quem fosse ao Espilrro espreitar, não mudassem de ideias ou fosse uma armadilha para apanhar os atiradores distraídos, mas viram o barco seguir a direito até à Ínsua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Amonde só souberam destes acontecimentos dois dias depois, graças à visita da Tia Leonarda, que depois de retemperar forças com uma caneca de vinho branco, um par de pataniscas e um naco de broa, lhes contou como a casa da Tia Claudina, no Largo do Sol Posto tinha levado um tiro de canhão, que entrara pelo telhado e rebentado com o alguidar onde demolhavam umas postas de bacalhau. A Delfina teve um arrepio só de pensar no que podia ter acontecido, se o projéctil se tivesse desviado quarenta ou cinquenta metros, caindo sobre a pensão.&lt;br /&gt;Outro dos edifícios atingidos foi a estação dos caminhos-de-ferro, pois era bem visível do mar a enorme bandeira monárquica que lá tinham hasteado. Um dos quartos da residência do chefe da estação tinha ficado destruído e a esposa desse ferroviário tinha-se salvo por milagre, pois estava na dependência imediata.&lt;br /&gt;A Defina que estava desejosa de regressar a casa, ponderou nos perigos cada vez maiores deste conflito político. Teriam de ficar mais algum tempo, apesar de contrariada por estar afastada da sua cozinha, local onde passava a maior parte do tempo e onde se sentia como peixe na água. Também a descoberta que fizera no roupeiro da senhora Maria a constrangia muito, principalmente quando ficava a sós com a sua anfitriã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 13 de Fevereiro o exército republicano entrou na cidade do Porto e o Reino da Traulitânea ruiu como um castelo de cartas. Os soldados envolvidos na revolta regressaram aos quartéis, os chefes do golpe foram encarcerados e a bandeira verde e rubra voltou flutuar em todo o país.&lt;br /&gt;O tenente Castro quando recebeu das mãos de um estafeta a cavalo, a ordem para se dirigir imediatamente a Viana e pôr-se à disposição do comandante do Regimento de Artilharia Ligeira do Forte de Santiago da Barra, compreendeu que estava tudo perdido. Esmagou lentamente a cigarrilha com a biqueira da bota reluzente, subiu ao seu quarto, escreveu uma nota dirigida ao seu comandante de divisão, pegou no revolver e deu um tiro na cabeça.&lt;br /&gt;Ao barulho da detonação acorreram várias criadas da pensão e dois dos soldados que se entretinham a jogar à bisca na loja do rés-do-chão. Em breve, todos sabiam que o nervoso tenente Castro tinha preferido suicidar-se a ter de reconhecer a derrota, enfrentar a prisão e o exílio provável nas colónias africanas.&lt;br /&gt;- E agora, que fazemos? – pergunta um dos soldados, perante o cadáver do tenente.&lt;br /&gt;- Agora – responde o Abel – peguem nele e enterrem-no! Ou pensam que vou ser eu a tratar disso? Já me chega ter-vos sustentado durante duas semanas… Andando daqui para fora!!! Levem o tenente e… levem o raio da bandeira convosco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Tia Leonarda já tinha o gado atrelado ao carro, a Rosa descera as bagagens, a Delfina estava a despedir-se da senhora Maria e as crianças brincavam com os cães da propriedade.&lt;br /&gt;A Delfina descia as escadas exteriores de pedra, quando voltou para trás e disse em voz baixa para a Senhora Maria, que estava debruçada na balaustrada.&lt;br /&gt;- Esqueci-me de lhe dizer que cozi os botões que estavam soltos no gabinardo do Senhor Abade... mas não se preocupe, pois voltei a arrumá-lo entre os cobertores.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fim&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-1087572819842869897?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/1087572819842869897/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=1087572819842869897' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1087572819842869897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1087572819842869897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/06/o-gabinardo-do-senhor-abade-2-parte.html' title='O Gabinardo do Senhor Abade  (2ª parte)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-6223390393402934273</id><published>2009-05-28T16:29:00.004+01:00</published><updated>2009-06-24T10:57:39.055+01:00</updated><title type='text'>O gabinardo do Senhor Abade (1ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O eixo chiava de forma aflitiva. Um guincho quase animal, que lembrava o porco no estertor da morte sob a faca do matador. Lentamente, o carro puxado pela junta de vacas galegas, pachorrentas e teimosas, avançava passo a passo.&lt;br /&gt;Sobre a plataforma de madeira escura, as crianças mais velhas divertiam-se com a novidade da viagem. A mais nova, ainda de colo, embrulhada no xaile de borlas castanhas, brincava com o cordão de ouro que volteava o pescoço da mãe. Com elas viajava a Rosa, criada da pensão, que viera de Coura ainda criança, para servir e fazer-se mulher.&lt;br /&gt;Tinham partido de manhã, ao nascer do dia, preparados para cobrir pouco mais de duas léguas até ao Amonde, onde iriam viver nos próximos dias.&lt;br /&gt;A Tia Leonarda que segurava o temoeiro de couro, fez parar as vacas com uma pancada seca da vara. Do bolso do avental tirou um naco de sabão que passou pelo eixo ressequido do carro. Logo retomaram a marcha sem mais demora, apesar dos protestos das crianças que queriam sair do carro e dar uns pinotes.&lt;br /&gt;- Vamos, vamos, senão chegaremos noite dentro. Os dias são curtos… Ande lá Tia Leonarda, espevite-me estes animais!&lt;br /&gt;- Já lá vamos, Dona Delfina! Os bichos ainda ficam com a língua de fora… Há anos despariu-me uma vaca por causa das pressas…&lt;br /&gt;Tinham passado pela veiga da Baralha, deixado para trás a Matriz de Soutelo e atravessavam agora os montes da Esturranha. Os carvalhos, loureiros, azevinhos e sobreiros que bordejavam o caminho, corriam monte acima até às bandas de S. Pedro Varais.&lt;br /&gt;O eixo já não chiava, as duas raparigas mais velhas iniciaram uma discussão por causa da boneca de trapos. Com mão ligeira, a mãe deu um tabefe a cada uma e a ordem regressou ao pequeno espaço do carro de vacas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos em Janeiro de 1919 e a sublevação monárquica tinha-se espalhado pelo norte. Enquanto os republicanos se entretinham em questiúnculas, os saudosistas do rei tinham conspirado e aplicado um golpe audacioso na frágil ordem que tinha sobrevivido ao assassinato do Sidónio Pais.&lt;br /&gt;A 19 de Janeiro, a Junta do Norte proclamou, no Porto, a restauração da Monarquia, anunciando a constituição de uma Junta Governativa. Esta era presidida por Paiva Couceiro e geraram-se focos de resistência ao poder republicano em vários pontos do País. Em Viana do Castelo, o regime monárquico foi aclamado das varandas da Câmara Municipal e a multidão reunida em volta do chafariz deu vivas ao rei.&lt;br /&gt;Grupos de soltados aderentes à revolta, foram distribuídos pelas principais povoações minhotas. Gontinhães não foi excepção e um grupo de meia dúzia de soldados, comandados por um tenente, assentaram arraiais na localidade.&lt;br /&gt;À falta de instalações próprias para acantonarem, optaram por se hospedarem na Pensão Âncora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montado no seu cavalo ruço, o regedor de Riba D’Âncora cruzou-se com aquele carro cheio de mulheres e crianças. Descobriu-se perante a senhora e seguindo caminho murmurou com os seus botões, “Mais uma família que se põe a bom recato. Como irá acabar esta loucura?”&lt;br /&gt;- Dona Delfina, temos de parar no rio para o gado beber e repousar – avisa a Tia Leonarda, muito ciente do conforto dos seus animais.&lt;br /&gt;- É melhor! As crianças também precisam espairecer e já estão cheias de fome.&lt;br /&gt;Pararam na Ponte de Saim, puseram os pés em terra com os agasalhos bem fechados, embora o frio não apertasse ao fim da manhã, sentia-se a humidade no ar.&lt;br /&gt;Com as crianças a correrem à volta do carro, a Tia Leonarda desengatou os animais e desceu com eles à beirada do Rio para os saciar. Deixou-os a pastar num pequeno paul da Vitória, que morava ali perto. Já era costume e a Vitória até costumava presenteá-la com algumas laranjas sumarentas colhidas no seu lugar.&lt;br /&gt;- Meninas, venham comer – chamou a mãe, que abrira a sesta de verga carregada de lauto farnel; frango assado, panadinhos de vitela, um tachinho de arroz no forno, presunto, postas de bacalhau frito para a Leonarda e para a Rosa, pão cozido no dia anterior e um garrafão de vinho. A bebé iria comer papas de arroz, cuidadosamente acondicionadas na pequena marmita de esmalte. Uma pucarinha de barro com água da Fonte da Retorta, colhida de manhã bem cedo, por uma das criadas da pensão, iria mitigar a secura das crianças.&lt;br /&gt;Ao longe um sino deu as doze badaladas, talvez em Orbacém, quiçá em Outeiro, que o vento estava a favor. O sol espreitou fugaz entre as nuvens que passavam apressadas. A refeição foi rápida, os animais regressaram à canga, a Tia Leonarda tornou a ensaboar o eixo. Em breve passaram as primeiras casas de Orbacém, deram a volta pelo Arnado.&lt;br /&gt;Na última volta da pequena colina sobranceira ao Rio Âncora surgiu a Ponte de Tourim, tão velha que diziam ter sido construída pelos romanos nos tempos de Cristo.&lt;br /&gt;Pela veiga de Tourim acima, juntas de bois puxavam os arados, mulheres manejavam as enxadas enquanto os homens podavam e atavam as vinhas, que ano após ano, se carregavam de uvas escuras e miúdas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Gontinhães, na pensão Âncora, os soldados ocuparam dois dos quartos virados à rua e o tenente ficou com o quarto número um, ao cimo das escadas. Durante o dia davam umas voltas pela localidade, uma espécie de patrulha, perante o olhar curioso de uns e indiferente de outros. Quase todos pensavam que o Reino da Traulitânea não iria resistir às forças republicanas que haviam de vir de Lisboa.&lt;br /&gt;O tenente Castro era um monárquico convicto, apoiante do Integralismo Lusitano e parente afastado de um dos seus mais destacados dirigentes, Pequito Rebelo.&lt;br /&gt;Botas e calções de montar, dolman de colarinho direito recentemente brunido, faziam dele uma figura elegante. Apesar da face picada das bexigas, o porte marcial destacava-se naturalmente.&lt;br /&gt;Luvas de pelica, pingalim com cabo de alpaca lavrada e boné regulamentar com botões dourados, completavam a indumentária do novo representante do poder real nas terras do Vale do Âncora. A bandeira azul e branca ondulava ao sabor da aragem nos mastros da estação do caminho-de-ferro, na Junta de Freguesia e na varanda da pensão, para preocupação do seu proprietário, que não se queria ver imiscuído nas complexas e instáveis questões de regime.&lt;br /&gt;Fora essa a gota de água que tinha levado que a esposa e as filhas se retirassem para o Amonde, uma aldeia próxima, mas suficientemente distante destes problemas.&lt;br /&gt;- Não vá algum maluco anarquista atirar-nos uma bomba por causa da bandeira – dizia o Abel, rolando o palito que mantinha entre os dentes.&lt;br /&gt;Decidiram que a pensão ficaria entregue ao Abel, à Maria Chocalha, sua sogra por parte do primeiro casamento e ao Américo, neto da Chocalha e enteado do Abel. A Delfina iria passar uns tempos ao Amonde, para a casa de uma família amiga, levando as quatro filhas e a Rosa para ajudar.&lt;br /&gt;A Tia Leonarda, velha carrejona que nunca calçara sapatos, trabalhadora incansável, sempre pronta para esvaziar um copo, ficaria encarregue de levar regularmente os abastecimentos à casa dos Fulueiros no Amonde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda falta muito, Tia Leonarda?&lt;br /&gt;- Estamos a chegar. Ao virar ali em cima entramos no caminho para o fulão…&lt;br /&gt;- Até que enfim, tenho os ossos maçados.&lt;br /&gt;- Olha!... A senhora Maria veio esperar-nos, à beira do caminho… Ora viva, então como está tudo por aqui?&lt;br /&gt;- Com a Graça de Nosso Senhor, minha senhora. Fizeram boa viagem?&lt;br /&gt;- Fizemos, mas as crianças já estão aborrecidas de estarem tanto tempo presas entre os varais do carro.&lt;br /&gt;- Ah… Elas já vão fartar-se de pular e de reinar pelo lugar fora – diz a senhora Maria, uma solteirona a chegar à meia-idade, dona do fulão e de mais uma mão cheia de propriedades espalhadas pela aldeia, herança dos pais e da madrinha.&lt;br /&gt;- E a sua irmã Joana e o marido?...&lt;br /&gt;- Lá em baixo, para as bandas do Arnado a lavrarem. Está a chegar o tempo da batata, Dona Delfina. Quem não semeia, não colhe…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Gontinhães, a 30 de Janeiro, a Junta de Freguesia tinha-se demitido ao saber que em Viana a monarquia tinha sido aclamada e o Governador Civil exonerado.&lt;br /&gt;A Guarda Republicana estava recolhida nos quartéis das cidades e em Gontinhães o poder chamava-se Tenente Castro. A ele acorriam constantemente meia dúzia de velhos monárquicos, dando-lhe conta dos movimentos e alcovitices da terra, além das últimas novidades trazidas pelos raros viajantes que o comboio transportava.&lt;br /&gt;Pelo Largo das Necessidades, renomeado de Praça da República em 1910 e que os locais chamavam apenas “Largo”, juntavam-se grupos para comentar a situação política do país e da região em particular.&lt;br /&gt;- Diz-se que vem aí um batalhão de lanceiros para darem cabo dos azuis – dizia o Cannas encostado à porta da botica.&lt;br /&gt;- Ora, não vão ter mais que fazer que virem de propósito para prenderem meia dúzia de rufiões, que não tem onde caírem de mortos… Ora!&lt;br /&gt;- É verdade, compadre! É o que corre em Viana… Os da república querem limpar o terreno até Valença. Parece que aí a coisa está mais preta. São muitos e tem o grupo das metralhadoras com eles.&lt;br /&gt;- Pois eu também já ouvi isso – intervem o João Brito, proprietário da botica, poiso habitual dos tertulianos – Meus amigos, isto ainda acaba mal… Esse Paiva Couceiro é maluco e ainda nos vai atirar para uma guerra civil. Não se esqueçam do que lhes digo!&lt;br /&gt;- Eu até mandei a mulher e as crianças para a aldeia – diz o Abel, que estava recostado com as pernas estendidas no comprido banco exterior do estabelecimento.&lt;br /&gt;- E fez vossemecê muito bem, senhor Abel! Ter as suas crianças com aqueles soldados todos lá em casa… fez muito bem.&lt;br /&gt;- E eu vou fazer o mesmo! – diz o Manuel Presa – tenho uns primos em Lanheses, vou hoje mesmo escrever-lhes a dizer que seguimos daqui a dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente geral era de expectativa e muita apreensão. A cada dia que passava, circulavam os mais disparatados rumores, desde dizerem que viria uma armada inglesa apoiar a revolta trazendo a bordo o exilado rei D. Manuel II, a notícias da eminente chegada de tropas republicanas, que tudo poriam a ferro e fogo.&lt;br /&gt;Os soldados da guarnição pareciam pouco preocupados e entre algumas patrulhas e umas tigelas de vinho que bebiam pelas tascas onde passavam, sobrava-lhes pouco tempo para montarem guarda ou zelarem pela segurança no caso de serem atacados. O Tenente Castro, com a interminável cigarrilha no canto da boca, mostrava o peso da responsabilidade e acusava um nervosismo indisfarçável.&lt;br /&gt;- Espero ordens – dizia ele, tentando convencer-se e convencer os demais que estava tudo bem – Amanhã deve chegar um estafeta de Viana. Até novas ordens, devemos manter-nos aqui e garantir a segurança…&lt;br /&gt;- E eu quero saber quem garante o pagamento das diárias – resmunga a Maria Chocalha que não ia à missa com a cara do Tenente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a noite o tempo arrefecia e só as achas de carvalho que amorrinhavam na lareira da cozinha, conseguiam manter algum conforto na rústica casa de lavoura.&lt;br /&gt;A senhora Maria, como boa anfitriã, tinha cedido o seu quarto à Delfina e à filha mais nova que tinha apenas anos e meio. No quarto ao lado, dormiam a Rosa e uma das pequenas numa cama, enquanto as restantes partilhavam o outro leito.&lt;br /&gt;Duas vezes por semana, a Tia Leonarda vinha trazer carne e peixe fresco, transportado à cabeça no cesto de verga. Só uma vez foi necessário trazer o carro com os animais para transportar mais roupa. As crianças sujavam-se imenso a brincarem no campo e o tempo chuvoso não ajudava para secar a roupa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-6223390393402934273?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/6223390393402934273/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=6223390393402934273' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6223390393402934273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6223390393402934273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/05/o-gabinardo-do-senhor-abade.html' title='O gabinardo do Senhor Abade (1ª parte)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-4915111025858089623</id><published>2009-05-18T17:02:00.001+01:00</published><updated>2009-05-18T17:04:23.327+01:00</updated><title type='text'>Ao encontro do mar...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/ShGGwd3y9XI/AAAAAAAAAFc/LbQjW8v1YmI/s1600-h/vpancora_pan.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337195200621245810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 119px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/ShGGwd3y9XI/AAAAAAAAAFc/LbQjW8v1YmI/s400/vpancora_pan.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-4915111025858089623?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/4915111025858089623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=4915111025858089623' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4915111025858089623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4915111025858089623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/05/ao-encontro-do-mar.html' title='Ao encontro do mar...'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/ShGGwd3y9XI/AAAAAAAAAFc/LbQjW8v1YmI/s72-c/vpancora_pan.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-3162190311564178944</id><published>2009-04-09T15:55:00.000+01:00</published><updated>2009-04-09T15:56:26.725+01:00</updated><title type='text'>Crónica ao espelho de um quarto de hotel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há dias li uma crónica do António Lobo Antunes onde fazia uma reflexão frente ao espelho de um qualquer quarto de hotel. Para dizer a verdade já não me lembro muito bem sobre o propósito da reflexão, mas retive a ideia que o quarto era sempre o mesmo só mudava de terra e de país sucessivamente. A mesma cama, o mesmo espelho, os mesmos cortinados em volta da janela. A mesma cadeira onde ele se sentava para escrever a crónica, um misto de obrigação contratual com a revista e a vontade de escrever qualquer coisa, só para não perder a mão.&lt;br /&gt;Lembrei-me dos tempos em que também vivia mais tempo nos hotéis que em casa por dever de ofício. Dos tempos em que saltava do hotel para o restaurante, da residencial para a tasca, da cidade para a aldeia, da auto-estrada para o sinuoso caminho municipal. Com objectivos, mas sem fim. O ciclo repetia-se uma e outra vez, a ponto de tudo me parecer igual, mesmo diferente. Tal como o quarto de hotel do António.&lt;br /&gt;Nos balcões de recepção onde já era tratado pelo nome, onde me cumprimentavam com modos quase familiares, já não preenchia fichas, recolhia a chave e subia sem precisar de ser orientado dentro do edifício. Também eles sempre iguais, corredores compridos, números nas portas, números altos como tivessem aquela quantidade de quartos…&lt;br /&gt;Sube-se sempre, é algo fantástico, nunca os quartos de hotel são em pisos inferiores. Sempre a subir, abre-se a porta e é sempre o mesmo. O roupeiro com três cruzetas, o espelho e a mesa com o bloco e a esferográfica. A televisão a um canto em frente às duas camas gémeas, a Bíblia na gaveta da mesinha de cabeceira.&lt;br /&gt;Na casa de banho a sanita selada com a tira de papel branco, o rolo do papel higiénico com a dobra em v, as toalhas turcas dobradas sobre o varão, o copo de vidro virado sobre a prateleira ao lado do espelho iluminado. Por falar nisso, prefiro os espelhos dos quartos, como o António.&lt;br /&gt;Com uma moldura fina em madeira, são geralmente mais humanos, dão-nos imagens mais simpáticas, mais quentes que os espelhos da casa de banho. Caras ensonadas, por barbear, cabelos em pé de triste figura. Sem falar nas caretas involuntárias que oferecemos ao espelho cada vez que fazemos a barba, a olhar de lado, a esticar a pele do pescoço ou do queixo, macaquices aproveitada pelos Beans para ridicularizar os espelhos… não a nós.&lt;br /&gt;Mas é com o espelho do quarto de hotel que nós falamos, que apresentamos o problema que durante a tarde nos deixou sem resposta. Quem sabe se esses espelhos são feitos de algum produto especial, com algum magnetismo para nos sugerirem soluções?&lt;br /&gt;Basta sentarmo-nos à sua frente, pousar as mãos sobre a mesa, pegar no bloco e na esferográfica publicitária, nem sequer é preciso fazer uns rabiscos… Desculpem, se calhar convêm, para a concentração.&lt;br /&gt;Quando levantamos a cara para o espelho vemos um sujeito de ar cansado, que não sabe muito bem o que está ali a fazer, que não vê a família há um par de dias, que fala como um papagaio de circo para tipos que tem pouca vontade de o aturar e que também não vêem a família ainda há mais tempo e também dormem em quartos de hotel, com espelhos como este, que todos os dias olham… e não se reconhecem, como eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-3162190311564178944?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/3162190311564178944/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=3162190311564178944' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3162190311564178944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3162190311564178944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/04/cronica-ao-espelho-de-um-quarto-de.html' title='Crónica ao espelho de um quarto de hotel'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-1832931219401631860</id><published>2009-03-07T10:32:00.000Z</published><updated>2009-03-07T10:33:07.564Z</updated><title type='text'>Ilha de solidão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pareciam todos iguais, mas não eram! Quadradinhos maiores e mais pequenos. Os maiores por cima, os mais pequenos na base. Estreita, quase fina para um vidro tão grosso. Nem se via a luz de lado a lado, apenas uma claridade baça quando estava vazio. Nos últimos tempos dá-me para isso… Concentrei-me nos quadrados que distorciam a imagem reflectida. Passei-lhe o polegar para os aclarar. Em vão, tudo ficou na mesma, talvez a imagem esteja mais pequena. Já tinha reparado nisso! Quanto mais bebo mais pequena ficava a imagem. Não… não pode ser, o copo é outro… Não pode ser o mesmo, o do costume.&lt;br /&gt;Rodo-o entre os dedos, conto doze quadradinhos. Doze ou catorze? Volto a contar, são doze, desvio-o sobre o balcão forrado a madeira, manchada do tinto e da lixívia da Tia Clarisse. Baixo a cabeça, rodo mais um pouco o copo, consigo ver a entrada da loja, se rodar mais um bocadinho até vejo os pipos. Os primeiros a contarem da porta, com o vinho do sul. Inclino-me no banco, para ver através do quadradinho a seguir, vejo a mesa dos que jogam às cartas, à sueca, são sempre os mesmos. Bebo de um trago o que resta no copo. Levanto a mão, faço sinal ao Domingos, ele já sabe… e sem mais, inclina a caneca branca de riscas azuis sobre o copo… o dos quadradinhos.&lt;br /&gt;Agora não vejo nada, o meu mundo está às escuras, como a lua quando é nova. Dura pouco, depois do primeiro gole já vejo pelos quadradinhos de cima, são os maiores, acho que já disse. Mas gosto também dos outros, os da base, fazem uma imagem mais bonita. Mais pequena, mais bonita. Os da mesa ao lado discutem por causa da manilha de copas, fazem barulho por uma dúzia. Raios os partam… É a conversa de sempre, devias ter vindo a trunfo, dei-te sinal para puxares copas, enfim, passam o tempo, como eu.&lt;br /&gt;Ponho as moedas sobre o balcão, parecem-me todas iguais. Não! Há umas mais pequenas e outras maiores…como os quadradinhos. Empurro-as todas em direcção ao Domingos, que separa umas tantas e as deixa cair na gaveta. A que fica com uma parte das minhas contas. O resto entrego à Laurinda… Já deve estar à espera para a ceia. Um prato de caldo, um naco de broa, se houver. Volto a olhar para o copo, ao menos este não me consome o juízo. Posso mexer-lhe, rodá-lo, que não reclama. Levo-o à boca, o vinho enche-me a boca, inunda-me a garganta, fresco, um pouco amargo, a saber a uvas americanas. É melhor que o da semana passada, parecia vinagre, devia ter sido feito com uvas do demónio.&lt;br /&gt;Tenho de ir, levanto-me, dou um olhar de despedida ao meu copo… anda tudo à roda… deixo passar o enjoo. Quero ir para a porta mas as pernas demoram a obedecer. Acho que vou um bocado adornado, faz-me falta o ar fresco do fim da tarde. Os da sueca devem estar a falar de mim, já é costume. Já bebeu de mais, vai assim, vai assado. Merda para eles, que não lhes pedi nada. Aceno uma despedida ao Domingos, componho a boina e a samarra, na rua já faz frio trazido pela brisa do norte. De madrugada, quando arrancarmos para as fanecas, até deve cortar… é a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-1832931219401631860?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/1832931219401631860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=1832931219401631860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1832931219401631860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1832931219401631860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/03/ilha-de-solidao.html' title='Ilha de solidão'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-953260129053540168</id><published>2009-02-08T18:40:00.001Z</published><updated>2009-02-08T18:43:32.762Z</updated><title type='text'>Amigos</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SY8noh72c0I/AAAAAAAAAFE/NEuwOkFzRS4/s1600-h/2136957.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300498863696016194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 449px; CURSOR: hand; HEIGHT: 331px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SY8noh72c0I/AAAAAAAAAFE/NEuwOkFzRS4/s400/2136957.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-953260129053540168?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/953260129053540168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=953260129053540168' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/953260129053540168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/953260129053540168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/02/amigos.html' title='Amigos'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SY8noh72c0I/AAAAAAAAAFE/NEuwOkFzRS4/s72-c/2136957.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-5544992694670069805</id><published>2009-01-26T20:05:00.003Z</published><updated>2009-01-26T20:12:17.399Z</updated><title type='text'>O Juca do Chiné</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já aqui contei que a minha infância passou-se entre a rua 5 de Outubro e o Largo do Sol Posto. No tempo em que ainda não havia televisão, nem computadores, nem consolas, nem sequer bicicletas para nos entreterem, as nossas brincadeiras variavam conforme as temporadas e nunca percebi quem ditava ou quem comandava essas mudanças.&lt;br /&gt;Por exemplo, quando começava a escola, em Outubro, era tempo do pião, semanas depois, passava toda a rapaziada a jogar ao eixo, ao espeto, ao botão ou à bilharda, já não me lembro, como era a sequencia.&lt;br /&gt;Havia no entanto alguns jogos que eram universais e que os utilizávamos a qualquer momento, dependia dos parceiros, se éramos muitos, jogávamos à bola, se éramos poucos, podia-se “andar” às escondidas ou aos “cóbois”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os desafios de futebol do Sol Posto eram famosos e às vezes até tinham assistência. Os do Sol Posto desafiavam ou eram desafiados pelos rapazes dos outros lugares. As balizas eram o portão preto da quinta no topo norte e o portão da oficina do Zé Ferreiro ao sul.&lt;br /&gt;Estes desafios só se realizavam depois da oficina fechar ou quando o Zé Ferreiro não estava, pois ele não queria ver a malta a chutar em direcção à oficina e os automóveis que lá estavam, a servirem de guarda-redes. Desde que não lhe mandássemos a bola para dentro da oficina estava tudo bem. O que ele não sabia, é que às vezes, eram os seus empregados que nos pediam para lhes passarmos a bola, de forma a eles também darem uns toques.&lt;br /&gt;Mas também havia rapazes, que embora não morassem naquele zona, estavam sempre por ali e já quase eram do nosso grupo, já não eram estranhos. Lembro-me que o Luís, filho do Zé Ferreiro, mais conhecido pelo “Didon”, estava habitualmente acompanhado pelo Luís Gomes, o “La Rache”, o Ernesto do talho, o Esteves, e mais alguns que agora não recordo. O Dimas também fazia parte do grupo, mas esse morava ali em cima.&lt;br /&gt;Na oficina dos automóveis, trabalhavam o Silvestre e o Berto que eram os mais velhos, recordo-me do “Zotopec” e o Vasco, irmão do Dimas, que moravam a escassos cem metros e eram filhos do tenente Ribeiro. Acho que era o Berto que tinha uma moto pesada, um daqueles modelos ingleses e que era o encanto da miudagem.&lt;br /&gt;Mais tarde, saiu com o Silvestre e estabeleceram-se por conta própria, no fundo da Rua 31 de Janeiro, em frente ao matadouro. Antes deles já tinham saído, também para se estabelecerem por conta própria o Zé Rocha e o Armando, mas disso não me lembro, já não foi no meu tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295696944942167682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 323px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SX4YUElmNoI/AAAAAAAAAE8/RO7xZV5Hhmk/s400/Juca+2.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Quando não dava para um jogo ou outra brincadeira, íamos até ao Juca, vê-lo trabalhar e até nos deixava ajudar. Trabalhava de latoeiro ou funileiro, num barraquito ao lado da casa e era aí que fabricava as caleiras ou algerozes, os cântaros, as bacias e punha uns pingos de solda para vedar qualquer panela furada.&lt;br /&gt;Uma das expressões favoritas do Jucas era: “Também queres que te ponha um pingo”? Perguntava ele com o seu ar malandreco!&lt;br /&gt;Nunca vi aquele homem chateado ou a fazer má cara, fosse para quem fosse, muito menos para os miúdos. É deveras conhecida a história do porco do Juca, na qual ele dizia que o animal estava tão farto, que nem queria comer mais farinha. É tão conhecida como a história do Portela…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este homem tem muitas mais histórias, como por exemplo quando lhe deram uma camisa que estava como nova, excepto nas costas que estava toda rota. Ora o Juca e a Bonança, a mulher, foram ao baile à Sociedade e ele levou a dita camisa, por baixo do casaco. Esqueceu-se que nos bailes da Sociedade, ao fim de pouco tempo, fazia um calor infernal. A sala era pequena, muita gente e mesmo com as janelas abertas o calor abrazava e o Juca a escorrer água.&lt;br /&gt;- Oh Juca, não tens calor? Tira o casaco, homem!&lt;br /&gt;- Deixa estar, estou bem assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixem-me contar-vos a cena do porco, porque ainda há quem não a conheça. O Juca dizia que tinha um porco que comia tanto, que até estava enjoado de farinha, já nem a queria. Claro que ninguém acreditava, porque a farinha era cara e o Juca um pobre, que mal tinha para si e para a família, quanto mais para o porco. Mas ele não desarmava, insistia e até demonstrava:&lt;br /&gt;- Queres ver? Anda daí. – E entrava na corte do porco, tirava um punhado de farinha de um saco e deitava na pia. O porco avançava para a pia, metia o focinho na farinha, fungava e virava costas.&lt;br /&gt;- Estás a ver, eu não te dizia? Já nem quer farinha!&lt;br /&gt;O porco estava com uma “larica” desgraçada, mas ainda não se habituara a comer o serrim de madeira, que o Juca lhe deitava. Pois é, a farinha era serrim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, engataram o Juca para ser da Legião Portuguesa. Foi o “Nequinha” Sottomayor que o “convidou” e o Juca não teve como dizer que não. Naquela época era assim! Como a Legião era uma estrutura muito pouco eficiente e muito desleixada, o Juca também nunca se importou, porque não lhe dava canseira nenhuma e ainda recebia algumas ajudas lá para casa, até que foi nomeado encarregado do fardamento da quina ou lá como se chamava o agrupamento da Legião ancorense.&lt;br /&gt;Já não me lembro como era o fardamento da legião, mas ainda vi uma ou duas vezes no campado, os “nossos” legionários a marcharem. Um dia, alguém foi dizer ao chefe da quina ou do terno, que o Juca vestia as camisas da legião para trabalhar, foi-lhe instaurado um processo disciplinar e acabou mesmo ali a sua brilhante carreira de legionário. Foi expulso da Legião e só lhe restou um cinto ao qual laboriosamente alterou a fivela para não ser reconhecida, senão ainda lhe dava mais chatices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, o Juca chegou a emigrar para França, mas pouco tempo lá esteve, regressou e construiu uma casita na Vista Alegre, onde passou a trabalhar. A Bonança, uma mulher calada e que tinha um coração enorme para aturar as maluqueiras do Juca quer estivesse sóbrio, quer estivesse com os copos, faleceu ainda nova, embora os filhos já estivessem criados.&lt;br /&gt;O mais velho, o Zé, abalou para a França onde ainda vive, o Tòninho que saiu ao pai, amigo do copo, da brincadeira e da palhaçada, depois de trabalhar muitos anos no Hotel Meira, emigrou para Andorra, mas vem até Âncora duas ou três vezes por ano.&lt;br /&gt;Este “melro” andou na escola comigo e era o meu parceiro para tudo. Como era mais velho que eu, safou-me de algumas enrascadas nas quais eu me metia com “demasiada” facilidade na escola. O Toninho era uma espécie de meu segurança privado, que eu recompensava, ajudando na resolução dos problemas da aritmética.&lt;br /&gt;Acho que lhe paguei tudo o que fez por mim, no dia em que o tirei nas águas dos “Caldeirões” onde ele se ía afogando e todos pensávamos que estava na brincadeira. Todos não, eu achei que não era brincadeira, e não era mesmo. O gajo estava a afogar-se mesmo à nossa frente! Os amigos são para as ocasiões!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia aqui em Âncora um homem a quem chamavam o “Cristo” e como o apelido de Juca era Jesus, cada vez que o encontrava, ajoelhava-se e dizia-lhe: - Cristo, dá a tua bênção a Jesus. E o “Cristo” entrava no jogo e respondia – Eu te abençoo-o, Jesus. Vamos beber um copo, hoje pago eu.&lt;br /&gt;Por mera casualidade, a minha mulher abriu uma pequena mercearia na Vista Alegre, em frente da casa do Juca. Às vezes era um cinema, bastava o Juca estar bem disposto ou bem bebido, para haver uma “matiné”, em que ele se metia com todos e era um fartote de tanto rir. Uma ocasião, combinado com a minha mulher, ele chegava à loja e da porta perguntava muito sério:&lt;br /&gt;- Paula, já chegaram as chiolas?&lt;br /&gt;- Ainda não, tio Juca.&lt;br /&gt;- Então, não disseste que chegavam hoje? Estão a fazer-me tanta falta…&lt;br /&gt;Nesta altura havia sempre alguém, alguma freguesa, que se metia na conversa e perguntava:&lt;br /&gt;- Que é isso das chiolas, Juca?&lt;br /&gt;- É um pau com duas bolas.&lt;br /&gt;- Ah… Ai o ordinário…&lt;br /&gt;E o Juca regressava a casa, bastava-lhe atravessar a rua, a rir-se à gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, o Juca foi à farmácia comprar “camisas”, esperou um momento que não estivesse ninguém, entrou acelerado quando viu a oportunidade e disse para o Durval Brito:&lt;br /&gt;- Arranje-me aí umas “camisas”, sr. Brito.&lt;br /&gt;- Das do costume ou queres umas novas, que são mais baratas.&lt;br /&gt;- E são boas, à mesma?&lt;br /&gt;- É a mesma coisa, só muda a marca – explica o farmacêutico.&lt;br /&gt;- Então dê-me uma dúzia dessas mais baratas.&lt;br /&gt;O Juca lá saiu da farmácia todo contente com o embrulhinho no bolso e quando usou a primeira teve uma surpresa, pois o preservativo era tamanho XXL, quero dizer era grande e saia com muita facilidade. Vou abrir um parêntesis para explicar que esta história, contou-me ele próprio. Então dizia-me ele:&lt;br /&gt;- Oh Brito, as “camisas” pareciam sacos de fazer o café!&lt;br /&gt;- Você é que não punha aquilo direito.&lt;br /&gt;- Punha! Aquilo dava é para um cavalo, tu havias de ver. Mas eu fui lá reclamar à farmácia e quase me chateava com ele.&lt;br /&gt;- Chateava porque? – Perguntava eu que quase chorava de tanto me rir.&lt;br /&gt;- Quando lhe disse que aquilo era muito grande e que se desenfiava, aquele filho da mãe disse-me que eram camisas para a p… de homem. Tu estás a ver?&lt;br /&gt;- Estou, estou… E você, que lhe disse?&lt;br /&gt;- Eu disse-lhe que, se não fosse educado, lhe respondia. Virei as costas e saí.&lt;br /&gt;- Mas afinal, se lhe respondesse o que é que lhe dizia?&lt;br /&gt;- Dizia-lhe que a mulher dele é que ia ver quem tinha p… de homem. Mas não disse nada, só pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando enviuvou o Juca passou a viver só, apesar de ter arranjado, tempos depois, uma amiga, a Rosa, que o visitava, mas cada um vivia em sua casa.&lt;br /&gt;Todos os sábados de manhã ia ao cemitério, lavar a campa e pôr flores à “sua” Bonança. Havia mulheres, que também iam ao cemitério e esperavam que ele passasse para o acompanharem, pois parece que eram um pagode aquelas viagens. Imaginem o Juca, só, no meio dum rancho de mulheres. Todas a puxarem por ele, o “paleio” havia de ser bonito!&lt;br /&gt;Uma das expressões que recordo dele, a propósito de mulheres: - Porque é que Deus nos tira a força e não nos tira a ideia?&lt;br /&gt;Outra coisa que achava piada, era quando lhe perguntavam.&lt;br /&gt;- Então Juca, o que comeste hoje?&lt;br /&gt;- Uma lampreia cozida, com hortaliça e umas batatas.&lt;br /&gt;Ou outro disparate qualquer, que lhe viesse à cabeça. Adoeceu, passou a comer dieta, deixou de beber e eu pensei cá para mim, “isto vai arrumar o Juca”. Ainda arribou, durou pouco mais de um ano e foi-se.&lt;br /&gt;Revi o Zé, o seu filho mais velho que já não via há muitos anos. Chorei silenciosamente a morte daquele homem. Tinha perdido um amigo. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-5544992694670069805?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/5544992694670069805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=5544992694670069805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5544992694670069805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5544992694670069805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2009/01/o-juca-do-chin.html' title='O Juca do Chiné'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SX4YUElmNoI/AAAAAAAAAE8/RO7xZV5Hhmk/s72-c/Juca+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-726798196518702796</id><published>2008-12-16T10:23:00.002Z</published><updated>2008-12-16T10:35:17.636Z</updated><title type='text'>O Largo do Sol Posto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nasci numa casa da rua 5 de Outubro em Vila Praia de Âncora, que tinha saída nas traseiras, para o Largo do Sol Posto, o local de todos os convívios e brincadeiras da rapaziada, ao longo de muitas gerações. As minhas recordações, extraídas do baú coberto de poeira, como todas as recordações com mais de quarenta anos, tardavam em aparecer.&lt;br /&gt;A ajuda veio, mais uma vez, da minha mãe, que aos noventa e um anos, ainda não se esqueceu do que a mim, já não me lembra. Muitas das personagens que vou tentar repor, não são”do meu tempo”, mas outras ainda me são familiares, mesmo que já não consiga definir as suas feições ou outros pormenores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem entrava no Largo do Sol Posto, vindo da rua 5 de Outubro, dava de frente com a casa da Tia Claudina, mais tarde comprada pela Gloria do Libas e que ainda lhe pertence onde vive com o filho, o Hernâni, o mais novo da geração que, como eu, cresceu a brincar no Sol Posto. A Tia Claudina negociava em manteiga que comprava nas feiras e vendia em Valença, provavelmente para seguir para Espanha, deduzo eu. Apesar de solteira, tinha três filhos, o Rui, o Luís e o Zé que abriu uma sapataria onde hoje (ainda) é a loja de fazendas do, recentemente falecido, sr. Luís Gomes.&lt;br /&gt;Para o lado esquerdo (norte) vivia a Taputa, naquela casinha pequena que fica no quintal do Tampa. Alguns dos seus filhos eram mais ou menos da idade das minhas irmãs e eram seus parceiros de brincadeiras. Anos mais tarde, foram viver para o bairro dos pescadores.&lt;br /&gt;A seguir morava a Maria de Jesus e o António, pais do Tio Tampa, que depois herdou a casa, na qual ocorreu uma tragédia, quando uma das crianças da Maria de Jesus caiu pelas escadas exteriores e espetou-se com uma tesoura, que lhe causou a morte. Um dos outros filhos, era conhecido pelo “Maldito” e uma das filhas, a Lina Ramos mais tarde teve uma loja na rua Miguel Bombarda. O António Verde era pescador e amigo, parece que em demasia, do “copo”. Nesta casa, anteriormente terá vivido o Pedro Bogalho, que era familiar dos Tampa e seria de origem galega.&lt;br /&gt;Na casa seguinte vivia a Tia Sara, que depois comprou casa na rua 5 de Outubro e vendeu a anterior à Pinotas, que vendia peixe e ao homem que era pescador. Pelo menos um filho dela andou comigo na escola, lembro-me que lhe faltava um dedo do pé.&lt;br /&gt;Depois havia a casa da Tia Maria Chapa e do Tio Manel, ainda o recordo com o baú na mão e os socos a arrastar na calçada, quando vinha do mar. Nessa casa criaram-se muitos filhos e uma rapariga, a única de oito irmãos. Ainda me lembro de alguns, como o Faustino, o Lula, o Manuel e a Carmesinda. Todos eles já tinham idade para serem meus pais.&lt;br /&gt;Onde hoje mora a Apolónia morava a Pataca, cujo marido também era pescador mas não sei o nome. Um dos filhos casou com a Gabina e moravam no Bairro, outro filho era o Vermelho, que abalou para a França. A Pataca, vim agora a saber, era irmã do pai da minha sogra, o Rile.&lt;br /&gt;A última casa era da Pinta e da irmã, a Cassilda. O nome da Pinta era Maria do Gaspar, andava ao jornal e a Cassilda servia na casa do Luís carteiro. Este Luís, morava também no Largo do Sol Posto, na casa que mais tarde foi do sr. Casimiro da Luz. O carteiro tinha fama de ser caloteiro, de abrir correspondência e tirar os valores que traziam. Se calhar não era só fama!&lt;br /&gt;A Pinta tinha um filho e, alem de andar ao jornal, também vendia peixe, indo às vezes na camioneta, com o meu avô Abel. Parece que não iam só vender peixe… A Cassilda tinha uma filha que vivia em Lisboa. Mais tarde venderam a casa ao Rile e à mulher, a Lurdes Pregueira, avós maternos da minha mulher. Hoje a casa pertence à minha sogra.&lt;br /&gt;Lá para cima, só havia a casa do Apolinário, que vivia num autêntico deserto. Só muitos anos depois, o Almirante Ramos Pereira construiu a sua casa, a “casa do monte”, num terreno escarpado, que lhe foi oferecido pelo Larica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quelha, hoje rua Higino Lagido vivia a Cristovinha que era parteira, ou melhor ajudava aos nascimentos, que naquele tempo aconteciam em casa. Foi ela que assistiu à minha avó Delfina durante os cinco partos que teve. Tinha uma filha que casou com um irmão da Cândida Moreira, falecida recentemente e foram morar para Lisboa. A Cristovinha acabou por ir para junto da filha e deixou a casa para o Tenente Ribeiro e a mulher a Rosinha, que ali tiveram e criaram os filhos.&lt;br /&gt;Também ali morava a Tia Deolinda com o filho, o Daniel e o marido, que emigrou para o Brasil. O apelido deles era Brita Aranha, não sei se da parte da mulher, se da parte do marido. Tempos depois, a Tia Deolinda acabou por ter uma filha, de um parente dos Eduardos, de apelido “Caseiros”; essa rapariga a Leonilde, mais tarde casou com o Álvaro, que também ficou conhecido por Brita Aranha.&lt;br /&gt;Quem foi morar para a quelha foi o Chico do Chiné quando casou com a sr. Ingrácia. O Chico era funileiro, como o irmão, o Juca e tinha uma pequena oficina na rua 31 de Janeiro, um pouco abaixo do antigo posto da GNR.&lt;br /&gt;Do outro lado da quelha, morava a Tia Lourença que tinha duas filhas, a Umbelina e a Joaquina; esta ultima, mais tarde, teve uma taberna na rua Laureano Brito, mais conhecida por “rua das árvores”.&lt;br /&gt;A Umbelina casou com um tipo bem parecido, mas um bocado vadiola, que costumava passar os dias pelas tavernas ou a jogar à malha. Deste casamento nasceram três filhos, o Faustino, a Judite e a Soledade que ficou com a casa e hoje vive no Lar de Santa Rita. A Soledade teve, na juventude, um filho do Adérito dos Eduardos, o Fernando Moreira, que apesar de bastante mais velho, ainda brinquei algumas vezes com ele. Digamos que, no meu tempo, o Fernando era o chefe das “tropas” (e o que mais disparates fazia), que pelo Sol Posto andavam.&lt;br /&gt;Na esquina da quelha, com a rua do Sol Posto, ficava a casa do Regedor, homem alto e magro que tinha cinco filhos, a Castorina, a Constança, o Luís, a Maria e o Tone, mais conhecido por Tone Poipa. A Castorina teve dois filhos do Dr. Fanzeres que morava na Praça da Republica, mais ou menos onde hoje é a papelaria; depois esse tal dr. Fanzeres foi viver para a Meadela.&lt;br /&gt;Numa casinha do quintal, morava a Tia Júlia Pelada e a filha a Ester, a quem já me referi num conto anterior, sobre o meu avô. A Tia Júlia, conheci-a já velhinha, mas toda despachada, a entregar os telegramas e a trocar noticias, novidades e outras coscuvilhices, por todo o lado. Não era por acaso que chamavam a Pelada.&lt;br /&gt;Os do Cravo moravam do outro lado da quelha e negociavam em ovelhas e cabras. Havia duas raparigas, a Rosa e a Zulmira que mais tarde foi servir para Lisboa ou para o Brasil. O Zé do Cravo é filho de uma delas e de um indivíduo que era carregador da CP na estação de Viana. Esta casa passou para o Poipa e ainda lá vivem os seus herdeiros.&lt;br /&gt;A Tia Deolinda mais a filha, acabaram por vender a casa da quelha e comprar a casa seguinte, do lado direito, para quem desce a rua do Sol Posto.&lt;br /&gt;A seguir morava o sr. Casimiro da luz, que depois mudou para outra casa, no largo do Sol Posto, em frente à casa da Tia Claudina. Depois era a casa do Cagante e da mulher, a Eva da Cutêla que tinham um barrasco de cobrição. O Cagante era um bocado bronco, não falava com ninguém e mudaram-se, mais tarde, para a zona do Viso.&lt;br /&gt;Já quase a chegar ao largo, vivia a Pulquéria a quem todos tratavam por Quera e o marido, que acabou por morrer num naufrágio e não tinham filhos. A Quera era muito amiga da srª. Maria, mulher do Casimiro da luz, que viviam com algumas dificuldades; o dinheiro era escasso e muitas as bocas para alimentar. A Quera que vendia peixe por essas freguesias dentro, regressava com algumas ofertas que obtinha nas casas de campo. Ora vinham uns nacos de broa, ora uma talhada de toucinho, às vezes uns ovos, umas couves, sei lá, o que se arranjava. A Quera partia essas dádivas com a amiga e assim ajudou-a a sustentar, aquele rancho de filhos.&lt;br /&gt;Depois da Quera ter ido viver com uns familiares, julgo que a Prudência e o Zé João, do outro lado da passagem de nível dos bombeiros, mudou-se para essa casa o Juca e a Bonança.&lt;br /&gt;O Juca era latoeiro ou funileiro e trabalhava numa divisão ao lado da casa, que era minúscula. Lá nasceram os filhos o Zé e o Tóninho, nossos parceiros de brincadeiras e era uma delícia estar perto do Juca, pois estava sempre bem disposto e pronto para uma boa partida ou para uma piada. É “mundialmente” famosa, a história do porco, que o Juca dizia não gostar de farinha.&lt;br /&gt;Em frente havia uma casa e terreno que eram da Ana do Presa, que vendeu ao Augusto Meira de Afife e à mulher a Ingrácia, que aí tiveram quatro filhos, o Jorge, o Simão, o Álvaro e a Natalina. O Álvaro morreu novo, com vinte anos, de tuberculose, o Jorge casou com a Ana da Botica e o Simão casou com a irmã mais velha da minha mãe, a Felisbela. A Lina Meira que herdou a casa faleceu há poucos anos e era casada com o Toninho carregador.&lt;br /&gt;Ali também vivia o Rogerinho, filho da Maria Bezunza, que apesar de ser bastante mais velho que eu, era óptimo parceiro para a brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dentro do Largo do Sol Posto, havia um terreno que pertencia ao sr. José Gonçalves e à D. Hermínia, os pais da D. Maria Vitória (Nem), que venderam parte do terreno e da casa na rua 5 de Outubro, ao Zé Ferreiro, que tinha ganho muito dinheiro nos negócios de volfrâmio, lá para os lados de Orbacém. Foi neste terreno que nasceu a oficina de reparação de automóveis, que o Zé Ferreiro montou e que era a nossa catedral de brincadeiras, quando éramos catraios. Quando estava fechada, o portão era uma das balizas, sendo o portão preto da quinta, a outra baliza. Eu já vou falar dessa quinta.&lt;br /&gt;A seguir era a pensão dos meus avós, que fazia esquina com a rua 5 de Outubro. Do outro lado, aquelas casas que tem frente para a rua principal e traseiras para o Sol Posto, numa das quais eu nasci, eram duns parentes da D. Laura, a velha, porque tinha uma filha também chamada Laura. Pois essa D. Laura, herdou aquelas casas, ela que era de Caminha, casada com o Libório das Finanças e, segundo consta, tinha um “amigo” que também era hóspede da sua casa, o Magalhães de Lisboa.&lt;br /&gt;Na época, vendia as casas por 1.500$00 e ninguém quis, nomeadamente o meu avô Abel, a quem ela lhe rogou a venda, várias vezes.&lt;br /&gt;A filha desta senhora, como já disse, tinha o mesmo nome da mãe, foi casada com um funcionário das finanças, o Cardoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente havia a D. Carolina Maia, que tinha vindo do Brasil e era proprietária dos terrenos, a tal quinta com o portão preto, onde hoje está construído o mercado, os arruamentos e a casa principal com a frente para a 5 de Outubro.&lt;br /&gt;O marido desta D. Carolina fez duas filhas, a Henriqueta e a Laida, a uma peixeira, infelizmente não sei o nome, que foram criadas na casa da “madrasta”, se assim se pode dizer. A Carolina Maia, por dificuldades financeiras, começou a pedir dinheiro emprestado à D. Clementina Morais Cabral, que era de Valença, até que esta acabou por ficar com a quinta a troco de 800$00, naquela época 800.000 reis o que era uma ninharia.&lt;br /&gt;A D. Clementina teve dois filhos, um rapaz que chegou a juiz desembargador e a filha morreu em criança. Imagino que a árvore gigantesca, uma Araucária que está no jardim e que é um dos ex libris da nossa terra, tenha sido plantada ainda antes da D. Carolina Maia ter vindo do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pronto, cheguei ao fim, contei-vos aquilo que apurei, se calhar com algumas incorrecções e certamente com muitas omissões. Cada uma destas casas tem uma história, não, cada uma destas casas, tem muitas histórias, tantas como as gerações por lá passaram.&lt;br /&gt;O Largo do Sol Posto com a abertura dos múltiplos arruamentos ao longo dos últimos vinte e tal anos perdeu protagonismo, passa despercebido, quase incógnito perante os apressados automobilistas que o cruzam e voltam a cruzar a toda a hora. Isso não significa que perdeu, de todo, a sua identidade e que não guarda a memória, de tantas vidas.&lt;br /&gt;Vidas como a minha. E eu não quero esquecer! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Esta crónica foi escrita há cerca de dois anos. Entretanto a vida no Sol Posto decorre como em qualquer outro lugar, chegam uns, partem outros. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A minha mãe faleceu na semana passada e apenas restam a D. Glória e o sr. Teles como residentes mais antigos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-726798196518702796?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/726798196518702796/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=726798196518702796' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/726798196518702796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/726798196518702796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/12/o-largo-do-sol-posto.html' title='O Largo do Sol Posto'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-5878014434825496820</id><published>2008-11-05T22:29:00.000Z</published><updated>2008-11-05T22:35:41.233Z</updated><title type='text'>Ao encontro do Oceano</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SRIflZZX9HI/AAAAAAAAAEo/590rDccUk5s/s1600-h/1874467.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265305641682465906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 434px; CURSOR: hand; HEIGHT: 231px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SRIflZZX9HI/AAAAAAAAAEo/590rDccUk5s/s400/1874467.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-5878014434825496820?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/5878014434825496820/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=5878014434825496820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5878014434825496820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5878014434825496820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/11/ao-encontro-do-oceano.html' title='Ao encontro do Oceano'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SRIflZZX9HI/AAAAAAAAAEo/590rDccUk5s/s72-c/1874467.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-6599044631179841846</id><published>2008-10-30T23:07:00.000Z</published><updated>2008-10-30T23:08:54.048Z</updated><title type='text'>Cela 157, Ala Norte, Caxias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Julho de 1969&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comboio balouçava ao passar cada emenda dos carris. Teria sido uma boa maneira de passar o tempo se não tivesse na cabeça um turbilhão de pensamentos. De cada lado sentava-se um agente da PIDE repousando os pés deles sobre os seus próprios sapatos, uma medida de segurança, tinham-lhe dito, uma humilhação pensava o Álvaro.&lt;br /&gt;Tinham-no detido na fronteira em Valença, quando regressava da Bélgica para passar uns dias de férias com a mãe e os amigos, em Âncora, pequena vila encostada ao mar. O mar que o viu nascer e crescer, a terra que lhe negou o sustento digno e suficiente, obrigando-o a emigrar para longe, para o norte, junto ao mar, como em Âncora.&lt;br /&gt;Por lá foi aprendendo os porquês da emigração, ficou a saber que as Províncias Ultramarinas que o regime dizia que eram nossas, quando todo o mundo dizia o contrário e condenava Portugal como potencia colonial. Por lá assistira a reuniões de opositores ao regime, que pregavam a liberdade e a democracia. Nunca se envolvera muito, o trabalho estava primeiro e a vida de emigrante não deixa tempo livre.&lt;br /&gt;Na fronteira, quando entregou o passaporte ao funcionário da alfândega, nunca pensou que estariam à sua espera e lembra-se de apenas desejar que o comboio partisse logo, para abraçar a sua velha mãe, agora tão perto.&lt;br /&gt;Os PIDES apresentaram-se sem alarido, nada de cenas à moda de Hollywood, simplesmente perguntaram-lhe o nome, como se não soubessem, e deram-lhe voz de prisão em tom perfeitamente casual. Antes de se sentarem ao seu lado, um deles fez questão de lhe mostrar disfarçadamente a arma que trazia ao cinto dizendo em voz baixa, “ o último que levei para o Porto quis fugir e tive que lhe dar dois tiros”.&lt;br /&gt;Aquilo gelou-lhe o coração, a ameaça dita sem sentimento, como quem atira um caroço pela janela, o ar indiferente como os esbirros da polícia política encaravam a prisão de alguém que eles não conheciam, que não tinha cometido nenhum crime, que nem sequer tinha tomado parte em acções subversivas, que apenas tinha aprendido a desprezar a ordem imposta sobre um povo ignorante.&lt;br /&gt;No Porto passou a noite na sede da R. do Heroísmo e no dia seguinte foi metido numa carrinha fechada com mais três indivíduos. Horas depois, meio cego com a luz forte de uma tarde de Julho, entrou na sinistra sede da Rua António Maria Cardoso em Lisboa.&lt;br /&gt;Ao empurrão introduziram-no na sala onde um agente preencheu uma ficha com os seus dados pessoais. Quando terminaram, foi informado que ia ao médico, limitando-se este a examinar os papéis recem preenchidos. Perguntou-lhe se se queixava de alguma coisa e a rematar a consulta atirou-lhe com ar cínico “veja lá, não se queixe muito quando um dia sair daqui”. Mais outro balde de água fria a juntar aos anteriores, mas o que mais o apoquentava era a incerteza do que se iria passar, o desconhecido, mais até que o medo da tortura, que ouvira falar nas reuniões, na Bélgica. Como estava longe a Bélgica, era agora parte do passado e só de lá tinha saído há três dias.&lt;br /&gt;Foi levado para uma pequena sala quase vazia, apenas uma velha e carunchosa secretária ocupava um dos cantos. Mandaram-no permanecer de pé várias horas, ao fim das quais começaram a interrogá-lo. Dois tipos, as ameaças de mil e um terrores se não respondesse com verdade a tudo.&lt;br /&gt;O que fazia, com quem trabalhava, que portugueses é que conhecia na Bélgica, a quem escrevia para Portugal, quem eram os delegados sindicais da fábrica onde trabalhava, como se chamavam os homens do Partido Comunista, o que faziam os agitadores, onde viviam, como contactavam… Mil perguntas, mil vezes repetidas.&lt;br /&gt;Só uma vez o PIDE que o estava a interrogar lhe deu uma bofetada. Mais para o acordar do que para doer. Preferiam pisar-lhe os pés, já massacrados pelas horas incontáveis de interrogatório e de estátua. Várias vezes se foi abaixo das pernas, logo espevitados com umas caneladas sabiamente aplicadas.&lt;br /&gt;Quando o agente ameaçador saía por instantes da sala, logo o outro que se mantinha quase sempre em silêncio, vinha solicito tentar convencê-lo a falar, “sabe como é, tenho colegas violentos, que não tem paciência para nada. O melhor era você dizer tudo o que sabe para eu poder ajudá-lo”. Tudo falso, tudo combinado entre eles, que muitas vezes colocavam um bufo na cela dos novos para os ouvir “despejar o saco” entre eles.&lt;br /&gt;Eles revezavam-se, voltavam as ameaças, as pisadelas, nunca batiam onde pudessem ficar marcas, tornava a escutar os conselhos do PIDE que dizia querer ajudar. Queria-se rir, chamar-lhes filhos da puta, já lhe disse sem conta que não conhecia ninguém do Partido Comunista, nem estudantes, nem operários, nem nada… Só venho a Portugal de férias para ver a minha mãe. O meu irmão anda embarcado num barco mercante… Sei lá qual é o barco!&lt;br /&gt;Recorda-se de o terem levado para a cela, os pés inchados, quase não conseguia tirar os sapatos, não sabe a que horas entrou, quanto tempo o deixaram descansar, um sono agitado, sonhou que caía a um poço, talvez o tivessem empurrado, nunca mais chegava lá abaixo.&lt;br /&gt;Voltaram a metê-lo dentro de uma carrinha fechada, desta vez só, sentia-se dentro do poço do sonho, percebia as voltas, muitas voltas que deu até se encontrar dentro do Forte de Caxias.&lt;br /&gt;Tudo pintado de branco, o Álvaro avançava penosamente, arrastando os pés, os olhos ardiam-lhe da intensidade da luz. Mais papéis para preencher, um molho de roupa, “vamos” disse-lhe o guarda, virando-lhe as costas sem se importar em saber se o seguia ou não.&lt;br /&gt;A cela branca, a cama em cimento com estrado de madeira, uma luz fraca, um balde. Dois metros para lá, dois metros para cá. Um dia no isolamento pareceu-lhe uma semana, a semana pareceu-lhe um mês. Voltou à sala de interrogatório, os camaradas das celas vizinhas disseram palavras de alento “Aguenta-te rapaz que eles não valem nada”.&lt;br /&gt;Aguentou-se, também não tinha nada para contar, disse-lhes tantas vezes “vocês prenderam-me por engano”, riram-se, não acreditavam. Os pés, as pernas, os joelhos estavam novamente inchados, quase não conseguia andar no regresso à cela. Teve de ser amparado pelo guarda que o levou para outra cela, a 157. Já lá estavam três prisioneiros que o olharam com desconfiança.&lt;br /&gt;- De onde és, pá?&lt;br /&gt;- De Âncora.&lt;br /&gt;- Onde fica isso?&lt;br /&gt;- No norte, perto de Viana.&lt;br /&gt;- Aquela é a tua cama. Vai-te deitar que tens essas pernas uma miséria. Cambada de filhos da puta. Não adiantou nada o velho ter caído da cadeira, o Marcello é a mesma merda!&lt;br /&gt;Não regressou aos interrogatórios, parecia que se tinham esquecido dele. O irmão visitou-o duas vezes enquanto o barco esteve atracado em Lisboa. As semanas passaram, aprendeu muito de política nesses dias, em conversa com os seus companheiros.&lt;br /&gt;“Senhor Álvaro, pegue nas suas coisas e venha comigo” dissera-lhe o guarda que o conduziu à portaria sul onde o esperavam para o meter, junto com a mala que trouxera da Bélgica, na malfadada carrinha fechada.&lt;br /&gt;Mais voltas pela cidade, pára a viatura, abre-se a porta traseira, é-lhe dito para sair. A carrinha arranca novamente, o Álvaro vê-se só na rua de prédios antigos, ao fundo o rio, muito ao fundo.&lt;br /&gt;Passa um táxi, faz-lhe sinal, manda-o seguir para Santa Apolónia. Era noite quando chegou a casa, os amigos vieram visitá-lo, logo que souberam da sua chegada. Não lhe apetecia sair, não queria sair de casa, passava horas deitado sobre a cama a olhar para o tecto, vendo as espirais de fumo do cigarro perderem-se no ar.&lt;br /&gt;Ainda voltou a ser ameaçado pelo agente da PIDE de Caminha, o Mendes que lhe disse com ar de superioridade, “veja lá senhor Álvaro, veja lá, é melhor não se meter mais em problemas”.&lt;br /&gt;Devolveram-lhe o passaporte, no dia seguinte meteu-se no comboio em direcção a Bruxelas. Voltou a Portugal em Agosto de 1974, quando os PIDES já estavam presos ou em fuga.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-6599044631179841846?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/6599044631179841846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=6599044631179841846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6599044631179841846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6599044631179841846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/10/cela-157-ala-norte-caxias.html' title='Cela 157, Ala Norte, Caxias'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-669763466792899423</id><published>2008-10-19T15:13:00.000+01:00</published><updated>2008-10-19T15:16:37.621+01:00</updated><title type='text'>Morte na alta roda  II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desta vez o juiz assinou o mandato para análise dos telefonemas, que foi imediatamente enviado para a Vodafone, com uma nota de “muito urgente”. Autorizou a peritagem ao BMW do Dr. Lacerda, com muita relutância e apenas depois de lhe ser assegurado que estava em causa uma questão crucial para a investigação.&lt;br /&gt;O banqueiro ficou escandalizado quando lhe entregaram o mandato que autorizava a perícia à sua viatura. Ligou para o advogado que o aconselhou a colaborar e a retirar-se para o recato da sua moradia, antes que os jornalistas farejassem o acontecimento.&lt;br /&gt;Uma aturada vistoria à viatura permitiu encontrar vestígios de sémen nos tapetes traseiros, alguns cabelos e vários conjuntos de impressões que se provou pertencerem à vítima. No tapete do lugar do condutor foram encontrados uns fragmentos minúsculos de saibro idêntico ao do Jardim de Arca d`Água.&lt;br /&gt;Face a este conjunto de indícios o insigne banqueiro foi detido para interrogatório e quando saiu cinco horas depois, já tinha sido constituído arguido, com termo de identidade e residência como medida de coacção. Durante o interrogatório manteve uma postura calma e respondeu com notória poupança de palavras a tudo o que o juiz lhe perguntou.&lt;br /&gt;Sustentou sempre que não conhecia o rapaz, negou ter estado nos últimos vinte anos no jardim de Arca d`Água e negou ter disparado a pistola assassina. Declarou ter estado em casa toda a noite, não ter saído e ter adormecido perto da uma da manhã, declarações confirmadas pela esposa que dormia no quarto ao lado e que o ouviu ressonar regularmente.&lt;br /&gt;O meio da alta finança acordou abalado com o escândalo provocado por um dos seus pares mais conceituado. As acções do Banco de Investimento desceram seis pontos, alguns clientes importantes encerraram as suas contas, o Conselho de Administração reuniu de emergência para analisar a crise provocada pelo escândalo e pela demissão pedida pelo seu presidente. Telejornais abriram, com directos da tranquila avenida onde o arguido residia e onde se supunha estar refugiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó pá, é demasiado simples. Há muito que já deixei de acreditar em tudo o que me põe em frente do nariz… E esta merda cheira mal de cada vez que lhe tocamos. – dizia o Cabral enquanto rolava um palito entre os dentes.&lt;br /&gt;- Isso é verdade, mas os indícios são muito fortes e o velho não tem um álibi em condições. Tanto podia estar a dormir como a enrabar algum puto – concorda o Ramos, recostado na cadeira.&lt;br /&gt;- Ou a ser enrabado… - resmunga o Cabral.&lt;br /&gt;- Meus amigos, fiquei com a impressão que o Dr. Bacelar não disse tudo durante o interrogatório e o juiz também ficou com a mesma impressão. Aquela capa de indiferença está a camuflar algo mais profundo. Há várias hipóteses. Pode ter sido ele a apagar o miúdo ou está a proteger alguém. Também pode estar a ser tramado…&lt;br /&gt;- Por quem, carago? – pergunta o Ramos.&lt;br /&gt;- Por algum filho da puta do banco que o quer foder! – explica o Cabral com a habitual profusão de vocabulário vernáculo.&lt;br /&gt;- Não pode ser. Estás a esquecer-te que a arma do crime estava na gaveta fechada à chave no quarto dele e ao BMW só tem acesso o motorista. A propósito algum de vocês interrogou o segurança sobre esse aspecto.&lt;br /&gt;- Falei eu com ele e confirmou que o BMW ficou estacionado na rua em frente à casa – diz o Cabral.&lt;br /&gt;- Mas porque é que não o recolheram na garagem?&lt;br /&gt;- Porque esteve a fazer revisão e só à noite é que um mecânico o veio trazer. Já não é a primeira vez que assim acontece e é habitual deixá-lo estacionado em frente à casa e meter as chaves na caixa do correio.&lt;br /&gt;- Detesto estas coisas da alta sociedade. Nunca são o que parecem…&lt;br /&gt;- Tirando o dinheiro, ainda são mais fodidos que nós, os tesos! – sentencia o Cabral.&lt;br /&gt;O telemóvel do inspector Maurício tocou, era o Dr. Lacerda a dizer-lhe que tinha algo a comunicar e pedia-lhe que passasse por sua casa a qualquer hora.&lt;br /&gt;- Fala-se no diabo e ele aparece. Bem, vou lá ver o que ele quer, mas palpita-me que vai começar a levantar a tampa – diz o Maurício levantando-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu conhecia o miúdo. Lamento ter dito que não o conhecia mas estava assustado e… hum… segui o conselho do meu advogado. Ele nem sonha que estou a ter esta conversa consigo.&lt;br /&gt;- Quero informá-lo que tudo o que me transmitir terei de fazer constar dos autos do processo…&lt;br /&gt;- Eu sei, mas não posso deixar que este crime horroroso fique impune e eu passe por criminoso. Como lhe dizia eu conheço, melhor, conhecia o miúdo. Soube da existência dele há três meses por um conjunto de circunstâncias desagradáveis, mas…&lt;br /&gt;- Desculpe interromper, mas se quer informar-me de todos os factos que dispõe, tem de deixar-se de rodeios e ir directamente aos factos.&lt;br /&gt;- Tem razão. É um velho hábito do meu meio. Descobri que o Tomé era meu neto. Quando ainda era solteiro, na casa de meus pais tive um… tive uma… uma relação com uma empregada. Ela ficou grávida e foi para a terra, algures no norte e a vida continuou. A minha mãe foi muito generosa com a rapariga, ela ficou bem, tanto quanto sei e eu fui enviado para Londres e lá fiquei durante um par de anos. Quando regressei casei com uma senhora que faleceu pouco depois e uni-me em segundas núpcias com a minha actual esposa, da qual tenho três filhos. A nossa antiga empregada teve uma filha e nunca lhe disse quem era o pai, tinha sido o acordo feito pela minha mãe. A criança cresceu na aldeia, fez-se mulher, sei agora que se chamava Aurora, veio para o Porto, casou com um desgraçado qualquer e andou a prostituir-se por aí até que a mataram há uns meses. É capaz de se lembrar do caso inspector…&lt;br /&gt;- Sim, Aurora… recordo uma mulher estrangulada na Via Norte. Nunca se descobriu quem foi, provavelmente um cliente…&lt;br /&gt;- Talvez sim, talvez não… O certo é que era minha filha e quando ela faleceu o Tomé foi informado, trabalhava numa fábrica de móveis. No funeral parece que encontrou um tio, melhor, um tio-avô, irmão da nossa antiga empregada, que lhe contou a história da família, com nomes e tudo. Um dia o rapaz apareceu-me aqui à porta, o segurança correu com ele, mas voltou e insistiu nos dias seguintes até que disse que era meu neto. O segurança informou-me e imagine como eu fiquei ao ouvir da sua boca coisas que eu pensava já ter esquecido. Dei-lhe algum dinheiro e pedi algum tempo para reflectir. Voltou mais duas vezes e da última contou-me algo arrepiante…&lt;br /&gt;- Algo relacionado com a prostituição masculina? – perguntou o inspector Maurício.&lt;br /&gt;- Sim. Ele tinha-se iniciado na prostituição muito novo quando ainda estava no reformatório. Um dos seus clientes habituais… desculpe, nem lhe ofereci uma bebida.&lt;br /&gt;- Não, obrigado. Continue…&lt;br /&gt;- Mas eu preciso de uma bebida… forte.&lt;br /&gt;Serviu-se de uma garrafa de cristal contendo um líquido âmbar, deixou verter longamente no copo e emborcou metade da porção de um trago. Via-se pela contracção do rosto que não estava habituado a beber dessa forma, mas as circunstâncias eram excepcionais.&lt;br /&gt;- Bem… Dizia eu, que me contou que estava no negócio da prostituição masculina e que tinha um cliente com um carro como o meu e parecido comigo a quem ele roubou uma pasta com documentos. Levou para casa e viu que aparecia o meu nome em vários papeis… Sabe o que isto quer dizer?&lt;br /&gt;- Que pediu dinheiro pelos papéis – conclui o inspector Maurício.&lt;br /&gt;- Não, o miúdo nunca tentou fazer chantagem. Eu acho que ele queria apenas um pouco de atenção, se calhar uma família. Aquilo que ele nunca teve.&lt;br /&gt;- Então quem é o dono do outro carro, o tal que era cliente?&lt;br /&gt;- É o meu filho mais velho, que também pertence ao conselho de administração do banco. Todos os administradores têm viaturas de serviço iguais. O carro dele é exactamente igual ao meu, só muda a matrícula. Foi um choque muito grande para mim saber que frequentava os meios da prostituição masculina, a prostituição infantil. Muito duro, inspector, muito duro para um pai! Mas o pior ainda estava para vir, pois eu confrontei-o com os factos, ele negou sempre e dois dias depois o rapaz… o meu neto estava morto e eu suspeito de homicídio e de práticas… práticas nojentas. Usou a minha arma e o meu automóvel para me incriminar, para afastar-me do banco e eliminar um herdeiro inesperado, pois eu comuniquei-lhe a intenção de tomar conta do rapaz e dar-lhe uma educação adequada, se ainda fosse a tempo… A minha vida está arruinada, mas isso pouco me importa, nos dois últimos dias passei a ver vida com outros olhos.&lt;br /&gt;- Dr. Lacerda tenho que proceder à detenção do seu filho imediatamente e solicitar-lhe que me acompanhe para registar as suas declarações.&lt;br /&gt;- Sim, sim, mas mais logo inspector. Peço-lhe apenas duas horas, talvez três horas… O meu filho deve estar a chegar e quero ter uma conversa tranquila com ele. Depois pode levá-lo preso, até me pode levar a mim.&lt;br /&gt;- Muito bem senhor doutor, vou manter esta casa sob vigilância e logo que termine a conferência com o seu filho peço-lhe que me telefone para proceder à detenção com a maior discrição possível.t&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 19,45 o segurança da propriedade ouviu vários estampidos provenientes do escritório e face à ausência de resposta do interior, arrombou a porta deparando com os cadáveres do pai e do filho. No chão, ao lado do Dr. Lacerda, estava uma pistola Browning 6,35 ainda quente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-669763466792899423?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/669763466792899423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=669763466792899423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/669763466792899423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/669763466792899423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/10/morte-na-alta-roda-ii.html' title='Morte na alta roda  II'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-6779623465083609661</id><published>2008-10-09T21:57:00.001+01:00</published><updated>2008-10-09T22:03:37.194+01:00</updated><title type='text'>Morte na alta roda  (1ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O inspector Maurício desligou o telemóvel, recostou-se na cadeira, tamborilou no tampo do portátil fechado e procurou ordenar os pensamentos.&lt;br /&gt;Aquele homicídio estava a dar-lhe água pela barba e ainda por cima não podia trabalhar à vontade, pois estava envolvida gente da alta sociedade, tipos com ligações às mais altas esferas do poder político e financeiro. Tinha de os tratar com toda a delicadeza e quase subserviência, o que o deixava hesitante e pouco seguro.&lt;br /&gt;O cadáver tinha sido encontrado no Jardim de Arca d`Água, um jovem assassinado a tiro, com marcas da entrada dos projécteis nas costas. Segundo apuraram no local, rapidamente vedado aos mirones, o rapaz devia ter sido alvejado quando fugia de alguém, que após a queda do alvo voltou a disparar à queima-roupa mais duas vezes. Estes dois projécteis atravessaram-lhe o dorso e enterraram-se alguns centímetros no saibro da álea onde o cadáver foi encontrado.&lt;br /&gt;Ninguém ouvira os tiros e o cadáver tinha sido identificado pelas impressões digitais como Tomé Alves Rodrigues, dezassete anos, um longo curriculum de pequenos delitos desde os nove anos, idade com que saiu de casa, sufocado com a indiferença da mãe que se prostituía no Bonjardim e do pai que se embebedava onde calhava. Internado na Oficina de S. José fugiu diversas vezes, mas deixava-se apanhar sempre, como que de um jogo se tratasse. Pelo menos ali não passava fome.&lt;br /&gt;Aos dezasseis anos saiu do Lar para ir trabalhar numa fábrica em Paços de Ferreira e perdia-se a pista durante longos meses.&lt;br /&gt;Na zona de Arca d`Água ninguém o conhecia, mas acabaram por descobrir através de um antigo colega da Oficina, que nas últimas semanas o Tomé tinha dormido numa residencial manhosa, para os lados da Areosa.&lt;br /&gt;A surpresa instalou-se na cara dos agentes da Judiciária que procediam à recolha de indícios no quarto da residencial, ao depararem com alguns milhares de euros em notas dentro de uma mochila e uma pasta com documentos do Dr. João Baltar Lacerda, presidente do Conselho de Administração do Banco de Investimento, figura muito conhecida do jet-set portuense.&lt;br /&gt;Quando confrontado com o achado, o Dr. Lacerda mostrou-se reservadamente indiferente, dizendo apenas que eram papeis sem importância, que provavelmente qualquer dos seus colaboradores a tinha perdido, não fazendo ideia de quem seria o dinheiro encontrado.&lt;br /&gt;O inspector Maurício registou uma brevíssima perturbação do banqueiro, quando o informou sobre o destino trágico do rapaz que possuía os documentos e o dinheiro.&lt;br /&gt;Quando solicitou ao juiz um mandato judicial para investigar o telefone do banqueiro, deparou com uma negativa peremptória e quase foi corrido do gabinete do magistrado, que, certamente, tinha na melhor conta a figura do Dr. Lacerda.&lt;br /&gt;Estava atado de pés e mãos, restava-lhe investigar os últimos dias do rapaz. Conseguiu saber que o Tomé se tinha despedido há três meses e que uma ou duas vezes foi visto entrar para um enorme BMW preto.&lt;br /&gt;O antigo colega que tinha estado com ele nas Oficinas de S. José, acabou por dizer que ele tinha “umas cenas maradas com gajos de massa que gostam de putos”. Quando ligou para o Lopes, um inspector pouco mais velho que ele e que era sistematicamente destacado para casos que envolviam pedofilia, o semblante carregou-se pois o nome do banqueiro nunca tinha sido associado a tais práticas.&lt;br /&gt;Deixou-se ficar recostado na cadeira a pensar qual seria o próximo passo a dar. Tinha a convicção de que se não avançasse depressa com algum facto novo o processo seria ultrapassado por outro e mais tarde ou mais cedo seria arquivado, ficando mais um caso por resolver.&lt;br /&gt;Do laboratório tinham-lhe enviado um e-mail informando que a arma do crime era um revolver de calibre trinta e dois, o que pouco ajudava, pois há milhares de armas deste calibre espalhadas por todo o lado. Ligou para a central do departamento e pediu a um estagiário que verificasse se o Dr. Lacerda tinha alguma arma registada em seu nome.&lt;br /&gt;Estava a almoçar no restaurante habitual, perto da directoria, quando o estagiário lhe confirmou por telefone que o Dr. Bacelar tinha registado em seu nome várias armas, entre as quais, um revolver de calibre 32.&lt;br /&gt;De regresso ao edifício da Judiciária ligou ao principal suspeito do crime que estava a investigar.&lt;br /&gt;- Sabemos que o senhor possui um revolver calibre 32 e gostaríamos de o ver.&lt;br /&gt;- O crime foi cometido com uma arma desse tipo? – perguntou o Dr. Lacerda.&lt;br /&gt;- É provável. Quando posso ter acesso à arma?&lt;br /&gt;- Daqui a meia hora. Estou a sair de um almoço e passo por casa. Pode mandar alguém ir lá recolhê-la.&lt;br /&gt;- Obrigado, irei eu próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperou à porta da magnífica propriedade do Dr. Lacerda na Maia, pouco depois chegou o reluzente BMW conduzido por um motorista. O banqueiro apeou-se e fez um sinal aos Inspector Maurício para o seguir até casa, uma discreta mansão escondida entre pinheiros mansos e longos relvados. Dispensou os cuidados de uma criada que correu a recebê-los, subiram a escadaria curva e entraram no seu quarto de dormir, certamente maior que muitos apartamentos médios. Abriu uma das gavetas, retirou um estojo de couro que entregou ao Inspector.&lt;br /&gt;- Aqui tem o revólver. Tenho também ali uma pistola Browning de calibre 6.35. Não sei se também quer ver…&lt;br /&gt;- Não, apenas preciso dos documentos desta arma, se os tiver aí.&lt;br /&gt;- Com certeza. Eu tenho estas armas e nunca as usei fora de casa. São mais como… como tranquilizantes de consciência, do que uma protecção efectiva. Aliás, o senhor sabe que nós temos segurança privada na propriedade.&lt;br /&gt;- Sim, sim. Já verificamos.&lt;br /&gt;- Vou levar esta arma ao laboratório para ser analisada.&lt;br /&gt;Ao final da tarde já lhe davam o relatório preliminar, que confirmava ser aquela a arma do crime. No tambor nem sequer tinham sido substituídos os cartuchos disparados e a comparação das estrias revelou-se positiva. A arma tinha sido recentemente disparada, não tinha sido limpa e as únicas impressões digitais pertenciam ao seu proprietário, embora houvessem vestígios de ter sido manuseada com luvas de látex, provavelmente quando foi disparada pela última vez.&lt;br /&gt;O técnico prometeu enviar-lhe o relatório por e-mail, ligou para o Lopes a saber se tinha descoberto alguma coisa nos meios da prostituição masculina ou nos meios ainda mais restritos da pedofilia.&lt;br /&gt;Apenas tinha confirmado a existência de um BMW de alta gama, vidros escuros do qual ninguém parecia conhecer o condutor. Circulava lentamente, às vezes parava, baixava o vidro, algum dos rapazes aproximava-se, o condutor permanecia na sombra. Conversas escassas se geravam, prazeres se combinavam, as notas mudavam de mão, nunca faltavam.&lt;br /&gt;- Bolas! – resmunga o Inspector desmoralizado com a insuficiência das informações dadas pelo colega.&lt;br /&gt;Chegou a casa poucos minutos depois da Rosa, enfermeira no S. João, com quem vivia há três anos. Jantaram em silêncio, sentaram-se a ver um filme antigo, beberam cerveja, fizeram amor no chão da sala, deitaram-se já depois da meia-noite.&lt;br /&gt;Antes de adormecer ainda pensou que no dia seguinte voltaria ao gabinete do juiz com o relatório do laboratório, para lhe solicitar novamente o mandato, que lhe permitiria analisar as chamadas telefónicas feitas e recebidas pelo principal suspeito, assim como examinar pericialmente o famoso BMW na busca de algo que provasse a presença do Tomé na viatura.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte foi chamado ao gabinete do Inspector Chefe Peres, que sem delongas lhe apontou para a primeira página do “24ª Hora”, um jornal sensacionalista que parecia farejar todos os assuntos que exalam mau cheiro. “Banqueiro suspeito de homicídio de um jovem prostituto” e seguia-se uma foto do visado com ar austero, a sair da sede do banco.&lt;br /&gt;- Ó Maurício, como é que estes filhos da puta tiveram acesso a esta informação? Que grande bronca…&lt;br /&gt;- Isso queria eu saber. A investigação tem sido feita no máximo sigilo, conforme nos indicou e que eu saiba, do nosso lado não pode ter havido fuga. Ainda por cima só estou eu, o Ramos e o Cabral a trabalhar nisso e apenas fiz meia dúzia de perguntas ao Lopes sobre os meandros da pedofilia, mais nada.&lt;br /&gt;- Bem, de algum lado saiu, que esses cabrões não iam adivinhar sozinhos. Diga-me lá o que apuraram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-6779623465083609661?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/6779623465083609661/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=6779623465083609661' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6779623465083609661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6779623465083609661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/10/morte-na-alta-roda-1-parte.html' title='Morte na alta roda  (1ª parte)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-8487339343156238103</id><published>2008-10-01T22:29:00.002+01:00</published><updated>2008-10-01T22:34:32.519+01:00</updated><title type='text'>Colectânea de Prosa e Poesia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SOPsJyU1lbI/AAAAAAAAADk/LQ2S9gH_NsE/s1600-h/capa_escritartes_final+copy+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252301243316278706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SOPsJyU1lbI/AAAAAAAAADk/LQ2S9gH_NsE/s400/capa_escritartes_final+copy+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;São 37 autores, no total, oriundos do Minho ao Algarve, passando pelas regiões autónomas e pelo Brasil. Uma excelente montra do que se vai fazendo em língua portuguesa. Em prosa e em poesia. Nos mais diversos registos e estilos, mas sempre com o mesmo denominador comum: a qualidade.&lt;br /&gt;Esta é também a prova de que o virtual e o real, neste caso a edição on.line (EscritArtes) e a tradicional publicação em livro (artEscrita Editora), não têm forçosamente que seguir caminhos divergentes. Completam-se e complementam-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O lançamento acontece no dia 4 de Outubro, Sábado, pelas 14h30 no Clube Literário do Porto.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Rua Nova da Alfândega, 22 &lt;br /&gt;4050-430 PORTO  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Lista dos autores participantes na Coletânea "A Arte pela Escrita"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Jerónimo (pág. 7)&lt;br /&gt;Às dez horas da manhã do quinto dia do segundo mês do terceiro ano da década de oitenta do século XX, Ana Jerónimo chora pela primeira vez.&lt;br /&gt;Com dezena e meia de anos, jura que será jardineira. Com dezasseis, a arqueologia! Aos dezoito, o jornalismo é possível. Aos vinte, vai ser argumentista. Aos vinte e três, a ingenuidade dos vinte tem a sua graça. Aos vinte e cinco, quer o gerúndio do verbo ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Maria Oliveira (pág. 8)&lt;br /&gt;Ana Maria Rodrigues Oliveira vive em Cascais. Tem 48 anos de idade e é licenciada em filosofia. Uma das suas actividades preferidas, além da poesia, é a pintura.&lt;br /&gt;Ao longo da vida, intercalou a leccionação com períodos de dedicação exclusiva à família. Encara a poesia como um grito de liberdade vindo da profundidade de uma alma humana. A poesia é uma catarse necessária para uma mente que quer partilhar&lt;br /&gt;emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Marques (pág. 9)&lt;br /&gt;Ana Marques, médica veterinária, nasceu em Abril de 1969, em Lisboa. Escreve por prazer desde os treze anos. Poesia e prosa. Iniciou a publicação dos seus textos em sites de escrita criativa em 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Murteira da Silva (pág. 10)&lt;br /&gt;António Murteira da Silva nasceu em Lisboa, a 29 de Maio de 1973. Aos 14 anos, foi viver para S. Paulo, Brasil, onde além da escola frequentou o Conservatório. A sua grande paixão sempre foi a música.&lt;br /&gt;Em Fevereiro de 2003, ingressou na Rádio Algarve FM onde faz um programa semanal. Desde Janeiro de 2007, participa na área da cultura do Jornal Noticias da Manhã. Começou com a fotografia profissional em Abril de 2007; prefere fotografar concertos, peças de teatro e espectáculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brito Ribeiro (pág. 11)&lt;br /&gt;António José de Brito Ribeiro nasceu em 1957, em Vila Praia de Âncora, onde reside actualmente.&lt;br /&gt;Colabora com diversos órgãos de comunicação local e regional e tem dois blogs, “vilapraiadeancora.blogs.sapo.pt” e “rioancora.blogspot.com”. Em 2006, começou a escrever pequenos contos e crónicas, muitas delas inspiradas na vivência dos pescadores Ancorenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carla Ribeiro (pág. 12)&lt;br /&gt;Carla Ribeiro, estudante de Medicina Veterinária, nasceu em Portugal a 20 de Julho de 1986. Premiada em vários concursos literários, tem textos publicados em diversas antologias.&lt;br /&gt;Publicou, além disso, pela Corpos Editora, os livros “Estrela sem Norte”, “Alma de Fogo”, “Canto de Eternidade”, “Herdeiros de Arasen, vol. I”, “Herdeiros de Arasen, vol. II” e “O Deus Maldito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Soares (pág. 13)&lt;br /&gt;Carlos Ricardo de Sousa Soares nasceu em Guilhufe, Penafiel, em 6/11/1957. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, é advogado desde 1986.&lt;br /&gt;Dedica-se à docência e ao estudo. A sua vocação é escrever. Tem três livros jurídicos editados pela Almedina, de Coimbra: Heranças &amp;amp; Partilhas, Rendas Livres e Condicionadas e Contrato-Promessa de Compra e Venda de Fracção Autónoma, com várias edições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Celtibério (pág. 14)&lt;br /&gt;Silvério Domingos do Carmo Calçada (Celtibério / O Verso Vicia) nasceu em 1953 e descobriu o prazer da escrita há cerca de 5 anos. Escreve sobretudo sob a forma de soneto pelo desafio que é contar uma história em apenas 14 versos.&lt;br /&gt;Não aceita o epíteto de poeta, preferindo o de “rimador”, mas sempre com preocupações de tónicas e métricas sobretudo nos decassílabos. Assina alguns trabalhos com o pseudónimo de Celtibério por causa do fascínio que sente pela cultura e música Celta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conceição Bernardino (pág. 15)&lt;br /&gt;Técnica de Contabilidade, nascida a 1 de Fevereiro de 1969 na cidade do Porto. Amante da Escrita e das Artes.&lt;br /&gt;Adora ler, viver, diz que o sonho constrói-nos e arrebata em si essa beleza: “Alguém que vai eternizar a vida à sombra das árvores, aprendendo a ouvir os que sofrem nos murmúrios das fontes”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Gomes (pág. 16)&lt;br /&gt;David Miguel Martins Gomes nasceu há 20 anos, no Porto. Actualmente, reside em Cárquere, Resende.&lt;br /&gt;Possui o 12º ano de escolaridade e deverá ingressar no ensino superior. Descobriu a poesia numa viagem para o Porto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deolinda Reis (pág. 17)&lt;br /&gt;Deolinda Fernanda Pereira dos Reis nasceu em Rio Tinto, a 7 de Setembro de 1964. Possui o curso de Professora do 1º Ciclo.&lt;br /&gt;Desde cedo se sentiu fascinada pelo mundo das palavras, quer no campo literário quer no campo da escrita. Colaborou em inúmeros jornais escolares, tendo publicado trabalhos no “Jornal de Notícias” e no “Povo de Rio Tinto”. Publicou, em 2007, No Silêncio das Palavras (artEscrita) e, em 2008, Triângulos Poéticos 1 (artEscrita, co-autora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dionísio Dinis (pág. 18)&lt;br /&gt;Dionísio Dinis, nome das escritas de Manuel Antunes Cardoso, leitor assíduo desde os onze de idade, talvez um razoável leitor, quem dera que daqui a muitos anos possa escrever algo que possa ser lido sem enfado!&lt;br /&gt;Podem-no encontrar nas escritas virtuais – sempre em produção reduzida - onde está desde Março de 2006, altura em que pensou gatafunhar umas espécies de poemas. “Aquém me leu e/ou lerá, o meu obrigado pela gentileza e paciência demonstradas!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dite Apolinário (pág. 19)&lt;br /&gt;Maria Fernanda Apolinário nasce em Picote, a 10 de Outubro de 1956. Adopta o nome familiar de Dite.&lt;br /&gt;Realiza o Bacharelato em Enfermagem, profissão que abraça desde 1978, no Hospital Curry Cabral. Em 2006, é incentivada pela poetisa Mavilde Lobo Costa, na revelação da sua escrita, pelos vários sites e Tertúlia Rio de Prata. É moderadora geral do site EscritArtes, desde a sua feliz constituição. Elogia os vários locais de afectos e de memórias de pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elvira Santos (pág. 20)&lt;br /&gt;Natural de Gouvães do Douro, freguesia que desce pelos socalcos vinhateiros do Douro, no concelho de Sabrosa (Torga também viu aqui o mesmo céu), Elvira Santos cedo começou a colher poesia nas linhas da paisagem enorme desfolhada perante seus olhos e dos livros que vinham à mão.&lt;br /&gt;Depois, a vida ora lhe trouxe mais ora lha tirou. Finalmente, conquistada a paz e segurança da estátua que já não cai, desenrola da memória (e da gaveta) um rolo de poemas que compõem Era Agosto e Chovia (2007), obra de estreia da poetisa, que vem a frutificar na co-autoria deTriângulos Poéticos II, artEscrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gonçalo Coelho (pág. 21)&lt;br /&gt;Nasceu em 1978. Residiu nas cidades de Lisboa e Porto, Brighton, São Bento do Sul e Curitiba, no Brasil.&lt;br /&gt;Estas experiências preenchem o seu espaço literário caracterizado pela diversidade cultural e pela vontade de proporcionar perspectivas e facetas diferentes daquelas mais frequentemente veiculadas sobre o mundo em que vivemos. Já colaborou com o Primeiro de Janeiro e com o Expresso. www.goncalocoelho.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Goreti Dias (pág. 22)&lt;br /&gt;Maria Goreti Andrade Carneiro Dias nasceu a 30 de Janeiro de 1958, em Santo Tirso. Aí fez os seus primeiros estudos até à altura de rumar a cidade maior, Porto, onde frequentou instituições de Ensino Superior.&lt;br /&gt;Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade do Porto, exerce funções docentes na terra que a viu nascer. Amante das letras desde que se conhece, agradece aos seus próprios professores o incentivo que fez dela o que é hoje.&lt;br /&gt;Viaja invariavelmente pela Net onde passeia as suas letras… No seu blog, em sites de literatura … um pouco por todo o lado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Monteiro (pág. 23)&lt;br /&gt;Henrique Monteiro nasceu no Porto. É licenciado em História e Mestre em História Contemporânea, pela FLUP, onde é investigador do Centro de Estudos de População, Economia e Sociedade.&lt;br /&gt;Desenvolve, paralelamente, actividade docente, na Escola Secundária de Gondomar. É co-autor da Breve Monografia da Escola Secundária de Gondomar, vol. II, Edições Asa, 1989 e da Colectânea de História (10º e 11º anos),&lt;br /&gt;Livraria Cruz, Braga, 1981. Publicou, em Setembro de 2007, Rio Sem Viagem e, em 2008, Triângulos Poéticos II (co-autor), pela artEscrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos Brito (pág. 24)&lt;br /&gt;João Carlos Brito nasceu a 2 de Novembro de 1966, no Porto; licenciado em Português-Francês, na Universidade de Aveiro. É professor do Ensino Secundário, jornalista, formador e editor.&lt;br /&gt;Obteve algumas distinções em concursos literários nacionais e internacionais, na modalidade de conto, tendo textos publicados em diversas colectâneas de contos, boletins periódicos e na imprensa. Editou 24 horas (grafigondomar, 2002), Cinco Enterros do João (Arca das Letras, 2006, co-autor) e Paraíso à Chuva (artEscrita, 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Vieira Cardoso (pág. 25)&lt;br /&gt;Natural da Cidade da Lixa, 45 anos de idade, comerciante e colaborador do Jornal Da Lixa. Publicou o primeiro livro de poesia a 19 de Abril de 2008, “Nas Linhas Das Tuas Mãos”, com chancela da editorial negra tinta; entretanto, pensa editar um romance, em 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José António (pág. 26)&lt;br /&gt;José António Pinto nasceu no Porto, em 31/01/54. Profissional na área da gestão. Começou a publicar no JN em 1973 e está incluído em três Antologias Contemporâneas de Poesia.&lt;br /&gt;Galardoado como autor dramático, já representou como actor amador. Expôs pintura e desenho em Lisboa e Porto. Publicou em Fev.2006 “Ecos do Suão“ romance - Papiro Editora e em Jan.2008 “Momentos de Insónia” – poesia - artEscrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Porvinho (pág. 27)&lt;br /&gt;Pseudónimo de José Pais, nascido em Grada, Anadia em 1964; tirou Eng.ª Florestal em Vila Real (UTAD) e é ainda técnico de desenvolvimento, guia da natureza, jardineiro, vice-presidente da Lousitânea (Liga de Amigos da Serra da Lousã), praticante de atletismo e um curioso a tempo inteiro.&lt;br /&gt;Tem colaborado ao longo de vários anos em diversa imprensa escrita regional e pontualmente em algumas publicações nacionais. Vive e trabalha em Castanheira de Pêra. Tem um livro publicado (2008): “INCONFIDÊNCIAS E...”, artEscrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura Gil (pág. 28)&lt;br /&gt;Laura Mariana Gil nasceu em Bragança, em 1958. É Técnica de Biblioteca e Documentação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Gosta de Pintura e de escrever. Participa em alguns sites de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liliana Maciel (pág. 29)&lt;br /&gt;Liliana Maciel nasceu a 12 de Abril de 1959, no Funchal; casada, mãe de duas filhas e enfermeira de profissão. Não se considera uma poetisa, mas tenta transcrever para o papel o que a sua alma sente. Colabora no escritArtes desde 18 de Outubro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Ferreira (pág. 30)&lt;br /&gt;Luís Ferreira nasceu no Barreiro a 8 de Maio de 1970, onde ainda vive. Publica em diversos sites ligados à escrita e às artes em particular no seu blogue pessoal – Mar de Sonhos – http://marsonhos.blogspot.com.&lt;br /&gt;Publicou dois livros de poesia – Novembro de 2007 – “Mar de Sonhos” a sua primeira obra poética, e em Maio de 2008 – “Rio de Sal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magda Pais (pág. 31)&lt;br /&gt;Magda Pais (pseudónimo: Pedra Filosofal) nasceu em 1969, no Barreiro. É casada e tem dois filhos. A leitura é o seu passatempo preferido, sendo que apenas se começou a aventurar na escrita em Dezembro de 2007.&lt;br /&gt;Hoje publica os seus textos em dois sites de literatura e mantêm o blogue http://stoneartportugal.blogspot.com onde dá a conhecer os seus trabalhos, bem como os de outros autores, consagrados ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Pinto C. (pág. 32)&lt;br /&gt;Marco Pinto Correia nasce em Lisboa no ano de 1970. As suas primeiras publicações são letras para canções da banda V12. Posteriormente entra no obscurantismo da classe média em procura de uma vida decente.&lt;br /&gt;O silêncio prevalece até que ao momento em que começa a publicar os seus textos no mundo virtual tendo recebido menções honrosas de importantes portais nacionais de literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria de Lurdes Dias (pág. 33)&lt;br /&gt;Utiliza o pseudónimo de Cleo. Nasceu a 27 de Maio de 1965, em Lisboa. Despertou para a poesia apenas no ano de 2005, altura em que escreveu os primeiros poemas e os publicou num blog ao qual deu o nome de ECOS.&lt;br /&gt;Mais tarde, conheceu alguns sites onde se registou e onde passou a partilhar do mesmo gosto de tanta gente, que admira e estima, sempre de mãos dadas com a poesia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mel de Carvalho (pág. 34)&lt;br /&gt;Maria Amélia de Carvalho (Mel de Carvalho) nasce em Portugal, Lisboa, a 23 de Janeiro de 1961.&lt;br /&gt;Licenciada em Sociologia do Trabalho na Universidade Técnica de Lisboa, prossegue actualmente Doutoramento na Universidade Nova de Lisboa. Publica pela primeira vez os seus trabalhos (da poesia aos contos…) na Internet em 2006. Em 2007, publica “Sibilam Pedras na Encosta”, Corpos Editora.&lt;br /&gt;Em Junho de 2008, integra a Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea, Vol. XVI, “Poiesis”, Ed. Minerva; integrará brevemente a Antologia Escritores Brasileiros - e Autores de países em Língua Portuguesa - 8ª Edição bem como a Antologia Luso-Poemas Para além dos seus blogs, colabora com diversos sites de escrita, jornais e revistas, tendo no prelo um novo livro de poesia, “No princípio era o Sol”, com lançamento previsto igualmente em 2008, sob chancela da Edium, Editores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Melo Lopes (pág. 35)&lt;br /&gt;Paulo Melo Lopes identifica-se como “damasco” quando faz login em www.escritartes.com. Nasceu em 1973, em Coimbra, e reside actualmente em Vila Nova de Gaia.&lt;br /&gt;É licenciado em Psicologia pela Universidade de Coimbra e pós-graduado em Consulta Psicológica e Psicoterapia. Exerce actividade profissional nas áreasda formação e da psicoterapia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Ventura (pág. 36)&lt;br /&gt;Pedro Ventura nasceu no Barreiro, em 1975. No ano de 1997, com algum atrevimento, e influenciado pela leitura, começou a escrevinhar alguns textos.&lt;br /&gt;Em 2006 e 2007, é premiado com o conto “Raízes” em dois concursos literários: 1º Prémio de Conto Livre - XXVI Jogos Florais do Algarve 2006 e 2º Prémio da 8.ª Edição do Concurso Literário Dr. João Isabel 2007 - C. M. de Manteigas. Para além da escrita, dedica-se também ao seu projecto musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa Maria (pág. 37)&lt;br /&gt;Rosa Maria Anselmo nasceu no dia 29 de Julho de 1958, na cidade do Porto. Com apenas um ano de idade, parte com os seus pais e irmão para Moçambique. Regressa a Portugal em 1976 e, em 1989, já casada e com dois filhos, parte para Macau. Reside actualmente em Mindelo.&lt;br /&gt;Inicia o gosto pela escrita muito jovem, ainda nos bancos do Liceu, mas é já adulta que dá asas à criação de poemas. A escrita, a poesia, é para Rosa Maria uma forma de abraçar emoções... Em 2003, edita o seu primeiro livro “Diferentes Momentos”, pela editora “In-Libris” na sua colecção Princeps. Em 2007 faz parte da antologia “Luso-Poemas (2006)”, da Corpos Editora. Em Junho de 2008, edita o seu segundo livro “Sinais do Silêncio” com a chancela da Papiro Editora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandra Fonseca (pág. 38)&lt;br /&gt;SANDRA MARIA BATISTA FONSECA – Brasileira, 47 anos, reside em Belo Horizonte, Minas Gerais.&lt;br /&gt;Formada em Psicologia pela Universidade Fumec, especialista em Hipnose Eriksoriana, trabalha atualmente como psicoterapeuta e Psicóloga Social do Centro de Referência Especializado em Assistência Social da cidade de Nova Lima.&lt;br /&gt;Participa, além do Escritartes,de alguns sites de literatura na Internet.Participou da Antologia Escritores Brasileiros e Autores em Língua Brasileira - Editora RB. Classificada com o soneto “Meu desejo” no concurso de poesia da Universidade Federal de São João Del Rei – Inverno cultural, edição 2008, compondo a antologia do concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tim James Booth (pág. 39)&lt;br /&gt;Tim James Booth é o pseudónimo de Tiago Sousa Garcia, nascido em Matosinhos em 1988, portuense por vocação.&lt;br /&gt;Após uma incursão pela informática, decide dedicar a vida e talento, se o tem, à sua paixão de sempre: a escrita. Neste momento, frequenta o curso de Línguas, Literaturas e Culturas pela FLUP. Os seus escritos encontram-se um pouco por toda a net, especialmente no seu blog e no EscritArtes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vanda Paz (pág. 40)&lt;br /&gt;Vanda Paz nasceu em Janeiro de 1970, em Lisboa. É enóloga e vive numa pequena aldeia (Pereiro) perto de Anadia.&lt;br /&gt;A sua paixão pela poesia começou ainda era uma menina da primária, tendo escrito o primeiro poema quando tinha 14 anos. A poesia faz parte de si, é o seu equilíbrio com a vida. Participou, em 2008, com dois textos na Antologia da Associação Portuguesa de Poetas “A Nossa Antologia” XIV Volume 2007/2008, Associação da qual faz parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vítor Burity da Silva (pág. 41)&lt;br /&gt;Vítor Manuel Amaro Burity da Silva nasceu na cidade de Nova Lisboa, Angola, a 28 de Dezembro de 1961.&lt;br /&gt;Frequentou e completou o 12º ano. Vive em Lisboa desde 1975, tendo saído de Angola por altura da descolonização. Publicou em jornais e revistas, de 1982 a 1987, tendo participado e sido premiado em jogos florais na área da prosa poética; entre 1985 e 1986, foi redactor coordenador no jornal do exército, Sentinela, onde prestou serviço militar. Publicou, em 2008, Rua dos Anjos, pela artEscrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vóny Ferreira (pág. 42)&lt;br /&gt;Vóny Ferreira, pseudónimo de Mª Ivone B. S. Ferreira. Nasceu em Coimbra a 17 de Fevereiro de 1956, reside há 25 anos em Leiria.&lt;br /&gt;Em Outubro de 2007, foi publicado o seu primeiro romance “As sombras da Infância”, pela editora Lusociência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xavier Zarco (pág. 43)&lt;br /&gt;Xavier Zarco – pseudónimo de Pedro Baptista (Coimbra, 1968). Tem vinte e um títulos publicados e diversas distinções das quais se destacam: Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá, em 2004 e 2007; Prémio de Poesia Manuel Maria Barbosa du Bocage, em 2005, Prémio de Poesia Raúl de Carvalho, em 2005 e Prémio Literário da Lusofonia, em 2007.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-8487339343156238103?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/8487339343156238103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=8487339343156238103' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8487339343156238103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8487339343156238103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/10/colectnea-de-prosa-e-poesia.html' title='Colectânea de Prosa e Poesia'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SOPsJyU1lbI/AAAAAAAAADk/LQ2S9gH_NsE/s72-c/capa_escritartes_final+copy+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-6916956089125940564</id><published>2008-09-29T17:49:00.001+01:00</published><updated>2008-09-29T17:53:56.296+01:00</updated><title type='text'>O soldado que não esqueceu  2ª parte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma manhã, estava o Ernesto a afinar uma quinadeira, quando a moça do escritório lhe veio comunicar que estavam à espera uns senhores da polícia para lhe falarem.&lt;br /&gt;Desconfiando que seria mais uma estroinice de algum dos seus filhos, foi lavar as mãos, passar um pente pelos cabelos ásperos e tirar o fato de macaco.&lt;br /&gt;Ao apresentarem os cartões da Judiciária viu logo que o assunto era grave. Começaram por lhe fazer perguntas do trabalho e da empresa, mas logo o começaram a interrogar sobre o seu patrão, Armando Martins Rebelo. O que fazia, com quem andava, quem o visitava, quem lhe telefonava e coisas do género. Enquanto as questões eram sobre o trabalho ainda conseguiu responder sem hesitações.&lt;br /&gt;Quando as perguntas eram sobre o Sr. Armando, como ele o tratava, é que a entrevista ficou difícil e os silêncios eram cada vez maiores, acabando o Ernesto por reconhecer que pouco ou nada sabia sobre a vida privada do patrão. Interrogando os polícias sobre os motivos daquele inquérito, ouviu um seco “não podemos esclarecer, está em segredo de justiça”.&lt;br /&gt;Nessa noite pouco jantou e custou-lhe a adormecer, ainda por cima o Sr. Armando não atendia o telefone, o que o deixava em cuidados.&lt;br /&gt;No dia seguinte recebeu a visita de outro polícia, que lhe comunicou que o patrão estava preso em Salamanca e iria ser transferido para Madrid. Tinha sido apanhado numa operação contra o tráfico de droga, com perto de vinte quilos de cocaína disfarçados no fundo da bagageira do seu BMW 525.&lt;br /&gt;A Polícia Judiciária há vários meses que andava a investigar esta rede e a detenção não foi casual, pois no mesmo dia foram apanhados mais três correios que levavam cocaína para Madrid e provavelmente para Barcelona.&lt;br /&gt;Dos bancos começaram a chover telefonemas solicitando depósitos inadiáveis de forma a cobrir cheques e letras metidos a desconto pelos fornecedores.&lt;br /&gt;O Ernesto estava totalmente atordoado com o rumo dos acontecimentos. O patrão preso em Espanha por tráfico de droga, a firma sem um tostão no banco e com ameaças de penhoras, a chapa estava a acabar e não havia crédito para mais, enquanto não pagassem a remessa anterior.&lt;br /&gt;O final do mês passou e não deu para pagar os ordenados a ninguém. O Ernesto cada vez comunicava menos, até em casa e só quando lhe dirigiam a palavra é que respondia com uma economia notória de palavras. Não tardou a entrar em depressão, mas recusava-se a ir ao médico, apesar das súplicas da Luísa e dos filhos.&lt;br /&gt;Uma noite acordou aos berros, saltou da cama com ar esgazeado e fugiu em pijama para a rua, acabando a mulher por ir encontrá-lo encolhido junto ao abrigo da paragem dos autocarros a tremer convulsivamente.&lt;br /&gt;Acabou por ser internado no Magalhães de Lemos e o médico que o examinou e medicou disse à mulher que era um caso grave de stress pós-traumático despoletado tardiamente pela situação da empresa.&lt;br /&gt;Esteve internado dois meses, teve alta, regressou a casa e passou a sentar-se no seu cadeirão preferido o dia inteiro, de onde saia apenas para as refeições ou na hora de ir para a cama.&lt;br /&gt;Foram infrutíferos os tratamentos, o estado de ansiedade era permanente, estava silencioso durante horas para, de repente começar a berrar, tapando os ouvidos com as mãos.&lt;br /&gt;A calandra fechou, foi leiloada por ordem judicial e comprada por uns espanhóis que depois de obras de adaptação montaram um entreposto frigorífico para mariscos.&lt;br /&gt;O Ernesto como era sócio da empresa não teve direito a subsídio de desemprego, nem passou a figurar nas estatísticas que os políticos esgrimem diariamente.&lt;br /&gt;Um dia quando a Luísa chegou a casa viu que ele não estava. Esperou até à noite, ligou para os hospitais e acabou por ir à polícia participar o seu desaparecimento.&lt;br /&gt;Foi encontrado uma semana depois em Espinho e voltou a ser internado. Os períodos em casa alternavam com as fugas e com os internamentos.&lt;br /&gt;O desespero da mulher era cada vez maior pois não conseguia encontrar saída para a situação. Nunca mais o Ernesto foi o mesmo, nunca mais mostrou interesse em procurar novo trabalho, nem sequer mostrava interesse na família.&lt;br /&gt;Perderam as contas aos desaparecimentos até que decidiram não o voltar a procurar, na expectativa de o verem regressar voluntariamente a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornou a virar-se, tossiu e acabou por levantar-se. Enfiou os pés nas botas, espreguiçou-se e abriu a porta. Lá fora o frio era intenso e um arrepio percorreu-lhe a espinha.&lt;br /&gt;Ainda era noite, talvez ainda não fossem seis horas. Urinou encostado à figueira, regressou à barraca e comeu às escuras duas tangerinas que tinha guardado da véspera. Pegou na mochila, fechou a porta o melhor que pôde e meteu-se à estrada, em direcção a Valongo.&lt;br /&gt;Os automóveis não eram muitos àquela hora e na maior parte do trajecto seguia na escuridão, pela valeta estreita até à padaria onde lhe davam sempre alguma coisa para comer em troca de despejar os caixotes do lixo da fábrica e outros biscates do género.&lt;br /&gt;Na curva que antecedia a entrada para a zona industrial um automóvel aproxima-se em alta velocidade, procura fazer a curva o mais possível por dentro e embate com grande violência em algo grande e escuro na valeta, que parte o pára-brisas, seguindo-se o despiste. O automóvel acabou por se esmagar contra um grosso plátano vinte metros mais à frente. Da amálgama de ferros nem um grito, nem um suspiro, pela estrada ficaram espalhados uma grande quantidade de vidros partidos, chapas metálicas e bocados de plástico da viatura.&lt;br /&gt;Automóveis pararam para prestar auxílio, alguém ligou para o 112 que acabou por recolher apenas os cadáveres dos dois ocupantes do automóvel e do peão atropelado, que jazia caído de bruços na valeta.&lt;br /&gt;O agente da Divisão de Transito da PSP que preenchia o auto de notícia ficou espantado quando se apercebeu que os documentos do automóvel estavam em nome de Ernesto da Silva Martins, o condutor chamava-se Luís Rafael Linhares Martins, o seu acompanhante André Linhares Martins e ao homem atropelado, com aspecto de sem abrigo, tinham tirado da mochila surrada, um bilhete de identidade em nome de Ernesto da Silva Martins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fim&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-6916956089125940564?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/6916956089125940564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=6916956089125940564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6916956089125940564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6916956089125940564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/09/o-soldado-que-no-esqueceu-2-parte.html' title='O soldado que não esqueceu  2ª parte'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-4412614819869267357</id><published>2008-09-17T17:56:00.002+01:00</published><updated>2008-09-17T17:59:30.570+01:00</updated><title type='text'>O soldado que não esqueceu  (1ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Ernesto virou-se lentamente e as molas do velho sofá rangeram. Aconchegou a manta e coçou repetidamente a barriga. Mais uma pulga madrugadora que se passeava entre o tufo cerrado de pêlos que lhe desciam pelo peito, numa mancha contínua até aos pés.&lt;br /&gt;Seriam ainda umas cinco da manhã e o frio entrava por todas as fendas existentes. Pouco adiantara ter entalado jornais debaixo da janela e na porta, se é que se podia chamar porta àquelas tábuas desconchavadas que tapavam a entrada da barraca.&lt;br /&gt;Como pertences, apenas a mochila surrada onde guardava umas calças de ganga, duas camisas e uma camisola de lã, tudo oferecido pelos voluntários da carrinha amarela. Roupa interior já não usava há muito, os pés entravam e saíam nus de dentro das velhas botas, que um dia tinha encontrado junto a um contentor de lixo. Alguém que já não precisava, tinha dado a oportunidade de um pobre as aproveitar.&lt;br /&gt;No pequeno compartimento, o único mobiliário era o sofá de veludo, seboso e rasgado em vários sítios, uma mesa redonda de plástico branco e duas cadeiras a condizer, certamente “fanadas” de alguma esplanada.&lt;br /&gt;As “necessidades” eram feitas entre os arbustos que cresciam livremente no terreno com vista para a Serra de Santa Justa, às portas de Valongo.&lt;br /&gt;O Ernesto depois de ter pernoitado ao relento em muitos vãos de porta e debaixo da maioria das pontes das VCI, tinha arranjado aquele abrigo que lhe permitia suportar melhor o frio do mês de Novembro. Pelo menos não chovia dentro, o telhado de zinco ainda estava em bom estado.&lt;br /&gt;Este homem baixo que a fome emagrecera, enrugado precocemente, não ultrapassava os cinquenta e poucos anos, apesar de aparentar mais alguns. Quem o visse diria que andava pelos sessenta anos ou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saiu da escola primária em Torre de Moncorvo, foi aprender o ofício de serralheiro para a oficina do Salvador, que lhe deu as primeiras luzes sobre a arte de bem trabalhar o ferro.&lt;br /&gt;Dois anos depois, um primo afastado da mãe aceitou-o com aprendiz na Calandra do Bonfim, no Porto, onde alugou um quarto ao cimo da Rua de Santa Catarina. Uma vez por mês, metia-se no comboio que subia o Douro até Barca d`Alva e rumava a casa paterna de onde vinha carregado com chouriços, presunto e outras iguarias serranas, que complementavam as refeições tomadas no “Marinho”, uma casa de pasto no Largo dos Poveiros. Foi também no “Marinho” que conheceu a Rosa, uma sardenta que fazia a Rua de Santos Pousada e que o iniciou nas artes de alcova.&lt;br /&gt;A vida foi correndo entre o trabalho, onde já tinha a confiança do patrão, as idas ao futebol ao domingo à tarde, as horas passadas com as raparigas habituais no “Marinho” e as jogatinas de sueca numa tasca do Bonjardim, mesmo por detrás da Estação da Trindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi chamado para a tropa assentou praça em Coimbra, fez a recruta e a escola de cabos, deram-lhe duas semanas de férias e de seguida embarcou rumo à Guiné, a bordo do Niassa. Os dias de férias gozou-os junto da mãe e da única irmã, mais velha que ele cinco anos e que tinha casado na terra com o Evaristo, um dos três carteiros lá da zona.&lt;br /&gt;Corria o ano de 1971 e o que se sabia da Guiné é que uns terroristas nos queriam roubar as províncias ultramarinas, por isso era preciso combatê-los por todos os meios e a guerra estava quase ganha.&lt;br /&gt;O Niassa demorou mais dois dias que o normal para chegar a Bissau, devido ao mal tempo que apanhou nas Canárias. Quando pôs os pés em terra firme, o cabo Ernesto da Silva Martins estava mais morto que vivo devido ao enjoo prolongado.&lt;br /&gt;A sua companhia estacionou num quartel dos arredores de Bissau durante alguns dias, até chegarem as Berliet e os Unimog que os transportaram até Candamã junto à fronteira com a Guiné-Conacri.&lt;br /&gt;O quartel não passava de um conjunto de barracões toscos e de uma parada, tudo rodeado por duas alturas de bidões metálicos de duzentos litros cheios de terra, rodeados, por fora e por dentro, de arame farpado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ernesto procurou levar muito a sério as missões em que foi envolvido e dar aplicação ao treino que tivera na longínqua Serra da Lousã. Ouviu muitas vezes as balas a assobiar sobre a cabeça, mais de uma vez teve que cavar com as mãos abrigos improvisados para se furtar aos efeitos do bombardeamento por armas pesadas, que era suposto os terroristas não terem. Viu caírem camaradas de armas e a sua companhia foi das que mais baixas teve durante o ano de 72.&lt;br /&gt;Ouvia na Emissora Nacional, em ondas curtas, a propaganda do regime e as crónicas de guerra, onde se anunciava que os terroristas estavam mal armados, esfomeados e não passavam de meia dúzia de desgraçados escondidos no mato.&lt;br /&gt;Sabia agora que era tudo mentira, quem se escondia no mato por detrás de paliçadas e arame farpado era a tropa portuguesa, frequentemente emboscada quando saia em patrulha.&lt;br /&gt;Perdeu a moção do tempo e dos actos bárbaros a que assistiu e nos quais participou, mudou de região, a situação estava cada vez pior. Havia zonas onde já não punham os pés, nem os helicópteros se aventuravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando regressou ao continente e foi desmobilizado, retomou o seu lugar na calandra e pouco depois conheceu a Luísa num baile do Grémio de Rio Tinto. Os pais dela tinham uma mercearia e a Luísa trabalhava de costura para uma modista. Namoraram durante alguns anos, o 25 de Abril tinha passado, alugaram casa e passaram a morar juntos, após casamento civil.&lt;br /&gt;O Ernesto tornara-se uma pessoa reservada, embora sociável, que dedicava a vida ao trabalho e à família. Na calandra, o patrão tinha-lhe dado uma pequena cota de sociedade, os negócios corriam bem, ganhava-se muito dinheiro com as constantes subidas de preço da chapa metálica.&lt;br /&gt;A família cresceu, veio primeiro o Luís Rafael e três anos depois nasceu o André, que era a cara chapada do pai.&lt;br /&gt;Um dia souberam de um apartamento à venda na Travagem, pediram dinheiro ao banco e acabaram por comprá-lo, dando como entrada os mil e quinhentos contos resultantes da venda de umas propriedades, que lhe tinham tocado por morte da mãe.&lt;br /&gt;Os filhos cresceram, a Luísa largou a modista que entretanto se tinha reformado e arranjou emprego numa fábrica de confecções em Ermesinde, onde rapidamente ascendeu a chefe de linha.&lt;br /&gt;O dono da calandra, que ainda era seu parente afastado, cada vez ligava menos à oficina, deixando-lhe a responsabilidade dos clientes e da produção. Ele apenas tratava das papeladas e dos bancos, era raro aparecer durante a manhã, só de tarde e nem sempre.&lt;br /&gt;Quando se divorciara andou uns tempos acabrunhado, mas depois dedicou-se à boa vida e eram frequentes os comentários dos operários que casualmente viam o patrão acompanhado de mulheres vistosas, com idade para serem suas filhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(continua)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-4412614819869267357?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/4412614819869267357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=4412614819869267357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4412614819869267357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4412614819869267357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/09/o-soldado-que-no-esqueceu-1-parte.html' title='O soldado que não esqueceu  (1ª parte)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-2131837305629559600</id><published>2008-09-03T20:05:00.000+01:00</published><updated>2008-09-03T20:08:05.484+01:00</updated><title type='text'>Águas moles, em pedras duras...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SL7gYPeT7hI/AAAAAAAAADc/eECHiM25m9A/s1600-h/1933413.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241873723380985362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SL7gYPeT7hI/AAAAAAAAADc/eECHiM25m9A/s400/1933413.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-2131837305629559600?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/2131837305629559600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=2131837305629559600' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/2131837305629559600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/2131837305629559600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/09/guas-moles-em-pedras-duras.html' title='Águas moles, em pedras duras...'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SL7gYPeT7hI/AAAAAAAAADc/eECHiM25m9A/s72-c/1933413.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7499527722428539260</id><published>2008-08-27T10:52:00.001+01:00</published><updated>2008-08-27T10:54:14.196+01:00</updated><title type='text'>Gritai meus filhos, gritai...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mar de Âncora, 14 de Fevereiro de 1951&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio da sala deu as quatro horas. A cama rangeu sob o peso do Chico que se levantou às escuras. Ao seu lado o irmão ainda dormia, tinha sorte, iria alar as redes já com o dia, podia dormir descansado mais um par de horas.&lt;br /&gt;Vestiu-se na cozinha à luz do coto da vela, engoliu a broa dura com uns goles de cevada que a mãe deixara na cafeteira, sobre o fogão ainda morno.&lt;br /&gt;No Portinho as gamelas deslizavam sobre os rolos de pinho em direcção ao mar que a brisa encapelava de leve.&lt;br /&gt;- Ao menos não vamos precisar dos remos – diz o Tone Machina, que aos treze anos, tal como o Chico da Caganta, já labutavam no mar o sustento escasso, que o mar consentia dar.&lt;br /&gt;Cedo içaram a vela que empurrou o “Sempre em Frente”, velho barco tipo poveiro, em direcção aos mares de Afife. À sua frente navegava o “Pesse Bucha” que ia procurar sustento para os mesmos lados.&lt;br /&gt;A verga da vela rangia sob o esforço, o vento era mais que em terra, assobiava nos cabos retesados. Ao leme, o César do Baba procurava aproveitar o máximo da força, oferecendo pano às rajadas consecutivas. Cada vez que a direcção do vento mudava, o mestre compensava com um golpe de leme que fazia o barco adornar. A água corria então veloz a escassos dedos da borda, um ou outro salpico invadia o interior já molhado do pequeno barco de pesca.&lt;br /&gt;De súbito, uma rajada de través pôs a tripulação alerta.&lt;br /&gt;- Arreai a vela – grita o mestre vendo o barco inclinar-se perigosamente.&lt;br /&gt;Os homens soltaram a adriça, mas a verga não desceu. Uma volta no cabo de linho duro, não passou no moitão. Desesperadamente puxaram novamente pelo cabo da adriça e soltaram-no de imediato, na esperança de se desfazer a volta do cabo, uma “cocha” na linguagem destes pescadores.&lt;br /&gt;O cabo molhado e rijo voltou a prender e a vela não desceu como todos ansiavam. Com a inclinação a vela tocou na água, o leme soltou-se, o barco rodopiou e tombou de lado.&lt;br /&gt;Os homens caíram ao mar esbracejando em pânico. O nome do Senhor dos Aflitos passou de boca em boca, enquanto se procuravam desembaraçar da roupa grossa que os puxava para o fundo.&lt;br /&gt;Uns agarrados ao mastro tombado, outros seguros às tábuas alcatroadas do barco, gritaram até ficarem roucos, mas a embarcação que os precedia continuou a sua marcha, ignorante da tragédia que se desenrolava na sua esteira.&lt;br /&gt;O tempo passava, os homens na água subiam e desciam ao sabor da ondulação cavada. A terra estava longe e inalcançável, devido ao vento que se fazia e os atirava para sul. Por perto não se vislumbrava qualquer outra embarcação.&lt;br /&gt;Ao fim de uma hora estavam gelados, a água em Fevereiro está sempre fria e o Fininho, doente dos pulmões, desesperado com a ausência de socorro, conseguiu abrir a navalha e dizer ”prefiro matar-me a esperar a morte”, no que foi prontamente contrariado pelos seus companheiros que o demoveram de tão dramática atitude.&lt;br /&gt;- Vamos rapaz, aguenta-te, que os barcos da pescada hão-de estar a passar e algum nos vai socorrer – diz o mestre Cesar do Baba, mais para incutir animo nos seus homens que por convicção.&lt;br /&gt;- Estou a ver uma vela – diz o Chico que se tinha sentado sobre o mastro que acompanhava a ondulação das ondas.&lt;br /&gt;- Gritai meus filhos, gritai… - diz o mestre.&lt;br /&gt;Ao longe, o “Estrela d`Âncora”  do Tio Morranga navegava-se sem pressa, as redes estavam perto, o vento estava manhoso e não havia que fiar. O Tó Malhão levantou-se, inclinou a cabeça para um e outro lado, subiu para o banco na tentativa de olhar mais longe.&lt;br /&gt;- Desce daí rapaz, não vês que é perigoso da maneira que está o vento – diz-lhe o pai e mestre da embarcação.&lt;br /&gt;- Estou a ouviu gritos – justifica o Tó.&lt;br /&gt;- Não ouvi nada.&lt;br /&gt;- Eu também não.&lt;br /&gt;- Calai-vos e escutai. Vem daquele lado.&lt;br /&gt;- Tio Morranga, eu também ouvi agora qualquer coisa – diz o Luís da Laparda&lt;br /&gt;- Eu tambem já ouvi! Caça-me a escota que vamos virar para oeste, rápido, é alguém que está naufragado aí fora. Deus queira que cheguemos a tempo…&lt;br /&gt;O Tó continuava à proa, ora debruçado sobre o testeiro, ora subindo ao banco mais próximo até distinguir a mancha escura do barco poveiro voltado.&lt;br /&gt;A vela foi arreada, os remos empunhados por mãos rudes, dedos fortes que se fecharam sobre as empunhaduras com a força do desespero. Na água a tripulação do barco do Baba dava graças às divindades evocadas naquela hora de aflição. O Chico e o Tone da Justa seguravam o Fininho muito debilitado devido ao frio que a doença não repelia.&lt;br /&gt;Depois de todos a salvo, passaram um cabo ao barco naufragado, fundearam-no para mais tarde o recuperarem. Chegaram rapidamente a terra e cada um tratou de ir mudar de roupa e tomar algo quente que afastasse o gelo que sentiam na carne e na alma. &lt;br /&gt;Ao fim da tarde, o “Sempre em Frente” entrava no portinho a reboque de dois outros barcos que o tinham ido resgatar.&lt;br /&gt;Dois dias depois já pescava novamente nos mares de Afife.    &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-7499527722428539260?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/7499527722428539260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=7499527722428539260' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7499527722428539260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7499527722428539260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/08/gritai-meus-filhos-gritai.html' title='Gritai meus filhos, gritai...'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-3548620222145490317</id><published>2008-08-22T13:42:00.000+01:00</published><updated>2008-08-22T13:44:10.059+01:00</updated><title type='text'>Águas que passam</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SK60XCiie4I/AAAAAAAAADU/tTkKnc-n2Z4/s1600-h/1930844.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237321724590193538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="415" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SK60XCiie4I/AAAAAAAAADU/tTkKnc-n2Z4/s400/1930844.jpg" width="287" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-3548620222145490317?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/3548620222145490317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=3548620222145490317' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3548620222145490317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3548620222145490317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/08/guas-que-passam.html' title='Águas que passam'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SK60XCiie4I/AAAAAAAAADU/tTkKnc-n2Z4/s72-c/1930844.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7481456051316654521</id><published>2008-08-15T14:35:00.001+01:00</published><updated>2008-08-15T14:39:23.408+01:00</updated><title type='text'>Nos mares do Norte  III</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SKWG-poYZWI/AAAAAAAAADM/cZAFpA7_O8U/s1600-h/Bacalhau1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234738552773305698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SKWG-poYZWI/AAAAAAAAADM/cZAFpA7_O8U/s400/Bacalhau1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Toda a noite tremeu de frio. De inicio ainda tentou movimentar os braços na tentativa de não arrefecer, mas chegou à conclusão que não adiantava. Manteve-se sentado no banco do meio com a samarra e o casaco de oleado bem apertados, tapou-se com a vela, mas o frio era cortante. Por mais de uma vez pareceu-lhe ouvir barulho, sustinha a respiração, virava a cabeça na direcção de onde lhe parecia que vinha o som. Pegava no búzio e soprava, soprava até até lhe faltar o fôlego.&lt;br /&gt;O barco do Raposo chapinhava a meia dúzia de braças do seu, unidos pela amarra e pelo destino. Na madrugada dos mares do norte o Chico esperava estoicamente a ajuda que os seus camaradas não lhe regateariam.&lt;br /&gt;- Quando a névoa levantar vou encontrá-los. Até pode ser que aviste outro barco, um dos muitos que pescam nestas águas.&lt;br /&gt;O Chico não era muito dado à Igreja, nem a rezas, mas deu por si a pensar no Senhor dos Aflitos, aquele santo que estava no nicho junto ao farol, no Portinho de Âncora.&lt;br /&gt;Amanheceu com a mesma névoa pousada sobre as águas e com a visibilidade reduzida a meia dúzia de metros em redor. Abriu o baú da merenda, comeu as duas postas de peixe frito, metade do pão e um punhado de azeitonas. Rematou a refeição com uns golos de água. Agora estava arrependido de não ter trazido o termos com chá quente, como faziam muitos dos seus camaradas.&lt;br /&gt;Ao cair da tarde comeu o resto da merenda e preparou-se para passar outra noite gélida. De repente levantou-se e puxou a amarra do doris do Raposo. Saltou para o outro barco e tentou levantar o cadáver sem resultado.&lt;br /&gt;O Raposo não se mexeu e o Chico puxou-lhe por um braço mas articulações não funcionavam, o corpo do Raposo estava rijo, parecia de madeira. Desistiu da intenção de tirar a samarra do Raposo, que já não precisava dela e a ele fazia-lhe muita falta. Regressou à sua pequena embarcação levando consigo um bocado de oleado que o Raposo tinha dobrado sob um dos bancos. Sempre lhe daria para se embrulhar nele.&lt;br /&gt;A segunda noite pareceu-lhe mais curta, tendo concluído que tinha dormido alguns bocados, o cansaço era muito. O nascer do novo dia trouxe algo de diferente. O mar tinha já alguma ondulação e corria uma brisa fraca que ao fim de algumas horas varrera o maldito nevoeiro. Em vão perscrutou o horizonte, o vazio era imenso, o silencio oprimia, nem pássaros se viam. A sua água tinha acabado e fora buscar as provisões do Raposo. Tinha de as poupar, nunca se sabia o tempo que ainda tinha de esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias depois, o Chico continuava sentado no banco central do seu doris. A barba começava a cerrar-se em volta dos olhos, da boca e dos lábios gretados pelo frio e pelo ambiente salgado. Há muito que a água tinha acabado, durante a noite conseguia recolher algumas gotas no oleado, mas eram insuficientes para lhe matar a sede.&lt;br /&gt;O barco do Raposo continuava a baloiçar no mar ondulante, tinha-lhe dado mais cabo de forma a afastá-lo, pois o corpo do Raposo já exalava um cheiro terrível, à mistura com os bacalhaus pescados, que acabaram por ser devolvidos à água.&lt;br /&gt;Para matar a fome, tinha pescado um bacalhau, prontamente escalado e ao qual lhe devorou os lombos. Agora rezava várias vezes por dia, ao Senhor dos Aflitos e à Senhora de Fátima, uma prece para o livrarem daquela aflição. Lembrava-se muitas vezes dos pais, lá em Âncora e dos irmãos espalhados um pouco por todo o lado. Dois deles em Lisboa, outro também no bacalhau, a irmã a servir em Viana, o mais novo andava ao mar com o pai, à sardinha e à lagosta. Já os teriam avisado pelo rádio que ele estava desaparecido? Provavelmente não, só faziam isso ao fim de uma semana.&lt;br /&gt;- Há quanto tempo ando eu perdido? Quatro, cinco… não, seis dias. Seis dias? Seis dias?... Onde andará o nosso barco?&lt;br /&gt;E o desânimo era cada vez maior, alternava com momentos de esperança e momentos de raiva, uma raiva contra os elementos, o nevoeiro, o mar imenso. Mas uma raiva infinita contra as miseráveis condições de vida dos pescadores do bacalhau. “Ah, se em terra fizessem ideia dos martírios da Terra Nova”, pensava enquanto procurava no horizonte um mastro ou uma chaminé.&lt;br /&gt;Que saudades que tinha da “chora” do cozinheiro, quando antigamente preferia comer um bocado de pão seco ou uma batata cozida, sem mais acompanhamento. Mas a sede é que o agoniava. Fechava os olhos e via a levada do Paredão no Rio Âncora, via a água a cair em cachão e via-se a ele próprio encostado à levada a brincar com a água, a beber a água pura do rio que o viu nascer.&lt;br /&gt;No sobe e desce da ondulação pareceu-lhe ver a oeste um vulto branco, uma alucinação, já não era a primeira. Julgava ver um barco, mas acabava por reconhecer ser apenas espuma branca na crista da onda.&lt;br /&gt;- Não, não estou a sonhar, é um barco.&lt;br /&gt;Levantou-se a custo e acenou na sua direcção. A distância era muita, o mais provável era passar despercebido. Tinha de lhes chamar a atenção. Pegou no oleado do Raposo em que habitualmente se embrulhava à noite, amarrou-o ao mastro e subiu-o o mais alto que pôde. Como era amarelo podia ser visto. Durante muito tempo observou com angustia o barco que seguia imperturbável o seu rumo para, após ter perdido toda a esperança, vê-lo mudar de direcção e vir ao seu encontro, depois de um largo rodeio.&lt;br /&gt;O Chico caiu de joelhos a chorar, um chorar convulsivo, sem lágrimas, que lhe tirava o fôlego. Quando se levantou apreciou o barco próximo, um vapor de carga que arreou um escaler onde tomaram lugar meia dúzia de marinheiros, remos empunhados, remadas decididas levaram a embarcação ao encontro dos pequenos doris. Falaram-lhe numa língua estranha, não percebeu nada.&lt;br /&gt;- Água, por favor – pediu com a voz num sopro.&lt;br /&gt;Um marinheiro prendeu o doris com o croque e outro saltou a bordo. Voltou a dizer-lhe algo e apontou para o outro doris e para o vulto do Raposo.&lt;br /&gt;- Morreu, era bom homem. Dê-me água…&lt;br /&gt;O marinheiro agarrou o cabo que os seus companheiros lhe lançaram e em breve fizeram-no subir a bordo do vapor onde bebeu com avidez longos golos de água, até lhe arrancarem a garrafa das mãos.&lt;br /&gt;O vapor vinha de Boston e ia para Galway, na costa da Irlanda e fôra encontrado a mais de trezentas milhas a sul do pesqueiro. No mesmo dia fizeram o funeral ao Raposo, lançaram-no ao mar com toda as exéquias, já que o vapor não tinha condições para manter mais tempo o cadáver a bordo e a viagem ainda ia durar mais alguns dias.&lt;br /&gt;Pela rádio avisaram o Comando Naval do acontecimento e quando atracaram, o Chico tinha à sua espera um representante consular de Portugal. Depois de vários dias à espera para lhe tratarem dos papéis, tomou lugar num cargueiro que o desembarcou em Lisboa, uma semana depois.&lt;br /&gt;No fatídico dia do nevoeiro desapareceram mais dois doris, alem do seu e do Raposo. Esses nunca mais apareceram.&lt;br /&gt;Regressou a Âncora de comboio, descansou uns dias, meteu no saco alguma roupa e passou a salto, primeiro para Espanha, depois para França, onde começou a trabalhar nas obras.&lt;br /&gt;Cinquenta anos depois, já reformado, mantêm-se fiel à promessa de nunca mais desafiar o mar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fim&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-7481456051316654521?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/7481456051316654521/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=7481456051316654521' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7481456051316654521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7481456051316654521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/08/nos-mares-do-norte-iii.html' title='Nos mares do Norte  III'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SKWG-poYZWI/AAAAAAAAADM/cZAFpA7_O8U/s72-c/Bacalhau1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-8991742153792924258</id><published>2008-08-11T22:34:00.001+01:00</published><updated>2008-08-11T22:37:49.426+01:00</updated><title type='text'>Nos Mares do Norte  II</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SKCxEqex4SI/AAAAAAAAADE/3wYQe1svfUY/s1600-h/Lugre+patacho+fr+1920+a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233377460685496610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SKCxEqex4SI/AAAAAAAAADE/3wYQe1svfUY/s400/Lugre+patacho+fr+1920+a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda era noite quando sentiu o arrastar dos tamancos e a cantilena dos “Louvados” que o homem de quarto usava para acordar os pescadores. Parecia que tinha acabado de se deitar. Levantou-se estremunhado, calçou as botas, vestiu a samarra e comeu um naco de pão da véspera e um púcaro de café que o novo “moço” da cozinha tinha pousado sobre a mesa.&lt;br /&gt;Preparou o baú com a merenda, foi buscar a isca para ele e para o Raposo, subiu ao convés para ajudar a arrear os doris, primeiro os mais velhos, por último os “verdes”.&lt;br /&gt;O céu estava encoberto e já se adivinhava alguma névoa. Com o nascer do dia iria levantar, era costume. O Capitão Maldonado tinha-os avisado: “Todos a pescar aqui perto, ninguém se afasta. Se tocar o sino, regressem de imediato”.&lt;br /&gt;Nem era preciso avisar, mesmo os mais afoitos não gostavam de se afastar do navio quando havia névoa.&lt;br /&gt;O Chico aproximou o seu doris da embarcação do Raposo que lhe comunicou a intenção de pescar para lá da popa do lugre. Em poucos minutos estavam em posição, prepararam a isca, as linhas, o bicheiro e largaram os aparelhos. Estavam a pescar a menos de cem braças e quando alavam um dos aparelhos, os bacalhaus subiam regularmente à superfície, presos na armadilha do anzol, acabando a estrebuchar no fundo das frágeis embarcações.&lt;br /&gt;A ligeira névoa matinal mantinha-se, o mar estava raso, quase estanhado, salpicado de pequenos doris em redor do “Senhora da Ajuda”, como a galinha vigiando os seus pintainhos.&lt;br /&gt;- Tio Raposo, no aparelho que larguei por último, deu-me peixe maior. Ó Tio Raposo, está a ouvir?...&lt;br /&gt;O silêncio reinava sobre as águas.&lt;br /&gt;- Tio Raposo, que raio está a fazer, assim, de rabo para o ar?&lt;br /&gt;Do pequeno doris do Raposo, suavemente embalado, não vinha resposta. O Chico alou as linhas que tinha na água, armou os remos e transpôs rapidamente a distância que os separava. Só via as costas do Raposo debruçado sobre o banco, como se procurasse algo no fundo do barco.&lt;br /&gt;Quando encostou de bordo as duas embarcações, pode apreciar que o Raposo não se mexia e tinha a cabeça no chão. Passou um cabo de amarração e saltou com agilidade para o outro barco.&lt;br /&gt;-Tio Raposo, que lhe aconteceu? – E puxou-lhe pelo casaco de oleado de forma a endireitar o seu velho companheiro.&lt;br /&gt;A cabeça do Raposo pendeu sobre o peito e quando o Chico lha levantou pôde ver uns olhos abertos, mas vidrados e um fio de espuma que lhe saía da boca para o queixo. Largou-o como se queimasse, saltou para trás, tropeçou na caixa da isca, indo estatelar-se de costas sobre os bacalhaus recem-capturados.&lt;br /&gt;O Raposo, sem amparo, voltou a escorregar lentamente até apoiar a cabeça no fundo do barco. Levantou-se a custo daquele leito forrado a peixe, aproximou-se do companheiro, voltou a endireitá-lo e procurou algum sinal de vida.&lt;br /&gt;Tomou-lhe o pulso mas como tinha as mãos geladas, desistiu e decidiu-se a desabotoar-lhe o oleado e a samarra que tinha vestido. Tirou o gorro e encostou a orelha ao peito do Raposo, à procura do bater do coração. Não sentiu nada, mudou de posição, voltou a tentar sem resultado.&lt;br /&gt;Sentia-se afogueado apesar do frio cortante que fazia essa manhã. Endireitou-se para acenar ao lugre, para avisar a situação do Raposo, e ficou pasmado com o manto branco de nevoeiro, que tudo cobria. Uma pequena brisa, na qual não tinha reparado, arrastava consigo o maldito nevoeiro.&lt;br /&gt;Distraído no auxílio ao Raposo tinha-se esquecido de vigiar o céu e o mar. Que fazer? Olhou em volta, nada se via. Não tinha ouvido o sino do lugre. Já deviam ter tocado a chamar os homens e a orientá-los para a sua posição.&lt;br /&gt;Os minutos seguintes passou-os num crescendo de angústia, procurando descobrir alguma referência entre as baforadas de nevoeiro que passavam. Suspendeu várias vezes a respiração para melhor ouvir um qualquer ruído que o orientasse. Nada! Absolutamente nada! Não via, não ouvia nada fora dos barcos, amarrados um ao outro.&lt;br /&gt;Saltou para o seu, pegou nos remos, orientou-se pela agulha de marear que o contra mestre Antunes lhe tinha confiado. Tinham-se posicionado a oeste do lugre, pela sua popa. Se remasse para este, teria de dar com ele, pelo menos aproximava-se e ouviria o sino. Provavelmente havia mais pescadores perdidos no nevoeiro. Ou só estariam eles fora? E o Raposo que estava morto, que lhe iam fazer? Continuou a remar lentamente, levando a reboque o outro doris.&lt;br /&gt;Lembrou-se do búzio que tinha na caixa sob o banco, parou de remar, remexeu as tralhas, levou o búzio à boca e soprou com toda a força. O som cavo da concha ecoou no silêncio branco que o rodeava. Esperou a resposta em vão, tornou a tocar o búzio, esperou, tocou, repetiu durante muito tempo este ritual. De vez em quando olhava para o Raposo que repousava encostado ao banco com a cabeça inclinada de lado.&lt;br /&gt;Tinha perdido a conta às horas, tinha sede, bebeu dois goles da garrafa da água, não conseguia comer nada, parecia que tinha a garganta apertada. O Chico pensava na desgraça do Raposo, um homem que vendia saúde e que caiu sem dar um ai. E se o lugre não os encontrasse, que seria feito dele? Para já o frio suportava-se, mas o dia já estava a cair e durante a noite devia ficar tudo gelado. Seria ele capaz de aguentar?&lt;br /&gt;Tirou as luvas, enrolou com dificuldade um cigarro, acendeu-o e soprou o fumo para o ar, vendo-o misturar-se com o nevoeiro que passava.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continua)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-8991742153792924258?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/8991742153792924258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=8991742153792924258' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8991742153792924258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8991742153792924258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/08/nos-mares-do-norte-ii.html' title='Nos Mares do Norte  II'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SKCxEqex4SI/AAAAAAAAADE/3wYQe1svfUY/s72-c/Lugre+patacho+fr+1920+a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-6266037331288348775</id><published>2008-08-02T22:59:00.002+01:00</published><updated>2008-08-02T23:05:04.057+01:00</updated><title type='text'>Nos mares do Norte  I</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/SJTZ6QbAyPI/AAAAAAAAAC8/BNmm6ZJTFOA/s1600-h/Bacalhau+4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230044662147893490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="286" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/SJTZ6QbAyPI/AAAAAAAAAC8/BNmm6ZJTFOA/s400/Bacalhau+4.jpg" width="416" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Chico já andava ao bacalhau há quase três anos. Tinha embarcado como “moço”, com quinze anos e nas duas primeiras viagens foi ajudante do cozinheiro. Mas quando a cozinha estava fechada havia sempre qualquer coisa para fazer. “Ó Chico, vai buscar um novelo de fio ao porão”, “Ó Chico, vai carregar sal”, era assim todo o dia e parte da noite, restando umas magras horas para descansar na tarimba. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O rapaz era magro, mas rijo e comida não lhe faltava na cozinha. Podia ser sempre a mesma coisa, mas nesse particular, era um dos poucos privilegiados a bordo.&lt;br /&gt;Fazia a “chora” tão bem ou melhor que o cozinheiro com quem tinha aprendido e não havia nada na cozinha que já não soubesse fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terceira viagem o Capitão Maldonado, o “Ferreiro”, como lhe chamavam à boca pequena, debruçado no varandim da amurada, olhou-o com atenção quando cruzou o portaló, com o saco da roupa às costas.&lt;br /&gt;- Vai arrumar isso e anda ter comigo à câmara.&lt;br /&gt;- Sim, senhor Capitão – respondeu o Chico, embaraçado e sentindo-se corar, por aquela súbita chamada à presença do capitão, nenhum pescador gostava de ir, porque geralmente significava aborrecimentos.&lt;br /&gt;De boina na mão apresentou-se ao Capitão Maldonado, um indivíduo franzino, muito moreno, da zona de Ílhavo, filho e neto de pescadores que se tinha alistado novo na Marinha. Estudou e foi aproveitando as oportunidades, chegou a comandar um draga-minas e quando saiu da Marinha de Guerra, tinha à sua espera o lugar de imediato num lugre, onde fez duas viagens à Terra Nova, para aprender os pesqueiros.&lt;br /&gt;Daí para cá tinha comandado o “Senhora da Ajuda”, um lugre de três mastros que, com a graça de Deus e a habilidade dos pescadores, todos os anos, no inicio do Outono atracava carregado com 350 toneladas de bacalhau, nos Cais de Aveiro.&lt;br /&gt;- Tu és o Francisco Gomes, de Âncora, não és? – e sem dar tempo de responder, continuou – Desta vez não vais para a cozinha. Esse borrachão do Sampaio vai ter de arranjar outro ajudante. Vai-te apresentar ao contra mestre Antunes, já tens idade e corpo para ires de “verde”.&lt;br /&gt;O Chico saiu radiante em direcção à coberta da popa, onde o contra mestre dava as suas ordens. A azáfama na véspera da saída é sempre muita, tudo tinha de estar pronto antes da hora de zarparem. Os homens mais experientes passavam revista aos doris, já tinham sido calafetados e pintados, mas podia ter passado alguma deficiência. Os doris eram a principal ferramenta do pescador, o único garante da sua precária segurança, quando pescavam nas águas geladas do Atlântico Norte.&lt;br /&gt;Nos paióis, as linhas, os anzóis e demais utensílios próprios da pesca à linha estavam já guardados e assim ficariam durante quinze dias, o tempo de viagem até ao primeiro banco de pesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cruzaram a barra e deixaram para trás o cais salpicado de gente, os familiares e outros pescadores que se vieram despedir, enfrentaram um mar branco de espuma, empurrada pelo vento de sudoeste que rapidamente os afastou da costa. As primeiras horas de navegação não são de falas, todos se recolhem na saudade, na angústia de mais uma viagem, na certeza de uma vida dura e perigosa.&lt;br /&gt;Como “verde”, o Chico passou a acompanhar o Raposo, um homem quase com idade para ser seu avô, que tinha por missão ensinar-lhe a conhecer o mar e os truques da pesca à linha. Quando arreavam os doris, para onde remava o Raposo, logo o Chico partia no seu encalço, sempre atento aos dizeres do velho pescador.&lt;br /&gt;- Ala seguido, rapaz. Não dês puxões, que perdes o peixe. Isso, assim!&lt;br /&gt;- Olhe para este Tio Raposo! É quase do meu tamanho…&lt;br /&gt;- Vá, deixa-te de conversa e olha para o que fazes. Um olho no céu e outro no mar, nunca te esqueças. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continua)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-6266037331288348775?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/6266037331288348775/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=6266037331288348775' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6266037331288348775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/6266037331288348775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/08/nos-mares-do-norte-i.html' title='Nos mares do Norte  I'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/SJTZ6QbAyPI/AAAAAAAAAC8/BNmm6ZJTFOA/s72-c/Bacalhau+4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7306567148663255984</id><published>2008-07-23T14:33:00.002+01:00</published><updated>2008-07-23T14:46:02.867+01:00</updated><title type='text'>Nas Azenhas de Vilar de Mouros</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/SIc1cbiePxI/AAAAAAAAAC0/dT2u01jmnfU/s1600-h/Azenhas+V.+de+Mouros.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226204655131705106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/SIc1cbiePxI/AAAAAAAAAC0/dT2u01jmnfU/s400/Azenhas+V.+de+Mouros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estávamos em Julho de 1976 e as aulas já tinham terminado. Para juntar algum dinheiro, a malta costumava ir à ribeira apanhar percebes, mexilhões, musgo e sargaço para vender.&lt;br /&gt;Era um biscate duro, pois andávamos dentro de água horas seguidas a carregar sacos pesados, a escorrer água para tirar o sargaço e levá-lo praia acima até às dunas, para ser estendido e seco. Trinta ou quarenta quilos ao sair da água, que depois de seco ficava nada, um ou dois quilos, no máximo. Uma miséria!&lt;br /&gt;Os percebes eram vendidos nos cafés entre os trinta e quarenta escudos para de seguida serem postos à venda por oitenta ou cem escudos, outra roubalheira, pois nós é que lixávamos as mãos, nós é que ficávamos dentro de água enregelados, pois naquele tempo não havia fatos de neoprene para ninguém. Isso foi uma modernice que apareceu muito depois!&lt;br /&gt;Estávamos divididos por equipas de três ou quatro elementos, pois era mais fácil assim do que individualmente e os meus parceiros eram o Nelson e o Zé da Linha, ambos da Laje. Trabalhávamos habitualmente entre Penedim e o Quintino, apenas íamos a Afife para os percebes.&lt;br /&gt;Ainda hoje acho que fazíamos uma boa equipa, pois alem de nos entendermos bem, tínhamos genica suficiente para deixar os outros a bufar de raiva. Éramos os primeiros a chegar e os últimos a sair da água. Também era verdade que saíamos mais mortos que vivos de tão demolhados estarmos.&lt;br /&gt;Isto vem a propósito de ganharmos algum dinheiro para as nossas “coboiadas” pois os nossos pais não eram ricos e o dinheiro era espremido.&lt;br /&gt;Nesse ano de 1976 decidimos ir acampar uma semana para as Azenhas em Vilar de Mouros e por isso precisávamos de “massa”, apesar de fazermos os abastecimentos principais por descarga directa das despensas das nossas casas.&lt;br /&gt;Depois de algumas hesitações, com desistências à mistura, partimos cinco à aventura. Eu, o Nelson, o Mac, o Tone do Talho e o João. O Nelson já o apresentei, o Mac (quase a minha alma gémea) que é filho da D. Amélia professora, o Tone filho do Sr. Ernesto do Talho e o João que era de Lisboa e que vinha passar férias a Âncora todos os anos.&lt;br /&gt;Ele ainda é parente da mulher do meu primo Fernando Meira e foi assim que nos conhecemos e ficamos amigos.&lt;br /&gt;Já não me lembro bem mas parece-me que eu e o Mac fomos de bicicleta e os outros apanharam boleia com do irmão do Tone, o Ernesto, que foi levar as tralhas no seu reluzente Fiat 128, que ainda possui.&lt;br /&gt;Tínhamos três tendas canadianas que eram ocupadas pelo Nelson e por mim, noutra ficava o Mac e o Tone e na última ficava o João, que adorava o estatuto de ter uma tenda só para ele. Pudera, ninguém queria ficar com ele pois ressonava muito e cheirava a chulé que empestava. Deixem-me dizer que nenhum de nós era muito melhor, mas o João era o que tinha pior fama.&lt;br /&gt;Em 1976 as Azenhas eram um local muito mais recatado que hoje, os carros só com muita dificuldade lá chegavam e praticamente só para lá ia banhar-se a malta da zona, nada de forasteiros.&lt;br /&gt;Nós éramos uma excepção, mas éramos bem aceites pela “fauna” local, pois conhecíamos a malta toda que estudava no Externato de Santa Rita em Caminha ou no Liceu em Viana. E além disso já tínhamos acampado lá nos anos anteriores, pelo que já éramos quase da casa!&lt;br /&gt;Instalámos as tendas no terreno do fundo, que hoje está cheio de silvas e nessa altura era todo relvado, as tendas em linha, com o “rabo” virado ao rio; ao lado da nossa tenda havia (e ainda lá está) um enorme eucalipto, no qual penduramos um pequeno espelho para as nossas vaidades.&lt;br /&gt;Um dia foi preciso fazer arroz (de feijão) para acompanhar umas bifanas que o Tone trouxera e fui o encarregado de preparar o tal arroz. Depois de muitas invenções, o arroz estava como o cimento e só eu e o Mac, por solidariedade, o conseguimos comer. Os outros acabaram por embrulhar as bifanas no pão que sempre era mais macio. Nunca mais me pediram para fazer mais nenhum cozinhado, apenas me cabiam tarefas menores como descascar batatas, ir buscar água ou lavar a louça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante o dia preguiçávamos ali pelas azenhas entre o areal, as tendas e a água, fazíamos (algum) sucesso entre as raparigas (ah, ah) e ao anoitecer íamos até à aldeia por um estreito carreiro entre os campos de milho e o rio Coura.&lt;br /&gt;Hoje passa lá um caminho calcetado e no espaço onde se cultivava o milho realiza-se o Festival de Vilar de Mouros. Mas naquele tempo o caminho era estreito e só por lá se circulava a pé ou de bicicleta com as devidas cautelas.&lt;br /&gt;Na aldeia íamos sempre para um estabelecimento do qual não me recordo o nome e onde também nos abastecíamos, pois no rés-do-chão era a mercearia e o café no andar superior.&lt;br /&gt;Decorria um acontecimento que nos empolgava e nos prendia a atenção durante horas ao televisor, fosse no único canal português, quer na “espanhola”, canal com melhor captação, muito mais nítido e com melhor informação.&lt;br /&gt;Eram os Jogos Olímpicos de 76 em Montreal no Canadá e na ginástica, Nadia Comaneci dava cartas e arrasava a concorrência. Todos gostávamos destas emissões, particularmente o João que era um verdadeiro fanático e que não nos deixava arredar pé enquanto na televisão desse alguma coisa sobre isso. Acho que a partir daí, fiquei um bocado enjoado com os jogos olímpicos…&lt;br /&gt;Bebíamos uns finos, roíam-se uns amendoins e jogava-se às cartas entre uma e outra olhadela à televisão, até a proprietária do café nos “chutar” porta fora, já depois da meia-noite. E lá vínhamos nós para as azenhas, primeiro até à ponte medieval que, permitam-me um parêntesis, precisa urgentemente de ser consolidada, senão qualquer dia passa a ser a ex-ponte medieval e iremos ver uma quantidade de hipócritas a carpir a sua morte.&lt;br /&gt;Mas, dizia eu, que atravessávamos a ponte e virávamos à esquerda pelo tal “carreiro” de que vos falei, todos em fila indiana, o primeiro com um foco e outro, lá para o meio, com outro foco.&lt;br /&gt;Naquele tempo não haviam focos com “leds”, nem pilhas alcalinas, nem focos recarregáveis e muito menos lojas dos chineses para comprar essas “merdas”.&lt;br /&gt;Por isso a luz era escassa e muito poupada. Cedo reparamos que o João, que todos sabíamos medricas, queria ir sempre entalado entre os dois focos e nunca ficava para trás, por motivo algum.&lt;br /&gt;Uma bela noite combinamos pregar-lhe uma partida para lhe meter um “cagaço”. Era uma coisa simples, quando à noite estivéssemos de regresso às tendas, o da frente que habitualmente era o Nelson, apagava a lanterna e todos fugíamos para o meio do milho às escuras e a berrar que nem desalmados.&lt;br /&gt;O nosso amigo sentou-se no chão a tremer e só não chorou porque o medo lhe gelou o sangue e as lágrimas. Quando regressamos ao seu convívio, a rir, todos prazenteiros, o João “pintou-nos a manta” de tão zangado que estava.&lt;br /&gt;Mas esse problema de ser medricas ainda havia de causar outra “cena”, como se diz agora, pois uma noite, às tantas da madrugada, já estávamos a dormir, apareceram uns gajos com várias motorizadas a fazer um cagaçal tremendo, com os motores bem acelerados ali perto das tendas.&lt;br /&gt;Na verdade ninguém se aproximou de nós, nem nos provocou, mas uns rapazes enfiados às escuras dentro de umas frágeis tendas num local recôndito, por muito valentes que sejam ou queiram mostrar que são, acabam sempre por se borrar todos de susto.&lt;br /&gt;Foi o que nos aconteceu; eu e o Nelson tínhamos dentro da tenda uma espingarda de caça submarina (acho que era do Mac) e esticamos os elásticos, por causa das moscas. Na tenda seguinte o Tone e o Mac chamaram baixinho por nós e estabelecemos algum diálogo de vizinhos. Da tenda do João é que nem pio.&lt;br /&gt;A certa altura os gajos lá se foram embora e após algum tempo de expectativa e de sossego, decidimos sair das tendas, até porque o João continuava sem dar acordo de si.&lt;br /&gt;Verificamos com espanto que a tenda dele estava aberta e que ele tinha desaparecido. Foi em vão que o chamamos e como o sono já tinha ido, fizemos uma fogueira à volta da qual nos sentamos.&lt;br /&gt;Muito tempo depois, pelo menos assim nos pareceu, surge o João do meio de um campo de milho que havia na banda de cima do nosso acampamento. Vinha com um ar tranquilo e explicou-nos que tinha ido dar uma volta. É preciso ter lata! Então tinha ido dar uma volta, heim? O gajo tinha-se pirado e certamente ficou encolhido entre espigas e pondões, até ter a certeza que o sobressalto tinha partido para não mais voltar. E ainda por cima vinha tentar meter-nos os dedos nos olhos!&lt;br /&gt;É claro que ninguém mais voltou para a cama, até porque o dia já nascia e havia muito que vadiar.&lt;br /&gt;Um dia assistimos à chegada de mais uns campistas, vários casais com várias tendas, já não me lembro, três ou quatro, que as montaram um pouco mais para o interior do terreno. Ali junto ao rio, só nós! Traziam um belo cão Pastor Alemão que rapidamente acamaradou connosco e logo passou a cirandar por entre as tendas sem que ninguém se sentisse incomodado.&lt;br /&gt;O problema foi quando o descobrimos a mastigar regaladamente um dos frangos que iria ser o nosso jantar. Pelos vistos o ar do campo tinha-lhe aberto o apetite… Ora nós tínhamos dois frangos, o que até nem era muito para aqueles cinco galifões; se o cão tinha comido um deles, estão a ver o problema, ia ser uma barrigada de fome. Lá tínhamos nós de fazer um reforço com mais um par de trigos secos.&lt;br /&gt;O Nelson ficou danado e foi ter com o dono do animal que não acreditou que ele tivesse feito uma maldade dessas. Não acreditou até ver os poucos despojos que sobraram, depois ficou de orelha murcha, pediu desculpas e não teve outro remédio que ir comprar outro frango para nos compensar as perdas. Vá lá que o homem foi consciencioso e trouxe um frango bem maior que o “desaparecido”.&lt;br /&gt;O desgraçado do cão é que passou a ficar amarrado a uma árvore como castigo para tamanha gulodice. Ficou preso, mas pelo menos, estava de barriga cheia!&lt;br /&gt;Um sábado à noite recusamo-nos a ir ver a estopada dos jogos olímpicos e fomos todos ao cinema. Sim, ao cinema em Vilar de Mouros, em 1976.&lt;br /&gt;Havia uma casa, junto ao cruzamento com a estrada que vai para Covas, que hoje está em ruínas, um tipo de Centro Cultural ou Recreativo e que passava uma “fita” aos sábados à noite, sentando-se os espectadores em bancos corridos e cadeiras avulso, tendo como tela um simples lençol branco. Foi daquelas idas ao cinema que nunca mais esqueci, uma maravilha.&lt;br /&gt;Sei que os meus pais ainda foram lá uma vez abastecer-me de mercearia e o Ernesto passou por lá várias vezes descarregando carne para o irmão (e para os amigos esfomeados).&lt;br /&gt;Nunca esta equipa voltou a acampar juntos, apenas eu e o Mac continuamos por mais alguns anos a vadiar, nesta espécie de turismo selvagem, em que tínhamos uma tenda, um saco cama e pouco mais. Claro que as tendas eram canadianas, daquelas baixinhas em que se entra de gatas. Era o que havia!&lt;br /&gt;Apesar que termos deixado de ser parceiros de acampamentos, a amizade ficou e hoje tenho muito gosto em contar estas simples peripécias, que marcaram uma fase da minha, da nossa juventude.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-7306567148663255984?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/7306567148663255984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=7306567148663255984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7306567148663255984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7306567148663255984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/07/nas-azenhas-de-vilar-de-mouros.html' title='Nas Azenhas de Vilar de Mouros'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/SIc1cbiePxI/AAAAAAAAAC0/dT2u01jmnfU/s72-c/Azenhas+V.+de+Mouros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-3621445849535676631</id><published>2008-07-15T16:21:00.002+01:00</published><updated>2008-07-15T16:26:51.573+01:00</updated><title type='text'>Serra d`Arga</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/SHzBeH9QjII/AAAAAAAAACs/X2RxqvVAnzI/s1600-h/Serra+d`Arga+2+-+Carlos+Venade.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223262391119154306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 317px; CURSOR: hand; HEIGHT: 451px; TEXT-ALIGN: center" height="426" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/SHzBeH9QjII/AAAAAAAAACs/X2RxqvVAnzI/s400/Serra+d%60Arga+2+-+Carlos+Venade.jpg" width="294" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Carlos Venade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-3621445849535676631?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/3621445849535676631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=3621445849535676631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3621445849535676631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3621445849535676631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/07/serra-darga.html' title='Serra d`Arga'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/SHzBeH9QjII/AAAAAAAAACs/X2RxqvVAnzI/s72-c/Serra+d%60Arga+2+-+Carlos+Venade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-4120202189171940343</id><published>2008-07-08T14:43:00.000+01:00</published><updated>2008-07-08T14:46:08.269+01:00</updated><title type='text'>Euclides, o comunista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Este conto é baseado em acontecimentos reais, ocorridos na década de cinquenta do século passado.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O vento chegava em rajadas, era vento de norte, o frio cortava e a rua não oferecia abrigo aos raros peões que se atreviam a sair.&lt;br /&gt;O Domingos Verde aconchegou o grosso sobretudo regulamentar, que vestia sobre o blusão azul-escuro, quase negro, da farda policial. Pesava-lhe o cinturão largo, que suportava a pistola e o casse-tete, doíam-lhe os pés, depois de ter passado quase todo o turno de giro em Leça, desde a praia, até ao quartel dos bombeiros, ziguezagueando por uma infinidade de ruas.&lt;br /&gt;Fez esse percurso várias vezes, só tinha parado ao início da manhã para entrar na leitaria do Esteves e tomar um galão e um pão com manteiga, não esteve parado mais de dez minutos, nunca se sabe quem está a observar, para mais, ele ainda era novo na corporação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passar junto ao gradeamento do quartel, um carro vem em sentido contrário, afrouxa e pára a meia dúzia de metros. O condutor baixa o vidro e chama o jovem polícia de turno:&lt;br /&gt;- Senhor agente, uma informação. Onde fica a pensão Godinho?&lt;br /&gt;- A pensão Godinho é aqui em Leça, mas, do outro lado. O senhor dá a volta e vai até à rua onde está a farmácia, sabe onde é?&lt;br /&gt;- Não, eu conheço mal esta zona.&lt;br /&gt;- Se seguir por aquela rua vai ter a um jardim; depois de o passar vira à sua esquerda. Essa é a rua da Farmácia. Tem uma loja de ferragens logo à esquina. Quando lá chegar, vira na… deixe-me ver, na tercei…, não, na quarta rua à sua direita, a pensão Godinho é a cinquenta metros. Não tem que se enganar, no início da rua há uma carvoaria.&lt;br /&gt;- Obrigado senhor agente…, mas, eu não o conheço? Você não trabalhou no Lindoso?&lt;br /&gt;- Eu também o estou a conhecer, senhor engenheiro. Trabalhei sim senhor, na barragem.&lt;br /&gt;- Eu bem me parecia, quando vejo uma cara, não costumo enganar-me! Então agora está na polícia?&lt;br /&gt;- É verdade, quando comecei a trabalhar na barragem, já tinha metido os papéis para a polícia, mas como nunca mais me chamavam, aproveitei e ainda lá trabalhei quase nove meses.&lt;br /&gt;- O senhor agente é que me podia fazer um grande favor.&lt;br /&gt;- Se puder, diga senhor engenheiro.&lt;br /&gt;- Você lembra-se do Euclides, o técnico das máquinas?&lt;br /&gt;- Lembro-me perfeitamente.&lt;br /&gt;- O Euclides foi preso e está aqui no Porto.&lt;br /&gt;- Que fez o senhor Euclides para ser preso, ele que era tão boa pessoa?&lt;br /&gt;- Olhe azares da vida, não teve culpa, mas está a ser chateado pela PIDE.&lt;br /&gt;- Oh diabo, então mete a PIDE? Que quer o senhor engenheiro que eu faça?&lt;br /&gt;- Senhor agente, venha comigo à pensão, que eu vou lá ficar com os meus filhos e lá conversamos.&lt;br /&gt;- Não posso ir já, senhor engenheiro. Só termino o serviço à uma da tarde, se quiser encontramo-nos lá às duas, duas e pouco.&lt;br /&gt;- Muito bem, eu fico na pensão à espera. Até logo senhor agente… desculpe mas esqueci-me do seu nome…&lt;br /&gt;- Verde, agente Verde, ao seu dispor, senhor engenheiro.&lt;br /&gt;O Chevrolet negro com o engenheiro Ogando e os dois filhos, arrancou suavemente, contornou o pequeno canteiro em frente aos bombeiros e perdeu-se pela rua em direcção ao jardim. O frio continuava a apertar e por ter estado parado aquele tempo todo a conversar, tinham-lhe arrefecido ainda mais os pés. Lembrava-se que o pai do eng. Ogando, também formado em engenharia civil, fora o responsável técnico pela construção do Casino da Póvoa do Varzim.&lt;br /&gt;Já passava do meio-dia e eram horas de se dirigir calmamente para a esquadra que ainda ficava longe, fazer o relatório e consultar a ordem do próximo serviço, que devia começar à uma da próxima madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saiu da esquadra foi directo à casa de pasto do Aníbal, um transmontano de Carrazeda de Ansiães, com porta aberta há mais de vinte anos, uma casa muito asseada, onde comiam a maior parte dos agentes da esquadra de Matosinhos, funcionários das casas comerciais das redondezas e estivadores da doca de Leixões.&lt;br /&gt;Depois de ter engolido uma jardineira fumegante, que a Laurinda lhe apresentou, dirigiu-se para a pensão Godinho, onde o esperava o engenheiro Ogando, que sem mais delongas lhe explicou.&lt;br /&gt;- Pois o nosso amigo Euclides está metido em trabalhos. Tudo começou quando apareceram uns panfletos do Partido Comunista afixados numas árvores, a caminho da barragem. A PIDE foi chamada pela Guarda Republicana, andaram para lá a investigar e encontraram um desses papéis no armário do Euclides. Nem quiseram saber de mais nada. Trouxeram-no para Ponte da Barca e daí transferiram-no para o Porto, desconfio que para a sede da PIDE, você sabe onde é?&lt;br /&gt;- Sei, é na Rua do Heroísmo, perto de Campanhã.&lt;br /&gt;- Pois era isso que eu queria que fizesse, ia comigo à PIDE, ver se me deixavam visitar o Euclides, para lhe perguntar algumas coisas do serviço, que estavam pela mão dele. Como você é polícia, se calhar, é mais fácil deixarem-me vê-lo.&lt;br /&gt;- Se é só isso, não vejo problema, eu vou consigo – diz o jovem agente, convencido do poder persuasor da farda que envergava.&lt;br /&gt;- Então vamos no meu carro, que chegamos lá num instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegaram à Rua do Heroísmo, no Porto, o Domingos apeou-se e dirigiu-se à portaria do edifício, sendo interpelado de imediato, por um plantão da PIDE.&lt;br /&gt;- Que deseja?&lt;br /&gt;- Eu venho saber se está aqui um tipo de Ponte da Barca chamado Euclides, que trabalhava na barragem do Lindoso.&lt;br /&gt;- E para que quer saber?&lt;br /&gt;- Está ali fora o antigo chefe dele, um engenheiro, que queria falar-lhe por causa do serviço lá da barragem.&lt;br /&gt;- Um momento, que vou saber. – Dirigiu-se a um telefone pendurado na parede ao fundo da salinha que fazia de recepção e falou baixo durante breves instantes. Depois de desligar, dirigiu-se ao Domingos, dizendo-lhe para entrar e aguardar na primeira sala do corredor à esquerda.&lt;br /&gt;Não esperou mais de dez minutos, até que um sujeito de meia-idade, com o escasso cabelo empastado de brilhantina, fato negro e voz nasalada entrou na sala e lhe disse à laia de cumprimento:&lt;br /&gt;- Então é você que quer ver o Euclides? Que é que tem a ver com ele, hein? Conhece-o de onde? Vamos lá a identificar-se.&lt;br /&gt;O agente Verde puxa da carteira, tira o cartão da PSP, entrega-o ao PIDE e repete-lhe a história.&lt;br /&gt;- Há quanto tempo está na polícia, hein?&lt;br /&gt;- Fiz a escola e estou em Matosinhos há seis meses.&lt;br /&gt;- Seis meses, hein! Sente-se aí e aguarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo ia passando e ninguém mais se aproximou da sala onde o Domingos, só esperava que lhe dissessem alguma coisa. Lá fora o engenheiro devia estar ansioso por novidades. Ainda ninguém lhe tinha confirmado que o Euclides estava lá preso, mas também lhe tinham dito o contrário.&lt;br /&gt;A sala estava aquecida e o tempo de espera dava-lhe sono. Com sorte, hoje ainda podia dormir algumas horas, até entrar outra vez de serviço. O raio do homem é que nunca mais vinha, se calhar estava a consultar o processo ou a pedir instruções a algum superior.&lt;br /&gt;Quase duas horas depois, entrou novamente o PIDE na sala, entregou o cartão de identificação ao Domingos dizendo-lhe:&lt;br /&gt;- Tome lá isto, desapareça e não volte a pôr os pés aqui na directoria a não ser que o chamem. Diga lá ao engenheiro, que o comunista que trabalhou na barragem está aqui e que na cela dele, ainda cabem mais um ou dois, hein. Se quiserem?...&lt;br /&gt;Dito isto, virou costas e saiu tão silenciosamente como tinha chegado. O Domingos sentia-se ruborizado pela forma arrogante como tinha sido tratado, ele que também era uma autoridade e só ali estava para fazer um favor. Saiu do edifício, deixando para trás o sorriso zombeteiro do plantão, que certamente ouvira a conversa, atravessou a rua e entrou no Chevrolet do engenheiro Ogando.&lt;br /&gt;- Então senhor agente que novas me conta.&lt;br /&gt;- Novas?... Eles têm lá o Euclides, fizeram-me esperar este tempo todo, mandaram-me desaparecer e ainda me ameaçaram que na cela dele havia lugar para nós, para mim e para si.&lt;br /&gt;- Então não se pode fazer nada.&lt;br /&gt;- Pois não senhor engenheiro, com estes tipos não se brinca…Vamos embora, que eu preciso de ir dormir e pouco falta para as seis da tarde.&lt;br /&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-4120202189171940343?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/4120202189171940343/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=4120202189171940343' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4120202189171940343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4120202189171940343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/07/euclides-o-comunista.html' title='Euclides, o comunista'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-5097483898625817513</id><published>2008-06-20T14:13:00.002+01:00</published><updated>2008-06-20T14:27:34.712+01:00</updated><title type='text'>Onde nasce o Vale do Âncora</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SFuvnEkq2nI/AAAAAAAAACk/j2qB_OrmYaU/s1600-h/Rio+Ancora+-+ondas+3.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213954079388785266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SFuvnEkq2nI/AAAAAAAAACk/j2qB_OrmYaU/s400/Rio+Ancora+-+ondas+3.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-5097483898625817513?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/5097483898625817513/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=5097483898625817513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5097483898625817513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5097483898625817513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/06/onde-nasce-o-vale-do-ncora.html' title='Onde nasce o Vale do Âncora'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SFuvnEkq2nI/AAAAAAAAACk/j2qB_OrmYaU/s72-c/Rio+Ancora+-+ondas+3.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-9109441070244624802</id><published>2008-06-13T15:10:00.004+01:00</published><updated>2008-06-13T15:16:28.841+01:00</updated><title type='text'>O Abel da Chocalha</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SFKBEF1YlrI/AAAAAAAAACc/fL-IZKszgmg/s1600-h/digitalizadas3.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211369626106631858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SFKBEF1YlrI/AAAAAAAAACc/fL-IZKszgmg/s400/digitalizadas3.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não conheci pessoalmente o meu avô materno Abel Nascimento Brito, de sua graça. Quando eu nasci, já ele tinha falecido há cerca de 10 anos. Era pai de quatro raparigas, quatro manas, como eu carinhosamente lhes chamo, até porque uma delas é minha mãe. Teve um filho mais novo, o António, que morreu ainda criança.&lt;br /&gt;O Abel era um senhor dotado de uma calma monástica, que nada o fazia enervar, que nada o apressava, característica que certamente herdou do seu pai Luís Brito, nascido criado e vivido em Segadães, às portas de Valença do Minho. Eu disse que nada o apressava, mas não é totalmente verdade, porque apenas umas saias tinham o condão de espevitar o pachorrento Abel.&lt;br /&gt;O meu avô era conhecido pelo Abel da Chocalha, apelido que herdou da sogra do seu primeiro matrimónio Maria José Gandra, que curiosamente foi sua ama de leite. A Chocalha era de Gontinhães, mas por artes do acaso, foi ter a Segadães onde desempenhou a função de ama de leite do Abel, nascido em 1880 e do Manuel, seu irmão mais velho quatro ou cinco anos.&lt;br /&gt;Esta senhora que era solteira, tinha uma filha de nome Felisbela Gandra, casada com um tal Pereira, do Amonde, que morreu poucos anos volvidos com tuberculose. Deste casamento já tinha nascido o Américo, que ficou órfão ainda catraio, mas que ganhou rapidamente uma madrasta, pois o Abel casou em segundas núpcias com a sua conterrânea Delfina Gomes.&lt;br /&gt;Por essa época já o Abel Brito e a sua ex-sogra estavam estabelecidos em Gontinhães com uma pensão e loja que chamaram Pensão Âncora, mais tarde pensão Meira e actualmente hotel Meira, naquela que é hoje a Rua 5 de Outubro. Não sei se já assim se chamava nessa altura, pois a republica se já estava implantada, estava ainda muito verde.&lt;br /&gt;Do casamento com a Delfina nasceram quatro filhas e um filho a um ritmo praticamente anual. Primeiro a Felisbela, a seguir a Arminda, depois a Maria José e ainda a Julieta. Finalmente o António, o benjamim dos pais e o querido das irmãs que tragicamente morre de doença com dez anos. Era da idade do nosso conterrâneo Sr. Durval Brito, que apesar do apelido, não tem connosco qualquer relacionamento familiar. Outro conterrâneo da mesma idade era o Sr. Luís Gomes, recentemente falecido em acidente de viação.&lt;br /&gt;A filha mais velha, Felisbela casou com Simão Meira e abriram uma pensão na Praça da Republica, no chamado prédio da Assembleia. A Arminda casou em Valença com o António Gomes, seu primo legítimo, filho de um irmão da Delfina. A Maria José, minha mãe, casou com o Ribeiro, caixeiro-viajante e foi viver, embora por pouco tempo, para o Porto, regressando poucos anos depois a Vila Praia de Âncora. A Julieta casou com o Castilho, foi viver para o Porto e por lá ficou.&lt;br /&gt;Mas a personagem principal desta história é o avô Abel, um bonacheirão que metia-se em negócios (mais ou menos da China) e que acabavam sempre por dar fiasco e prejuízo.&lt;br /&gt;Uma vez convenceu o genro Ribeiro, meu saudoso pai, a fazer um negócio de marmelada. O Ribeiro dava o açúcar e o Abel arranjava os marmelos e enlatava a dita. É mesmo, não me enganei, era marmelada enlatada. O resultado foi montes de latas que ninguém comprava e que acabaram por ser abertas e o produto deitado aos porcos. Mas por estranho que pareça ou talvez não, nem os porcos quiseram a marmelada, que teve de ser enterrada no quintal. Muitos anos mais tarde, quando falávamos deste episódio na frente do meu pai, era vê-lo a sair “à francesa”, como se nada fosse com ele.&lt;br /&gt;Outro negócio que correu mal foi uma importação de bicicletas que ele ia buscar a França na sua camioneta e com um intérprete às ordens, um sujeito de Viana que ele convenceu a acompanhá-lo. Naquela época uma viagem a França por estrada, não se fazia com a facilidade de hoje e o Abel gastou mais na aventura, que o valor das bicicletas. Mais uma vez para se ver livre da mercadoria teve de vender com prejuízo e ouvir as recriminações da minha avó, que tremia cada vez que o Abel dizia que andava a matutar num negócio.&lt;br /&gt;Outra coisa que punha a avó em polvorosa eram as repetidas aventuras amorosas do marido. Nunca lhe perdoou ter o facto de uma das amantes, a Felicidade, uma viúva ainda fresca, como dizemos hoje ”que ainda rompia meias solas”, ter ido morar a pouco mais de cinquenta metros da sua casa, mais ou menos onde hoje é a ourivesaria do Catarino.&lt;br /&gt;Outra das suas “amigas”, a Ester da Pelada quando teve um filho, o José Luís que é o mais novo de três, logo disseram que seria filho do Abel. Não há certezas, naquele tempo não se sabia nada sobre ADN, mas outro dos suspeitos da paternidade, seria o Toninho Tinta Fina, que também por lá andava.&lt;br /&gt;O Abel tinha um parceiro que fisicamente ainda era mais avantajado que ele. Pois, eu ainda não vos descrevi o Abel da Chocalha, que era um homenzarrão que embora não fosse muito alto, era forte e barrigudo. O Fontes, o tal parceiro de que vos falei, ainda era mais corpulento, pois media perto de dois metros e acompanhava o Abel, nas suas palavras, para "fazer de contrapeso" na camioneta.&lt;br /&gt;Este Fontes foi faroleiro na Ínsua durante muitos anos, morava mesmo em frente à pensão Âncora, onde hoje é o Hotel Meira. Eram bons amigos e davam grandes passeatas na camioneta do Abel, na companhia dos netos que foram surgindo dos casamentos das filhas. Aqueles que conheceram o avô foram os meus primos Jorge e Zé Meira e as minhas irmãs Julieta e Delfina, conhecidas por Mimi e Fininha respectivamente. O Jorge e a Mimi eram uns vivaços; o Zé e a Fininha, pelo contrário eram muito tranquilos. Muitas vezes ouvi os meus pais dizerem que o neto mais parecido com o Abel da Chocalha era o Zé Meira, não só fisicamente, mas no carácter e na imaginação. O Zé, que era meu padrinho, talvez dê um dia destes um pequeno conto, vamos a ver!&lt;br /&gt;A pachorra do Abel era tanta que quando encostado à parede em frente à sua casa, onde estão as alminhas, e as pombas no beiral do telhado lhe sujavam a cabeça, em vez de se desviar, dizia para a Maria Ninom, mulher do Sr. Barata:&lt;br /&gt;- Oh Maria, empresta-me a boina, que as pombas estão a cagar-me na cabeça.&lt;br /&gt;O avô Abel alem de bom cozinheiro, era também um óptimo fotógrafo, que até possuía câmara escura para revelação das suas fotos. Infelizmente apenas duas ou três fotos da sua autoria chegaram à minha posse e desconheço se alguns dos meus primos possuem mais fotografias tiradas por ele. Tenho bastantes fotos antigas, mas são de estúdio ou tiradas pelo meu pai, já na década de trinta.&lt;br /&gt;Após a morte da minha avó Delfina, o Abel sossegou e dizem que até se deixou de aventuras amorosas. Não sei se isso foi totalmente verdade, mas que ele sentiu muito a falta da esposa, não tenho dúvidas. Ele próprio o reconheceu, mais que uma vez.&lt;br /&gt;Apenas lhe sobreviveu seis anos, sendo vitima dum acidente vascular cerebral, que o deixou totalmente incapacitado, para se repetir poucas semanas depois, causando-lhe a morte. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-9109441070244624802?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/9109441070244624802/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=9109441070244624802' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/9109441070244624802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/9109441070244624802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/06/o-abel-da-chocalha.html' title='O Abel da Chocalha'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SFKBEF1YlrI/AAAAAAAAACc/fL-IZKszgmg/s72-c/digitalizadas3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-2743542454941954168</id><published>2008-06-08T12:36:00.000+01:00</published><updated>2008-06-08T12:38:45.649+01:00</updated><title type='text'>A Festa do Monte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span&gt;Estávamos a jantar, quando a minha mulher me disse:&lt;br /&gt;- O Zé Alfredo comprou uma tenda. Ele disse-te alguma coisa?&lt;br /&gt;Tinha estado uma boa parte da tarde com ele na praia, falamos de mil e um assuntos, mas não me disse absolutamente nada dessa compra.&lt;br /&gt;- Se calhar é para o Rui ou para a Carina – respondi eu, que nunca tinha visto o Zé Alfredo com “queda” para o campismo. Se fossem uns piqueniques com merendeiro à mistura, estava sempre pronto. Agora, campismo a sério, nunca me passaria pela cabeça.&lt;br /&gt;Tinha sido a sua cara-metade, a Cristina que confidenciou à minha mulher, a iniciativa daquele respeitável chefe de família, que adquiriu levianamente um T1 rasteiro, tipo iglô, no qual os seus, também respeitáveis noventa e tal quilos, entravam rastejantes.&lt;br /&gt;À noite, após o jantar, encontramo-nos como de costume na avenida marginal de Vila Praia de Âncora, onde moramos, e perguntei-lhe de chofre se era verdade que tinha uma tenda nova.&lt;br /&gt;Mais admirado fiquei quando me contou, com toda a naturalidade, que alem da tenda tinha adquirido mais uma série de equipamentos e tinha até preços de outros equipamentos, que ainda não tinha adquirido porque não sabia bem se eram ou não, boa compra.&lt;br /&gt;É claro que sendo eu um apaixonado pela nobre e salutar “arte” do campismo, tivemos conversa até nos despedirmos, lá para a meia-noite, e rumarmos cada um para a sua casa, que nem são assim tão distantes uma da outra, uns duzentos metros, nem mais.&lt;br /&gt;Nos dias seguintes os planos do Zé Alfredo avançaram e eu ganhei um novo parceiro para as minhas constantes vadiagens de verão. Pelo menos tinha a esperança de ganhar, pois a única vez que ele tinha acampado, tinha sido na tropa, em Beja, salvo erro, e não lhe tinha deixado saudades. Pudera, acampar em Beja no verão…&lt;br /&gt;A Cristina não estava particularmente entusiasmada, mas sempre era uma novidade e para mais contava com a companhia da minha mulher. A Carina é um pouco mais velha que a minha filha Joana, que tinha acabado de fazer treze anos e que é doutorada em campismo, pois desde muito nova que me acompanha, alem de nos últimos anos ter entrado para os escuteiros, o que dá uma enorme experiência nesta matéria. Um enorme background, como dizem as pessoas finas.&lt;br /&gt;Combinada a data e o local, fui dando uns conselhos sobre os materiais e equipamentos a levar, uns fundamentais e indispensáveis, outros que embora não fossem essenciais eram úteis e aqueles que eram supérfluos e até desaconselháveis.&lt;br /&gt;Decidimos sair numa sexta-feira à tarde em meados de Agosto. Lembro-me que o dia 15, que é feriado, calhava na terça-feira seguinte, dia escolhido para regressarmos. O local escolhido foi o parque de campismo de A Guarda, na Galiza, em pleno estuário do rio Minho, a pouco mais de dez quilómetros de nossas casas.&lt;br /&gt;Devo dizer que o facto de ir de férias para um local a cinco quilómetros ou a quinhentos quilómetros de casa, é para mim totalmente indiferente. O que realmente me importa é estar bem naquele sítio e este parque é das coisas melhores que temos no noroeste peninsular. É calmo, espaçoso, muito agradável porque é totalmente arborizado e relvado; as infra-estruturas embora não sendo luxuosas são plenamente satisfatórias e tem uma piscina fantástica. O único senão, são os mosquitos ao anoitecer, nos dias de muito calor. Mas quando cai a noite, eles rumam a outras paragens e deixam de incomodar.&lt;br /&gt;Nessa sexta feira o tempo estava óptimo, pirei-me do trabalho mais cedo um bocado e começamos a carregar o carro com a descontracção de quem já sabe do assunto. Primeiro a tenda, depois a geleira eléctrica, uma modernice que adquiri o ano passado e que dá imenso jeito, depois as mochilas, os sacos camas, o fogão, os tachos, etc..&lt;br /&gt;Toca o telemóvel, era a Cristina a saber se já estávamos prontos, porque o Zé Alfredo bufava dentro do carro, à espera que eu desse ordem de arranque. Como era fácil para mim compreender o nervoso miudinho que o assaltava, disse-lhe que já podia vir até à minha casa, pois já tínhamos a carga quase pronta. Bem, quando vi o carro dele, um Ford Focus atulhado até ao tecto, no qual já quase não se via a mulher e a filha, não me contive e desatei à gargalhada. Havia de tudo, parecia um supermercado.&lt;br /&gt;Mais um compasso de espera para a Paula, a minha mulher, acabar de fritar os panados que seriam o jantar dessa noite e arrancamos finalmente. Em Caminha, ainda paramos para comprar pão, eu lembrei-me de uns folhados que a pastelaria junto aos correios tem e são uma delícia, finalmente rumamos para o cais do ferry-boat.&lt;br /&gt;Aqui começo eu a sentir-me de férias e a reagir em conformidade; nada me enerva, não há pressas e uma cerveja calha sempre bem. Começam a tirar-se as primeiras fotografias, as raparigas trocam os MP3, os telemóveis e não sei que mais, combinam estratégias próprias de miúdas adolescentes, como todos nós, quando tínhamos a idade delas.&lt;br /&gt;A tenda do Zé Alfredo já tinha sido experimentada lá no terraço da casa dele, com a ajuda do Rui, o filho mais velho que terá agora dezanove ou vinte anos, estuda no Porto e tem o mesmo arcaboiço do pai.&lt;br /&gt;Era um iglô baixinho, com um avançado ainda mais baixo, só permitia entradas e saídas de gatas. Até nem foi difícil de montá-la, ao contrário dos receios do seu proprietário.&lt;br /&gt;Acho que o facto da montagem ter corrido bem, deu uma enorme ajuda na autoconfiança dos meus amigos.&lt;br /&gt;Em breve podíamos apreciar o seu iglô equipado com um super colchão, enchido com uma bomba eléctrica que era o máximo. Vou comprar uma bomba desse género, este ano. À entrada estava um foco todo cheio de “nove horas” que ele tinha comprado a um marroquino e que nunca tinha sido usado. Achei muita piada porque a Cristina fez questão de estender os sacos camas com uma dobra muito artística como se tratassem de lençóis de linho bordados, em contraste com os nossos sacos camas atirados à balda para cima do colchão.&lt;br /&gt;Depois do acampamento montado, foi a vez de dar trabalho aos dentes e aos queixos, fazendo desaparecer os panados da Paula, os rissóis, os bolos de bacalhau e não sei que mais da Cristina, os folhados que tinha comprado em Caminha e tudo o que mais viesse.&lt;br /&gt;É um facto que nunca tive falta de apetite, mas no campismo como bastante mais e esta característica é partilhada com todos os que conheço destas andanças. Aquilo dá uma fome! E sede também!...&lt;br /&gt;Uma das características dos meus acampamentos é um projector eléctrico de 500W que ligo todas as noites e que permite, cozinhar, comer, e conviver com uma luz decente, bem ao contrário de alguns tipos, que usam ainda candeeiros a gás ou lanternas a pilhas.&lt;br /&gt;Já ultrapassei esse purismo há bastantes anos e é uma das razões porque deixei definitivamente de acampar fora dos parques. Fiz campismo selvagem durante muitos anos, mas agora acabou-se, já não tenho idade, nem vontade. Não há nada como tirar uma “bejeca” da geleira e saboreá-la, sentado confortavelmente numa cadeira de lona, a conversar ou a ouvir musica e a ler um livro, outra coisa que não dispenso.&lt;br /&gt;Durante a primeira noite acordei várias vezes como é habitual e ouvia o ressonar do meu parceiro na tenda ao lado. "pelo menos não estranhou e não se pode queixar de não conseguir dormir" pensava eu, dando mais uma volta dentro do saco cama.&lt;br /&gt;No dia seguinte, depois da habitual rotina do levantar, fomos às compras para as próximas refeições, sem nenhum de nós ter a menor ideia do que iríamos escolher.&lt;br /&gt;Eu tenho sempre uma ideia, que são as saladas "à Brito" como diz a minha filha, pois levam de tudo um pouco e são temperadas de forma diferente. Não é publicidade, mas não esperem que vá aqui revelar o segredo.&lt;br /&gt;Foi mais ou menos nessa hora, que tivemos a surpresa de ficarmos presos no trânsito na A Guarda, pois era o fim-de-semana das festas do Monte, em honra de Santa Tecla, em galego Santa Trega.&lt;br /&gt;Estas festas são da mais pura raiz popular e enchem a pequena cidade de forasteiros galegos e portugueses. Basicamente não diferem muito das nossas festas e romarias, excepto no consumo de vinho tinto que é um exagero. Durante o dia, os grupos de bombos e gaitas de foles, dúzias de grupos, tocam pelas ruas em despiques animados. À noite duas orquestras animam uma verbena na praça, cujo nome desconheço, mas é onde realizam semanalmente a feira. Pelas ruas principais vedadas ao trânsito automóvel, até aos moradores, espalham-se esplanadas dos restaurantes e bares.&lt;br /&gt;No domingo, é dia da subida ao monte, a acompanhar os grupos de bombos, toda a gente vestida de branco e com um lauto farnel nas cestas e mochilas. Aí é que não pode esquecer o vinho tinto, pois é ou foi transformado, de forma bizarra, no centro das atenções, porque depois de muito beberem, os festeiros regam-se uns aos outros com o precioso carrascão.&lt;br /&gt;Estão a ver o efeito! Calças e camisa branca bem regadas de vinho tinto, a condizer com monumentais bebedeiras, que atiram os mais fracos para um sono retemperador, em qualquer valeta.&lt;br /&gt;Foi a esta festa que nós viemos parar, onde nos divertimos imenso, sem tocar no vinho tinto, nem por dentro, nem por fora. Apesar do iminente risco que a alcoolização dos festeiros (e festeiras) acarreta, também é verdade que não vimos nenhum desacato, nem nada parecido. Nisso acho que os galegos tem melhor temperamento que os portugueses. Não confundem diversão com aborrecimentos.&lt;br /&gt;Entretanto, a nossa vidinha decorria sem sobressaltos de maior dentro do parque, nomeadamente nas refeições, onde todos ajudam, seja a descascar batatas, a tomar conta de qualquer coisa ao lume, seja a lavar a louça.&lt;br /&gt;O Zé Alfredo e a Cristina cada vez que era preciso algo, diziam de imediato "nós trouxemos, está no carro". Mais uma gargalhada irónica aqui do entendido, que se gabava e gaba, de só levar o indispensável. Um dos dias pela manhã, estava eu a fazer a barba, quando me cortei no queixo. Coisas que acontecem. Só que devo ter cortado algum capilar importante e o raio do sangue demorou bastante a estancar. Horas depois ao passar inadvertidamente a mão pelo queixo, vejo-me outra vez a sangrar com abundância.&lt;br /&gt;Mais uma vez, o Zé Alfredo diz "tenho ali no carro um produto que te revolve isso duma vez" e de seguida vai desencantar uma pequena farmácia cheia de tralha (a minha tem adesivo, agua oxigenada e pouco mais) da qual tira um frasquinho, com conta gotas. Lá me aplicou uma gota no queixo e milagrosamente o sangue parou imediatamente de correr.&lt;br /&gt;- É pá, onde arranjaste isso?&lt;br /&gt;- Foi o Brito da farmácia que fez este preparado há mais de dez anos e nunca falha.&lt;br /&gt;- Mas qual é a composição?&lt;br /&gt;Ele explicou-me que era um permanganato qualquer, já não me lembro, um daqueles remédios à moda antiga, que só o meu homónimo farmacêutico ainda seria capaz de fabricar.&lt;br /&gt;Não lhe disse nada no momento, mas dei a mão à palmatória; afinal, ele foi carregado de tralha, eu até gozei com isso, mas acabei por precisar de alguma dessa mesma tralha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos meus passatempos nos parques de campismo é ver os materiais que os outros apresentam. Comparar tendas, fogões ou acessórios é algo que faço com toda a naturalidade e ao qual o Zé Alfredo se associou de seguida. Às tantas diz-me ele:&lt;br /&gt;- A minha tenda só dá para gente nova. É muito baixa para mim. Gostava de ter uma daquelas.&lt;br /&gt;- Essa não é grande coisa. Aquela, acolá, é bem melhor, é uma Quechua.&lt;br /&gt;Começamos a falar de marcas e de características de material de campismo, como tantos de nós falamos de automóveis ou de telemóveis. “Cavada Nova” para aqui, “Camping Gaz” para acolá, “Mckinley” para a frente, “Coleman” para trás. Depois de muita discussão e várias voltas ao parque, chegamos a um consenso; ambos gostamos de um determinado tipo de tenda e logo combinamos descobrir onde era o representante da tal marca, pois eu também pretendo comprar uma tenda maior. Quando um gajo avança na idade, avança também no comodismo.&lt;br /&gt;A semana passada o Zé Alfredo apareceu lá em casa a convidar-me para ir no dia seguinte, um sábado a Porrino, na Galiza, ver as tais tendas. Tivemos uma desilusão, pois ainda não tem nada em exposição. Por informação do funcionário só lá para o final de Março é que põe à venda esse tipo de materiais. Uma estratégia comercial com a qual não estou, não estamos de acordo e por isso já combinamos ir à Maia, à Decathlon, daqui a uma ou duas semanas. Afinal, já não falta muito, para recomeçar a vadiagem!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-2743542454941954168?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/2743542454941954168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=2743542454941954168' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/2743542454941954168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/2743542454941954168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/06/festa-do-monte.html' title='A Festa do Monte'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-4132480809273182983</id><published>2008-06-03T16:00:00.000+01:00</published><updated>2008-06-03T16:06:00.566+01:00</updated><title type='text'>As gaivotas, o mar e o homem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SEVdmPdEeMI/AAAAAAAAACE/cbhwFj0L4Jg/s1600-h/1884769.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SEVdmPdEeMI/AAAAAAAAACE/cbhwFj0L4Jg/s400/1884769.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207671455688718530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-4132480809273182983?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/4132480809273182983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=4132480809273182983' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4132480809273182983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4132480809273182983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/06/as-gaivotas-o-mar-e-o-homem.html' title='As gaivotas, o mar e o homem'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SEVdmPdEeMI/AAAAAAAAACE/cbhwFj0L4Jg/s72-c/1884769.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-1862218486774276000</id><published>2008-05-29T11:58:00.002+01:00</published><updated>2008-05-29T12:04:30.597+01:00</updated><title type='text'>Água que corre na Serra D`Arga</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SD6NAvdEeLI/AAAAAAAAAB8/cREj7aVJ1VU/s1600-h/1362095.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205753263164782770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 431px; CURSOR: hand; HEIGHT: 309px; TEXT-ALIGN: center" height="288" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SD6NAvdEeLI/AAAAAAAAAB8/cREj7aVJ1VU/s400/1362095.jpg" width="431" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-1862218486774276000?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/1862218486774276000/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=1862218486774276000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1862218486774276000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1862218486774276000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/05/gua-que-corre-na-serra-darga.html' title='Água que corre na Serra D`Arga'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SD6NAvdEeLI/AAAAAAAAAB8/cREj7aVJ1VU/s72-c/1362095.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-5421852520526022755</id><published>2008-05-28T10:54:00.001+01:00</published><updated>2008-05-28T10:56:05.538+01:00</updated><title type='text'>Confusões, não!!!  Ao largo...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estavam a “dar” uns robalos no praial de Âncora e nós tratamos de aproveitar porque não era ano de muita fartura e o verão já estava quase passado. Foi na semana a seguir à festa da Senhora da Agonia de Viana, era final de Agosto, que pela manhã cedo, se tiravam uns robalotes jeitosos, nunca abaixo do meio quilo. É certo que saíam poucos, mas sempre era melhor que nenhum.&lt;br /&gt;Nós corricavamos devagar em longas passagens desde o Moreiro junto ao portinho, até às primeiras pedras do Forte do Cão e fomos fazendo a nossa pesca. Como era habitual, desde que descobrimos o peixe, nos dias seguintes, juntavam-se mais alguns barcos que habitualmente só andavam à “mama”, esperando que os outros encontrassem o peixe para depois eles aparecerem.&lt;br /&gt;Assim foi, quem encontrara o peixe tínhamos sido nós, o Fernando Nelaço e o Tone Rosito, ainda andamos dois dias sossegados a dar neles, até que, ao terceiro dia, quando saímos do portinho, demos de caras com oito barcos a corricar ao longo do praial. A mim deu-me vontade de rir, mas o Zé da Tilde, o meu parceiro, não achou graça nenhuma e fartou-se de “remoer”.&lt;br /&gt;Lá avançamos, cheios de coragem, para o meio do maralhal, ainda demos uma passagem, mas aquilo não era para nós. Corricar com as linhas estendidas oitenta ou cem metros atrás do barco, com os outros gajos a manobrar à toa e a enrascar a cada passo, não era para nós, que gostamos de pescar com tranquilidade e “à larga”.&lt;br /&gt;Afastamo-nos da costa e das rotas dos outros tipos e passamos a corricar praticamente sós, apenas o Arturinho estava perto de nós, pois ele também não gosta dessas confusões. E vimos algumas discussões ao longe, pois havia dois barcos o do Ginho e o do “Olhinhos” que levavam tudo na frente, não sei se por ganância dos melhores locais, se por mera azelhisse.&lt;br /&gt;- São muito burros! Em vez de virarem todos para o mesmo lado, cruzam-se e apanham as linhas uns dos outros – dizia o Zé, que apreciava o bailado confuso dos pequenos barcos, junto à costa.&lt;br /&gt;- E são sempre os mesmos a fazer merda. Olha, já apanharam as linhas do Nel do Cuco! Agora é que vai ser bonito. – dizia eu, pensando que o Cuco ia arranjar uma discussão grossa. Em breve, estavam vários barcos parados, perto uns dos outros, o Nel esbracejava violentamente, devia estar a dizer das boas a alguém.&lt;br /&gt;- Ainda bem que saímos dali. Aqui também se apanham e não vai tardar a fugir-lhes o peixe.&lt;br /&gt;- Pudera, ao movimento e ao barulho que fazem, aposto que já o espantaram.&lt;br /&gt;Parece que nunca tinha dito uma frase tão verdadeira. O peixe falhou-lhes e aos poucos todos se foram embora, deixando-nos sozinhos.&lt;br /&gt;- Vamos lá dentro experimentar, Zé?&lt;br /&gt;- Hum… Acho que é melhor ficar por aqui, o mar tem uma voltinha a mais e aqui também vamos apanhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso era verdade e já tínhamos engatado um par deles. Aos poucos percebemos que os robalos estavam mais fundo, colocamos chumbeiras maiores nas linhas e reduzimos a velocidade. Assim passamos a manhã e quando nos estávamos a preparar para regressar a terra com sete ou oito peixes no balde, engatamos dois ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Paramos o barco e cada um tratou de meter a bordo o seu robalo. Arrancamos e mal tínhamos largado as linhas novamente, voltamos a engatar mais dois. Repetimos a operação e continuamos, mas não sentimos mais nada.&lt;br /&gt;“Meia volta, que o peixe está para sul, em frente às primeiras escadinhas de madeira”, uma nossa referência. Ao passar lá, demos com eles e continuamos a pescar robalos, se calhar do tal cardume, que tinha aparecido, logo de manhã, junto à rebentação, tinha-se espantado e horas depois regressara.&lt;br /&gt;Com as borrachinhas verde escura e peso suficiente para o estralho ir junto ao fundo de areia, a seis ou sete metros, os cachiços iam “saltando” para dentro do barco.&lt;br /&gt;O Tone Rosito e o filho, o “Chuinga” que já estavam em terra há um par de horas, viram-nos dar tantas voltas sempre no mesmo sítio que desconfiaram, meteram-se novamente no barco e quando chegaram à nossa beira nem foi preciso perguntar nada, porque também já estavam a sentir o peixe nas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem termos feito uma pesca extraordinária, sempre apanhamos mais que qualquer um dos outros e estávamos bem contentes, até porque os robalos tinham o tamanho que mais gostávamos, é chamado peixe de dose, embora tirar um peixe grande dá sempre um gozo extraordinário.&lt;br /&gt;Chegamos a terra já passava da uma da tarde e não estava praticamente ninguém no portinho, por isso a nossa pescaria passou despercebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte foi a mesma “pouca-vergonha” com todos amontoados logo ao nascer do dia no praial.&lt;br /&gt;Com as nossas calmas, lá fomos para o pesqueiro bastante mais fora que os outros, onde a espaços, íamos apanhando algum robalote e um ou outro ruivo. O dia estava enfarruscado, sentia-se uma brisa fraca de sudoeste e o mar tinha alguma ondulação de fundo, que convidava a malta a afastar-se da costa e da rebentação.&lt;br /&gt;Ao fim da manhã voltamos a ter o nosso momento de glória, com o peixe a redobrar de actividade. Junto de nós apenas o Rosito e o Nelaço, a quem lhe contáramos o sucedido, no dia anterior.&lt;br /&gt;Voltamos a entrar tarde, já a maré descia há um par de horas e o mar parecia estar a crescer.&lt;br /&gt;Durante a tarde o vento aumentou, o mar era “mais”, à noite já era uma maresia e no dia seguinte nem foi preciso levantar-me cedo.&lt;br /&gt;Como moro junto à avenida marginal, pelo barulho do mar, fiquei a saber que não ia haver pesca para ninguém. Dei meia volta na cama e antes de adormecer, pensei que a nossa pesca já estava feita, de véspera.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-5421852520526022755?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/5421852520526022755/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=5421852520526022755' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5421852520526022755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5421852520526022755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/05/confuses-no-ao-largo.html' title='Confusões, não!!!  Ao largo...'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-1583719477432630978</id><published>2008-05-20T14:16:00.001+01:00</published><updated>2008-05-20T14:20:26.810+01:00</updated><title type='text'>Carta por terminar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gontinhães, Primavera de 1922&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiu a calçada do Sol Posto, mas ao passar junto da propriedade do Teles parou arquejante. Um cansaço imenso invadia-lhe o corpo, toldava-lhe a mente. O coração batia desordenado, as pernas pesavam, o ar entrava-lhe com dificuldade no peito.&lt;br /&gt;Encostou-se ao muro com o semblante fechado, procurando recobrar alento. O corpo alto e ossudo, as costas algo curvadas, a tez branca, pálida demais para quem vivia à beira mar, descreviam um jovem precocemente envelhecido. Os vinte e dois anos representavam já um fardo pesado para quem perdeu o pai ainda bebé de cueiros e a mãe três anos depois, ambos abatidos pela tuberculose.&lt;br /&gt;Quando a mãe enviuvou, cedo lhe deu um padrasto, o Abel, que era como um verdadeiro pai para ele. Foi com ele e a avó Maria Chocalha que ficou a viver quando a mãe se finou, pouco depois.&lt;br /&gt;A mãe que procurava recordar, mas de quem não tinha uma leve recordação para guardar. Apenas a fotografia dos pais no dia do casamento perpetuava a imagem destes seres, tragicamente ceifados pela doença implacável. Pouco depois de enviuvar, também o padrasto tinha casado com a Delfina, que o aceitou, e dele tratou com esmero, lado a lado com as filhas naturais que iam surgindo, a Bela, a Minda, a Quinhas, a Letinha, agora vinha mais um a caminho. A Delfina tinha anunciado há poucos dias que estava novamente de esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos recuperou a respiração, mas um ataque de tosse trouxe-lhe um vómito à boca. Limpou o escarro com o lenço, uma pequena mancha encarnada tingia o pano. Já era a segunda vez que lhe acontecia.&lt;br /&gt;Retomou a marcha, um passo lento, quase de velho, até aos Poços de Vilarinho por entre caminhos bordejados de giestas floridas. Sentou-se à sombra de um velho plátano, vendo à sua frente o casario que se estendia até ao mar. Lá em baixo, a beijar a areia do portinho, esperavam as gamelas da sardinha, prontas para a faina, logo mais à tardinha.&lt;br /&gt;Desceu vagarosamente a Gontinhães, terra onde a Delfina e o Abel tinham uma loja e pensão de hóspedes, que era também a sua casa. As crianças brincavam no Largo do Sol Posto ao lado da pensão. Jogavam à riola, outras saltavam à corda.&lt;br /&gt;- Américo, joga aqui connosco – pediu a Letinha, a mais nova do grupo.&lt;br /&gt;- Sim, sim, Américo joga connosco – fizeram coro as demais.&lt;br /&gt;- Agora não posso, tenho de ir tomar conta da loja e falar à avó Maria. Mais logo jogo convosco e ganho-vos a todas!&lt;br /&gt;Entrou na loja fresca e sombria, sentiu-se melhor, já nem lhe ardia o peito ao respirar. Não encontrou a avó em parte alguma. Uma das criadas informou-o que a tinha visto a descer a rua em direcção à praça.&lt;br /&gt;- Se calhar foi à Igreja – concluiu o Américo.&lt;br /&gt;- Que queres à avó, Américo? – Pergunta a Delfina que descia as escadas, vinda dos quartos e que tinha ouvido parte da conversa.&lt;br /&gt;- Nada Tia Fina, nada. Era só para saber dela.&lt;br /&gt;- Américo, estás tão pálido, andas outra vez a comer pouco. Pareces um pisco! Vem comigo, vou fazer-te uma gemada com vinho fino, a ver se te dá novas cores.&lt;br /&gt;- Mas não me apetece nada…&lt;br /&gt;- Não sejas teimoso, tens que te alimentar. Vamos lá para a cozinha!&lt;br /&gt;No dia seguinte estava a Delfina a servir os almoços para os hóspedes quando entrou na cozinha a Gracinda, uma das lavadeiras da pensão.&lt;br /&gt;- D. Delfina, quando puder chegue ao lavadouro.&lt;br /&gt;- Ó mulher, não vês que estou a servir os almoços… Que raio, não fazeis nada sozinhas. Afinal o que aconteceu?&lt;br /&gt;- É que… bom… é melhor a senhora passar lá.&lt;br /&gt;- Deixas-me em cuidados, mas agora…&lt;br /&gt;- Não há pressa D. Delfina. O que é pode esperar…&lt;br /&gt;- Vá lá D. Delfina, eu acabo de servir. Já faltam poucos – intervêm a Maria Ferrinha, a ajudante de confiança da dona da pensão.&lt;br /&gt;Passaram à copa, subiram os degraus que conduziam ao terreno onde estavam os lavadouros. Dois tanques enormes em cantaria de granito onde eram asseados os lençóis, toalhas e cobertores da pensão, assim como as roupas dos hospedes e dos proprietários.&lt;br /&gt;- Que se passa mulher, parece que te surgiu uma alma danada.&lt;br /&gt;- Olhe para este lenço…&lt;br /&gt;- Tem sangue. De quem é?&lt;br /&gt;- Tem sangue mas é no escarro – esclarece a Gracinda.&lt;br /&gt;- Cruzes, de quem é o lenço?&lt;br /&gt;- Do… do menino Américo…&lt;br /&gt;- Tens a certeza?&lt;br /&gt;- Se tenho, minha senhora! Fui eu que abri a trouxa dele. Olhe o resto da roupa, a camisa, as ceroulas, não enganam. São do menino e aqui está outro lenço também manchado de sangue.&lt;br /&gt;- Deus me valha, onde é que ele está?&lt;br /&gt;O Américo foi procurado imediatamente por toda a casa, acabou por aparecer pouco depois com um cesto de figos que recolhera da figueira grande. “Está tão carregada que os galhos estão dobrados quase até ao chão” contava o Américo, enquanto pousava o cesto sobre a comprida mesa da cozinha.&lt;br /&gt;A Delfina pegou-lhe suavemente por um braço levando-o para a salinha, contigua à cozinha, onde o interrogou sobre o sangue no lenço de bolso.&lt;br /&gt;- Pois foi Tia Fina, já é a segunda vez que me acontece. Depois de tossir sai-me um escarro com sangue misturado.&lt;br /&gt;- Ai filho, tu estás doente. Bem me parecia que a tua cor era esquisita. Já mandei chamar o Dr. Luís, mas está para Afife. Só mais logo é que regressa. Enquanto ele não chega tens de te recolher ao quarto. Pode ser doença que se pegue às crianças…&lt;br /&gt;- Oh não! Às crianças não…&lt;br /&gt;- Por isso, vais para o teu quarto até chegar o Dr. Luís, que eu levo-te lá o comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diagnóstico feito pelo Dr. Luís Ramos Pereira foi peremptório, o mal estava instalado nos pulmões e pouco havia a fazer. Foi dada ordem para queimar as roupas de cama e escaldar e apartar a louça onde o rapaz comia.&lt;br /&gt;No dia seguinte foi para o Amonde, acompanhado da avó Maria Chocalha, instalou-se na casa da sua tia Joaquina, irmã do seu falecido pai. Isolamento, ar do monte e uns remédios aviados na botica eram a única esperança.&lt;br /&gt;- Talvez ainda não esteja muito adiantado. – Dizia com ar de dúvida o médico – Olha que se os ares do Amonde não o curarem, nada mais o cura.&lt;br /&gt;Todas as semanas a Tia Leonarda carregava à cabeça um cesto de mantimentos e o jornal para o Américo ler. A viagem fazia-a a pé, duas léguas para cada lado, nada que assustasse esta mulher, habituada como estava a carregar feixes de lenha e outras mercadorias o dia inteiro. Na volta trazia sempre uma carta que o doente escrevia para a sua mãe de adopção, a Tia Fina como ele carinhosamente lhe chamava.&lt;br /&gt;Uma vez o Abel ainda levou as crianças até ao Amonde, viram ao longe a casa e o Américo, não se aproximaram com receio do contágio.&lt;br /&gt;Nem os ares do monte, nem os cuidados de quantos o rodeavam lhe valeram. Escrevia mais uma carta para a Delfina, grávida de oito meses, quando a pena lhe escorregou dos dedos. Já não terminou a frase “Deus o crie para a boa…”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-1583719477432630978?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/1583719477432630978/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=1583719477432630978' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1583719477432630978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1583719477432630978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/05/carta-por-terminar.html' title='Carta por terminar'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-8197596243464727163</id><published>2008-05-12T13:32:00.000+01:00</published><updated>2008-05-12T13:36:28.239+01:00</updated><title type='text'>O Externato de Santa Rita em Caminha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando saí da escola primária, no longínquo ano de 1967, fui direitinho para o Externato de Santa Rita em Caminha, porque em Vila Praia de Âncora apenas havia uma pequena escola particular, as “freiras” na Quinta do Doutor Queiroz.&lt;br /&gt;Outra alternativa era o Liceu ou a Escola Técnica em Viana, mas a minha mãe não via com bons olhos, que o seu menino (eu!), fosse sozinho, de comboio, vadiar à vontade, para a grande cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o Externato tinha boa reputação e tinha uma carrinha que vinha buscar os miúdos às freguesias, os meus pais fizeram o sacrifício de pagar as propinas, acabando por “estacionar” em Caminha durante cinco anos, até ir para o Liceu de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;No Externato fiz o quinto ano, actual nono ano, sem problemas de maior, como muitos conterrâneos da mesma idade. Era sem dúvida a escola da moda e evoluiu muito mais depressa que “as freiras” em Vila Praia de Âncora que da Quinta do Queiroz vieram mais tarde para o Lugar do Paraíso, dando origem ao Colégio Nossa Senhora da Assunção, o embrião da actual Ancorensis.&lt;br /&gt;O Externato, no início dos anos oitenta, começou a definhar, acabando por encerrar, estando hoje o edifício, que era alugado, totalmente abandonado e em ruínas. Mete dó olhar para aquela miséria, pelo menos a mim, que tenho ainda e sempre, recordações muito vivas daquele espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano que entrei para aquela escola, foi contratado o meu primo Zé Meira, para funcionário da secretaria, tarefa que acumulava com a de motorista de uma das carrinhas, que transportava a rapaziada até casa.&lt;br /&gt;O Zé Meira fazia a parte sul, seja Cristelo, Moledo, V. P. de Âncora, Laje, Vile e Riba D`Âncora, enquanto outra carrinha passava por Venade, V. de Mouros, Seixas, Lanhelas, Gondarem e Cerveira. Pelo menos estas freguesias eram percorridas uma e outra vez, pelas pequenas carrinhas, uma Volswagen e uma Austin, que deviam levar nove passageiros, mas que eram atulhadas com vinte ou trinta putos todos encavalitados uns nos outros. Mais tarde, compraram um pequeno autocarro italiano, um OM e posteriormente, já não é do meu tempo, adquiriram um autocarro Leyland, que acabou os seus dias, no Âncora-Praia.&lt;br /&gt;É curioso que em V. N. de Cerveira só havia escola primária, tendo os alunos que quisessem continuar a estudar, de optar pelos Externatos de Caminha ou Valença; ou então ir para Viana.&lt;br /&gt;O prédio onde estava instalado o Externato de Santa Rita era antigo, mas estava relativamente bem conservado, excepto as águas furtadas, local totalmente proibido para nós. Lembro-me de ter lá ido espreitar uma vez e apenas retenho a ideia de muitas pastas e muitos papéis empilhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que os rapazes e as raparigas não se misturavam e tinham entradas e recreios separados, causa grande estranheza nos jovens de hoje, mas naquela época era natural e eu nem sequer achava nada de estranho, pois vinha habituado a essa segregação da escola primária. Havia algumas turmas que eram mistas mas, mesmo aí, os rapazes ficavam de um lado e as raparigas ficavam do lado contrário. Se houvesse gente para fazer duas turmas é claro que estávamos novamente condenados a ver as raparigas ao longe. Raio de sorte!&lt;br /&gt;Também é verdade que não haviam tantas exigências pedagógicas como agora; a minha turma no terceiro ano, (actual sétimo) tinha quarenta e três ovelhinhas e usava a sala maior do primeiro piso, virada a sul, para Venade e tinha uma pequena varanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando lá cheguei, com os meus dez anos acabados de fazer, encontrei uns matulões que lá andavam, que impunham respeito. A nós, os pequenos, não nos permitiam sequer ir às retretes, local onde eles, os grandes, permaneciam para fumar às escondidas, o que nos obrigava a fazer as necessidades de fugida, antes que caísse algum cachaço.&lt;br /&gt;Por falar em cachaços, era prática comum os castigos corporais por parte dos professores, embora me lembre que alguns nunca nos bateram, nem sequer ameaçaram. Havia um vasto leque de castigos corporais desde as bofetadas até à palmatória, passando pelas sempre temíveis canadas. No entanto, a palmatória era o castigo que todos procuravam evitar, em particular a palmatória do Padre Cândido de Âncora, que tinha treze buracos e era conhecida pelo “totobola”. Esse Padre era professor de português e faleceu num acidente de viação. Foi substituído em Âncora pelo Padre Marinho, uma figura castiça, de que hei-de falar um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Laurentino Monteiro, o professor Monteiro para a malta, era simultaneamente o nosso terror e o nosso ídolo, pois se era severo e nos aquecia o pêlo quando calhava, também era o professor que estava sempre pronto para uma piada ou uma história engraçada. Quase quarenta anos volvidos, ainda não conheci ninguém que se sinta magoado com o comportamento desse homem.&lt;br /&gt;Ao longo dos anos, deu-me uma série de disciplinas, o português, história, ciências, francês e geografia, pelo menos. Quando algum professor faltava, o que era raro naquele tempo, se estivesse livre, dava qualquer outra matéria, com todo o à vontade.&lt;br /&gt;Este professor tinha imensas particularidades, uma das quais eram os sumários. Invariavelmente o sumário era “matéria nova”, “continuação da lição anterior” e “chamadas”. As “chamadas” eram umas provas orais, uma série de perguntas, que fazia a quatro desgraçados que ele escolhia pelos números e que se iam sentar nas primeiras carteiras à sua frente.&lt;br /&gt;Eu era habitualmente um dos “Cristos” devido ao meu primeiro nome, António. Como os números eram atribuídos por ordem alfabética eu tinha sempre um número baixo e ele escolhia imensas vezes o 1,2,3,4; e lá ia eu, que fui sempre o 2 ou o 3. Antes de mim só haviam os Alfredos, os Abílios e pouco mais.&lt;br /&gt;Os meus colegas com números altos tinham mais sorte, mas também se tramavam, pois ele sabia muito bem o que fazia, tinha boa memória e não deixava escapar ninguém, até porque as “chamadas” contavam para nota, sendo a nota cuidadosamente apontada na sua caderneta. Alem de nos arriscarmos a uma negativa (sofrível, medíocre e mau) ainda arriscávamos alguma canada na “tola”, se disséssemos algum disparate maior. Lembro-me de ter levado algumas, a propósito das declinações em latim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro professor inesquecível é o Dr. Fonseca, felizmente ainda vivo e de boa saúde, que era o director da escola e professor de matemática. Retenho do Dr. Fonseca uma certa imprevisão do humor ao entrar na sala. Se estivesse bem disposto, tudo corria bem e tinha paciência de santo. Pelo contrário, se vinha com os “azeites”, ia tudo na frente e era realmente mal de aturar.&lt;br /&gt;Estes dois eram o núcleo duro do Externato e a sua alma. Os outros professores e funcionários contribuíam para o sucesso, mas na verdade, na minha verdade, quem puxava o carro eram o Monteiro e o Fonseca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo a D. Zita, professora dos miúdos da primária (que eram poucos) e professora de desenho, o Dr. Ernesto e a Dr. Rosa que eram casados e foram depois para África. Ele leccionava português e musica, ela era professora de físico-química; a professora Isolina, professora de Francês, cujo marido tinha um Volswagem carocha que a malta achava o máximo, o Dr. Dionísio Marques advogado de Caminha, que dava inglês e que possuía um Citroen DS, um “bico de pato” como ele dizia, o Padre Amorim professor de história e moral. Mais tarde entrou para docente o eng. Cruz que nos deu matemática e que hoje está no Instituto de Estradas em Viana do Castelo. Foi com ele que vi, pela primeira, vez usar uma régua de cálculo, já que ainda não haviam calculadoras.&lt;br /&gt;Não me lembro quem dava Físico-química depois da saída da drª Rosa, talvez o dr. Fonseca. Tive ainda como professor o padre Lourenço Alves em Francês, um apaixonado pela história e pela arqueologia e um óptimo contador de histórias. Estava-me a esquecer do malogrado padre Aparício que dava Religião e Moral e que faleceu de acidente de motorizada, aqui em Vila Praia de Âncora, em plena Praça da Republica. Aquele homem era um santo e ainda hoje o recordo frequentemente com saudade. Após a sua morte foi substituído pelo padre Manuel Afonso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na secretaria trabalhava a D. Conceição, irmã da D. Zita e o Zé Meira. Havia uma senhora da limpeza, da qual tenho ideia vaga, mas não me recordo do nome; havia outro motorista alem do Zé Meira, que era o sr. Fernando Costa, mais conhecido, por Fernando dos Pitos, marido da Capitolina, que tinha um supermercado na rua da Corredoura, agora administrado pelo seu filho mais novo, o Carlos. O filho mais velho, Fernando como o pai, é da minha idade e estudou comigo durante aqueles cinco anos; era um dos meus parceiros favoritos. Há muitos anos que não nos encontramos, visto ter emigrado para o Canadá. Não me posso esquecer do Amaro, o motorista que depois substituiu o Fernando dos Pitos e que nos aturava as algazarras que fazíamos dentro do autocarro.&lt;br /&gt;Alem do Fernando dos Pitos filho, guardo na memória muitos outros colegas de turma, como o Vítor Barrocas de Vilar de Mouros, o Desiderio de Dem, o Fernando Lajes e o Rui Fernandes de Lanhelas, o Gonçalves de Cerveira, o Zé Araújo, o Fausto e o Filipe de Caminha, o Frederico de Vile, o Zé João de Riba D`Âncora, o Ernesto de Cristelo que era o ajudante de campo do professor Monteiro. Era ele que lhe fazer os recados e acompanhava-o à feira para carregar as couves!&lt;br /&gt;Alem destes, tínhamos o Nelson, Chico e o Zé da Linha, todos eles de Âncora. O Chico que era primo do Nelson, morreu tragicamente num acidente de motorizada poucos anos depois, na rua 31 de Janeiro, junto à bomba de gasolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns destes compinchas ficaram pela zona o que permite algum contacto esporádico. Outros tiveram rumos de vida diversos e perdeu-se todo o relacionamento, mas não se perdeu a memória.&lt;br /&gt;A próxima vez que pegar neste tema será para contar algumas aventuras que ainda me lembro, passadas comigo e com outros colegas de anos e turmas diferentes, mas todos pertencentes à grande “família” do Externato de Santa Rita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-8197596243464727163?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/8197596243464727163/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=8197596243464727163' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8197596243464727163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8197596243464727163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/05/o-externato-de-santa-rita-em-caminha.html' title='O Externato de Santa Rita em Caminha'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-3519970064302362426</id><published>2008-05-08T13:48:00.002+01:00</published><updated>2008-05-08T13:51:45.658+01:00</updated><title type='text'>Crónicas do filho da puta  (4ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; Há filhos da p*** vocacionados para fazer e filhos da p*** vocacionados para não deixar fazer, e estes são os dois tipos universais e eternos do filho da p***. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há, naturalmente, subtipos e especializações funcionais com funções especiais: modos de fazer, ou de fingir não fazer e deixar fazer; no entanto, quer os dois tipos, quer os vários subtipos de filhos da p***, todos eles são primariamente e acima de tudo filhos da p*** e disso estão todos bem conscientes.&lt;br /&gt;É por isso que nem sempre podemos e devemos delimitar rigidamente estes tipos, dado que eles são flexíveis e se entrecruzam e interpenetram.&lt;br /&gt;Apesar de tudo, sim, apesar de tudo o filho da p*** está relativamente contente consigo. Está preocupado com a vida dos outros e descontente com a vida em geral, mas relativamente contente consigo.&lt;br /&gt;O filho da p*** acha sempre que tirou o melhor partido do mau partido que foi ter nascido, e do péssimo partido que é viver. O filho da p*** consola-se muito com o infortúnio dos outros, com a crise dos outros, com a doença dos outros. Os outros também estão em crise, os outros não passam melhor, os outros não fizeram melhor, os outros também perderam, "lixaram-se", "quilharam-se", diz o filho da p*** exultante.&lt;br /&gt;Nada atrai mais o filho da p***, nada o consola tanto como o relato da doença ou da crise que assola os outros.&lt;br /&gt;Enfim, o filho da p*** só se sente feliz com a infelicidade dos outros. Mas morre de muitas maneiras - geralmente da doença que o envenenou toda a vida e que, como ponto máximo da sua carreira, lhe proporciona um final com muito brio, mas atroz sofrimento. O filho da p*** morre sozinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-3519970064302362426?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/3519970064302362426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=3519970064302362426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3519970064302362426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/3519970064302362426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/05/crnicas-do-filho-da-puta-4-parte.html' title='Crónicas do filho da puta  (4ª parte)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-288613211442352849</id><published>2008-05-07T18:39:00.002+01:00</published><updated>2008-05-07T18:47:33.510+01:00</updated><title type='text'>Rio Âncora - Esturranha</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SCHqtBfaKaI/AAAAAAAAAB0/YogjGQ7uQWE/s1600-h/DSCN5106.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197693504177449378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 347px; CURSOR: hand; HEIGHT: 287px; TEXT-ALIGN: center" height="271" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SCHqtBfaKaI/AAAAAAAAAB0/YogjGQ7uQWE/s320/DSCN5106.JPG" width="347" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-288613211442352849?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/288613211442352849/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=288613211442352849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/288613211442352849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/288613211442352849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/05/rio-ncora-esturranha.html' title='Rio Âncora - Esturranha'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SCHqtBfaKaI/AAAAAAAAAB0/YogjGQ7uQWE/s72-c/DSCN5106.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7408809541362106064</id><published>2008-05-03T12:17:00.001+01:00</published><updated>2008-05-03T12:19:39.820+01:00</updated><title type='text'>Agarra que é ladrão...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Catrapum… O barulho ecoou na noite fria de Março. Depois, regressou o silêncio. Ao longe ouvia-se o mar, em suaves investidas contra o praial.&lt;br /&gt;A Tia Ana Rosa desencostou a cabeça do travesseiro, mas não ouvia nada a não ser o ressonar ritmado e tranquilo do marido, ao seu lado.&lt;br /&gt;- Domingos, oh Domingos, acorda homem.&lt;br /&gt;- Ah… que foi?&lt;br /&gt;- Tu não ouviste?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Não ouviste o barulho?&lt;br /&gt;- Não mulher. Deixa-me dormir, se calhar foi algum gato no telhado…&lt;br /&gt;- Não foi nada. Foi cá dentro.&lt;br /&gt;- Aqui na casa? – Duvidava o Domingos Verde.&lt;br /&gt;- Sim, aqui na casa. Levanta-te e vai ver na sala e na cozinha. Se calhar foi o oratório que caiu na sala.&lt;br /&gt;- Raios partam a minha sorte, logo agora que estava tão bem a dormir.&lt;br /&gt;- Despacha-te!&lt;br /&gt;O Domingos acendeu a vela que estava na mesinha de cabeceira, vestiu a samarra sobre a camiseta e as ceroulas, caminhou até à sala. Levantou a vela para melhor enxergar, não viu nada de anormal, o oratório estava no sítio, dirigiu-se para a cozinha, repetiu o movimento da vela e disse em voz alta.&lt;br /&gt;- Não vejo nada de estranho.&lt;br /&gt;- Vê lá a gaveta do dinheiro?&lt;br /&gt;- Está na mesma.&lt;br /&gt;A Tia Ana Rosa é que não se convencia e já se levantava para confirmar. Deitou a mão ao avental que estava pendurado na cabeceira da cama e teve um arrepio. A chave da gaveta, não estava no bolso do avental.&lt;br /&gt;- Fomos roubados, Domingos.&lt;br /&gt;Saiu do quarto direita ao móvel onde estava o oratório, que fazia de cómoda, com três gavetas logo a seguir ao tampo e dois gavetões por baixo, onde guardava a roupa da casa.&lt;br /&gt;O tampo estava coberto por uma toalha alva, que caía para a frente, escondendo a fila das gavetas.&lt;br /&gt;Levantou a toalha e no lugar da gaveta do meio, ficara o buraco negro onde ela deslizava.&lt;br /&gt;- Tinhas razão, fomos roubados, mas como?&lt;br /&gt;- E foram ao nosso quarto buscar a chave! – Dizia a Tia Ana Rosa – Foi o barulho da janela que eu ouvi.&lt;br /&gt;As janelas eram de guilhotina e nunca estavam travadas. Acenderam o candeeiro de petróleo, foram observar a janela e descobriram, do lado de fora, um par de sapatos e pegadas frescas na areia macia da rua.&lt;br /&gt;- Vai chamar ajuda, vai acordar os teus camaradas, temos de dar caça ao ladrão, senão estamos desgraçados. Lá se vai o apuro da semana.&lt;br /&gt;A Tia Ana Rosa é que tomava nota das contas da companha, que recebia o dinheiro da venda, contas que eram partidas ao sábado. Parte do barco, parte do arrais, o Domingos e parte de cada pescador.&lt;br /&gt;O Domingos sai de casa, munido dum sarrafo que encontrara na cozinha, nunca se sabe, até podia dar com o ladrão, ali por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve estavam à porta de casa vários homens, dispostos a dar caça ao gatuno que lhes surripiara o dinheiro. Ele já era tão pouco e havia de acontecer uma desgraça destas, logo esta semana, que as pescas até nem tinham sido más, dera muita pescada nas costas de Montedor.&lt;br /&gt;Ao observarem os sapatos achados do lado de fora da janela, um dos homens exclama:&lt;br /&gt;- Eu vi um tipo com estes sapatos. Não te lembras, João? O que esteve a jogar às cartas connosco, lá na loja.&lt;br /&gt;- Pois foi, ele tinha uns sapatos assim, tinha.&lt;br /&gt;Tinham estado com mais alguns pescadores da vizinhança a jogar às cartas, na loja da Chocalha, até tarde e esse fulano tinha acamaradado com eles, mas não o conheciam. Pensaram ser alguém de uma freguesia próxima, que estava ali a passar um bocado, a beber umas malgas de vinho, bom vinho que a Chocalha mandava vir de Outeiro.&lt;br /&gt;Distribuíram-se em grupos e saíram ansiosos, na busca daquele desconhecido. A madrugada ia alta, ainda faltavam, pelo menos, duas horas para amanhecer.&lt;br /&gt;Um dos grupos, foi directamente à loja da Chocalha, ali perto, onde mais tarde haviam de construir o quartel dos bombeiros, que naturalmente estava fechada e às escuras.&lt;br /&gt;Continuaram para sul pela rua e ao chegar à alvariça, onde depois o Pinheiro construiu a oficina, hoje é a Caixa Geral de Depósitos, encontraram junto a umas silvas a gaveta desaparecida. Só faltava o dinheiro, os outros papeis tinham ficado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De regresso a casa, decidiram que dois grupos iriam apanhar os primeiros comboios pelas sete da manhã, que se cruzavam na estação de Gontinhães e iriam até Caminha e até Afife ou Montedor.&lt;br /&gt;Os que foram de comboio até Caminha, apuraram que já por lá tinha passado um indivíduo desconhecido e que andava descalço. Como o olharam com desconfiança, ele tinha desaparecido.&lt;br /&gt;Decidiram entrar no próximo comboio e seguir para norte. Desanimados por ninguém o ter visto nas estações seguintes, decidiram sair em S. Pedro da Torre e esperar pelo comboio em sentido contrário, para os trazer de volta a casa.&lt;br /&gt;Que grande surpresa tiveram ao entrar na carruagem, ao ver entre os passageiros o tal fulano, que tinha estado no dia anterior, na tasca da Chocalha. Sem denunciarem as suspeitas que tinham, entabularam facilmente conversa com o homem que já exibia uns sapatos e um casaco novo.&lt;br /&gt;Ao chegarem à estação de Gontinhães, deitaram-lhe a mão e arrastaram-no para a gare, onde o imobilizaram, enquanto pediam para irem chamar a Guarda.&lt;br /&gt;O homem confessou o roubo e a audácia de ir a uma casa desconhecida, às escuras, procurar uma chave, abrir a gaveta e sair furtivamente. O que estragou o golpe, foi ter as mãos ocupadas com a gaveta e a janela ter caído, sem contar. Por isso teve de correr e deixar no local os sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta história foi contada, muitos anos depois, pela Tia Ana Rosa, já velhota, quando se reuniam à noite os filhos, os netos e outros familiares ou vizinhos, para tecerem o linho ou para qualquer outro trabalho.&lt;br /&gt;Sabem para que servia o fio de linho que elas teciam? Era para as redes do sável. Essas redes eram feitas em linho, não um linho qualquer, mas linho do Brasil, que vinha já seco em estrigas ou seja, em molhos de fibras com dois palmos de comprimento, que tinham de ser passados pelo sedeiro.&lt;br /&gt;O sedeiro era um cepo de madeira com uma espécie de pregos virados para cima, onde se batiam as estrigas, para separar as fibras do linho que eram ligadas e fiadas, para de seguida irem para a dobadeira.&lt;br /&gt;Depois de dobada, saía para as agulhas e só então se fabricavam as redes. Naquela época não havia material já fabricado, tudo era feito em casa.&lt;br /&gt;As redes de que vos falo eram redes volantes de tresmalho com albitanas. Em linguagem corrente, quero dizer que eram redes que pescavam à superfície, tal como as lampreeiras e que se deslocavam ao sabor da corrente.&lt;br /&gt;O que fazia flutuar a rede era a cortiçada feita em cortiça segundeira, nunca da virgem e o peso que a mantinha aberta e vertical, era feito com os pandulhos, uns pequenos e esguios sacos de pano cru, cheios de areia grossa, que se apanhava no Espilrro.&lt;br /&gt;Também se apanhavam sáveis com redes de algerife, redes de cerco que eram puxadas para terra nos diversos portos do rio Minho. Os primeiros portos do Minho eram o das Oliveiras, o do Baixinho e da Candosa, já a meio caminho de Seixas. Estas redes eram fabricadas em fio do norte que era mais robusto que o linho.&lt;br /&gt;Pois é, falam do sável, do arroz de debulho, mas não sabiam o trabalho que dava para o apanharem. Se calhar nem sabiam que haviam redes feitas de linho.&lt;br /&gt;Isto foi-me contado pelo Domingos Verde, não o do conto, mas o seu neto, o Pinga, que ainda hoje recorda os serões de Inverno, que passava na casa dos seus pais, que recorda as histórias passadas no mar, os naufrágios, as misérias, as mortes, mas também a alegria das pescarias, da fartura, da sardinha, as histórias da vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-7408809541362106064?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/7408809541362106064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=7408809541362106064' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7408809541362106064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7408809541362106064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/05/agarra-que-ladro.html' title='Agarra que é ladrão...'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-4397595643960253486</id><published>2008-04-29T11:14:00.001+01:00</published><updated>2008-04-29T11:42:48.558+01:00</updated><title type='text'>Vila Praia de Âncora - Dunas dos Caldeirões</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SBb7jORINqI/AAAAAAAAABs/PI_FMDRzNfI/s1600-h/1370001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194615802762376866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SBb7jORINqI/AAAAAAAAABs/PI_FMDRzNfI/s320/1370001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-4397595643960253486?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/4397595643960253486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=4397595643960253486' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4397595643960253486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4397595643960253486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/04/vila-praia-de-ncora-dunas-dos-caldeires.html' title='Vila Praia de Âncora - Dunas dos Caldeirões'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SBb7jORINqI/AAAAAAAAABs/PI_FMDRzNfI/s72-c/1370001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7515012832904264444</id><published>2008-04-25T12:59:00.000+01:00</published><updated>2008-04-25T13:00:54.103+01:00</updated><title type='text'>A tentação  (Epílogo)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Padre Maia olhou em volta e com um gesto convidou a Conceição e a Celeste a sentarem-se. Esta continuava com o bebé ao colo e instalou-se na ponta de uma cadeira.&lt;br /&gt;- Eu não sei o que dizer – começou o padre Maia, - fui apanhado de surpresa. Tenho mesmo uma filha?&lt;br /&gt;- Si cura. Uma hija mui guapa.&lt;br /&gt;- Mas porque não me disseste?&lt;br /&gt;- Não podia. Lo prometi a mi padre.&lt;br /&gt;- Prometeste a quem? Ao teu padre?&lt;br /&gt;- No! Prometi a mi papá, entendes?&lt;br /&gt;- Mas quem é o teu pai, Celeste?&lt;br /&gt;- D. Artur.&lt;br /&gt;- Qual D. Artur?&lt;br /&gt;- Tu bispo, cura. Tu bispo…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-7515012832904264444?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/7515012832904264444/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=7515012832904264444' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7515012832904264444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/7515012832904264444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/04/tentao-eplogo.html' title='A tentação  (Epílogo)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-1435916192847011701</id><published>2008-04-21T18:04:00.001+01:00</published><updated>2008-04-21T18:10:25.050+01:00</updated><title type='text'>A tentação  (1ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Padre Maia guardou uns segundos de silêncio, abençoou os fieis ao mesmo tempo que repetia a habitual despedida, “ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”.&lt;br /&gt;Fechou a Bíblia encadernada a couro encarnado pousada sobre o altar e encaminhou-se para a sacristia. Os seus paroquianos que tinham assistido à missa, começaram a sair da igreja. Cá fora juntaram-se em pequenos grupos, que rapidamente retomavam as conversas interrompidas pelo ofício vespertino.&lt;br /&gt;O sol ainda ia alto, fazia calor e a sombra projectada pelas oliveiras e pelos ciprestes do adro davam conforto aos corpos suados. Ali ao fundo, alguns homens discutiam futebol, falavam do último jogo do Benfica que voltara a perder, desta vez na Madeira, mais além, um grupo de raparigas trocava confidências sobre os namorados, aqui perto umas beatas já idosas, cochichavam sobre os rumores que davam como certo, mais um par de cornos para o Amílcar Padeiro, desta vez a mulher andaria com um tipo da Guarda Republicana, que era novo no posto.&lt;br /&gt;No ambiente fresco e obscurecido da sacristia, o Padre Maia tirou os paramentos, dobrou-os cuidadosamente e arrumou tudo no armário. Penteou-se ao espelho, compôs a fralda da camisa azul de manga curta, pegou na pasta e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar ao seu escritório olhou para o velho relógio de parede. Já passava das sete da tarde e o calor continuava sufocante. Dispôs-se a ler mais umas páginas de “O último papa” um livro que falava da vida no Vaticano e das lutas pelo poder que se travavam nos seus corredores. Estavam na moda as novelas históricas, onde a Igreja era frequentemente atacada, principalmente o Vaticano, que parecia ser povoada por monstros malignos, na pena desses escribas.&lt;br /&gt;- É sempre a mesma conversa, Jesus era casado, teve filhos com a Maria Madalena, Judas afinal era dos bons, o João Baptista é que era o Mestre, que mais estes tipos irão inventar! – Falava para si o padre, enquanto procurava o marcador entre as páginas.&lt;br /&gt;Algum tempo depois a Conceição, sua governanta, apareceu à porta do gabinete e repetiu o de sempre, “ o jantar está servido, Sr. Padre”.&lt;br /&gt;- Obrigado Conceição.&lt;br /&gt;Fechou o livro, pousou os óculos sobre ele e foi para a sala de jantar. A mesa estava posta apenas para si, a Conceição teimava em cear na cozinha, apesar de ele ter insistido várias vezes para que lhe fizesse companhia na sala.&lt;br /&gt;- Não Sr. Padre. O senhor tem o tempo da refeição para pensar e eu tenho outros afazeres, nem iria comer tranquila.&lt;br /&gt;A Conceição devia andar pelos setenta anos e era sua governanta há mais de vinte. Viera consigo de Pinhel, onde a Conceição já era sua governanta, depois de ter chegado aos ouvidos do bispo um falatório acerca do padre Maia e da antiga empregada.&lt;br /&gt;Enquanto comia a sopa, pensou mais uma vez na Celeste, a doce Celeste que quase o fez virar as costas à Igreja.&lt;br /&gt;O seu envolvimento durara poucos meses, ele era um jovem padre, tinha sido ordenado três ou quatro anos antes, quando a contratou para criada externa. Já nem estava certo se a tinha procurado ou se ela lá tinha ido oferecer-se.&lt;br /&gt;Aos poucos, a confiança entre eles tinha solidificado e nascera uma paixão que em breve a levava a passar algumas noites no passal.&lt;br /&gt;Estas coisas acabam sempre por se saber e os bispos têm muitos olhos e ouvidos. Alguém tinha ido com o conto, ele foi chamado à sua presença, tiveram uma conversa franca, sem recriminações, nem arrependimentos. O bispo propôs-lhe passar algumas semanas de reflexão no Seminário de Évora e prometeu-lhe que dariam um futuro digno à rapariga, na condição de ele a esquecer e não a tentar encontrar.&lt;br /&gt;Acabou por concordar e quando regressou à sua paróquia, encontrou lá a Conceição a dirigir a residência paroquial.&lt;br /&gt;Rapidamente percebeu que era uma mulher com um certo nível cultural e que devia encerrar um segredo qualquer, mas nem em confissão se abria. “Curioso, ela nem sequer é muito religiosa. Missa só aos domingos e nem sempre”.&lt;br /&gt;Enquanto a sua velha colaboradora pousava uma travessa de bacalhau cozido e hortaliça fumegante, pensou o pouco que sabia dela ao cabo de tantos anos de convivência. O mesmo se passava com a Celeste, nunca soube nada dela, de onde viera, para onde fora enviada.&lt;br /&gt;Parece que ainda estava a ver a Celeste com o longo cabelo negro apanhado num “puxo”, olhos grandes e escuros, boca bem desenhada e lábios carnudos. O corpo era forte, mas bem torneado, como só as moças do campo tem.&lt;br /&gt;- Isso são coisas do passado, nem sei porque me lembro disto, já há-de estar casada, se calhar já tem netos. Já não se lembra de mim…&lt;br /&gt;Acabou o jantar concentrando a atenção nas notícias do telejornal, tomou o café e foi para o centro paroquial, onde iria presidir a uma reunião da Fábrica da Igreja. Nessa noite dormiu sobressaltado e por várias vezes acordou com a sua antiga criada no pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana depois, estava no seu escritório a ler umas actas antigas das “Memórias Paroquiais” quando ouviu a campainha da porta. Passados alguns segundos a campainha voltou a tocar, levantou-se e foi atender. À porta estava uma senhora com um bebé ao colo, que lhe perguntou pela D. Conceição Andrade.&lt;br /&gt;- Ela deve estar para o quintal. Faz favor de entrar e esperar um momento, que eu vou chamá-la.&lt;br /&gt;Acto contínuo atravessou a cozinha, abriu a porta das traseiras e chamou a Conceição que lavava roupa no tanque.&lt;br /&gt;- Conceição, está no átrio uma senhora que quer falar consigo.&lt;br /&gt;- Uma senhora?&lt;br /&gt;- Sim, com um bebé ao colo.&lt;br /&gt;- Já vou, já vou – e limpava as mãos ao avental enquanto subia as escadas para a cozinha.&lt;br /&gt;O Padre Maia voltou para o seu escritório sem deixar de passar pelo átrio e dizer à visitante que a Conceição estava a chegar.&lt;br /&gt;Pela primeira vez deu atenção àquele rosto. As feições não lhe eram desconhecidas e foi a pensar nisso que retomou a leitura das actas. Instantes depois desistiu, porque o pensamento voava em círculos, cada vez mais amplos, qual falcão em busca da presa.&lt;br /&gt;- Dá licença Sr. Padre? – Interrompeu a Conceição, da porta.&lt;br /&gt;- Diga, Conceição.&lt;br /&gt;- Eu… hum… eu, queria, hum… Não sei como dizer-lhe.&lt;br /&gt;- Mas diga senhora, diga. Passou-se alguma coisa?&lt;br /&gt;- Não! Quer dizer… sim. Passou. Aquela senhora que está lá fora é minha filha.&lt;br /&gt;- Você tem uma filha? Não sabia, nunca me tinha dito nada!&lt;br /&gt;- Pois não…&lt;br /&gt;- Mas há algum problema, Conceição?&lt;br /&gt;- Não Sr. Padre, mas ela quer cumprimentá-lo e mostrar-lhe o bebé.&lt;br /&gt;- Então, é preciso ficar assim atrapalhada por causa disso? Mande entrar a sua filha, ande lá.&lt;br /&gt;- Deus me valha, Deus me valha!&lt;br /&gt;Saiu do aposento, regressando de imediato com a filha e a criança ao colo. O Padre Maia inclinou-se para poder apreciar o bebé que não teria mais de cinco ou seis meses e sorriu para ambas.&lt;br /&gt;- Gracias por me receber e à mi nieto.&lt;br /&gt;- A senhora esteve em Espanha muito tempo?&lt;br /&gt;- Si, vivo em Espanha à mas de vinte anos, por isso hablo mas Espanhol que Português.&lt;br /&gt;- E está de visita a Portugal ou veio para ficar?&lt;br /&gt;- Vim tão solo mostrar mi nieto a mi madre e me vou mañana a Granada. Usted não me conhece, Cura?&lt;br /&gt;- Não… bem, a sua cara não me é estranha, mas… Virgem Santíssima, tu… a Celeste!!! Tu és a Celeste!&lt;br /&gt;- Por supuesto, Cura, eu sou a Celeste, se recuerda de mi.&lt;br /&gt;- Como não… Assim, com o cabelo louro, já se passaram tantos anos. Casaste, tiveste filhos. Eu… Eu continuei com a Igreja.&lt;br /&gt;- Si, casei há oito anos.&lt;br /&gt;- Mas então, se esse bebé é teu neto, como é…&lt;br /&gt;- Si, mi nieto, pero también tu nieto, hombre!&lt;br /&gt;- Hum…&lt;br /&gt;- Ai Jesus… - gemeu a Conceição.&lt;br /&gt;- Este niño es hijo de nostra hija, Cura!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-1435916192847011701?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/1435916192847011701/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=1435916192847011701' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1435916192847011701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/1435916192847011701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/04/tentao-1-parte.html' title='A tentação  (1ª parte)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-4762557529202446407</id><published>2008-04-17T16:35:00.000+01:00</published><updated>2008-04-17T16:37:02.459+01:00</updated><title type='text'>Crónicas do filho da p***   (3ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O grande problema, a grande desorientação, a infelicidade suma do filho da p*** ocorre naqueles momentos de transição, de incerteza quanto ao rumo dos acontecimentos, naqueles momentos em que a balança está parada por instantes e não se sabe qual o prato de maior peso; é nesses momentos que o filho da p*** se torce e contorce, na busca desesperada de “parâmetros”, dos seus queridos parâmetros, ou simplesmente de uma via, de um rumo, da sua via, do seu rumo de filho da p***.&lt;br /&gt;É nessas ocasiões sobretudo que ele, o filho da p***, se queixa, que aparece em todos os lugares dizendo “isto está mau”, e não adiantando mais nada.&lt;br /&gt;Sim, para o filho da p*** nada pior que não saber qual é a preocupação dos outros, não saber enfim o que os outros pensam, o que os outros acham, o que os outros sabem.&lt;br /&gt;É por isso que organiza testes, toda a espécie de testes, e programas, toda a espécie de programas, e sondagens, toda a espécie de sondagens, e inquéritos, reuniões de grupo, reciclagens, estágios, exames, modos de através de um ritual de perguntas e respostas tentar apurar dos outros o que os outros normalmente tentam também apurar dele: o que pensam, o que acham, o que sabem da vida uns dos outros. Mas quanto mais normalizadas são as perguntas e as respostas, maior é também a sensação que o filho da p*** experimenta de nada saber.&lt;br /&gt;É por isso que cada vez mais promove órgãos de orientação geral, instrumentos para levar a pensar ou a não pensar, a fazer ou a não fazer, a falar ou a não falar, sempre segundo os mesmos critérios nas mesmas circunstâncias.&lt;br /&gt;Serviços técnicos, gabinetes de coordenação, institutos de apoio, centros de divulgação e de documentação, departamentos de planeamento, sectores de estatística, gabinetes de gestão, comissões do ambiente, núcleos de inspecção, canais logísticos, serviços de reconhecimento, postos de fomento, institutos de reorganização, delegações de investigação, grupos de trabalho permanente, “workshops”, centros de observação, serviços coordenadores de estudos, registros centrais, divisões de fiscalização e comissões de apoio às iniciativas centrais.&lt;br /&gt;Por sua vez, estes órgãos são apoiados por outros de mais largo alcance; se, para esse efeito, em certos lugares e épocas utiliza a sua psiquiatria, noutros utiliza a sua inquisição, e noutros serve-se da sua televisão e demais órgãos de qualidade de vida; pode servir-se do seu jornal ou da sua falta de jornal, do seu partido único ou da sua pluralidade de partidos, pode servir-se de prémios ou de castigos, de gratificações ou de transferências. Isso mesmo. Não há nada que o filho da p*** não faça e não há nada que não sirva os seus desígnios.&lt;br /&gt;O filho da p*** é sempre aquilo que os outros filhos da p*** do momento e do lugar são; é, porque é isso que “convém” ser, e portanto é isso que ele é. O filho da p*** insere-se sempre no processo em curso qualquer que ele seja, e esse é mais um traço distintivo do filho da p***.&lt;br /&gt;O filho da p*** colabora, e está sempre no vento, sempre na maré, sempre na onda. O filho da p* é sempre no mais alto grau possível aquilo que “convém” ser no lugar e no momento em que vive.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-4762557529202446407?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/4762557529202446407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=4762557529202446407' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4762557529202446407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4762557529202446407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/04/crnicas-do-filho-da-p-3-parte.html' title='Crónicas do filho da p***   (3ª parte)'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-4576006854141982954</id><published>2008-04-14T13:45:00.001+01:00</published><updated>2008-04-14T13:48:27.013+01:00</updated><title type='text'>O caminho de um rio</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SANSZdvGlrI/AAAAAAAAABk/bm3c1j-6hT0/s1600-h/1362095.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189081793093342898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SANSZdvGlrI/AAAAAAAAABk/bm3c1j-6hT0/s320/1362095.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-4576006854141982954?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/4576006854141982954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=4576006854141982954' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4576006854141982954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/4576006854141982954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/04/o-caminho-de-um-rio.html' title='O caminho de um rio'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/SANSZdvGlrI/AAAAAAAAABk/bm3c1j-6hT0/s72-c/1362095.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-5005414630944333259</id><published>2008-04-11T12:35:00.000+01:00</published><updated>2008-04-11T12:36:52.071+01:00</updated><title type='text'>IPO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem aconteceu-me algo deveras interessante que não resisto a transcrever. A meio da manhã estava muito sossegado no meu trabalho quando apareceu o meu amigo Pedro a convidar-me para ir com ele ao IPO.&lt;br /&gt;Esclareça-se que o IPO que ele referia era Inspecção Periódica Obrigatória e não o Instituto Português de Oncologia. Acho que é completamente idiota deixarem usar a referência IPO para a inspecção automóvel, quando já existe há décadas um organismo público, ligado à área da saúde com a mesma designação. Só em Portugal!&lt;br /&gt;Mas contava-vos eu que o Pedro ia levar o carro à inspecção e queria companhia. Disse-lhe que não podia ir e ele retorquiu:&lt;br /&gt;- Sabes, é a primeira vez, não sei como aquilo é.&lt;br /&gt;- Ó homem, não tem nada que saber. Vais ali a Campos que eles fazem isso em dez minutos.&lt;br /&gt;- O que é que eles pedem?&lt;br /&gt;- Tens de levar os documentos, põe o triângulo e o colete à mão, tens de verificar se as luzes estão todas em condições.&lt;br /&gt;- Eu acho que isso está tudo bem – diz o Pedro – só os limpa vidros é que tem problema.&lt;br /&gt;- Estão avariados?&lt;br /&gt;- Não, eles trabalham, mas um deles não limpa nada.&lt;br /&gt;- Então tens de os mudar, tens de comprar umas escovas novas.&lt;br /&gt;- Já comprei mas… olha vamos tomar café que eu explico-te.&lt;br /&gt;Fomos à pastelaria, tomamos café, falamos de qualquer coisa e eu nunca mais me lembrei dos limpa vidros. Quando saímos o Pedro arrastou-me até ao parque de estacionamento para eu ver as luzes do “chaço”, um Skoda Octávia que estava a fazer quatro anos e está em óptimo estado.&lt;br /&gt;- Eu comprei as escovas no Feira Nova e como não sabia pô-las pedi ao meu irmão, mas ele disse-me que uma delas não servia. Só conseguiu pôr a do lado do condutor.&lt;br /&gt;- Tu não percebes nada disto – disse eu – mas o teu irmão é outra nódoa. Então não vês que esta escova está posta ao contrário. Repara este deflector é colocado na parte de cima, assim.&lt;br /&gt;Desmontei a escova, virei o adaptador, voltei a colocá-la na posição correcta e pedi-lhe:&lt;br /&gt;- Dá-me a outra que eu ponho isso num instante.&lt;br /&gt;- A outra? Eu não a tenho…&lt;br /&gt;- Não tens? Então que lhe fizeste?&lt;br /&gt;- Deitei-a fora, como o meu irmão disse que não servia…&lt;br /&gt;- Ó pá tu és…&lt;br /&gt;- Já sei, já sei eu e o meu irmão somos dois burros!&lt;br /&gt;- Não! Tu e o teu irmão sois três burros, porque tu vales por dois.&lt;br /&gt;- Agora tenho de comprar outra, não?&lt;br /&gt;- Claro, mas podes ir assim que eles não implicam. Desde que trabalhem…&lt;br /&gt;- Vê-me as luzes.&lt;br /&gt;- Ok, mete-te no carro e liga os mínimos.&lt;br /&gt;Eu na frente do carro comandava:&lt;br /&gt;- Agora liga o pisca da esquerda, agora o da direita.&lt;br /&gt;E por aí fora. Passei para a traseira do carro e cantei a mesma música até chegar  à luz de nevoeiro, que teimava em não acender.&lt;br /&gt;- Pedro, a luz de nevoeiro não acende.&lt;br /&gt;- Que é isso da luz de nevoeiro?&lt;br /&gt;- A luz de nevoeiro, pôrra!&lt;br /&gt;- Onde é que se liga?&lt;br /&gt;- O carro é teu, tu é que deves saber.&lt;br /&gt;- Ó pá, eu nunca vi isso.&lt;br /&gt;- Pira-te daí, deixa-me ver.&lt;br /&gt;Conferi todos os comandos e rapidamente encontrei o comando da luz traseira de nevoeiro que estava agrupada com os projectores de nevoeiro, no comutador geral das luzes.&lt;br /&gt;- Pedro, é aqui junto com os faróis de nevoeiro.&lt;br /&gt;- Faróis de nevoeiro? Este modelo não tem.&lt;br /&gt;- Tem sim senhor. Anda cá ver.&lt;br /&gt;Acto contínuo mostrei-lhe onde ligavam as luzes referidas e ficou espantado ao ver os faróis de nevoeiro que estavam a ser acesos pela primeira vez ao fim de quatro anos.&lt;br /&gt;- Brito, pelo menos hoje já aprendi alguma coisa.&lt;br /&gt;Já nem tive coragem de lhe dizer nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-5005414630944333259?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/5005414630944333259/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=5005414630944333259' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5005414630944333259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/5005414630944333259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/04/ipo.html' title='IPO'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-8095463216740574971</id><published>2008-04-09T10:32:00.001+01:00</published><updated>2008-04-09T10:44:53.049+01:00</updated><title type='text'>O homem e a natureza</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/R_yPpb0icmI/AAAAAAAAABc/wINhjBTBXvw/s1600-h/gaiv.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187178812829495906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 359px; CURSOR: hand; HEIGHT: 275px; TEXT-ALIGN: center" height="277" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/R_yPpb0icmI/AAAAAAAAABc/wINhjBTBXvw/s320/gaiv.jpg" width="356" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8424249828123230381-8095463216740574971?l=rioancora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rioancora.blogspot.com/feeds/8095463216740574971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8424249828123230381&amp;postID=8095463216740574971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8095463216740574971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8424249828123230381/posts/default/8095463216740574971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rioancora.blogspot.com/2008/04/o-homem-e-natureza.html' title='O homem e a natureza'/><author><name>Brito Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07257191403802091322</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_inuEwSe2Kpc/R4YvdeQPlRI/AAAAAAAAAAM/2FvQlqzS4Pc/S220/C%C3%B3pia+de+DSCN3824.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_inuEwSe2Kpc/R_yPpb0icmI/AAAAAAAAABc/wINhjBTBXvw/s72-c/gaiv.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8424249828123230381.post-7784564887076579134</id><published>2008-04-07T10:54:00.001+01:00</published><updated>2008-04-17T16:39:15.319+01:00</updated><title type='text'>Crónicas do filho da p***  (2ª parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Onde o filho da p*** se sente à-vontade é na política. Está entre os seus e considera-se o maior, quando tem de lidar com os grupos que o elegem. Aí a sua natureza de filho da p*** tem der ser cuidadosamente camuflada sob uma aparência de bonomia, de solidariedade e de partilha dos problemas dos “totós” que vão na conversa. “As bases” como ele gosta de chamar, são sempre difíceis de contentar. Estão sempre a pedir alguma coisa ou, pior ainda, durante as campanhas querem beijinhos e abraços, algo que o filho da p*** abomina, mas que condescende com um sorriso nas beiças. Interessa é que os otários façam a cruzinha no sítio certo. Isso vale todos os sacrifícios.&lt;br /&gt;Mas o filho da p*** tem um drama permanente, pois todos os outros filhos da p*** da política, invejam a sua posição e não se poupam a esforços para o foder.&lt;br /&gt;Por isso, tem de manter-se nas boas graças do chefe, seja ele qual for, o deputado, o presidente da Câmara, o secretário-geral, sei lá, um qualquer filho da p*** graúdo.&lt;br /&gt;A esses cães gordos, o nosso filho da p*** até lhe lambe os sapatos, com um ar de fingida satisfação. Diz sempre “ámen” ao chefe, reitera-lhe repetidamente o seu apoio e está sempre disponível para qualquer biscate de que o chefe o encarregue. Como qualquer bom filho da p*** roí-se todo por dentro com esta subserviência e sonha com a oportunidade de tramar o chefe e, quem sabe, herdar a sua posição. É uma questão de tempo…&lt;br /&gt;Nas reuniões do Partido gosta particularmente de ver o chefe a ser atacado, para poder demonstrar-lhe a sua fidelidade, defendendo-o dos outros filhos da p***. Quando lhe toca a ele dirigir uma reunião, temendo ser atacado, fala, fala, fala até ser tarde e já ninguém estar com paciência para o afrontar.&lt;br /&gt;Não dispensa um séquito de nabos, os “ferrinhos”, para lhe fazerem as vontades e 
